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2 de junho de 2012

Gritos do Inferno

Por muito tempo na história da humanidade os homens vem sendo atormentados por histórias sobre o submundo infernal, um local onde dor e sofrimento somam às almas atormentadas aflição indizível. Ainda que muitas dessas histórias não passem de histórias ficamos de tal modo fascinados com a ideia do submundo dos infernos que nos deixamos levar pelas, assim chamadas, provas e mesmo quando estas são descreditadas continuam a repercutir quase tanto quanto o som das almas condenadas no inferno.


Dr. Azzacove e a equipe que teria
perfurado os portões do inferno.
De acordo com o site Apocalipse 2000 "Em meados de dezembro de 1989, um grupo de geólogos russos, fizeram um poço de 14.000 metros de profundidade na Sibéria; e eles afirmam terem ouvido lamentações que vinham do centro da terra, pedindo água e misericórdia. 
... Um jornal da Finlândia publicou a matéria, com relatos dos operários e estudiosos que ouviram a fita. Um deles o Dr. Azzacove declarou o seguinte:
"Como um comunista eu não acredito no céu ou na bíblia, mas como um cientista eu acredito agora no inferno. Desnecessário dizer que ficamos chocados ao fazer tal descoberta. Mas nós sabemos o que nós vimos e nós sabemos o que nós ouvimos. E estamos absolutamente convencidos que nós perfuramos pelos portões do inferno!""

     

3 de outubro de 2011

Daevas

Os Daevas são demônios sombra zoroastrianos originários da mitologia persa. São selvagens e animalescos. Todos os Daevas são invisíveis aos olhos, é possível ver apenas a sua sombra. Na Pérsia são considerados deuses. Eles são seres que a partir das sombras, se movem e caminham pelos mundos. Os Daevas precisam ser invocados para atacar através de um ritual antigo e extremamente macabro, uma conjuração demoníaca que requer grande habilidade espiritual para dominá-los. Isso é um trabalho muito arriscado, pois tendem a atacar seu invocador. Ninguém conhece suas aparências físicas, pois não são vistos à milênios.
Não há como eliminá-los. Para o invocador perder o controle sobre eles é preciso apenas destruir o altar do ritual e os Daevas se voltarão contra ele. Como são demônios sombras, outra maneira de rebelá-los é acendendo uma luz muito forte no local em que se encontram, mas assim que a luz acabar, eles voltarão.

Na antiga mitologia Persa eram os demônios que causavam as pragas e as doenças.
Para nossa cultura ocidental é interessante saber que a palavra “diabo” é derivada de seu nome. Os sete arquidemônios Daevas são: Aesma Daeva, Aka Manah, Indra, Nanghaithya, Saurva, Tawrich e Zarich.
 
 
Aqui eu abro um parêntese para mencionar o filme Mistério da Rua 7
(Vanishing on 7th Street). Mesmo que não tenha sido a intenção do
diretor do filme, quando nós pensamos nesses demônios e
lembramos de algumas cenas do filme a associação é possível, principalmente
porque o diretor não fez a menor questão de dar uma explicação
para sua trama.
Fica então a questão em aberto.

23 de junho de 2011

Croatoan

Mundo a fora inúmeras lendas povoam o imaginário popular. Muitas destas parecem não passar de pura ficção e - infelizmente - na maioria dos casos não passa realmente de mera invenção. No entanto, uma destas lendas ocorrida nos Estados Unidos conta com um fundo histórico que minimamente nos leva a questionar até que ponto estas histórias deixam de ser apenas histórias e beiram uma perturbadora realidade.

A história em questão é a Lenda de Croatoan. Muito comum na América do Norte a Lenda de Croatoan pode soar completamente desconhecida para a maioria das pessoas, com exceção daqueles que costumam acompanhar a série Sobrenatural (Supernatural) que já chegou a mencionar em alguns de seus episódios a  referida lenda. A série, aliás, me abriu o interesse em escrever este post, mas como de costume procuro dar uma visão um pouco mais ampla sobre o assunto, por isso escrevo o que segue abaixo. 

A história começa por volta de 1587 na Ilha de Roanoke, Carolina do Norte (EUA) local de um antigo assentamento inglês que desaparecera misteriosamente em 1590. Croatoan foi a palavra encontrada escrita no tronco de uma árvore no centro do povoado enquanto todas as pessoas que ali se encontravam haviam sumido, porém, a história não termina por aí, de acordo com algumas versões apenas as roupas das pessoas foram deixadas para trás. Tanto a lenda de Croatoan quanto esta peculiaridade da lenda foram fonte de inspiração para o filme Mistério da Rua 7.

Nos episódios de Sobrenatural, "Croatoan" era um vírus mortal usado por um demônio (Azazel) em uma cidade, mas na realidade, embora Croatoan obviamente seja uma referência à tribo homônima, ninguém sabe exatamente o que a palavra significa dentro daquele contexto, apesar disso, vários estudiosos e historiadores teêm suas próprias teorias.

O que realmente sabemos é que 117 pioneiros ingleses vieram para Roanoke Island para estabelecer um assentamento e três anos mais tarde desapareceram sem deixar rastro. Em meio a muita especulação teoriza-se que o grupo teria se dividido em duas facções uma teria sido morta por índios hostis enquanto o outro fora assimilado em uma das tribos indígenas. Ninguém sabe ao certo, mas o povo da Carolina do Norte acredita que os índios "Lumbee", que povoam Roanoke Island, são os descendentes destes colonos ingleses.

Na imagem a fotografia de um grupo de índios descendentes
da tribo Croatan de Sampson County, Carolina do Norte.
Embora os antepassados destes estivessem mais familiarizados
com as lendas do Demônio Croaton, estes e os atuais
provavelmente pouco sabem sobre o mesmo.
A fotografia é de 1916 e foi feita na frente de uma escola.

...

Após o desaparecimento dos 117 de Roanoke Island, poucas
provas viriam a surgir que pudessem explicar qual teria
sido o destino dos colonos. No entanto, alguns relatos
interessantes existem. Por exemplo, em 1709, o explorador
inglês John Lawson teria visitado Roanoke Island e passado
algum tempo entre os índios Hatteras, descendentes da tribo
Croatoan.
Em uma nova viagem para Carolina, ele teria escrito que vários
dos seus antepassados eram pessoas brancas o que poderia
ser confirmado pelos olhos cinzentos encontrados entre
estes índios e não entre outros índios.
Das muitas lendas que surgiram derivadas de Croatoan existe aquela envolvendo seu ataque por índios, contada pelo pai de Pocahontas - sim! aquela. A história contada a John Smith diz que os que sobraram da colônia foram morar com a tribo Chesapeake, porque tinham sido atacados pela tribo Powhatan. Outras teorias contam que eles teriam tentado voltar para Inglaterra e se perderam no mar, mas isso seria improvável, uma vez que eles só possuiam pequenos botes. Quanto a serem dizimados por uma doença não seria condizente com a ausência de corpos.

No entanto, a teoria que mais desperta a curiosidade é aquela que envolve um tipo de poder malígno. A palavra Croataoan é muitas vezes associada a croaton, um tipo de demônio indígena.

Apesar de todas as teorias, de todas as explicações mesmo com tanta suposição a Lenda de Croatoan continua sendo uma fonte inesgotável de inspiração. O simples fato de não haver um consenso quanto aos reais motivos de mais de 117 pessoas terem desaparecido de modo tão estranho e pior ainda nunca terem sido encontrados sinais de seu destino nos leva a conjecturar todo tipo de explicação. A Lenda de Croatoan, no entanto, não foi o único caso de misterioso desaparecimento em massa de populações estabelecidas na América, outros casos como por exemplo o que fez desaparecer uma colônia viking estabelecida na Groenlândia, antes mesmo de Colombo ter oficialmente descoberto a América levanta ainda mais o coro daqueles que clamam por algo de sobrenatural que esteve em ação no passado dessas populações e que, quem sabe? pode estar agindo à espreita ainda hoje.  
 
Batismo de Virgínia Dare,
litografia de 1880

Outro subproduto da Lenda de Croatoan é o referente à
Virgínia Dare, ela teria sido considerada a primeira
criança de origem européia a nascer na América, dado que
não é completamente verdadeiro, pois é sabido que
outros grupos europeus teriam chegado anteriormente à
América.
Virginia Dare era neta de John White, o mesmo que retornou
à Inglaterra em 1587 para reclamar mais provisões para a
recém criada colônia. A criança desaparecera do mesmo modo
como os demais habitantes da colônia e da mesma feita
nunca mais seria vista novamente.
Ao longo de mais de 400 anos, Virgínia Dare se tornaria
uma figura de grande importância no folclore americano,
despertando as mais diversas reações por exemplo, inocência,
pureza, esperança, aventura e bravura  Sua imagem tem sido
usada em livros, poemas, canções, histórias em quadrinhos,
programas de televisão e filmes. Muitos lugares na Carolina
do Norte e em outras partes dos Estados Unidos tem sido
nomeados em sua honra.
Atualmente existe um memorial para Virginia Dare na Igreja
de St Bride em Fleet Street. A escultura em bronze, criada
em 1999, substitui uma escultura em mármore
esculpida em 1957. O motivo? A original está desaparecida!


1 de junho de 2011

A Misteriosa Morte de Marian Melisa Taylor

Não é de hoje que acontecimentos misteriosos nos deixam impressionados, ainda mais quando aparentemente não parece haver uma explicação para tais acontecimentos. Um desses acontecimentos foi registrado na Inglaterra com a jovem que dá nome a esta postagem e acabou sendo trazido para a internet. Esta história já está circulando há algum tempo e eu resolvi transcrever nesta postagem, dando dentro do possível uma visão mais ampla do fenômeno.

De acordo com a site Manos do Mundo.

Julia Buccola Petta
de Chicago enterrada no Cemitério de
Monte Carmel no período da
primeira Guerra Mundial.
A foto tirada seis anos após sua morte,
supostamente a pedido de seu próprio
espírito.

fonte:
geocities.ws/historias_ocultas

O Que é a Incorruptibilidade?

"Incorruptibilidade é a capacidade de alguns
corpos humanos a decompor-se após a morte.
O termo vem da igreja católica, que conside-
rou o fenômeno um sinal da santidade na Ida-
de Média. A Igreja Católica não usa esse crité-
rio para a canonização, no entanto, os corpos
de alguns santos incorruptíveis ainda estão
em exposição e são visitados pelos fiéis.
Em outras culturas, incorruptibilidade pode
ser sinal do mal em vez de santidade, suge-
rindo que o morto é um vampiro."

[...]

"O fenômeno científico por trás da incor-
ruptibilidade por vezes é dito ser saponificação,
em que as gorduras do corpo são convertidas pa-
ra adipocere, uma substância semelhante ao
sabão. Saponificação é mais provável de ocor-
rer em corpos com grande quantidade de gordu-
ra e em solos alcalinos, e muitos experimentam
em algum grau, mas não ao ponto de preserva-
ção visto em incorruptíveis."

fonte:
http://www.patopor.com/
No dia 27 de setembro de 1998, foi encontrado um cadaver, muito bem preservado. A primeira vista uma menina vítima recente de estupro, com aproximadamente 12 anos de idade. Após uma primeira análise feita pela polícia técnica da cidade, constatou-se que alguns dos objetos pessoais da menina tinham mais de 30 anos. Isso chamou a atenção de uma universidade inglesa, que com uma parceria com a polícia local, fez a exumação do corpo.

- Uma explicação para esse mistério poderia ser o fenômeno da incorruptibilidade do corpo. (veja o quadro ao lado).

Feita a análise de DNA, seguida de minuciosos exames, foi constatado que o corpo havia sido conservado, inexplicavelmente, por mais de 30 anos. Foram averiguados todos os crimes ocorridos nesta época, mas nenhum bateu com a fisiologia da menina em questão. Porém, descobriu-se que ocorreu neste período um desaparecimento de uma menina de dentro de um colégio de freiras, próximo ao local onde o corpo havia sido encontrado.

Foi então feita uma pesquisa nos arquivos da escola para tentar explicar o estranho acontecimento. A menina chamava-se Marian Melisa Taylor e seus arquivos indicavam a data de seu nascimento no dia 6 de junho de 1950. Seu desaparecimento ocorreu no dia 24 de junho de 1962. No meio dos arquivos da menina em questão, foi encontrada uma foto com a data no verso. Porém, esta foto estava em péssimo estado, e foi necessária uma espectrografia digitalizada a fim de recuperar a foto.

Para o espanto dos que estavam fazendo o trabalho de recuperação nesta foto, a menina apareceu despida, com um vulto inexplicavel atrás, como se estivesse puxando-a para dentro de uma sala e ela tentando fugir. Porém, na foto original, percebia-se claramente a presença da vestimenta tradicional para uma estudante em um colégio de freiras para a época. Um vestido longo, azul marinho, com a cruz de Cristo no peito. E nenhum sinal de vulto algum.
Descobriu-se também que na noite do dia em que a foto foi tirada, a menina desapareceu. Após a foto ter tomado seu formato atual, foram extraviadas inexplicavelmente as outras fotos da menina de dentro dos computadores da universidade e da polícia, inclusive a foto original que foi escaneada para que pudessem ser feitos os estudos.
Professores e mestres de computação gráfica que trabalhavam no caso, não souberam explicar como a foto original transformou-se tão drásticamente. tentou-se em vão retroceder o processo e chegar a foto original.

Não custa nada repetir o alerta dado pelos sites de
origem das imagens: EVITE FIXAR POR MUITO
TEMPO O OLHAR NAS IMAGENS, POIS ELAS
PODEM CAUSAR ALGUM MAL ESTAR!
(OU COISA PIOR)

Fotografia de Mariam Melisa Taylor
modificada pela espectrografia

Estranhas associações feitas entre fotogra-
fias e pessoas mortas de formas violentas
ou apenas misteriosas são mais comuns do
que se imagina e inúmeras imagens assim
são veiculadas regularmente na internet.
Além da menina cuja foto alterada é
reproduzida acima outro caso que chama
a atenção é o do menino da foto abaixo
tirada em 1985.

Segundo o site o menino teria morrido
sem qualquer tipo de explicação em
1978, ou seja, sete anos antes de a foto
ter sido tirada. Ele estava com o ursinho
de pelúcia nas mãos quando morreu e após
a morte do menino o ursinho teria sido colocado
no quarto do menino e trancado por uma
semana e desaparecido daí.
O curioso é que depois de sete anos o garoto
reapareceu na foto com o ursinho nas mãos.



http://cacasfantasmas.blogspot.com/2009_04_01_archive.html
CURIOSIDADES
Na foto original afirmam que a postura da menina era normal de quem está posando para uma foto, com os pés juntos e o vestido longo deixando apenas as sapatilhas de fora.

Algumas pessoas não vem a imagem da menina, mas a imagem do demônio atrás dela.

Outras dizem ver a imagem se movimentando, como se tentasse fugir do Satan. (essas pessoas apenas por terem visto a foto tiveram algum parente próximo, geralmente uma filha ou irmã, vítima de violência sexual seguida de homicídio ou simples desaparecimento).

VEJAM ESTES DADOS MATEMÁTICOS
A menina foi encontrada 36 anos depois (3+6)=9

O ano em que ela desapareceu foi (1962) = (1+9+6+2) = (1+8) = 9

O número da Besta (6+6+6) = (1+8) = 9

Agora vamos pegar um número de cada, obteremos o 999
A data em que ela foi encontrada 27/09/1998 (2+7/9/1+9+9+8) = 9/9/9
Sua foto foi apareceu misteriosamente com a photopolaridade magnética invertida, ao fazer uma rotação de 180º com os números duplamente encontrados acima "999" encontraremos o número 666, o número da Besta.

O ano em que a menina foi encontrada, 1998 que é igual a 3 vezes o número da Besta 666
A data de nascimento da menina 6 de junho de 1950 (6/6/1+9+5+0) ... (6/6/6) ... 666
A data em que a menina desapareceu foi 24 de junho de 1962 (2+4/6/1+9+6+2) ... (6/6/6) ... 666
O número de letras do nome dela Marian (6) Melisa (6) Taylor (6) ... Reparem o número novamente!
O dia em que a menina desapareceu 24 subtraído da data de seu nascimento 6 = 18
3x6 = 18 ou escrevendo 3x6 de outro modo 6+6+6.
Não seria isso muita coincidência?

DADOS
De acordo com o site pesquisado esta matéria teria sido extraída de um site inglês que deixou de existir. Segundo o autor várias explicações foram dadas para justificar porque o site teria terminado. Por exemplo: a mulher responsável por ele teria desaparecido da internet e da vida real sem deixar rastros. Alguns afirmam que ela ficara louca e suicidara-se, outras pessoas dizem que a menina veio buscá-la. Pelo que foi dito no site outras pessoas com fortes vínculos com o espiritismo afirmariam veementemente que a mulher era a própria menina, vinda em forma de um espírito que utilizou o meio de comunicação mais difundido nos dias de hoje, pois teria feito um pacto com Satanás para que ninguém mais duvidasse dos poderes de Lúcifer em troca de que ela pudesse descansar em paz, por isso ela mesma haveria indicado o local de seu cadáver para que pudessem encontrá-la.

Bem! como na internet muita coisa é publicada - e quase sempre elas não são confiáveis - eu procuro deixar a cargo do leitor decidir até que ponto uma informação deste tipo pode ser considerada real ou mera lenda urbana. Por outro lado lembremos; Há mais "mistérios" entre o céu e a Terra do que julga nossa vã filosofia. 

Fonte:

17 de abril de 2011

Daimónion - Um Breve Esclarecimento Demoníaco

O Paraíso Perdido
Uma das ilustrações feitas por Gustave Doré
para a obra de John Milton.

§§§§§§§§§§

O reinar justifica a ambição,
Inda que seja no próprio inferno!
É preferível reinar no inferno
Que servir como escravos no céu!

(John Milton, O Paraíso Perdido)

Uma definição básica para Daimónion (demônio) é a de uma iníqua criatura espiritual, invisível, com poderes sobre-humanos. A costumeira palavra grega para demônio (daí·mon) ocorre apenas uma vez nos originais gregos das escrituras cristãs, e está no livro bíblico de S. Mateus 8:31; em outros lugares, no entanto, aparece a palavra daimónion. Já a palavra grega para “espírito”, (Pneú-ma), às vezes é aplicada a espíritos iníquos, ou demônios. Ocorre também acompanhada por termos qualificativos tais como ‘iníquo’, ‘impuro’, “sem fala” e “surdo”.
Os demônios, do modo como os conhecemos hoje, não teriam sido criados por Deus. O primeiro a se transformar num deles foi Satanás, o Diabo, que se tornou o governante de outros filhos angélicos de Deus, os quais também se transformariam em demônios. De acordo com a mitografia, ou o conjunto de crenças cristãs, nos dias do personagem bíblico Noé, anjos desobedientes se materializaram, casaram-se com mulheres, produziram uma geração híbrida, conhecida como os nefilins, e depois se desmaterializaram quando veio o Dilúvio. Todavia, ao retornarem ao domínio espiritual, eles não recuperaram a sua elevada posição original, pois segundo uma versão do livro de Judas: “Os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, ele [Deus] reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia.”




Gustave Doré representa nesta tela
o julgamento no dia do juízo

De modo que é a esta condição de densa escuridão espiritual que são obrigados agora a confinar suas operações. Embora evidentemente impedidos de se materializarem, ainda teriam grande poder e influência sobre a mente e a vida dos homens, tendo até mesmo a capacidade de entrar em homens e animais e possuí-los - a famosa possessão demoniaca - e os fatos mostram que também usariam coisas inanimadas, tais como casas, fetiches e amuletos.
Ao considerar os fatos por esse ponto de vista vemos que o objetivo dos demônios, portanto seria desviar as pessoas daquele que seria "O Caminho". E essa é uma das chaves para compreender a dogmática cristã.
Este dogma, inclusive, vai dar origem a famosa crença na guerra entre Deus e Lúcifer. De acordo com a crença tradicional os demônios estariam hoje influenciando o mundo do mesmo modo como fizeram no passado e que esta influência estaria aumentando. Resumindo, o livro de Apocalipse fala aproximadamente o seguinte: "Foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos [demônios] foram lançados para baixo junto com ele. ... ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira..."

Em outras palavras a influência demoníaca e sua ação hoje - considerando a ira de Satanás - levaria à guerra do juízo final. Mas, assim como dito anteriormente nesta postagem nem sempre os demônios tiveram a mesma conotação.
Por exemplo, para os gregos o uso da palavra “demônio” é limitado e específico em comparação com as noções dos antigos filósofos e o modo em que esta palavra era usada no grego clássico. Neste respeito, o Dicionário Teológico do Novo Testamento (em inglês), editado por G. Kittel (Vol. II, p. 8) observa:

“O sentido do adjetivo [dai·mó·ni·os] destaca bem claramente as particularidades distintivas do conceito grego sobre os demônios, porque denota aquilo que está fora da capacidade humana e assim deve ser atribuído à intervenção de poderes superiores, quer para o bem, quer para o mal. [dai·mó·ni·on] nos escritores pré-cristãos pode ser usado no sentido de ‘divino’.” (Traduzido para o inglês e editado por G. Bromiley, 1971).

Ou seja, talvez uma das grandes dificuldades da compreensão do "significado dos demônios" esteja lidar com esta "ambigüidade" com a qual nos encontramos ao analisar o uso do termo hoje em dia e seu uso no passado. Mesmo hoje na atualidade em determinadas culturas os demônios, normalmente tidos como maus na cultura ocidental, podem assumir, por exemplo, características boas em culturas orientais.

Outras definições e pormenores acerca dos demônios podem ser observados nestes dois links:
DEMONOLATRIA - 1ª parte; 2ª parte. 

28 de fevereiro de 2011

Rituale Romanum

O Rituale Romanum (Ritual Romano em latim) é um livro litúrgico que contém todos os rituais normalmente administrados por um padre, incluindo o único ritual formal para exorcismo sancionado pela Igreja Católica Romana até finais do século XX. Além do exorcismo de demônios e espíritos, esse manual de serviço para padres também contém instruções para o exorcismo de casas e outros lugares que se acredita estarem infestados por entidades malignas. Neste sentido é interessante notar o exemplo de Roma e seus obeliscos.
Em 30 aC, o Egito se tornou uma provìncia romana. Vários imperadores romanos queriam adornar sua capital com monumentos de grande prestígio, de modo que até 50 obeliscos foram levados a Roma. Quando o império romano caiu, Roma foi saqueada. A maioria dos obeliscos foi derrubada e esquecida. No entanto vários papas se interessaram em reerguer estes monumentos retirados das ruínas da antiga cidade. A Igreja Católica Romana admite (e a História comprova) que os obeliscos foram "dedicados ao Sol por um rei egípcio" e que, no passado, "traziam grandeza fútil aos profanos templos pagãos".
O reerguimento dos primeiros obeliscos durante o reinado do Papa Sisto V (1585-1590) foi acompanhado por rituais de exorcismo, bençãos, aspersão de água benta e queima de incenso. Um bispo cantou diante do obelidco do Vaticano: "Eu o exorcizo para levar a Santa Cruz e permanecer livre de toda a impureza pagã e ameaças de iniqüidade espiritual."

Pois é, exorcismos não são feitos apenas com pessoas!


Exorcistas raramente ou nunca trabalham sozinhos. Normalmente são auxiliadas por, no mínimo, três outras pessoas. Uma delas é geralmente um padre mais jovem e menos experiente que está ou esteve sob treinamento para realização de exorcismos. Seu papel central é continuar o exorcismo e assumir o ritual, caso o exorcista fique muito fraco para continuar ou se ele morrer. A segunda pessoa que serve de assistente para o exorcista é, na maioria dos casos, um médico cuja responsabilidade é administrar qualquer medicação ou tratamento que a vítima da possessão precise, pois sob nenhuma circunstância o exorcista pode fazer isso. A terceira pessoa é tradicionalmente um homem parente da pessoa possuída – normalmente o pai, irmão ou marido. Em alguns casos pode ser um amigo de confiança da família. Mas, em qualquer caso, é imperativo que esteja em boas condições de saúde e seja forte – tanto física como mentalmente. Se a pessoa possuída é uma mulher, muitos exorcistas providenciam que outra mulher esteja presente durante o ritual para evitar escândalos.

Antes de realizar o ritual do exorcismo, é costumeiro que o padre faça uma boa confissão e seja absolvido de todos os seus pecados para o caso de o espírito ou demônio que ele enfrentará tente usá-los contra ele durante o ritual. Ele então veste os trajes necessários para os padres exorcistas (um sobrepeliz e um sudário púrpura) e inicia o ritual. Durante o exorcismo, certas orações prescritas, tais como o Pater Noster (o Pai-Nosso), as Litanias dos Santos e o Salmo 54, são recitadas sobre o individuo possuído, freqüentemente em latim, uma vez que se acredita que as orações são mais eficientes quando recitadas nessa antiga língua.

Ao longo dessas recitações, o exorcista tradicionalmente faz o sinal-da-cruz, lê as escrituras e, às vezes, coloca suas mãos sobre a vítima. Ele também exige que o espírito maligno ou demônio que possuiu a pessoa revele seu nome e natureza, sucumba ao Filho de Deus e deixe sua vítima humana em paz. Quando o espírito maligno ou demônio finalmente parte, o exorcista reza a Jesus Cristo e pede que ele conceda sua divina ajuda e proteção à pessoa, que normalmente não retém memórias claras de sua possessão demoníaca ou do exorcismo. Se, todavia, o ritual de exorcismo não é bem-sucedido em expulsar o espírito maligno ou demônio de sua vítima, ele é então realizado repetidamente até que a entidade deixe o local. Isso pode levar horas, dias ou até mais tempo.

Na mídia o ritual de exorcismo está presente, por exemplo, em séries de televisão tal como na série Supernatural (Sobrenatural no Brasil). É evidente que não apenas esta série faz referência ao Ritual Romano - e a outros rituais de exorcismo, inúmeras poderiam ser as referências tais como o clássico O Exorcista ou o atual O Exorcismo de Emily Rose ou o seriado "Apparitions".
   


cena do seriado "Apparitions" da BBC

É importante levar em consideração que a fim de atender aos interesses do público nos seriados ou filmes o ritual apresentado não costuma seguir - e quase nunca segue - a originalidade do ritual de conjuração. Afinal em uma obra televisiva ou naquelas produzidas para o cinema o que conta é o espetáculo e a audiência.
Como alguns diriam: "Se fosse para representar a verdade como ela é não seria um filme seria um documentário."
faço este breve comentário porque com muita frequência tendemos a imaginar, mesmo que por um curto espaço de tempo, que tais produções cinematográficas são sempre embasadas em documentações confiáveis e amparadas em profundas pesquisas o que nem sempre é verdade.

Tudo bem. Feito este alerta transcrevo abaixo uma conjuração muito comum na série Sobrenatural, o ritual chamado, na série, de "Ritual de aprisionamento do demônio" (em uma tradução livre). 
O ritual está em latim e segue uma tradução pessoal para o português.







RITUAL DE APRISIONAMENTO DO DEMÔNIO (em latim)

Regna terrae, cantate Deo,
psallite Domino
qui fertis super caelum
caeli ad Orientem
Ecce dabit voci Suae
vocem virtutis,
tribuite virtutem Deo.


Exorcizamus te, omnis immundus spiritus
omnis satanica potestas, omnis incursio
infernalis adversarii, omnis legio,
omnis congregatio et secta diabolica.


Ergo draco maledicte
et omnis legio diabolica adjuramus te.
cessa decipere humanas creaturas,
eisque aeternae Perditionis venenum propinare.


Vade, Satana, inventor et magister
omnis fallaciae, hostis humanae salutis.
Humiliare sub potenti manu dei,
contremisce et effuge, invocato a
nobis sancto et terribili nomine,
quem inferi tremunt.


Ab insidiis diaboli, libera nos, Domine.
Ut Ecclesiam tuam secura tibi facias
libertate servire, te rogamus, audi nos.
Ut inimicos sanctae Ecclesiae humiliare digneris,
te rogamus, audi nos.


Ut inimicos sanctae Ecclesiae
te rogamus, audi nos.


Terribilis Deus de sanctuario suo.
Deus Israhel ipse truderit virtutem
et fortitudinem plebi Suae.
Benedictus Deus. Gloria Patri.

RITUAL DE APRISIONAMENTO DO DEMÔNIO
(traduzido para o português)

Reinos da terra, cantai a Deus,
Louvores ao Senhor
que levam acima do céu
do céu para o Oriente.
Eis que Ele envia sua própria voz,
Voz da Virtude.
Atributo a virtude de Deus.

Nós vos exorcizamos, a todo o espírito impuro,
todo poder satânico, cada incursão
do adversário infernal, cada legião,
toda congregação e seita diabólica.

Portanto, maldito demônio
e toda legião diabólica, nós vos suplicamos.
Cessa de enganar as criaturas humanas,
e dar a elas o veneno da perdição eterna.

Vá embora, Satanás, inventor e mestre
de todas as mentiras, inimigo da salvação da humanidade.
Seja humilde, sob a mão poderosa de Deus -
treme e foge - Eu invoco pelo
nos Nome Sagrado e Terrível
em que aqueles abaixo tremer.

Das ciladas do diabo, libertar-nos, Senhor.
De modo que tu possas fazer sua Igreja segura para servi-lo livremente
nós te pedimos, ouvi-nos.
Para que possais destruir os inimigos de Sua Sagrada Igreja,
nós te pedimos, ouvi-nos!

Que ... os inimigos do sua Sagrado da Igreja
nós te pedimos, ouvi-nos!

Deus é assustador sobre o seu próprio lugar sagrado.
O Deus de Israel, Ele mesmo vai ter excelência impulso
e força para o seu povo.
Bendito seja Deus. Glória ao Pai.

Download do livro
Ritual Romano - pdf

Fontes: wikipedia; oarquivo.com.br; arquivos pessoais

18 de dezembro de 2010

Sucubus e Incubus os Vampiros sexuais

Nas lendas medievais, sucubo era um demônio feminino que assumia a forma ilusória de humano e viria para os homens, especialmente os monges, em seus sonhos para seduzi-los e ter relações sexuais com eles, extraindo a energia destes homens para sustentarem-se, muitas vezes até ao ponto de exaustão ou morte. Essa lenda foi uma explicação para o fenômeno dos sonhos molhados e paralisia do sono. Existem algumas fontes que afirmam que os sucubus e os incubus são a mesma criatura, segundo se crê eles seriam capazes de se transformar e desta forma passar adiante o sêmen roubado dos homens para as mulheres sem seu conhecimento. Em histórias posteriores, mais notadamente nas atuais histórias de horror, os sucubus e incubus teriam recebido poderes hipinóticos o que lhes daria a capacidade de comandar e obrigar os membros do sexo oposto. Alguns demônios famosos como Lilith e os Lilin judaicos, Belili na Suméria e Rusalka entre os eslavos eram súcubos.
A princesa de todos os sucubos seria Nahemah e sua prole semi-humana seria chamada Cambion. Os súcubus e incubus poderiam ainda ser chamados de vampiros sexuais.
O nome atual tem suas origens no latim tardio - succuba podendo significar prostituta, que por sua vez vem do latim medieval sub cubaire significando "aquilo que está embaixo". A versão masculina íncubo também vem do latim, seu significado, logicamente, "aquilo que está acima".

-É interessante notar como mesmo ao tratar de demônios o pensamento medieval, concernente ao sexo, os colocaria dentro de uma visão tradicional de hierarquia sexual, ou seja, homens acima, mulheres abaixo.

Lembre-se: um dos pecados de Lilith foi se rebelar contra Adão, seu marido, no que diz respeito à posição que eles deveriam assumir nas relações sexuais. Ela queria ficar por cima (o que seria uma séria afronta às ordens divinas de autoridade familiar).




Ainda nos tempos medievais, o sucubo era visto como uma criatura temível que mataria suas vítimas, "bebendo" sua respiração. Isso é interessante na medida em que, no momento, a respiração era vista como uma parte do espírito da pessoa (hoje em dia fazemos essa analogia ao nos referirmos ao último suspiro de alguém como o abandono do espírito de seu corpo físico, seu último "fôlego de vida"). Mais tarde, os hábitos dos sucubus eram considerados de uma forma mais sexual do que de natureza vampírica, e essa noção, provavelmente, surgiu a partir da mudança no clima social que viu os desvios sexuais como um pecado mortal, e assim, aqueles que cometeram um pecado contra Deus, foram, de alguma forma, merecedores do seu destino.

12 de dezembro de 2010

Hora Profana


Se o leitor já assistiu a filmes como Atividade Paranormal, onde um espírito ou demônio costuma atacar suas vítimas num horário específico, então já deve ter percebido com que frequência as coisas costumam acontecer às três da manhã. É claro que tal particularidade chama a atenção, então nesta postagem trago um pouco deste tema e a significância das três horas da manhã.

Segundo a tradição diz-se que Jesus foi morto às três horas da tarde e seu espírito subiu ao Céu ou Paraíso nesta hora, ainda outra tradição diz que ele esteve no Hades ou inferno até o terceiro dia, quando foi ressucitado. Diz-se que a assunção de Maria ao Céu também ocorreu às três horas da tarde. Alguns afirmam que é quando o véu entre este mundo e o Céu (Paraíso) é mais fino. Obviamente o mesmo pode ser dito da hora oposta, ou seja, às 3 da manhã, dividindo tal véu - este mundo e o “Reino das Trevas”.

Certos rituais pagãos, por exemplo, são notadamente feitos às 3 da manhã, não à meia noite. Assim que estes rituais negros são feitos, nestaa hora, proporciona-se um ganho de força para o mal.
3 horas é também uma distância de tempo suficiente entre o anoitecer e o amanhecer. A luz do Sol, mesmo em pequenos traços de radiação ultravioleta e infravermelha ainda pode ser vista por mais de uma hora após o pôr do Sol. Mas às 3 da manhã, por exemplo, "num céu escuro de lua nova" pode-se perceber uma capa de grande escuridão.

A escuridão seria o poder dos demônios e espíritos malignos. Eles preferem a escuridão porque a luz pode ser insuportável para eles. Desta afirmação nós podemos tirar uma lição de nós mesmos - quando crianças ligavamos uma luz para nos livrar dos “monstros” - o que de alguma forma nos confortava. Há alguma verdade nisso porque os demônios inferiores, especialmente, são facilmente afugentados pelas coisas "positivas" como a luz em oposição as trevas em uma alusão do Bem contra o Mal. Enquanto alguns demônios, por outro lado aparecem durante o dia pondo crucifixos abençoados de cabeça para baixo em uma parede, entre outras coisas. Estas são também demonstrações de poder como se ostentassem dizer: “EU POSSO FAZER ISTO!” ou “ISTO NÃO TEM NENHUM EFEITO SOBRE MIM”, como para enfraquecer a fé daqueles que foram ou vem sendo oprimidos por eles.

Demônios também gostam de fazer barulho naqueles que são considerados feriados cristãos e “dias santos”, como a sexta-feira santa e páscoa. Esta é apenas outra maneira de eles mostrarem poder, desrespeitando o cristianismo.
O que me leva ao que alguns dizem ir além do simbolismo do "3", como indicado por outros - uma paródia da santíssima trindade. No entanto, 3 da manhã é ainda um momento fundamental por outras razões. Essencialmente, a transição ocorre nessas horas 3-4 da manhã. Neste caso, refiro-me a quando os demônios aumentam de número, passando de infestação para as fases de opressão.

Portanto esta hora determinada é de fato um momento muito “profano” do dia. 3 da manhã é muitas vezes um marcador para estas mudanças à medida que crescem em direção a um estágio mais grave de uma assombração demoníaca, para infestação e daí para uma fase de opressão.

Em suma, se você costuma acordar para ver o relógio e é exatamente 3 da manhã, você pode estar vendo isso como um aviso. O número 3 está transformando-se em um símbolo demoníaco. Muitas vezes ele pode ser um aviso de que algo está para se manifestar ou que já tem sido manifesto.

11 de dezembro de 2010

A Hepatoscopia e a astrologia

A prática de ‘examinar o fígado’ (hepatoscopia) parece ter sido um aspecto especial da astrologia. Numa escola-templo de Babilônia foi encontrado um modelo de argila dum fígado que remonta ao tempo de Hamurábi. Um lado dele estava dividido em áreas representativas do “dia” e da “noite”. A beirada estava dividida em 16 partes, tendo-se dado a cada seção os nomes correspondentes das deidades dos céus. Portanto, assim como este ramo de vaticínio dividia o céu de maneira puramente imaginária, assim dividiam de modo similar o fígado de suas vítimas sacrificiais. Quando ofereciam tais sacrifícios, examinavam o fígado, considerando-o um reflexo em miniatura dos céus, para ver que agouros os deuses lhes revelavam. Além de Babilônia a prática da hepatoscopia também era conhecida em Israel onde a astrologia estava ligada à adoração.


Astrologia em Israel.
Há evidência que indica que a astrologia estava intimamente associada com a adoração de Moloque, deus que às vezes era representado com cabeça de touro. O touro era adorado pelos babilônios, cananeus, egípcios e outros, como símbolo das suas deidades — Marduque (Marduk), Moloque, Baal, e assim por diante. O touro era um dos mais importantes signos do zodíaco, Tauro. O deus-sol freqüentemente era representado por touros, os chifres significando os raios, e o forte poder reprodutivo do touro representava o poder do sol como “dador da vida”. A fêmea, a vaca, recebia honra igual como símbolo de Istar ou Astarte (Astartéia), variantes do seu nome.

21 de novembro de 2010

Moloque

O nome Moloque vem duma raiz que significa “reinar” ou “rei”, mas com as vogais, na língua original, de bó·sheth, “vergonha”, para indicar repugnância.

Deidade especialmente associada com os amonitas; possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com o deus Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Concorda-se em geral que o Malcão mencionado no livro bíblico de 2 Samuel seja a imagem-ídolo do deus amonita Milcom, ou Moloque, embora o termo hebraico possa ser vertido por “seu rei”. Anteriormente, no relato bíblico, no entanto o rei amonita é chamado pelo seu nome Hanum; portanto, é razoável concluir que apareceria o nome Hanum em vez de Malcão no registro bíblico, se a referência fosse ao rei, em vez de ao ídolo. Também, acha-se improvável que um rei usasse uma coroa que pesava cerca de 34 kg. Pelo mesmo motivo, sugeriu-se que Davi colocou a coroa de Malcão na cabeça apenas temporariamente, talvez para indicar sua vitória sobre o deus falso. Segundo a versão do Targum, adotada por diversos tradutores, a coroa tinha apenas uma jóia preciosa. Isto tem dado margem à idéia de que era antes a jóia preciosa, em vez de a própria coroa, que veio a estar na cabeça de Davi.

Sacrifícios de Crianças a Moloque.

O ‘passar pelo fogo’ para Moloque, conforme algumas traduções da bíblia, tem sido considerado por alguns como significando um ritual de purificação, por meio do qual as crianças eram devotadas ou dedicadas a Moloque; outros entendem que se tratava do sacrifício real. Conforme a própria referência bíblica o Rei Acaz, de Judá, “passou a queimar seus filhos [“seu filho”, Sy] no fogo”. A passagem paralela em 2 Reis 16:3 reza: “Fez até mesmo seu próprio filho passar pelo fogo.” Isto indica que “passar pelo fogo” pelo menos algumas vezes é sinônimo de sacrifício. Ainda segundo se crê os rituais poderiam incluir orgias sexuais.

Todavia, é provável que a adoração de Moloque não era sempre e em todo lugar igual. Por exemplo, o Rei Salomão, sob a influência das suas esposas estrangeiras, construiu altos para Moloque e para outras deidades, mas só no tempo de Acaz se faz menção de sacrifícios de crianças. Sem dúvida, se esta prática tivesse existido anteriormente, teria sido denunciada junto com as outras formas de idolatria existentes nos reinados dos diversos reis. Por este motivo, alguns comentadores são a favor do conceito de que a expressão “passar pelo fogo” se aplicava originalmente a um rito de purificação, e posteriormente passou a significar o próprio sacrifício.




Acaz e Manassés são os únicos reis de Judá mencionados como fazendo seus filhos passar pelo fogo. Todavia, em vista do ímpeto dado por estes dois reis ao sacrifício de crianças, esta prática parece ter ficado arraigada entre os israelitas em geral. As crianças, pelo menos ocasionalmente, eram primeiro mortas, em vez de serem queimadas vivas.

O Rei Josias profanou Tofete, principal centro da adoração de Moloque em Judá, a fim de impedir que as pessoas fizessem seus filhos passar pelo fogo. Mas isso não erradicou esta prática para sempre. Ezequiel, que começou a servir como profeta 16 anos depois da morte de Josias, menciona a ocorrência dela nos seus dias.

Apresentou-se a idéia de que o Moloque a quem se sacrificavam as crianças tinha a forma de homem, mas cabeça de touro. Diz-se que esta imagem era aquecida até ficar rubro, e as crianças eram lançadas nos seus braços estendidos, caindo assim na fornalha ardente embaixo. Este conceito baseia-se na maior parte na descrição do Cronos ou Moloque cartaginês, fornecida pelo historiador grego Diodoro da Sicília, do primeiro século A.c. — Diodorus of Sicily (Diodoro da Sicília), XX, 14, 4-6.

14 de novembro de 2010

Demonolatria 1ª parte



(Texto) Fonte: Adoração ao Diabo
CARUS, Paul. Devil Worship. History of The Devil, 1900. [Trad. e Adaptação: Ligia Cabus] ─ In Sacred-Texts.[www.sacred-texts.com/evil/hod/hod04.htm]





*parte do texto traduzido de Ligia Cabus foi readaptado nestas postagens.


Esta série de postagens foi inspirada em resultados de uma busca que fiz na internet e em arquivos pessoais sobre o tema demonolatria. O objetivo desta pesquisa foi tentar compreender o porquê da adoração de uma criatura que na grande maioria das culturas (talvez em todas) é considerada como o símbolo maior do mal, e para isso começo transcrevendo o seguinte abaixo:


'Na história da adoração a essa entidade conhecida como diabo, muitos estudiosos, como o alemão Georg Waitz [1813-1886], o inglês Sir John Lubbock [1834-1913], e o também inglês e antropólogo Edward Burnett Tylor [1832-1917] reuniram informações das quais deduziram que em um estágio dos mais "primitivos" da religião, a adoração ou veneração ao Diabo [ou seus assemelhados, o mal] precedeu o culto a um Deus benevolente e moralizador, divindade do Bem.


As divindades malignas aparecem como as personagens mais importantes no passado remoto de quase todos os sistemas de fé. Demonolatria, cultos aos Diabos, são o primeiro estágio da evolução do pensamento religioso; porque os homens, muito antes de pensarem em bençãos, curvaram-se ao meio hostil. Os homens primitivos eram primitivos mas não eram insanos: temiam o Mal e não o Bem. Assim, era natural que buscassem técnicas apaziguadoras que evitassem os infortúnios provenientes de um mal cuja origem não podiam alcançar.









O filósofo inglês, Herbert Spencer [1820-1903], acreditava que o fundamento da religião é o "Desconhecido", querendo com isso dizer que o que os selvagens adoravam [e adoram] é aquilo que eles não entendem. [Assim, o Desconhecido de Spencer é algo que não se entende e não algo que nunca se conheceu. Não é uma hipótese consistente. Um provérbio alemão diz: O que não conheço, não me preocupa; ou em português, algo como: O que os olhos não vêem o coração não sente.






Aquilo que é absolutamente desconhecido não comove o homem. Os selvagens não reverenciam o trovão porque não sabem o que é, ou porque não sabem explicar o fenômeno. Porém, conhecem suficientemente o fenômeno subseqüente, o raio, e os estragos que ele pode causar: matar, machucar, queimar sua cabana. O selvagem tem medo dos trovões e dos raios. Então, em uma tentativa de controlar a ameaça, desenvolve reverência por essa força intangível na esperança de evitar suas manifestações.



Georg Waitz, falando sobre os nativos norte-americanos das tribos da Flórida, observa que indivíduos daquelas culturas que não foram semi-cristianizados, têm, ainda [o autor escreve no século XIX, anos 1800] uma adoração [reverência] solene a um espírito do Mal, Toia ─ que atormenta suas vítimas com visões. Esses nativos pouco se preocupam com o Espírito do Bem, o qual, Ele mesmo, parece [para os nativos] pouco se importar com raça humana.







A mesma característica ocorre em tribos de amerabas, indígenas brasileiros. Esses indígenas têm a viva convicção de um Princípio do Mal [personificado na mitologia do encantado Anhangá - N. do T.] sobre eles; eventualmente, referem-se ao Bem; mas esse, o Bem, é muito menos reverenciado que o outro, o Mal. No contexto de seus esforços pela sobrevivência, os selvagens percebem o Ser Benevolente como uma entidade mais fraca, menos poderosa e/ou influente sobre o destino dos homens que o Mal, que se manifesta diariamente. Em 1605. o capitão John Smith, herói da colonização da Virgínia descrevia o culto a Okke [palavra que, aparentemente, significa além do nosso controle] escreveu:






Existe na Virgínia uma tribo tão selvagem que não possui religião além da reverência a todas as coisas que, potencialmente, podem lhes produzir qualquer dano ou das quais dependem para se manter vivos. Tais coisas, seres e elementos são, por isso, objeto de culto. [É o pensamento religioso animista em busca de apaziguamento das forças da Natureza]. O fogo, a água, o raio, o trovão, cavalos, peixes, etc.. Mas seu Deus maior, a quem chamam Oke. Diz Smith que Oke significa deuses e, assim, Oke é como um panteão resumido em uma imagem. Os nativos disseram que viram Oke e que se parece mais com eles mesmos [homens] do que poderiam imaginar. Nos templos dedicados a Oke, sua representação, entalhada, é assustadora; pintada e adornada com correntes, peças de cobre, contas. [Uma vez por ano 15 jovens são mortos, sacrificados para a gratificação de Oke...].





Práticas similares foram observadas entre quase todas as tribos caribenhas e amerabas, nas ilhas e no continente Sul-Centro-Americano. Em Hispaniola - Ilha de São Domingos [Caribe], a divindade fúnebre é Joacana. O ritual terrível faz desses indígenas alguns dos mais abomináveis entre esses primitivos adoradores do Mal. Entre os povos pré-colombianos do México, os mais civilizados da região, a idéia de um Deus de Paz e Amor não é inteiramente estranha porém, o medo do adversário, o horrendo Huitzilopochtli ainda assustava o suficiente para que os nativos manchassem os altares de seus templos com o sangue de vítimas humanas.

9 de novembro de 2010

Demonolatria 2ª parte

Na postagem anterior sob o título Demonolatria eu abordei, com base no texto traduzido por Ligia Cabus, a questão da origem da adoração do Mal como sendo anterior a adoração do Bem, nesta continuação veremos que práticas de adoração ao "Mal" estão presentes, ou pelo menos podem ser percebidas como características cerimoniais mórbidas, até mesmo em cerimônias de adoração ao bem atualmente, como remanescentes de uma idéia de apaziguamento do mal.

As antigas e clássicas civilizações também carregam esse feio passado em sua história (a saber o sacrifício humano). Os sacrifícios humanos são freqüentemente mencionados na Bíblia. Como no episódio do rei de Moabe (2ª Reis, 3:26,27).


"Quando o rei de Moabe viu que a batalha se mostrou forte demais para ele, tomou consigo imediatamente setecentos homens que puxavam da espada para romperem até o rei de Edom, mas não puderam. 27 Por fim tomou seu filho primogênito que ia reinar em seu lugar e o ofereceu como sacrifício queimado sobre a muralha. E veio a haver grande indignação contra Israel, de modo que se retiraram de ir contra ele e retornaram ao seu país.".

Os profetas pregaram muitas vezes contra a prática pagã entre israelitas que, imitando a religião de seus vizinhos, sacrificavam seus filhos e filhas aos demônios ou então faziam-nos passar através do fogo de Moloch (ou Moloque), para serem devorados pelas chamas.

Moloque era uma deidade especialmente associada com os amonitas (habitantes da terra de amon); possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Link para o site de origem da imagem de Moloque. (site em inglês)







As nações mais civilizadas do mundo preservam em suas mitologias a memória de, em um tempo primitivo de seu desenvolvimento religioso, imolarem seres humanos para tornar propícias as divindades irritadas. Quando Atenas estava no auge de sua glória, Eurípedes [485-406 a.C. ─ dramaturgo grego] representava o drama do trágico destino de Polixena, que foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles para acalmar o espírito do herói morto assegurando, deste modo, um retorno seguro dos guerreiros gregos.


Os sacrifícios humanos são uma característica central na adoração aos "demônios", mas não é única. Existem outras práticas diabólicas baseadas na idéia de que este tipo de deidade tem prazer em testemunhar a tortura e a maior das abominações, o canibalismo. O canibalismo, como explicam os antropólogos, jamais resulta de uma escassez de comida; não. O canibalismo não é uma simples refeição. Antes, é um ritual religioso, justificado por superstições, crenças, especialmente a idéia de que partilhar [como lanche...] o coração ou o cérebro do adversário proporciona absorver a coragem, a força e outras virtudes do sacrificado. Seriam os rituais antropofágicos, presentes também, pelo menos no passado, na tradição cultural de tribos indígenas brasileiras. (Nota pessoal do autor deste blog)





Esta relação entre comer o semelhante para apoderar-se de suas virtudes, esse pensamento que implica práticas tão brutais, ainda permanece diluída na simbologia mais importante da religião mais poderosa do planeta: o cristianismo. Em particular, o cristianismo católico, com sua cerimônia da Transubstanciação: o pão no corpo, o vinho no sangue de Jesus. Ainda que os padres apelem para todas as justificativas, sejam teológicas, semióticas ou simplesmente misteriosas, essa referência ao beber sangue e comer o corpo é, no mínimo, uma coisa mórbida. A inocente transubstanciação operada nas missas serve como péssima inspiração para a deturpação da prática dando origem a seitas instituídas por psicopatas-criminosos de todo tipo. A Religião nasceu do medo. A religiosidade dos selvagens demonstra isso muito bem. O medo do mal é notável e, por isso, os primeiros esforços foram feitos no sentido de estabelecer uma relação amigável com os agentes do Mal, e não do Bem; porque o Bem não causa transtornos. A demonolatria existe hoje. Está nas manchetes policiais do mundo inteiro; e vai continuar existindo até que o senso comum do homem mediano perceba ou resgate o significado das palavras e a delicada relação ontológica* entre o Bem, o Bom e o Belo.
*Ontológica:Referente à ontologia: ciência que investiga a natureza do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independente da matéria e
das especulações acerca da essência, substância e acidentes.