Mostrando postagens com marcador mitologias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mitologias. Mostrar todas as postagens

12 de dezembro de 2012

Maborym

Essa postagem é resultado de uma pesquisa decorrente de uma pergunta feita por uma leitora do blog.

Originalmente publicado em
 janeiro de 1989 
– Recolhido em Preludes and 
Nocturnes na The Absolute Sandman 
Volume 1
A pergunta envolve a identidade de uma criatura mitológica chamada Maborym. Como a pergunta surgiu da leitura de uma HQ de imediato imaginei tratar-se de um nome fictício criado com fins meramente comerciais para o enredo da HQ. O nome aparece na HQ © Sandman da DC Comics. The Annotated Sandman #1 - 'Sleep of the Just'  Pesquisando em sites estrangeiros encontrei no site www.enjolrasworld.com um texto com uma breve apresentação da publicação e uma discussão dos elementos da mesma cuja tradução em que é mencionado o nome Maborym eu transcrevo abaixo.

Em seu romance
The King of Elfland's Daughter ( 1924 )
Lord Dunsany aborda a questão
das mulheres imortais, pelo
amor de um homem, deixando o seu
estatuto e tendo que aceitar a morte,
prefigurando eleições similares de Lúthien
 em O Silmarillion e Arwen em
O Senhor dos Anéis por JRR Tolkien .
"... é um deus ou demônio persa no panteão zoroastriano. Ele é mais familiar para os ocidentais sob o nome Asmodeus*. Horvendile é um nome que aparece em Lord Dunsany e James Branch Cabell. Em Dunsany (um fantasista precoce e dramaturgo, ativo nas primeiras décadas deste século, a obra mais conhecida talvez seja _The King of Elfland's Daughter_), Horvendile é um deus. No ciclo “Poictesme” de Cabell, ele é referido como um demiurgo, um ser que, embora tenha uma curta passagem pela estória, está acima dela e, possivelmente, mexendo os pauzinhos. Ele também mantém suínos que se alimentam de carne humana..."

* Asmodeus é considerado um dos sete príncipes do inferno abaixo somente de Lúcifer (o Imperador do Inferno). É o demônio representante do último pecado, a Luxúria, concepção dada ao considerado pior dos pecados. Sua origem difere muito conforme a fonte, alguns o consideram como um anjo caído, porém alguns escritos judaícos indicam Asmodeus como o "Rei Esquecido de Sodoma", nesse conto Asmodeus é visto como o homem mais impuro já nascido, e aquele que guiou Sodoma à luxuria. Alguns teólogos consideram a destruição de Sodoma como meio de matar Asmodeus, e não como prelúdio do Dilúvio. Já no livro deuterocanonico de Tobias, é citado como o assassino dos noivos de Sara. Deus envia o Arcanjo Rafael para guiar Tobias, encontrar Sara e prender o demônio nos mais altos picos terrestres. Depois de completar sua missão, o Arcanjo cura Tobit pai de Tobias e retorna para a Corte celeste.
Segundo seitas satânicas, a letra inicial de seu nome é parte integrante do acrônimo Baal, nome de deus pagão citado tanto nas escrituras sagradas do Torá (judaísmo) quanto na Bíblia (cristianismo), que se traduz nos nomes dos demônios Belzebu, Astarot, Asmodeus e Leviatã.


Asmodeus é normalmente representado como uma espécie de quimera, com asas e três cabeças: uma de homem com hálito de fogo, uma de touro e uma de carneiro, símbolos de virilidade e fertilidade. Porém, pode ser representada também como uma espécie de feiticeiro capaz de adotar a forma de aranha. Por se tratar de um humano que virou demônio e não um anjo caído, Asmodeus possuí o livre arbítrio, negado aos anjos, sendo considerado a Arma de Lúcifer para derrotar o Messias.





23 de abril de 2012

O amor Proibido de Inês de Castro

Inês de Castro é sem dúvida uma personagem de grande importância na cultura portuguesa e a história de seu amor proibido com o Infante Pedro atravessaria gerações. Embora estivesse prometido à Constança Manuel, filha de um descendente de monarcas dos reinos de Aragão, Castela e Leão. Embora não quisesse se casar o jovem príncipe se submeteu ao casamento o que não impediria que fosse buscar em outros braços o amor que não conseguia enxergar em Constança. E foi exatamente nos braços da dama de companhia de Constança, a jovem e bela Inês de Castro que o jovem príncipe encontrou seu lugar. Tal relacionamento foi visto com maus olhos pelos membros da corte e pelos próprios súditos.


Os caminhos que o amor de Pedro e Inês tiveram de percorrer incluíram o exílio de Inês, a morte de Constança após o parto de um de seus filhos e intrigas cujo resultado final foi a morte da jovem Inês. Mas uma história assim não terminaria com a covarde morte encomendada de Inês. Sua lenda e a lenda de seu amor com Pedro continuaria. Ainda hoje é possível visitar a Fonte dos Amores, local onde Inês e Pedro se encontravam para trocar confidências.


Para aqueles que apreciam as histórias de amor medieval uma leitura mais detalhada sobre esta que se tornou uma heroína da história portuguesa pode ser uma boa dica. Muito do que se diz sobre Inês de Castro pode ser considerado como puro folclore, mas ainda que em vida a história de Inês de Castro não tivesse tantos componentes mitológicos quanto poderíamos esperar, sua história ainda oferece muito em que meditar e mergulhar em seu mundo é visitar uma época em que os valores hoje tão pouco estimados eram uma tônica.

25 de outubro de 2011

Tsathoggua

Tsathoggua é o nome de uma entidade da ficção sobrenatural. Ele foi criado por Clark Ashton Smith como parte do seu ciclo de Hiperbórea. É descrito como fazendo parte do panteão Ele foi descrito no conto "The Tale of Satampra Zeiros" de Smith, escrito em 1929 e publicado no 1931. Sua primeira aparição na imprensa, no entanto, foi na história "The Whisperer in Darkness", escrito em 1930 e publicado em agosto de 1931.
A  primeira descrição de Tsathoggua ocorre em "The Tale of Satampra Zeiros", no qual os protagonistas encontram um dos ídolos da entidade:
"Ele era muito agachamento e barrigudo, com a cabeça era mais parecido com um sapo monstruoso que uma divindade, e todo o seu corpo estava coberto com uma imitação de pêlo curto, de alguma forma dar uma sensação vaga de ambos os morcegos e as preguiças . Suas pálpebras sonolentas estavam meio abaixada sobre os olhos globular, e da ponta de uma língua estranha emitido de sua boca gordura."




A descrição dada por H P Lovecraft de Tsathoggaua e de seu local de habitação.
- É curioso notar que apesar de haver uma fonte original de onde podemos basear nossa visão a respeito da aparência de Tsathoggua, a liberdade artística atual permite termos uma visão bastante ampla e diversificada de tal entidade sobrenatural.
"Este era um templo, [...] de blocos de basalto, sem uma única escultura, e contendo apenas um pedestal de ônix vago. . . Foi construído em imitação de certos templos retratado no cofres do Zin, a casa de um terrível ídolo negro de um sapo [...] e chamou Tsathoggua [...]. Tinha sido um deus potente e amplamente adorado, e após a sua adoção pelo povo de K'n-yan havia emprestado seu nome para a cidade que mais tarde se tornaria dominante naquela região. A lenda de Yothic diz que tinha vindo de um reino misterioso interior debaixo do mundo vermelho-iluminado - um reino negro [...] que não tinham luz em tudo, mas que tinha grandes civilizações e deuses poderosos antes mesmo de os quadrúpedes reptilianos do Yoth terem chegado a existir."
-HP Lovecraft e Zealia Bishop, "The Mound"

Tsathoggua habita nas profundezas da terra em N'kai. Tsathoggua uma vez habitou dentro do Monte Voormithadreth em Hyberbórea.

desovar sem forma

"Da bacia [...] encheu-se de uma espécie de substância viscosa e semi-liquescente, bastante opaco e de uma cor de fuligem [...]. Ele inchou dentro, como se com a ação de leveduras poderosas [e] uma cabeça tosca amorfa com os olhos esbugalhados e maçante surgiu gradualmente em um pescoço sempre crescente [...] Em seguida, dois braços - se se pudesse chamá-los de braços - também surgiram centímetro a centímetro, e vimos que a coisa não era [...] uma criatura imersos no líquido, mas que o líquido se colocou diante deste terrível pescoço e cabeça, e [que foram se formando agora os braços] que tateou em nossa direção com o tentáculo - como apêndices, em vez de garras ou as mãos! [...] Então toda a massa do líquido escuro começou a subir [e] derramada sobre a borda da bacia como uma torrente de preto mercúrio, tomando como atingiu o chão uma forma ondulante ofídicos que imediatamente desenvolveu mais de uma dúzia de pernas curtas."
-Clark Ashton Smith,  "The Tale of Satampra Zeiros".

De acordo com o texto Tsathoggua é formado pelo "desovar sem forma", polimórficas entidades feitas de gosma preta. Eles são extremamente resistentes e muito difíceis de "despachar". Ao desovar sem forma pode assumir qualquer forma e atacar os seus alvos em quase todos os modos imagináveis. Eles são surpreendentemente flexível e plásticos, e podem rapidamente fluir em uma sala com a mais ínfima rachadura. Eles atacam por "atropelar" os seus alvos, mordendo-os, ou esmagando-os. O RPG Call of Cthulhu  também afirma que nesta forma eles são feitos de uma substância fortemente ácida e podem dissolver a carne humana, mesmo com um leve toque.
Em sua história Nas Montanhas da Loucura , HP Lovecraft afirma que "Alguns místicos ousados ​​têm sugerido um pré-Pleistoceno origem para a fragmentária Manuscritos Pnakóticos, e sugeriram que os devotos de Tsathoggua eram tão estranhos para a humanidade quanto Tsathoggua."

10 de agosto de 2011

Enoque

(cena da série Sobrenatural).
Muito provavelmente este nome já foi ouvido por você em algum momento de sua vida e se você costuma acompanhar seriados de televisão que tratam de assuntos ocultos então é bem provável que o já tenha ouvido antes. Novamente como referência cito o seriado de televisão Sobrenatural (Supernatural), onde em diversas ocasiões sita-se o conhecido encantamento enoquiano (4ª e 5ª temporadas) a respeito do qual não vou me aprofundar agora, mas que está relacionado à linguagem mágica usada em rituais e cuja primeira referência impressa data de 1659 em uma biografia de Jhon Dee, clarividente e astrólogo do século XVI. É óbvio que dentro da história da série o nome Enoque surge de forma indireta como licensa poética para "amarrar" o enredo. No seriado os irmãos Winchester são marcados em seus ossos com simbolos do alfabeto enoquiano, como os que aparecem na caixa abaixo.

Apenas para explicar as coisas é importante lembrar que Jhon Dee
não descrevia a linguagem como enoquiana e sim como "lingua sagrada",
"lingua dos anjos" ou mesmo como "linguagem adâmica" (de Adão).
A expressão "enoquiano" deriva de Enoque, o personagem que dá nome
à esta postagem e que teria sido, segundo se crê, o último humano a
conhecer a língua antes de Dee.

Muito cuidado ao pronunciar palavras em enoquiano.

Feita essa pequena menção ao alfabeto enoquiano resta a pergunta: Quem exatamente foi Enoque? Para responder a esta pergunta preparei esta postagem onde tento de forma resumida dar uma visão geral da origem e significado deste nome e digo resumida porque a fonte histórica é muito extensa.

De acordo com algumas obras de referência, Enoque cuja tradução pode ser compreendida por "inaugurado" no sentido de "dedicado" ou "iniciado" pode ter ao menos três referências históricas possíveis a primeira delas corresponde à Enoque filho de Caim e pai de Irade (todos personagens bíblicos).

Segundo o relato bíblico, Enoque teria nascido na terra da Fuga, depois de Caim matar seu irmão Abel. Esse relato aparece no primeiro livro das escrituras hebraicas, Gênesis. 
Uma outra interpretação bastante popular deste relato é conhecido no Livro de Nod onde narra-se como Caim teria se tornado o antepassado dos vampiros ao ter se encontrado com Lilith quando este foi expulso de sua terra natal (o jardim do Éden) 'pelo único acima' após ter matado seu irmão Abel. Lilith o teria iniciado nas artes do sangue.

Uma outra referência possível à Enoque corresponde à Enoque filho de Jarede. Novamente a referência é bíblica e de acordo com o relato aí transcrito Enoque teria nascido quando seu pai Jarede estava com a idade de 162 anos. - Isso é que é vitalidade!


Este Enoque em questão não corresponde ao Enoque anterior, trata-se de outro Enoque, no entanto continua dentro da linhagem do primeiro sendo este o sétimo homem na descendência de Adão e aquele o terceiro. Este Enoque foi o pai de Metusalém - Sim aquele que teria vivido 969 anos! e teria se tornado avô de Noé, o do dilúvio, mas é bom parar por aqui pois, como devem imaginar a genealogia é muito extensa. Este segundo Enoque teria "morrido" à idade de 365 anos e ponho, "morrido" entre aspas pois o relato continua por dizer que Enoque fora transferido para não ver a morte. Uma conclusão a que se chega é que Enoque teria sido colocado em um tipo de transe profético e então deus terminou sua vida neste momento.

O transe profético pode ser compreendido como um estado em que o espírito de deus se sobrepõe à mente do indivíduo revelando uma visão ou o propósito de deus. O transe é um estado de profunda concentração uma condição semelhante ao sono. A palavra grega traduzida "transe" nas escrituras bíblicas é ék-sta-sis. Definida literalmente como pôr fora, ou deslocamento, transmite a idéia figurada de lançar a mente fora do seu estado normal. Quem estivesse em transe não se daria conta do que literalmente o cercava, e seria receptivo a uma visão.

A terceira referência, ainda dentro das escrituras hebraicas, faz menção à primeira cidade mencionada na Bíblia. Consta no relato que Caim construira tal cidade na chamada terra da Fuga, ao leste do lendário jardim do Éden, dando-lhe o nome de seu filho Enoque. A localização desta terra é desconhecida, mas a palavra hebraica para fuga é nohdh (nod) deriva do radical mudh, uma forma da qual é traduzida por "fugitivo" nos versículos 12 e 14 do primeiro livro das escrituras cristãs.

27 de junho de 2011

Baal


O nome com certeza não é dos menos conhecidos, uma vez que a todo instante nos deparamos com ele. Nesta postagem trago uma definição de seu nome, adoração e relação com o mundo de sua época.
O termo hab·Bá·‛al (o Baal) é a designação aplicada ao deus Baal. A expressão hab·Be‛a·lím (os Baalins) refere-se às diversas deidades locais consideradas como donos ou possuidores de certos lugares, e como tendo influência sobre eles.

O termo “Baal”, que também ocorre na bíblia, aparece uma vez nas chamadas Escrituras Gregas, onde no texto grego é precedido pelo artigo feminino he. Segundo certo comentário, o uso do artigo feminino antes de “Baal” na Septuaginta grega (uma tradução das escrituras), John Newton escreveu num ensaio sobre a adoração de Baal:

“Embora em hebraico ele seja do gênero masculino [hab·Bá·‛al], o senhor, todavia Baal é chamado [he Bá·al], = a senhora, na Septuaginta [...]. Na adoração licenciosa deste andrógino, ou deus de dois sexos, os homens, em certas ocasiões, usavam vestimenta feminina, ao passo que as mulheres se apresentavam em traje masculino, brandindo armas.”

— Ancient Pagan and Modern Christian Symbolism (Simbolismos Pagãos Antigos e Cristãos Modernos), de T. Inman, 1875, p. 119.

No que diz respeito às práticas de adoração de Baal os textos de Ras Xamra, Baal que também é chamado Aliyan, ou seja, aquele que prevalece é mencionado como “Zabul [Príncipe], Senhor da Terra”, e “o Cavaleiro das Nuvens”. Isto se harmoniza com uma representação de Baal, mostrando-o a segurar na mão direita uma clava ou maça, e, na esquerda, um raio estilizado, com uma ponta de lança. Também é representado usando um capacete com chifres, sugerindo uma íntima ligação com o touro, símbolo da fertilidade.

Baal e Astorete

Normalmente, de fins de abril até setembro, dificilmente chove
na Palestina. Em outubro começam as chuvas, e elas continuam
durante todo o inverno e vão até abril, resultando em
abundante vegetação.

Pensava-se que as mudanças das estações e os efeitos
resultantes delas vinham em ciclos por causa dos conflitos
infindáveis entre os deuses. A cessação das chuvas
e a morte da vegetação eram atribuídas ao triunfo do deus
Mot (morte e aridez) sobre Baal (chuva e fertilidade),
compelindo Baal a retirar-se para as profundezas da terra.
Cria-se que o início da estação chuvosa indicava que
Baal tinha despertado para a vida.
Isto, imaginava-se, tornara-se possível pelo triunfo
de Anate, irmã de Baal, sobre Mot, permitindo que
o irmão dela, Baal, retornasse ao seu trono.
A conjunção carnal de Baal com sua esposa,
presumivelmente Astorete, segundo se cria,
assegurava a fertilidade no ano seguinte.
Os cananeus, que eram lavradores e criadores de gado,
provavelmente imaginavam que empenharem-se num ritual
prescrito, uma espécie de magia congenial, ajudasse a
estimular seus deuses à ação, segundo o padrão
representado em suas festas religiosas, e fosse necessário
para garantir produtivas safras e rebanhos no ano vindouro,
e para evitar secas, pragas de gafanhotos, e assim por diante.
Por isso, voltar Baal à vida, para ser entronizado e unido
à sua consorte, pelo que parece, era celebrado com licenciosos
ritos de fertilidade, assinalados por orgias sexuais de irrestrita
devassidão.
Sem dúvida, cada cidade cananéia construía seu santuário de Baal em honra ao seu Baal padroeiro local. Designavam-se sacerdotes para realizar a adoração nestes santuários e nas muitas oradas nos topos das colinas vizinhas, conhecidas como altos. As oradas talvez contivessem imagens ou representações de Baal, ao passo que fora delas, próximo dos altares, podiam ser encontradas colunas de pedra (provavelmente símbolos fálicos de Baal), postes sagrados representando a deusa Axerá, e pedestais-incensários. Homens e mulheres que se prostituíam serviam nos altos, e, além da prostituição cerimonial, praticava-se até mesmo o sacrifício de crianças. A adoração de Baal também era realizada nos terraços das casas das pessoas, de onde se via freqüentemente subir a fumaça sacrificial para seu deus.

Há indícios de que Baal e outros deuses e deusas do panteão cananeu estavam relacionados, na mente de seus adoradores, com certos corpos celestes. Por exemplo, um dos textos de Ras Xamra menciona uma oferta feita à “Rainha Sapas (o Sol) e às estrelas”, e outro alude ‘ao exército do sol e à hoste do dia’.
Cada localidade possuía seu próprio Baal, e o Baal local freqüentemente recebia um nome que indicava que estava ligado a uma localidade específica. Por exemplo, o Baal de Peor (Baal-Peor), adorado pelos moabitas e pelos midianitas, obteve seu nome do monte Peor. Os nomes destes Baalins locais vieram mais tarde a ser transferidos, por uma figura de retórica (metonímia), para as próprias localidades, como, por exemplo, Baal-Hermom, Baal-Hazor, Baal-Zefom, Bamote-Baal. Todavia, embora houvesse muitos Baalins locais entre os cananeus, oficialmente entendia-se que na realidade só havia um deus Baal.
Pouco se sabia sobre a adoração de Baal à parte das muitas referências bíblicas a ela, até que as escavações em Ugarite (a moderna Ras Xamra, na costa síria, defronte da ponta NE da ilha de Chipre) trouxeram à luz muitos artefatos religiosos e centenas de tabuinhas de argila. Acha-se que muitos destes documentos antigos, agora conhecidos como os textos de Ras Xamra, sejam liturgias dos que participavam nos rituais das festas religiosas, ou palavras proferidas por eles. 

Um culto diferente a Baal foi introduzido em Israel nos dias do Rei Acabe (c. 940-920 a.C.), o de Melcart, o Baal de Tiro. Acabe entrou numa aliança matrimonial com a filha do rei de Tiro, chamado Etbaal (que significa: “Com Baal”). Isto resultou em a filha de Etbaal, Jezabel, introduzir em Israel este culto mais viril, com muitos sacerdotes e ajudantes. 

23 de junho de 2011

Croatoan

Mundo a fora inúmeras lendas povoam o imaginário popular. Muitas destas parecem não passar de pura ficção e - infelizmente - na maioria dos casos não passa realmente de mera invenção. No entanto, uma destas lendas ocorrida nos Estados Unidos conta com um fundo histórico que minimamente nos leva a questionar até que ponto estas histórias deixam de ser apenas histórias e beiram uma perturbadora realidade.

A história em questão é a Lenda de Croatoan. Muito comum na América do Norte a Lenda de Croatoan pode soar completamente desconhecida para a maioria das pessoas, com exceção daqueles que costumam acompanhar a série Sobrenatural (Supernatural) que já chegou a mencionar em alguns de seus episódios a  referida lenda. A série, aliás, me abriu o interesse em escrever este post, mas como de costume procuro dar uma visão um pouco mais ampla sobre o assunto, por isso escrevo o que segue abaixo. 

A história começa por volta de 1587 na Ilha de Roanoke, Carolina do Norte (EUA) local de um antigo assentamento inglês que desaparecera misteriosamente em 1590. Croatoan foi a palavra encontrada escrita no tronco de uma árvore no centro do povoado enquanto todas as pessoas que ali se encontravam haviam sumido, porém, a história não termina por aí, de acordo com algumas versões apenas as roupas das pessoas foram deixadas para trás. Tanto a lenda de Croatoan quanto esta peculiaridade da lenda foram fonte de inspiração para o filme Mistério da Rua 7.

Nos episódios de Sobrenatural, "Croatoan" era um vírus mortal usado por um demônio (Azazel) em uma cidade, mas na realidade, embora Croatoan obviamente seja uma referência à tribo homônima, ninguém sabe exatamente o que a palavra significa dentro daquele contexto, apesar disso, vários estudiosos e historiadores teêm suas próprias teorias.

O que realmente sabemos é que 117 pioneiros ingleses vieram para Roanoke Island para estabelecer um assentamento e três anos mais tarde desapareceram sem deixar rastro. Em meio a muita especulação teoriza-se que o grupo teria se dividido em duas facções uma teria sido morta por índios hostis enquanto o outro fora assimilado em uma das tribos indígenas. Ninguém sabe ao certo, mas o povo da Carolina do Norte acredita que os índios "Lumbee", que povoam Roanoke Island, são os descendentes destes colonos ingleses.

Na imagem a fotografia de um grupo de índios descendentes
da tribo Croatan de Sampson County, Carolina do Norte.
Embora os antepassados destes estivessem mais familiarizados
com as lendas do Demônio Croaton, estes e os atuais
provavelmente pouco sabem sobre o mesmo.
A fotografia é de 1916 e foi feita na frente de uma escola.

...

Após o desaparecimento dos 117 de Roanoke Island, poucas
provas viriam a surgir que pudessem explicar qual teria
sido o destino dos colonos. No entanto, alguns relatos
interessantes existem. Por exemplo, em 1709, o explorador
inglês John Lawson teria visitado Roanoke Island e passado
algum tempo entre os índios Hatteras, descendentes da tribo
Croatoan.
Em uma nova viagem para Carolina, ele teria escrito que vários
dos seus antepassados eram pessoas brancas o que poderia
ser confirmado pelos olhos cinzentos encontrados entre
estes índios e não entre outros índios.
Das muitas lendas que surgiram derivadas de Croatoan existe aquela envolvendo seu ataque por índios, contada pelo pai de Pocahontas - sim! aquela. A história contada a John Smith diz que os que sobraram da colônia foram morar com a tribo Chesapeake, porque tinham sido atacados pela tribo Powhatan. Outras teorias contam que eles teriam tentado voltar para Inglaterra e se perderam no mar, mas isso seria improvável, uma vez que eles só possuiam pequenos botes. Quanto a serem dizimados por uma doença não seria condizente com a ausência de corpos.

No entanto, a teoria que mais desperta a curiosidade é aquela que envolve um tipo de poder malígno. A palavra Croataoan é muitas vezes associada a croaton, um tipo de demônio indígena.

Apesar de todas as teorias, de todas as explicações mesmo com tanta suposição a Lenda de Croatoan continua sendo uma fonte inesgotável de inspiração. O simples fato de não haver um consenso quanto aos reais motivos de mais de 117 pessoas terem desaparecido de modo tão estranho e pior ainda nunca terem sido encontrados sinais de seu destino nos leva a conjecturar todo tipo de explicação. A Lenda de Croatoan, no entanto, não foi o único caso de misterioso desaparecimento em massa de populações estabelecidas na América, outros casos como por exemplo o que fez desaparecer uma colônia viking estabelecida na Groenlândia, antes mesmo de Colombo ter oficialmente descoberto a América levanta ainda mais o coro daqueles que clamam por algo de sobrenatural que esteve em ação no passado dessas populações e que, quem sabe? pode estar agindo à espreita ainda hoje.  
 
Batismo de Virgínia Dare,
litografia de 1880

Outro subproduto da Lenda de Croatoan é o referente à
Virgínia Dare, ela teria sido considerada a primeira
criança de origem européia a nascer na América, dado que
não é completamente verdadeiro, pois é sabido que
outros grupos europeus teriam chegado anteriormente à
América.
Virginia Dare era neta de John White, o mesmo que retornou
à Inglaterra em 1587 para reclamar mais provisões para a
recém criada colônia. A criança desaparecera do mesmo modo
como os demais habitantes da colônia e da mesma feita
nunca mais seria vista novamente.
Ao longo de mais de 400 anos, Virgínia Dare se tornaria
uma figura de grande importância no folclore americano,
despertando as mais diversas reações por exemplo, inocência,
pureza, esperança, aventura e bravura  Sua imagem tem sido
usada em livros, poemas, canções, histórias em quadrinhos,
programas de televisão e filmes. Muitos lugares na Carolina
do Norte e em outras partes dos Estados Unidos tem sido
nomeados em sua honra.
Atualmente existe um memorial para Virginia Dare na Igreja
de St Bride em Fleet Street. A escultura em bronze, criada
em 1999, substitui uma escultura em mármore
esculpida em 1957. O motivo? A original está desaparecida!


26 de maio de 2011

Rainha dos Céus

Novamente trago em minha postagem um tema relacionado a antigas deidades, desta vez venho falar da Rainha dos Céus, título que pode nos parecer familiar. Este, no entanto, era o título duma deusa adorada pelos israelitas - sim! pelos israelitas - por volta do 6º século a.C..
Embora estivessem envolvidas primariamente as mulheres, pelo visto a família toda participava de algum modo na adoração da Rainha dos Céus. As mulheres coziam bolos sacrificiais, os filhos ajuntavam a lenha e os pais acendiam as fogueiras. A adoração desta deusa exercia forte influência sobre os judeus e isto se reflete no fato de que aqueles que haviam fugido para o Egito após o assassinato do governador Gedalias atribuíram sua calamidade à negligência em oferecerem fumaça sacrificial e ofertas de bebida à Rainha dos Céus.
 
Acima representação moderna
 idealização da deusa Inanna

Deusa Inanna

Fui até lá de livre vontade
fui até lá com meu vestido mais lindo
minhas jóias mais preciosas
e minha coroa de Rainha do Céu
no inferno
diante de cada um dos sete portões
fui desnuda sete vezes
de tudo o que pensava ser
até que fiquei nua daquilo que de fato sou
então eu a vi
ela era enorme e escura e peluda e cheirava mal
tinha cabeça de leoa
e patas de leoa
e devorava tudo que estivesse a sua frente
Ereshkigal, minha irmã
ela é tudo o que eu não sou
tudo o que eu escondi
tudo o que eu enterrei
ela é o que  eu neguei
Ereshkigal, minha irmã
Ereshkigal, minha sombra
Ereshikigal, meu eu

Texto e imagem reproduzidos de:
sagrado-feminino.blogspot.com


§§§§§§§§§§§§


Fragmentos de poemas dedicados a Inanna

" (...) Eu sou o braço do guerreiro,
a flecha que traspassa o inimigo (...)"

[...]

"(Vós) ... Que estais coberta com o seu sangue,
Que rondais tempestuosamente as grandes batalhas,
Que pisais os escudos,
Que provocais a chuva-enchente,
Grande rainha Inanna experiente em planejar o ataque"

Texto reproduzido de:
http://dragaosumeriano.blogspot.com/
Sugere-se que essa deusa deva ser identificada com a deusa sumeriana da fertilidade Inana, a Istar babilônica. O nome Inana significa literalmente “Rainha do Céu”. Istar, a deusa babilônica correspondente, era qualificada nos textos acadianos com os epítetos “rainha dos céus” e “rainha dos céus e das estrelas”.

Pelo visto, a adoração de Istar propagou-se para outros países. Numa das Tabuinhas de Amarna, escrevendo a Amenófis III, Tushratta menciona “Istar, senhora do céu”.
A menção à Rainha dos Céus, porém, não para por aí, por exemplo: no Egito, certa inscrição do Rei Horemheb, que segundo se crê reinou no século 14 a.C., menciona "Astarte [Istar], senhora do céu", outro fragmento desta vez duma estela encontrada em Mênfis, do reinado de Memepta, rei egípcio de aproximadamente o século 13 a.C., representa Astarte, senhora do céu." No período persa, em Siene (na moderna Assuã), Astarte foi apelidada de "a Rainha dos Céus".

(Epiphanius) Epifânio de Salamina

A adoração da Rainha dos Céus chegou até o quarto século d.C. Por volta de 357 d.C.,
Epifânio declarou o seguinte em seu tratado
Panarion (79, 1, 7):

"Algumas mulheres decoram uma espécie de
carro ou banco de quatro cantos e, depois
de estiarem sobre ele uma toalha de linho,
num certo dia festivo do ano, colocam em
frente dele um pão durante alguns dias e o
oferecem em nome de Maria. Então, todas as
mulheres partilham deste pão.".





Epifânio (79, 8, 1, 2) relacionou tais práticas com a adoração da “rainha dos céus” apresentada em Jeremias (profeta bíblico). — Epiphanius (Epifânio), editado por Karl Holl, Leipzig, 1933, Vol. 3, pp. 476, 482, 483.


23 de maio de 2011

Nergal o Violento rei Enraivecido

Nergal foi uma Deidade babilônica, especialmente adorada em Cuta, cidade que, segundo a história, era dedicada a Nergal. O povo de Cute (Cuta), que o rei da Assíria estabeleceu no território de Samaria, continuou a adorar esta deidade. Alguns peritos sugerem que Nergal originalmente estava associado com o fogo e o calor do sol, e que, mais tarde, ele passou a ser considerado deus da guerra e da caça, bem como causador de pestilência. Os apelidos aplicados a Nergal em textos religiosos indicam que, basicamente, era encarado como destruidor. Ele é chamado de “o rei enraivecido”, “o violento” e “aquele que queima”. Nergal passou também a ser considerado o deus do mundo subterrâneo e consorte de Eresquigal.


 Pensa-se que o leão de cabeça humana e de asas tenha
sido o emblema de Nergal. 
 

22 de maio de 2011

As Origens dos Deuses 8ª Parte - Deidades Romanas

Saturno Devorando Seus Filhos
Francisco de Goya
Com o passar do tempo, os principais deuses gregos introduziram-se no panteão romano, embora conhecidos por outros nomes. Também, deidades de ainda outros países foram adotadas pelos romanos, incluindo a persa Mitra cujo aniversário era celebrado, curiosamente, em 25 de dezembro - lembra alguma data importante atual? A festa do Dies Natalis Solis Invicti (Aniversário Natalício do Sol Invencível) também acontecia nessa época. "... Esse dia", Segundo a Encyclopaedia Britânnica, "era um feriado popular no império romano que celebrava o solstício de inverno, simbolizando o retorno do Sol, o fim do inverno e a proclamação da primavera e do verão."  

A deusa frígia da fertilidade, Cibele, e a egípcia Ísis também foram adotadas, estas duas últimas sendo identificadas com a babilônica Istar. Também, os próprios imperadores romanos eram deificados. Por exemplo, o livro Imperial Rome chama Otaviano de "o maior dos muitos imperadores de Roma", afirmando que os "romanos o chamavam de Augusto, que signigica 'o reverenciado', e os provincianos o saudavam como deus". Como que a confirmar tais opiniões, Augusto mandou fazer anéis de sinete que estampavam seu perfil e o de Alexandre, seu predecessor. Augusto foi, mais tarde, deificado pelo senado romano, e foram construídos santuários em sua honra, por todo o império.
Saturno era adorado por ter dado a Roma uma era áurea. As saturnais, originalmente uma festa de um dia em sua honra, foram mais tarde prolongadas para uma celebração de sete dias, na última parte de dezembro. O evento era marcado por uma grande orgia. Eram trocados presentes, tais como frutas de cera e velas, e as crianças, em especial, eram presenteadas com bonecas de barro. Durante a festividade, nenhuma punição era aplicada. As escolas e os tribunais tinham feriado; até mesmo as operações de guerra eram suspensas. Os escravos trocavam de lugar com os seus amos e lhes era permitido falar o que quisessem, sem necessidade de temerem castigo.

A Herança Etrusca de Roma
Bacanal em Andros, Tiziano Vecellio

O tema das bacanais já foi fonte de inspiração pa-
ra diversos artistas desde pintores tal como
Tiziano Vecellio o autor do quadro acima,
que retrata a comemoração em honra ao
deus do vinho, Baco ou Dionísio,
até escritores como o
poeta
brasi-
leiro
autor
 do po-
ema
Visões da Noite.
Luís NicolauFagundes Varela

Que vai buscar, desta vez nas 'Saturnais' a inspiração indireta
 para compor a dor que ele descreve em seu texto.

Visões da Noite

 Passai, tristes fantasmas! O que é feito
Das mulheres que amei, gentis e puras?
Umas devoram negras amarguras,
Repousam outras em marmóreo leito!

Outras no encalço de fatal proveito
Buscam à noite as saturnais escuras,
Onde, empenhando as murchas formosuras,
Ao demônio do ouro rendem preito!

Todas sem mais amor! sem mais paixões!
Mais uma fibra trêmula e sentida!
Mais um leve calor nos corações!

Pálidas sombras de ilusão perdida,
Minh'alma está deserta de emoções,
Passai, passai, não me poupeis a vida!
A religião dos romanos foi grandemente influenciada pelos etruscos, um povo que em geral se pensa ter vindo da Ásia Menor, o que hoje corresponderia, aproximadamente, à região da Turquia. A prática da adivinhação liga definitivamente a religião dos etruscos à dos babilônios. Por exemplo, os modelos de fígados de barro usados para adivinhação, encontrados na Mesopotâmia, são parecidos ao modelo de um fígado de bronze encontrado em Piacenza, na província de Emília-Romagna, Itália.

O trecho reproduzido abaixo eu retirei de outra postagem minha; A Hepatoscopia e a astrologia e mostra um pouco desta herança babilônica.

'A prática de ‘examinar o fígado’ (hepatoscopia) parece ter sido um aspecto especial da astrologia. Numa escola-templo de Babilônia foi encontrado um modelo de argila dum fígado que remonta ao tempo de Hamurábi. Um lado dele estava dividido em áreas representativas do “dia” e da “noite”. A beirada estava dividida em 16 partes, tendo-se dado a cada seção os nomes correspondentes das deidades dos céus. Portanto, assim como este ramo de vaticínio dividia o céu de maneira puramente imaginária, assim dividiam de modo similar o fígado de suas vítimas sacrificiais.'.

Por este motivo, quando os romanos adotaram as deidades etruscas, eles estavam, na realidade, recebendo uma herança cultural babilônica. A tríade romana de Júpiter (o deus supremo, deus do céu e da luz), Juno (a consorte de Júpiter, considerada como presidindo aos assuntos de interesse especial para as mulheres) e Minerva (deusa que presidia a todas as artes e ofícios), corresponde aos etruscos Tínia, Uni e Menrva.








21 de maio de 2011

As Origens dos Deuses 7ª Parte - Deidades Gregas


A cultura grega bem como em menor grau, sua religião, influenciaram muito a sociedade ocidental, porém, a própria cultura grega sofreu também contribuições de outros povos. um exemplo disso; a declaração bíblica a respeito da "semente", ou "descendente", talvez possa ser percebida nos contos mitológicos que falam de o deus Apolo matar a serpente Píton, e de o infante Hércules (filho de Zeus e de uma mulher terrena, Alcmena) esganar duas serpentes. Novamente nos confrontamos com o conhecido tema de um deus que morre e em seguida é trazido de volta à vida. 

Adônis, de James Northcote

"... De acordo com a tradição, o nascimento de adônis
foi fruto de relações incestuosa entre Smirna (Mirra)
e seu pai Téias, rei da Assíria, que enganado pela
filha, com ela se deitou. Percebendo depois a trama,
Téias quis matá-la, e Mirra pediu ajuda aos deuses,
que a transformaram então na árvore que tem seu no-
me. Da casca dessa árvore nasceu Adônis. "

filosofandoehistoriando.blogspot.com

Anualmente era comemorada a morte violenta de Adônis e o retorno dele à vida; eram principalmente mulheres que choravam sua morte e que conduziam imagens do seu corpo como numa procissão fúnebre, e mais tarde as atiravam no mar ou em fontes de água. Outra deidade, cuja morte violenta e retorno à vida costumavam ser celebrados pelos gregos, era Dioniso, ou Baco; ele, como Adônis, tem sido identificado com o babilônico Tamuz.

Os relatos mitológicos fazem os deuses e deusas gregos parecer bem semelhantes a homens e mulheres. Embora se imaginasse os deuses de tamanho muito maior, e como ultrapassando os homens em beleza e força, seus corpos eram retratados como corpos humanos. Visto que nas suas veias supostamente fluía “icor”, em vez de sangue, achava-se que os corpos das deidades eram incorruptíveis - aliás, aí vale uma observação pessoal, a incorruptibilidade dos corpos seria algo polêmico na Idade Média e épocas posteriores e freqüêntemente associada ao vampirismo. Não obstante, cria-se que homens, por meio das suas armas, podiam realmente infligir feridas dolorosas aos deuses. Todavia, dizia-se que as feridas sempre saravam e que os deuses permaneciam jovens.



Ártemis com o cervo Acteão
Acima uma Representação contemporânea 
da deusa grega.

Hino Para Ártemis de Virgílio (adaptado)

"Amada Deusa arqueira, Senhora da caça e dos animais
selvagens, que vigias no céu estrelado quando o Sol está
adormecido, cuja testa é adornada pelo crescente lunar,
que habitas nas florestas escuras com teu séquito de
ninfas, a ti Senhora e mãe, que eu invoco para me
fortalecer e proteger, ao longo da minha vida
como mulher ..."

sagrado-feminino.blogspot.com
(A Alta Sacerdotisa)

Na maior parte, as deidades dos gregos eram retratadas como muito imorais e tendo fraquezas humanas. Brigavam entre si, lutavam entre si, e até mesmo conspiravam umas contra as outras. Diz-se que Zeus, deus supremo dos gregos, destronou seu próprio pai, Cronos. Antes disso, o próprio Cronos depusera e até mesmo castrara seu pai Urano. Tanto Urano como Cronos são retratados como pais cruéis. Urano imediatamente escondia na terra a prole que lhe nascia de sua esposa Géia, nem permitindo que vissem a luz. Cronos, por outro lado, engoliu os filhos que lhe nasceram de Réia. Outras práticas atribuídas a certas deidades são adultério, fornicação, incesto, estupro, mentira, roubalheira, embriaguez e assassinato (tudo gente fina!).


Aqueles que incorriam no desfavor de um deus ou deusa são retratados como punidos na maneira mais cruel. Por exemplo, o sátiro Mársias, que desafiou o deus Apolo num concurso musical, foi preso por este ao tronco duma árvore e esfolado vivo. Diz-se que a deusa Ártemis transformou o caçador Acteão num cervo e então fez com que os próprios cães dele o devorassem, porque ele havia visto a nudez dela.


Naturalmente, alguns afirmam que estas narrativas mitológicas eram apenas imaginações de poetas. Mas, sobre isto escreveu Agostinho, do quarto século d.C.:

“Embora se diga em defesa deles que esses contos sobre os seus deuses não eram verdadeiros, mas apenas invenções poéticas, e ficções falsas, ora, isso o torna ainda mais abominável, se respeitares a pureza da tua religião: e se observares a malícia do diabo, acaso pode haver mais astúcia ou mais malícia enganosa? Pois, quando se calunia o governante honesto e digno dum país, não é a calúnia tanto mais iníqua e imperdoável, visto que a vida desta pessoa caluniada é mais clara e isenta do toque de quaisquer dessas coisas?”

(The City of God [A Cidade de Deus], Livro II, cap. IX)

Um exame dos deuses e das deusas da antiga Grécia revela os traços da influência babilônica. O professor George Rawlinson, da Universidade de Oxford, comentou:
“A notável semelhança entre o sistema caldeu e o da Mitologia Clássica parece merecer atenção especial. Esta semelhança é geral demais, e demasiado similar em alguns aspectos, para permitir a suposição de que a coincidência foi produzida por mero acaso. Nos Panteões da Grécia e de Roma, e no da Caldéia, pode-se reconhecer o mesmo agrupamento geral; não é incomum verificar-se a mesma sucessão genealógica; e, em alguns casos, até mesmo os nomes e títulos conhecidos das deidades clássicas admitem a mais curiosa ilustração e explicação de fontes caldéias. Dificilmente podemos duvidar de que, de um modo ou de outro, houve uma comunicação de crenças — uma transmissão em tempos bem primitivos, desde as margens do golfo Pérsico até as terras banhadas pelo Mediterrâneo, de noções e de idéias mitológicas.” — The Seven Great Monarchies of the Ancient Eastern World (As Sete Grandes Monarquias do Antigo Mundo Oriental), 1885, Vol. I, pp. 71, 72.

Próxima postagem: As Origens dos Deuses 8ª parte - Deidades Romanas

20 de maio de 2011

As Origens dos Deuses 6ª Parte - Deidades da Medo-Pérsia

Representação do deus Ahura-mazda

Um aspecto característico do zoroastrismo é o dualismo, isto é, a crença em dois seres divinos independentes, um bom e o outro mau. Ahura-mazda era considerado criador de todas as coisas boas, ao passo que Angra-Mainyu era considerado o criador de tudo o que é mau. Pensava-se que este último pudesse provocar terremotos, tempestades, doença e morte, bem como instigar tumultos e a guerra. Acreditava-se que espíritos inferiores ajudavam a esses dois deuses a se desincumbirem de suas funções.
O símbolo do deus Ahura-mazda era bem parecido à representação do assírio Assur, a saber, um círculo alado, do qual, às vezes, emergia um homem barbudo com o rabo vertical duma ave.

Ahura-mazda talvez figurasse numa tríade. Isto é sugerido pelo fato de que Artaxerxes Mnemon invocou a proteção de Ahura-mazda, Anaíta (deusa da água e da fertilidade) e Mitra (deus da luz), e que atribuiu a reconstrução da Sala das Colunas em Susa à graça dessas três deidades.

Diversos peritos relacionam Anaíta com a Istar babilônica. O autor E. O. James observa no seu livro The Cult of the Mother-Goddess (O Culto da Deusa-Mãe; 1959, p. 94):

"Ela era adorada como ‘a Grande Deusa cujo nome é Dama’, a ‘todo-poderosa imaculada’, purificando ‘o sêmen dos machos, e o ventre e o leite das fêmeas’. . . . Ela era, de fato, o equivalente iraniano da Anate síria, da Nana-Istar babilônica, da deusa hitita de Comana, e da Afrodite grega.”

Segundo o historiador grego Heródoto (I, 131), os persas adoravam também os elementos naturais e os corpos celestes. Ele escreve: “Quanto aos usos dos persas, sei dos seguintes. Não costumam construir e erguer estátuas, nem templos, nem altares, mas consideram insensatos os que os constroem, e isso, suponho, porque nunca acreditaram, como os gregos acreditam, terem os deuses forma humana; mas chamam todo o círculo dos céus de Zeus, e a ele oferecem sacrifícios nos picos mais altos das montanhas; fazem também sacrifícios ao sol, e à lua, e à terra, e ao fogo, e à água, e aos ventos. Estes são os únicos deuses aos quais têm oferecido sacrifícios desde o começo; aprenderam mais tarde, dos assírios e dos árabes, oferecer sacrifícios à Afrodite ‘celestial’. Ela é chamada pelos assírios de Milita, pelos árabes, de Alilat, pelos persas, de Mitra.”

O Zend-avesta, escritos zoroastristas sagrados, realmente contém orações ao fogo, à água e aos planetas, bem como à luz do sol, da lua e das estrelas. O fogo até mesmo é chamado de filho de Ahura-mazda.
Há indícios de que os reis do Império Medo-Persa eram zoroastristas. Embora não se possa provar nem refutar que Ciro, o Grande, tenha aderido aos ensinamentos de Zoroastro, desde a época de Dario I as inscrições dos monarcas repetidas vezes referem-se a Ahura-Mazda, a principal deidade do zoroastrismo. Dario I referiu-se a Ahura-mazda como criador do céu, da terra e do homem, e considerava este deus como aquele que lhe conferira sabedoria, destreza física e o reino.





Próxima postagem: As Origens dos Deuses 7ª parte - Deidades Gregas.

13 de maio de 2011

As Origens dos Deuses 5ª Parte - Deidades Cananéias

O mais proeminente dos deuses cananeus, era Baal, o deus da fertilidade, deidade do céu, da chuva e da tempestade. Nos textos de Ras Xamra, Baal muitas vezes é chamado de filho de Dagon, embora se fale também de El como seu pai. Anate, irmã de Baal, aparece como referindo-se a El como seu pai, e este, por sua vez, chama-a de sua filha. Assim, provavelmente, Baal era considerado filho de El, embora pudesse também ter sido encarado como neto de El. Nos relatos mitológicos, descreve-se a Baal como atacando e vencendo a Iam, deus que presidia às águas e que parece ter sido o filho favorito ou amado de El. Mas, Baal é morto na sua luta com Mot, encarado como um filho de El e deus da morte e da aridez. De modo que Canaã, tal qual Babilônia, tinha seu deus que sofrera morte violenta e fora depois trazido de volta à vida.

Anate, Axerá e Astorete são as principais deusas mencionadas nos textos de Ras Xamra. Todavia, parece ter havido considerável coincidência nas funções dessas deusas. Na Síria, onde os textos de Ras Xamra foram achados, Anate talvez fosse considerada esposa de Baal, visto que ela, embora repetidas vezes mencionada como “donzela”, é apresentada como tendo relações sexuais com Baal. Além disso, foi dito que Anate teria tido setenta e sete filhos com ele, depois de terem copulado nas formas de vaca e touro. Em conexão com Baal, porém, outros registros mencionam apenas Astorete e o poste sagrado, ou Axerá. Assim, às vezes, Axerá, ou então Astorete, talvez fossem consideradas esposas de Baal.


Figura estilizada inspirada na deusa Anat.

Seu prazer em tal derramamento de san-
gue é refletido nas palavras: 

“O fígado dela incha de riso, o coração
dela enche-se de alegria.”

— Ancient Near Eastern Texts
(Textos Antigos do Oriente Próximo),
editado por J. Pritchard, 1974,
pp. 136, 137, 142, 152.
 Anate é descrita como a mais bonita das irmãs de Baal, mas como tendo um gênio extremamente violento. Ela é retratada como ameaçando esmagar o crânio de seu pai, El, fazer o cabelo grisalho dele jorrar sangue e sua barba grisalha ficar com sangue coagulante, se ele não acedesse aos desejos dela. Em outra ocasião, mostra-se Anate numa orgia de matança. Antes de Anate entrar na batalha se prepara pela própria unção com henna e âmbar, e vestia-se de açafrão (ouro) e vestuário (roxo) murex tingidas, sendo que ambos são notoriamente caros. Ela então começa a abater os inimigos de Baal, no oeste e leste. Rindo em alegria, ela vadeia de joelhos no sangue dos soldados, "para suas coxas no sangue de gurreiros rápidos". Quando o abate tiver sido concluído (e demora um pouco), então ela lava-se na água de chuva de seu irmão Baal, e novamente se adorna com âmbar.
Ela prendia cabeças nas suas costas, e mãos no seu cinto.
Algumas fontes indicam que o deus El era considerado o criador e soberano. Embora El parece ter ficado um tanto afastado dos assuntos terrestres, ele é repetidas vezes mostrado como contatado por outras divindades com solicitações. El é retratado como filho rebelde que destronou e castrou seu próprio pai, e também como tirano sanguinário, assassino e adúltero. Nos textos de Ras Xamra, El é mencionado como “pai touro” e é representado com cabelo e barba grisalhos. Sua consorte era Axerá, mencionada como progenitora dos deuses, ao passo que El é colocado no papel de progenitor dos deuses.