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2 de janeiro de 2012

Gatos emparedados

Dentre tantas superstições que povoam o imaginário popular provavelmente poucas são tão sombrias quanto o antigo costume britânico de emparedar gatos vivos. O costume é bastante antigo e vez por outra algum gato é encontrado mumificado dentro das paredes de alguma antiga construção como o que foi encontrado dentro das paredes de uma casa do século XVII.

Segundo periódico: "A casa foi encontrada por arqueólogos durante escavações de um projeto de construção em Lancashire, no norte da Inglaterra. A casa foi descoberta perto de um reservatório no vilarejo de Barley. A construção tem uma sala fechada e, dentro de uma das paredes foi encontrado o gato mumificado. Os historiadores afirmam que a casa pode ter pertencido a uma mulher acusada de bruxaria que vivia na região no século XVII e acredita-se que o gato tenha sido emparedado vivo para proteger os moradores da casa de maus espíritos. Uma companhia de fornecimento de água, a United Utilities, levou os arqueólogos para o local, um procedimento de rotina da companhia antes de fazer obras de escavações em áreas que podem ter importância arqueológica.

Frank Giecco, arqueólogo que descobriu a casa, diz que "raramente temos a oportunidade de trabalhar em algo tão bem preservado". - Assim que começamos a cavar, encontramos o topo das portas e sabíamos que tínhamos em mãos algo especial. A região de Lancashire teve muitos registros da presença de mulheres acusadas de bruxaria mo século 17, principalmente na área de Pendle Hill, onde a casa foi encontrada. Na época distritos inteiros em algumas partes de Lancashire relatavam ocorrência de bruxaria, contra homens e animais, gerando uma onda de  acusações contra muitas pessoas. Em 1612, 20 pessoas, entre elas 16 mulheres de várias idades, foram levadas a julgamento, a maioria delas acusada de bruxaria, em um episódio que ficou conhecido na região como "julgamento das bruxas de Pendle".

Frank Giecco afirmou que a construção encontrada é um "microcosmo da ascensão e queda da área, do tempo das 'bruxas de Pendle' até a era industrial". - Há camadas de história bem na sua frente. Carl Sanders, gerente de projeto da companhia, conta que "não é com frequência que você encontra uma casa de contos de fadas completa, incluindo o gato da bruxa". - A construção está em ótimas condições, você pode andar por ela e ter um sentimento real de que está espiando o passado. Pendle Hill tem uma verdadeira aura, é difícil não ser afetado pelo lugar. Mesmo antes de descobrirmos a construção, havia muitas piadas entre os funcionários sobre as vassouras e gatos pretos. A descoberta realmente nos surpreendeu.

Simon Entwistle, especialista nas bruxas de Pendle, diz que "em termos de importância, é como descobrir a tumba de Tutancâmon". - Daqui a alguns meses teremos os 400 anos dos julgamentos das bruxas de Pendle e aqui temos uma descoberta rara e incrível, bem no coração da região das bruxas. Gatos aparecem muito no folclore das bruxas. Quem quer que tenha dado este destino horrível a este gato, certamente estava buscando proteção de espíritos malignos." 

14 de dezembro de 2011

Maldição de Bell Witch

É recorrente o fascínio que as bruxas exercem sobre as pessoas nas mais diversas sociedades. Desde as jovens e belas mulheres na antiga Grécia cujas habilidades mágicas fariam delas bruxas na cristianizada cultura européia de épocas posteriores ou até antes disso com as sacerdotisas de tempos imemoriais em seus transes proféticos às bruxas modernas do nazismo (saiba mais). No folclore popular estas sombrias damas, as portadoras de conhecimentos arcanos, estão presentes sob as mais diferentes formas e uma em especial tem levado muitos a sonhar com toda sua intrigante história que já por quase dois séculos vem inspirando mentes criativas de todo o mundo. A bruxa em questão é a da lenda Bell Witch.

Acredita-se que esta cabana construída por volta de 1810
pela família Bell seja a última estrutura sobrevivente da
propriedade dos Bell, atualmente atrás do edifício de uma
escola.
A Bell Witch ou Bruxa dos Bell é uma lenda do folclore do sul dos Estados Unidos e narra a história da família Bell e sua entidade das trevas. A história se passa no Estado do Tennessee. Reza a lenda que tal entidade começou a se manifestar em 1817 quando o senhor John William Bell, o patriarca da família, encontrou um estranho animal em um campo de sua propriedade em Robertson County, em Red River. O estranho animal, com corpo de cachorro e cabeça de coelho, segundo descrições do próprio John Bell, fora morto por ele com um tiro, mas as estranhezas não terminam por aí, tarde naquela noite a família Bell afirmaria ter ouvido o som de alguém que batia em sua porta além de ruídos do lado de fora de casa e como se isso já não fosse o suficiente para fazer a família apegar-se às suas orações os ruídos acabariam passando para o interior da casa.
Supostamente a culpada pelo infortúnio teria sido uma mulher vizinha à família com quem o senhor John Bell tivera uma desavença, aparentemente financeira, por conta disso e por seu estilo de vida "sombrio" ela teria se tornado a candidata perfeita ao título de bruxa e responsável pelo encosto familiar.

Rachel Hurd-Wood como Betsy Bell Possuída
pela entidade da Bruxa.







Depois de algum tempo a jovem Betsy Bell, filha de John Bell, interpretada no cinema pela belíssima Rachel Hurd-Wood, seria atacada por uma entidade invisível que ao se fortalecer manteria contato com a família e convidados e moveria objetos causando verdadeiro pânico à família.
Ao envelhecer John sofreria frequentemente com espasmos e com a perda da fala. John morreu no dia 20 de dezembro apenas três anos após o início do tormento. Junto ao seu corpo fora encontrado um frasco com um forte veneno que se supõe teria ingerido. Depois do ocorrido a família queimou o frasco na lareira da casa.



Cemitério de Batts

Este é o local onde estão sepultados
alguns dos personagens da lenda
de Bell Witch, incluindo a própria
Kate Batts, a mulher que segundo
se crê fora a responsável pela maldição
da Bruxa dos Bell.
Há outra versão da lenda segundo a qual entidade teria regressado à casa no ano de 1935 (para os supersticiosos vale lembrar, 1935 é múltiplo de 9), no ano em que havia dito que regressaria ("Cem anos mais sete" após 1828) passando a residir na antiga casa dos Bell. Porém, segundo se diz nada de anormal aconteceu aconteceu aos descendentes dos Bell ou à comunidade a sua volta. 
Logicamente isso não impediu que sua história se perpetuasse e espalhasse por todo canto como pode testemunhar o livro "Goodspeed History of Tennessee" publicado em 1887 ou o livro de 1894 "An Authenticated History of Tennessee" e todas as suas reedições e referências - tal como esta postagem.

Fora do campo literário a Bruxa dos Bell foi eternizada também no cinema em filmes tais como An American Haunting (2004) que no Brasil recebeu o nome de 'Maldição'  e inspirado o icônico filme The Blair Witch Project. 
Na música a banda Mercyful Fate lançou em 1994 uma EP chamada "Blair Witch" onde a faixa "In the Shadows" baseia-se na lenda.

Seja qual for a verdade sobre a Bruxa dos Bell o fato é que ela continuará a nos enfeitiçar por muito tempo e em sua lenda muitos ainda encontrarão o mote de sua inspiração.

5 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 3ª parte - As Modernas Bruxas da SS



As origens da nossa imagem moderna das bruxas é a bruxa em Hansel e Gretel (João e Maria no Brasil), Um dos mais conhecidos contos de fadas dos irmãos Grimm. Um século depois, os nacional-socialistas começaram a mistificar o passado da Alemanha e, com isso, as bruxas. Eles já não viam as bruxas como a encarnação do mal, mas como a mulher germânica sábia arquetípica, que era, até então, supostamente perseguida pela Igreja e pelos judeus.
Os nazistas, por conseguinte, criaram uma força-tarefa secreta para investigação das bruxas, chefiada por Heinrich Himmler, criando um enorme arquivo de bruxas medievais, juízes, carrascos, os métodos de tortura e execução. Os pesquisadores da SS queriam provar que as bruxas celebravam uma antiga religião "ariana", que estes pretendiam reviver para seus próprios propósitos.

1 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 2ª parte - Como Himmler Caiu Sob o Feitiço das Bruxas

O líder da SS Heinrich Himmler estava tão obcecado com a bruxaria que cuidou para que a SS saqueasse 140 mil livros sobre o assunto de bibliotecas de toda a Europa e criou uma unidade para investigar e divulgar o assunto.
O âmbito de estranho fascínio de Himmler foi divulgado em um livro escrito por uma equipe de pesquisadores históricos na Alemanha. Quando um bibliotecário de Poznan (Polônia) tropeçou na biblioteca de bruxaria em um palácio barroco na Baixa Silésia, ele observou que vários livros tinham sido marcados em páginas onde as torturas foram descritas. Ele assumiu que o chefe da SS fora estudar técnicas de tortura.
No entanto, os autores, liderados por Sönke Lorenz, um acadêmico de Tübingen, argumentam que Himmler estava tentando provar que a perseguição às bruxas no século XVII representava uma espécie de holocausto da raça alemã realizada pela Igreja Católica Romana. Himmler é citado como dizendo: "Ao custo da caça às bruxas do povo alemão centenas de milhares de mães e mulheres, foram cruelmente torturadas e executadas”. Os autores acreditam que a SS implantou suas equipes para descobrir vestígios de uma cultura germânica antiga que sobrevivera à caça às bruxas.
A SS elaborou um índice com 33.846 casos de pessoas queimadas na Alemanha e em lugares distantes como Índia e México, numa tentativa de sustentar a tese de Himmler.
Seu interesse pelo ocultismo pode ter começado em 1928 quando, como um criador de galinhas, casou-se com Margarete Boden, filha de um fazendeiro da Prússia, que se envolveu em homeopatia, fitoterapia e mesmerismo. Em 1929, Hitler nomeou-o chefe de sua guarda pessoal dos “300 fortes”, o uniforme preto Schutzstaffel (SS). Eventualmente Himmler, um ideólogo racial fanático, ficou na cabeça de uma enorme máquina repressiva incluindo não só a SS, a Waffen SS e a Gestapo, mas também no controle dos campos de concentração. Ele supervisionou o projeto Lebensborn (já mencionado anteriormente) que visava criar um super-raça nórdica.

Reinhard Heydrich, chefe do Serviço de Segurança do Reich, relatou que seu patrão em 1939 havia descoberto o caso de uma bruxa chamada Margareth Himbler, queimada na Alemanha em 1629. A semelhança de nomes encorajou o interesse de Himmler na reabilitação das bruxas alemãs.

O objetivo era publicar uma série de livros curtos com destaque individual para as bruxas alemãs e restaurar parte de seu glamour perdido. Em abril de 1942, o projeto teve pelo menos uma dúzia de temas, incluindo "os efeitos econômicos dos julgamentos de bruxas" e "o fundamento intelectual do complexo de bruxa". Seminários patrocinados pela SS seriamente discutiam as implicações biológicas para a raça alemã ao matar tantas mulheres.

Muitos estudiosos têm argumentado que era a mulher que parecia mais independente das normas patriarcais - especialmente as idosas que viviam fora dos parâmetros da família patriarcal - que eram constantemente acusadas de bruxaria.

11 de abril de 2010

BRUXARIA OU HISTERIA (continuação)

"... Continuando a acompanhar as histéricas através dos séculos, no final da Idade média elas começaram a ser identificadas com as bruxas. A histeria passava a agregar genitália com o demônio. Aquelas criaturas femininas que curavam com poções mágicas, copulavam e faziam pactos com o demônio, entravam em transe e, como castigo, acabavam condenadas à fogueira. Segundo as ordens do papa Inocêncio VIII, em 1484, “... realmente, nos últimos tempos chegou a nossos ouvidos, o que certamente nos afligiu com amarga tristeza, que muitas pessoas, de ambos os sexos, sem pensar em sua salvação e afastando-se da Fé Católica, abandonaram-se a demônios, íncubos e súcubos. Por isso, decretamos e ordenamos que os já mencionados inquisidores tenham o poder para proceder à justa correção, ao encarceramento e ao castigo de quaisquer pessoas, sem embaraço e impedimento (...)”
Sobre o “tratamento” das bruxas-histéricas publicou-se em 1486 um famoso manual chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas). Alguns trechos desse Malleus Maleficarum pode nos dar uma pálida idéia da dimensão da histeria, não apenas das pacientes mas, da sociedade à sua volta.
“.... Os carrascos aproximaram-se, então, removendo-lhe o sambenito. Ela não esboçou qualquer resistência. Quando um eles, porém, tocou o laço que prendia o largo roupão ao corpo, ela gritou e recuou. As mãos fortes dos carrascos buscaram-na incontinente, imobilizando-a. O tecido que cobria seu corpo foi retirado e sua nudez pecaminosa expôs-se aos nossos olhos piedosos, alertados para os perigos e artimanhas do inimigo do Senhor, que a fez tão bela e tão sedutora com o único propósito de ceifar almas para o fogo do inferno. Percebi, porém, que ela estava mais magra do que era antes do processo”.
Os carrascos trataram, inicialmente, de raspar-lhe todos os pêlos à procura de algum sinal de malefício. De olhos fechados, ela parecia não se importar. Penso que isso tenha pesado contra ela no julgamento do representante do bispo, muito embora ele não se manifestasse a respeito. Lamentei, como todos devem ter lamentado, que tal mulher se tivesse deixado desencaminhar, incorrendo na heresia que acabaria por levá-la a uma condenação capital, caso não se arrependesse...”
Esse manual de diagnóstico para bruxas, o Malleus Maleficarum (1487; Martelo das Bruxas), dividia-se em três partes. A primeira ensinava os juízes a reconhecerem as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes. A segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os. A terceira regrava as formalidades para agir “legalmente” contra as bruxas, demonstrando como inquiri-las e condená-las (não necessariamente nessa ordem). Download disponível na página "Literatura".
A primeira parte do Martelo das Bruxas descreve quadros comportamentais perfeitamente compatíveis com a histeria. As maneiras de se identificar uma bruxa eram muitas, segundo o manual. Fora denúncias espontâneas e aquelas obtidas sob tortura, qualquer coisa servia como indício de bruxaria. Um ataque histérico ou epiléptico era a prova de possessão demoníaca, ser canhoto equivalia a ter feito pacto com o demônio, não comer carne de cabra, inclusive. Grave também era não ir às missas, mostrar-se inquieto, apresentar tiques nervosos, adoecer subitamente. Manchas no corpo era fatal, principalmente quando insensíveis à dor. Essas eram prova das mais válidas de ser, quem as tivesse, um servidor de Satanás.
Historicamente, um dos casos mais famosos e que relaciona visivelmente a histeria com a bruxaria, foi o julgamento e condenação de 18 ou 19 bruxas em Salem, uma cidade da Nova Inglaterra (EUA) em 1692.
Naquele ano, centenas de pessoas foram acusadas de praticar bruxaria. Entre junho e setembro, 18 pessoas foram condenadas e enforcadas e outra morreu de forma ainda mais bárbara, esmagada por pedras. Essas moças e mulheres acusadas manifestavam, todas, um forte comportamento histérico. Esse episódio foi fielmente retratado num filme chamado As Bruxas de Salem, dirigido por Nicholas Hytner, com Wynona Rider e Daniel Day-Lewis nos papéis principais.
Foi só em 5 de março de 1954 que a Câmara de Deputados do Estado de Massachusetts aprovou uma lei inocentando seis das dezenove mulheres executadas em Salem no ano de 1692. Isto equivale a um julgamento de bruxas em pleno século XX, pois se apenas seis mulheres foram absolvidas, implicitamente as outras treze tiveram sua condenação confirmada! Embora em 1957 a Comunidade de Massachusetts tenha revogado a extinção dos direitos civis das condenadas como bruxas em Salem, a que saibamos nada se fez para inocentar aquelas outras doze criaturas vítimas da intolerância (NetEstado, 1997).
Mais recente, em novembro de 2000, o Vaticano condenou exageros litúrgicos em sessões de cura. A Congregação para a Doutrina da Fé, que atualmente é o órgão do Vaticano que substituiu a Santa Inquisição, voltou a causar polêmica através de um documento sobre curas e exorcismos. O documento, de 17 páginas, está sendo visto por alguns especialistas como uma crítica à Renovação Carismática Católica, um movimento leigo, de inspiração pentecostal, que valoriza orações para cura e contra opressões do demônio.
O recente documento, assinado pelo prefeito da Congregação, cardeal Joseph Ratzinger, significa um progresso nas idéias que atrelam histeria com possessão. Embora o texto afirme que as orações dos fiéis para que Deus os cure de suas enfermidades sejam legítimas, ele ressalta que ... "qualquer coisa que se assemelhe a histeria, artificialidade, histrionismo e sensacionalismo deve ser afastada dessas práticas de cura." (O Estado de S.Paulo, 2000)..."

10 de abril de 2010

BRUXARIA OU HISTERIA

Um tema de natureza obscura sobre o qual muitas pessoas gostam de debater está relacionado às bruxas, mas diferentemente da corrente tradicional julguei fazer, dentro do possível, uma exposição mais científica e histórica do tema e por isso decidi transcrever abaixo parte de um artigo que encontrei sobre psicopatologias.
"... A histeria (neste caso será tratada como característica daquelas mulheres tidas por bruxas) sempre existiu na história humana, sempre acompanhou o ser humano desde sua introdução na vida gregária. Descrições de quadros de histeria são encontradas nos papiros egípcios que datam de 4 mil anos, como o de “Kahun”. O histórico documento descrevia vários sintomas encontrados em mulheres, normalmente representados por dores em diversos órgãos, variando até a impossibilidade de abrir a boca, caminhar e mexer as mãos. Na antiguidade, todos estes distúrbios eram remetidos a uma causa uterina.
Este órgão, supostamente acometido de inanição por descaso matrimonial ou crueldade do destino, deslocar-se-ia através do corpo feminino, prejudicando ora aqui ora ali o funcionamento dos diversos órgãos. O tratamento consistia em fazer o útero retornar ao seu local de origem. Essa recolocação do útero se fazia mediante a inalação de substâncias fétidas ou através de estranhas estripulias vaginais que o colocariam em seu devido lugar. ..."
Neste caso ainda não há nenhuma associação entre este quadro psicológico e a bruxaria, mas é interessante notar que a histeria e a sexualidade femina estariam associadas. Tal associação encontraria base até mesmo em Platão e Hipócrates, este último tido até hoje como patrono da medicina. E assim é descrito o tratamento de Hipócrates para histeria:

"... consistia em reconduzir o útero ao seu lugar de origem através de remédios que eram inalados e fumigações de preparados exóticos. A relação entre histeria e, digamos, preenchimento vaginal, era tão marcante que um bom remédio para os casos onde a doente perdia a voz e cerrava os dentes, seria introduzir-lhe na vagina um pessário (consolo) embebido em substâncias perfumadas até que o útero voltasse ao seu lugar [...] O tratamento preventivo, conseqüentemente, era o casamento para as jovens solteiras e o coito para as casadas, discretamente para as viúvas também..."
[...]

"Mas, a trajetória do eloqüente poder dos órgãos sexuais femininos não atravessava apenas séculos, eles se universalizavam entre as diversas culturas com, basicamente, a mesma teatralidade. Segundo Marilita Lúcia Calheiros de Castro, os Murias, um antigo povo indígena, tinham uma lenda sobre “as vaginas dentadas” das mulheres que abandonavam seus corpos para ir roer as colheitas durante a noite..."

Mas a questão é: Em que momento entram as bruxas?
Para quem já assistiu um filme clássico de bruxaria "hollywoodiana" fica latente a imagem que durante anos foi passada da bruxa como sendo uma mulher obscuramente e podemos dizer essencialmente sensual portadora de uma grande capacidade de sedução que em todos os casos relaciona-se a suas práticas mágicas e ocultas.
Apenas para citar um exemplo da promoção da imagem sensual da bruxa por Hollywood pode-se citar (embora o exemplo pudesse ser melhor) o filme The Craft (jovens bruxas).



Ao descrever a personalidade de pessoas "histéricas" o artigo em questão menciona entre outras coisas "... seu caráter afetado, exagerado, exuberante como se estivesse fingindo..." e quase toda bruxa de Hollywood o é "... Os pacientes histriônicos (nome clínico dado aos portadores dessa psicopatologia) tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações..."
"... Representar papéis é a especialidade mais eficiente da histérica, assim, com muita propriedade ela representa aquilo que mais impressiona espectadores. Vem daí a idéia de que, entre tais papeis, essas pacientes costumam ser pseudo-hiper-sexuais, retrato superficial de sua pseudo-hiperfeminilidade..."
É aí que entra a figura da bruxa clássica na história. Por exemplo seu caráter contestador poderia ser associado a heresia pela igreja bem como seu exagero de pensamentos e é claro como não deveria deixar de ser como já mencionado até aqui sua conotação extremamente sexual seria uma clara evidência de possessão demoniaca, consequencia de possíveis práticas ocultas, cabe lembrar que isto tudo ocorria numa época de grande repressão da sexualidade.
Julgamento de Bruxas (histéricas) - A expansão do saber médico acabou retirando a natureza "demoníaca" da histeria, mas não conseguiu integrá-la adequadamente em suas classificações nem em sua seriedade clínica.
Nos dias atuais a representação clássica das bruxas vem ha muito sendo desvinculada da pessoa vítima de uma neurose e antagônicamente, graças ao cinema talvez, sendo associada ao oculto, obscuro e satânico, não que em algum momento da história tenha sido diferente.

BRUXARIA OU HISTERIA -PARTE 2


3 de abril de 2010

XAMANISMO*


"O Xamanismo é uma filosofia de vida muito antiga, que visa o reencontro do homem com os ensinamentos e fluxo da natureza e com seu próprio mundo interior. Sua origem é um conjunto de ensinamentos milenares que, através da tradição de tribos indígenas do mundo todo, foram sendo passadas até os dias de hoje.
Esses ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: Sol, Lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, e assim por diante. Pode-se considerar o Xamanismo como a verdadeira arte de viver.
Ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, os antigos xamãs puderam perceber sua conexão com o todo.
Desta forma, se abriram para o aprendizado daquilo que realmente somos e tornaram-se capazes de elevar a consciência e se relacionar com outras realidades e dimensões, assim como manter plena e perfeita harmonia com a natureza, possibilitando a total integração de seus corpos físico, mental, emocional e espiritual.


A prática do Xamanismo utiliza-se do trabalho com: ervas, direções sagradas, rituais, jornadas Xamânicas, contato com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc...), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas. Atualmente, está havendo um resgate dos conhecimentos do Xamanismo a fim de aplicá-los no dia a dia, buscando elevar a consciência e alcançar novamente o equilíbrio.


[...]

Quem pratica a Magia certamente já se deparou com o Xamanismo e com a cultura celta. Mas provavelmente nunca os colocaram juntos numa mesma frase, porque aparentemente uma coisa não tem nada a ver com a outra.
O escritor e pesquisador John Matthews, também pensava assim, até que suas pesquisas o levaram a desenterrar a ponte entre essas duas tradições.

"O Xamanismo Celta se perdeu por volta do século 6 d.C., provavelmente pelo advento do cristianismo, numa época em que tudo que era relacionado ao paganismo estava desaparecendo ou tendo que se esconder". Matthews sustenta, no entanto, que muitos dos primeiros exploradores cristãos eram xamãs, apesar de não se chamarem assim. O Xamanismo Celta entrou então na clandestinidade, ressurgindo séculos mais tarde em práticas espirituais como o Witchcraft ou Bruxaria.O Xamanismo é a prática espiritual mais antiga. "Numa certa época, era praticado no mundo inteiro", afirma Matthews.

"E quase todas as religiões têm elementos xamânicos, ainda que estes não apareçam com freqüência". O principal destes elementos que definem o Xamanismo é a crença de que tudo é sagrado e divino.
"O xamã se torna uno com a natureza, com o planeta, e se comunica com os espíritos dos animais e de todas as coisas que crescem". E isto, diz Matthews, é a linha mestra de todo o xamanismo - seja ele norte americano, siberiano, brasileiro, celta. É o que ele chama de "core shamanism", as principais práticas que estão presentes no Xamanismo de qualquer cultura."


*trecho reproduzido do site Templo de Avalon