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14 de fevereiro de 2012

Domingo Sombrio

"O domingo é sombrio / obscuro
As minhas horas são despertas (sem sono)
queridas são as inúmeras sombras
Com as quais convivo..."

Com essas palavras tem início a história de uma música que viria a ser, segundo se crê, responsável por vários suicídios nos idos anos 30. A história envolve o nome do compositor húngaro Rezsõ Seress, compositor cuja vida fora marcada pelos insucessos tanto em sua vida profissional, visto nunca ter realmente alcançado a grande fama (até a criação da citada música), quanto em sua vida pessoal graças às brigas com sua namorada.

De fato tendo sido a fonte em parte da profunda melancolia que inspirou o compositor a escrever a letra de tão mortífera música, sua namorada, teria sido encontrada morta pelo próprio Rezsõ Seress quando este mais uma vez tentava a reconciliação. Sua amada havia se suicidado tendo junto a ela uma cópia de Gloomy Sunday (Domingo Sombrio).

Rezsõ Seress

"Estou no meio deste sucesso mortífero
como um homem sendo acusado.
Esta fama fatal magoa-me.
Chorei todas as decepções do
meu coração nesta canção e
parece que outros, com
o mesmo sentimento que eu,
encontraram nela sua própria dor."
Embora a música por certo tenha despertado nos corações mais desesperados toda a dor de um amor perdido - o que por vezes acontece - não seria de bom tom acreditar que uma melodia por si só poderia ser responsável pela desgraça de inúmeros suicídios. Como já diria meu professor de História não podemos desconsiderar o contexto da época. Num momento de profunda crise, como o foi o da década de 30 o desespero naturalmente toma conta da sociedade e pensamentos mais sombrios se afloram. Neste cenário a triste nota de um canto melancólico parece o arauto do desespero eterno e a resposta certa a dor de uma vida angustiada e sem perspectiva.

Ainda assim, devido ao número alto de suicídios por conta da influência da música sua reprodução foi interrompida nas rádios. Quanto ao triste Rezsõ, se suicidaria aos sessenta e nove anos ao saltar de uma janela. Ironicamente a música que um dia fora "banida" entraria para história e se tornaria presença marcante nas vozes de vários músicos atuais como por exemplo a cantora Emilie Autumn.   

Histórias de músicas que levaram seus ouvintes ao suicídio ou ao assassinato são muito comuns e por certo já ouvimos falar das músicas de teor satânico que fizeram jovens cometerem os mais horrendos atos. Sem querer entrar no mérito de tal crença parece pouco provável que em outras circunstâncias, Gloomy Sunday ou qualquer outra música poderia ser realmente responsável pelo delírio último de uma alma atormentada cuja morte se lhe apresenta como resposta às súplicas de paz e término de uma profunda dor de espírito.

E claro, para os curiosos deixo uma tradução em português desta música que trás consigo o peso de inúmeras almas que por ela e nela encontraram o último acorde de suas existências.






Domingo Sombrio
O domingo é sombrio / obscuro
as minhas horas são despertas (sem sono)
Queridas são as inúmeras sombras
Com as quais convivo
Pequenas flores brancas
Nunca te acordarão
Nem onde o coche negro
Da dor te levou
Os anjos não pensam
Alguma vez em te devolver
Ficariam eles zangados
Se pensasse juntar-me a ti?

Domingo sombrio

O domingo é sombrio
Com sombras, eu dispendi de tudo
O meu coração e eu
Decidimos acabar com tudo
Em breve haverá flores
E orações que dizem saber
Não as deixem chorar
Deixem saber
Que estou feliz por partir
A morte não é um sonho
Na morte eu te acarinho
Com o último suspiro da minha alma
Eu te abraçarei

Domingo sombrio

Sonhando
Eu estava apenas sonhando
Acordo e encontro-te a dormir
No fundo do meu coração
Querida, eu espero
Que o meu sonho nunca te assombre
O meu coração revela
O quanto eu te quis
Domingo sombrio

Fonte:

8 de fevereiro de 2012

O estranho mundo de Jack o nosso estranho mundo

Timothy William Burton
Nasceu em 25 de agosto de
1958 em Burbank.
cineasta que
usualmente trabalha com temá-
ticas sombrias, frequentemente
acompanhado pelo ator Jhonny
Depp, sua esposa Helena Bonham
Carter, com quem tem dois filhos e
Danny Elfman, como compositor.
Amante dos Grandes filmes de
terror, já realizou projetos
sobre Ed Wood e
chamou para estrelar
seus trabalhos os notórios
atores de filmes de terror
Vincent Price e
Christopher Lee.
Os amantes do universo sombrio trazem marcado a fogo em suas almas o símbolo negro do submundo e tudo no mundo ao redor deles traz seus próprios códigos que ao passar pelos espíritos destes é convertido em algo melancólico, obscuro e, por que não dizer mesmo, macabro.
No mundo atual poucos nomes conseguiram traduzir tão plenamente esta característica como Tim Burton.


Apesar de bastante focado no universo sombrio de Jack Skellington, o personagem do filme de animação "The Nightmare Before Christmas" que no Brasil recebeu o título de O Estranho Mundo de Jack, o texto faz também uma ressalva merecida da trajetória de Tim Burton no cenário artístico mundial. Embora em O Estranho Mundo de Jack, onde Tim Burton trabalhou como produtor, Burton tenha conseguido uma maior projeção de seu trabalho este não foi o primeiro e obviamente nem o único trabalho de Burton influenciado pelo mundo das trevas. Outras produções tal como Vincent de 1982 marcariam também a carreira de Burton.


Triste Jack

O grande mérito de O Estranho Mundo de Jack está em sua capacidade de traduzir o sentimento de angústia que pode se apoderar e por muitas vezes se apodera de nossos espíritos, fazendo com que qualquer realização pareça insuficiente e insignificante. A depressão, a dor e a vontade de fazer algo de novo são uma tônica constante no filme produzido por Burton e que teve como inspiração seus poemas da década de 1980 cheios de figuras sombrias de um estranho carisma cuja sensibilidade de Burton fez refletir o próprio homem que era e os homens que somos.



Somos todos ainda esqueletos tristes de um olhar distante, vendo seus sonhos em realidade feita se tornarem os pesadelos de nossas realizações. Como pode haver no mundo vontade maior do que esta de sentir que somos mais do que apenas figuras esvaecentes. Talvez um vento providencial venha nos levar a uma nova perspectiva de realizações, nosso Zéfiro a apontar para uma nova estrada. No entanto, será que assim como o Rei das abóboras seremos também enganados por nossas próprias expectativas? 

24 de dezembro de 2011

Síndrome de Cotard


Foto manipulação para Síndrome de Cotard.
Por Cunegonda
A sensação era de que seus órgãos internos estavam apodrecidos; braços e pernas tomados por vermes e gusanos e o odor que parecia exalar de seu corpo putrefato certamente faria todos a sua volta nauseados se afastarem. 
Andar por entre as pessoas já não lhe era mais permitido pois sua consciência lhe impedia de expôr aos transeuntes o asco de sua agonia. E assim, dia após dia "vivia" tendo em seus delírios convulsivos a certeza de já não mais estar vivo, mas ser apenas uma criatura qualquer, um condenado a perambular em seu inferno particular como um morto-vivo. 

Esta bem poderia ser uma forma de descrever a percepção que o portador da Síndrome de Cotard tem de seu próprio corpo. A síndrome de Cotard é uma condição médica na qual a pessoa apresenta a crença delirante de estar morto ou de que seus órgãos estejam paralisados ou podres, ou ainda de que amigos, familiares, o mundo à sua volta não mais existem ou estão em via de não mais existir.

A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1880 pelo psiquiatra que daria seu nome à esta síndrome, Jules Cotard. Seu objeto de estudo? Uma mulher de  43 anos que afirmava não possuir cérebro ou entranhas e cuja síndrome ainda a fizera crer que, por estar morta, existiria eternamente não havendo Deus ou Diabo apenas ela.

Ainda segundo outra fonte alguns indivíduos chegam a acreditar que não se encontram mais na Terra e que estão de fato mortos e suas almas se encontram presas no purgatório como foi o caso de um homem que após ter sofrido um grave acidente pensou estar sendo levado para o inferno devido ao forte calor que  sentia quando na verdade estava sendo levado de volta à sua terra natal na África do Sul.

Jules Cotard em foto de 1879
O forte delírio niilista que se caracteriza como o principal sintoma da síndrome e pode se apresentar em diferentes graus de gravidade desde sentimentos de desespero à negação do próprio mundo e está relacionado ao aspecto melancólico de um indivíduo e à depressão profunda e quadros psicóticos.

Ainda que a morte, a depressão, a insanidade e todos seus adjetivos funestos pareçam terríveis eles continuam trazendo inspiração para um número infinito de pessoas. Grupos como a banda portuguesa de Black metal Omitir que lançou um álbum em 2011 com o título de Cotard é um exemplo disso. Não por acaso as temáticas da banda são a depressão, o niilismo, o ódio, a insanidade e o suicídio e algumas de suas músicas têm títulos tais como "dor submersa" ou "perda". 

31 de julho de 2011

Depressão

Poucos sentimentos são tão recorrentes no universo obscuro quanto a depressão e é sábio dizer que há uma grande diferença entre a DEPRESSÃO e a simples tristeza, comum à todas as pessoas.
A depressão pode ser chamada de a doença do século XX - e por que não também do século XXI - dada a grande quantidade de pessoas que são abraçadas por ela atualmente, no entanto, quando mencionamos a depressão relacionando-a ao mundo do obscuro fica latente um certo ar "romanceado" ao redor da mesma. E por falar em "romancear" lembre-mos dos escritores do mal do século, lembre de escritores tais como: Bernardo Guimarães, Charles Baudelaire, Fagundes Varela, Alexandre Herculano, Álvares de Azevedo, Lord Byron e tantos outros que nasceram e cresceram sob o signo do romantismo cuja influência fora tão grande que viria a inspirar gerações e mais gerações de poetas, atores, escritores, cineastas, pintores, músicos e pessoas de todos os tipos e em todos os cantos do mundo.
Este lado do "sentimento depressivo" de cujos frutos nos deleitamos cobiçosamente a cada novo livro, cada novo filme e a cada nova música, entretanto não é de forma alguma toda a realidade. A realidade, aliás, como já dizia o poeta "... é tão triste..."

No mundo real os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Dentre os principais sintomas da depressão que podemos listar - entre elas, a perda de energia ou interesse, o humor deprimido junto com a falta de concentração e as alterações de apetite e sono, a lentificação das atividades físicas e mentais além do conhecido sentimento de pesar ou fracasso que fazem a pessoa se sentir pior do que lixo. 


Os pensamentos negativos muitas vezes parecem ser dotados de algum tipo de consciência própria. A famosa imagem de um demônio no ombro da pessoa lhe dizendo coisas deprimentes, lhe instigando a cometer os atos mais indizíveis e ainda assim fazendo-os parecer a cura para todos os males, para toda a dor encaixa-se assustadoramente bem ao ânimo da pessoa deprimida. A morte, tão cantada e almejada por aqueles poetas românticos provavelmente é a marca indelével da depressão. Ela vem ceifando vidas ao longo de toda a história. No Brasil da época colonial o banzo era um terrível mal que acometia os escravos levando-os muitas vezes ao suicídio e hoje comumente o banzo é associado à depressão - que no caso dos escravos é fácil de entender seus motivos. Já em nosso tempo a depressão também fez vítimas entre celebridades do mundo do rock e um desses casos é o de Kurt Cobain que de acordo com certa fonte biográfica teria sido marcado fortemente pela separação dos pais. Segundo o próprio Kurt:

"Lembro-me enmvergonhado, por alguma razão dos
meus pais. Eu tinha vergonha dos meus pais.
Eu não poderia enfrentar alguns dos meus amigos na
escola mais, porque eu desesperadamente queria ter o
clássico, você sabe, a família típica. Mãe, pai.
Eu queria a segurança, assim eu me ressenti com meus
pais por alguns anos por causa disso."

Ainda outros sintomas secundários da depressão podem incluir:
Pessimismo, dificuldade de tomar decisões, dificuldade para começar a fazer suas tarefas, irritabilidade ou impaciência, inquietação, achar que não vale a pena viver, chorar à-toa (ou dificuldade para chorar),  sensação de que nunca vai melhorar (desesperança), dificuldade de terminar as coisas que começou, autopiedade, persistência de pensamentos negativos, queixas freqüentes, sentimentos de culpa injustificáveis, insônia, perda do desejo sexual.

A depressão é uma doença reversível, ou seja, há cura completa se tratada adequadamente. O tratamento médico sempre se faz necessário, sendo sendo o tipo de tratamento relacionado ao perfil de cada paciente. Em alguns casos de depressão podem ocorrer sintomas psicótico tais como delírios e alucinações e as famosas tentativas de suicídio, o que torna o tratamento médicamentoso e o acompanhamento psicoterápico necessários.

Links que podem ser de ajuda:
http://www.farmaceuticovirtual.com.br/html/depressao.htm
http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2003/g4/tratamento.htm
http://gballone.sites.uol.com.br/voce/dep.html