10 de julho de 2012

"Era negra"





“Era Negra”

Em meio aos açougues, a sede me inunda
Fome e ódio tomam minha mente... Instância!
Gritos de desespero me insinuam a consubstancia
Genital... Vaginas dilaceradas... Sangue... Terror...

Fui o augúrio de muitas... Esfolei os frutos podres
e hoje vivo mais um dia... Faminto... Renovado!
A catarse de outrora agora se resume em uma
nova dor... Em um novo sonho vermelho!
Minhas mãos invadiram corpos nus em noites frias
de inverno... Elas gemiam, choravam e gritavam!

Os bosques sombrios
Com gemidos vadios
Onde ninguém a sentiu

Voluptuosa salsa mórbida
Esfaqueava frígidas escórias
Ungindo salivas e aflorando rosas
Ao molde “do reflexo tão consagrado”
Quando Lilith acorda...

Apanhando almas...
Esfolando corpos...
Almejando óbitos!

O Monstro da noite...
O Corvo Anacorético!


2 comentários:

  1. Como sempre, muito bem feito.
    Gosto dos poemas do Vitor porque me lembra um pouco ao meu amor eterno dos poetas Lord Byron, um devoto dele, Alvares de Azevedo e o escarrar das palavras de Augusto dos Anjos.
    Poemas violentos, viagens noturnas e mórbidas.

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    1. De fato as palavras dele são apaixonantes. Sempre muito fortes.
      Obrigado pelo comentário.

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