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6 de outubro de 2011

Biografia de Alphonse Louis Constant - Eliphas Levi

Eliphas Levi 1810 - 1857
"... Eliphas Lévi (Alphonse Louis Constant) nasceu em Paris em 1810. Filho de um sapateiro desde muito jovem se sentiu atraído pela  mística, ingressando no Grande Seminário de Issy, onde cursou estudos clericais.
Como bom aluno na sua carreira clerical, passou pelo diaconato para mais tarde ser ordenado sacerdote, mas não foi por muito tempo, já que acabou expulso pela igreja devido a suas idéias heréticas e por não ter mantido o voto de castidade. Nos anos posteriores Lévi sofreu em sua pele a miséria tanto material como espiritual. Arrependido ingressou em 1839 na abadia beneditina de Solermes acreditando destinado a vida monástica, mas só permaneceu interno durante um ano, o tempo suficiente para escrever secretamente sua primeira obra, "A Bíblia da Liberdade". Obra que foi considerada como perniciosa e pecaminosa pela Audiência de Paris e pela qual foi condenado a 11 meses de prisão, sendo libertado em abril de 1842. A partir de sua liberação, atraído por seu ascetismo, começa a freqüentar bibliotecas aonde descobre com admiração os segredos do hermetismo, estudando Martines de Pascually. Já admitido  na magia e na maçonaria é animado pelo historiador maçônico Ragón a escrever uma de suas obras mais importantes, "Dogma e ritual de alta magia", a qual assina com duas letras hebraicas, iniciais do nome que utilizaria a partir deste momento: Eliphas Lévi, o equivalente hebraico de seu nome de nascimento, como ele próprio afirmava.
Em março de 1854 chega a Londres aonde conhece o rosa-cruz Sir Edward Bulwer Lytton (autor de Zanoni) e entre eles cresce a amizade e motivados por sua devoção pela magia se entregam juntos a experiências místicas. Lévi se retirou durante 21 dias para um templo londrino, praticando a meditação acompanhada de uma estrita dieta vegetariana e jejuando durante duas semanas para no final aparecer diante do teúrgo Apolonio de Tiana. A partir de então sua reputação de erudito e mestre cresce rapidamente e Lévi começa a se dedicar à alquimia [...]. De 1865 a 1874, Lévi foi "imperador" de uma importante sociedade secreta iniciática, "Os Irmãos Maiores da Rosacruz". Entre outras coisas, a importância de Lévi para o ocultismo é o seu acerto no desenho e sua interpretação esotérica do Baphomet. Mais, Lévi foi o primeiro a adaptar o pentagrama invertido como símbolo material ante o espiritual, do direito. Ele fez duas ilustrações do pentagrama. Na primeira, o direito (sem inversão), desenhou um homem dentro de das cinco pontas de uma estrela, simbolizando cada um de seus membros com um dos quatro elementos - terra, ar, água e fogo - estando a cabeça representada pelo espírito, os nomes Adão e Eva escritos dentro da estrela e as letras hebraicas correspondentes à palavra Yeshua ao seu redor. Chamou o desenho de "O Homem Microcósmico".
[...]
Na ilustração do pentagrama invertido Lévi desenhou dentro da estrela invertida a cabeça de uma cabra e os nomes de Samuel y Lilith dentro e a palavra Léviatan ao redor. Chamou-o de Baphomet. O Baphomet completo e famoso (também chamado de Sabbatic Goat) sentado em cima de uma esfera viria mais tarde, ilustrando a capa de seu livro "A Doutrina da Alta Magia" publicado em 1855.
Ao interpretar os pentagramas formulou pela primeira vez a diferença entre o simbolismo humano-material e o divino-espiritual. Também aportou estudos sobre os 22 arcanos maiores do tarô, associando-os as letras do alfabeto hebraico e a seus aspectos divinos. Além das obras já citadas, Lévi deixou outras obras de grande importância para o esoterismo e o ocultismo, tais como "Historia da magia", "A magia transcendental" o "A chave dos mistérios", entre outras. Suas obras influenciaram a outros grandes ocultistas como Aleister Crowley, quem proclamou ser a reencarnação de Lévi.
Eliphas Lévi, cabalista, rosa-cruz e maçom, fez de suas escrituras sua vida e de sua vida magia, sendo sem dúvida um dos ocultistas mais importantes do século XIX. Lévi faleceu em 1875 com a idade de 65 anos, não sem antes de deixar um importante legado para os amantes do ocultismo.

25 de março de 2011

O Caibalion - Tradição hermética

A palavra Caibalion (ou Kybalion) tem a mesma origem de Cabala (Qabala), e significa revelação ou tradição superior. É um tratado escrito por três filósofos herméticos sobre os sete princípios que regem o universo e são a base da magia. Essas leis demonstram como funciona o universo e como refletem diretamente nos fatos da vida cotidiana. As origens dos ensinamentos do Caibalion, supostamente, estão associadas ao filósofo Hermes.
Acredita-se que a origem de Hermes seja indo-européia, e que teria ensinado a arte da alquimia, astrologia e algumas práticas mágicas, além das bases de Verdades Universais em várias partes do mundo. Conhecido pelos egípcios como Toth e pelos romanos como Mercúrio, Hermes também é chamado de Logos (verbo-de-Deus-feito-carne), e alguns cristãos atribuíram a Jesus algumas de suas características. Também é representado entre os nativos norte-americanos como um corvo, coiote ou lebre. Acredita-se até mesmo que a química, a astronomia e a física surgiram através de suas mãos.
Pitágoras, assim como dizem que os druidas também, era versado nos princípios herméticos. Os romanos acreditavam que os druidas tinham aprendido com Pitágoras sobre hermetismo. Porém, alguns estudiosos encontraram provas de que Pitágoras tinha sido instruído pelas sacerdotisas druidas da Tracia (?). Supõe-se que na Idade Média, Deus reapareceu como Hermes Trimegisto (o Três Vezes Sábio).

Mais algumas informações sobre Hermes Trimagisto e suas obras podem ser obtidas seguindo-se o link acima onde está disponível o download do Caibalion. O download deste e de outros livros também está disponível na página LITERATURA.

1 de março de 2011

Hermes Trimegisto

De acordo com a crença popular Hermes Trimegisto ou "Hermes três vezes grande" devido o seu conhecimento abarcar os três mundos: físico, astral e mental, teria sido um filósofo egípcio que se supõe ter vivido 2 mil anos antes de Cristo. Sendo identificado pelos eruditos com o deus lunar egípcio Toth, seria um instrutor, conforme o significado de seu nome, ou seja, um agente de sabedoria eterna.

Na verdade a crença em Hermes Trimegisto trataria-se de outro sincretismo de enorme influência subsequente que se completou durante o período romano. Segundo uma de suas histórias, Hermes teria viajado ao Egito e lhe dado leis e a escrita, e TOT ou Toth era um deus imensamente popular no Egito, ligado ao tempo, ao destino, à ordem cósmica, à lei, à sabedoria, à cultura e ao conhecimento, à religião e instituições civis, aos rituais, ao culto e à magia e era também juiz e guia dos mortos. Havendo vários pontos de contato entre ambos, na assimilação Hermes adquiriu o status de sacerdote, filósofo e governante, e Toth foi também magnificado em seu país com vários atributos do outro. As origens dessa fusão são pouco claras, mas parece que se deveu em parte ao estabelecimento de colonos gregos no litoral egípcio, e no início da era cristã já havia uma sólida tradição ligada a este personagem, que se tornara conhecido em largas áreas do mundo antigo em virtude de sua doutrina filosófica e religiosa.

Diz-se que descobriu a aritmética, a álgebra, a geometria, a astronomia, o desenho, o jogo dos dados, o alfabeto e a escrita.

Ilustração do tratado alquímico Viridarium Chymicum
de 1624 de Daniel Stolz Von Stolzenberg com a figura
de Trimegisto e símbolos alquímicos 
Alega-se que ele teria deixado escrito doutrinas num conjunto que veio a ser conhecido como Corpus Hermeticum, cujo conteúdo é uma eclética reunião de elementos da religião, filosofia, divinação, ritualística, esoterismo, magia, astrologia, ciências, política, alquimia e teurgia.

(A palavra teurgia é grega e provém de theoi, "deuses", e ergein, "obra", significando não somente "obra divina" mas também "obra de Deus" ou "produzindo a obra dos deuses" , e foi utilizada em contraste com a teologia, que meramente discutia sobre os deuses, e teoria, a pura contemplação filosófica e intuitiva. É uma forma de magia ritual.)

O Corpus Hermeticum foi influenciado por várias correntes de pensamento egípcias, gregas. romanas e cristãs. Os segredos de Hermes eram, no entanto, encerrados em símbolos, transmitidos pelos iniciados aos seu seguidores, através das provas dos mistérios e de duros estudos nas escolas de sabedoria. A esta sabedoria, aliás, dá-se o nome de hermenêutica que é a arte de interpretar os textos para descobrir o seu verdadeiro significado oculto, em especial a interpretação de símbolos, sendo esta imprescindível para a compreensão do mundo esotérico da cabala ou da alquimia.
Outros 42 livros são atribuídos a Hermes e que englobam a totalidade dos ramos da filosofia, da mística e das ciências. Seus textos encontravam-se guardados na famosa Biblioteca de Alexandria até sua infeliz destruição.  

Através do pouco que se salvou dos vários desastres que vitimaram a referida Biblioteca e também por meio de cópias, citações, fragmentos e antigas traduções, chegou até aos dias de hoje aquilo que constitui a parte mais interessante da doutrina e da filosofia hermética do antigo Egito. Um dos mais importantes tratados de Hermes, o PYMANDER (para os ocultistas significa Mente Superior ou Iluminada, no sentido de guia, Mestre ou pastor de Homens) ou POEMANDER (talvez por alusão a Poimen, pastor de Hermes), que trata da divindade da alma humana no sentido místico.

No PYMANDER definem-se os 7 mundos, os 7 planos da evolução ou condição da existência, os 7 Princípios Herméticos, que posteriormente são explicados no KYBALION (Caibalion), um livro esotérico escrito por três dos seguidores de Hermes.

Os 7 Princípios de Hermes são:

1º O MENTALISMO  - tudo é mente.
2º A CORRESPONDÊNCIA - existe uma correspondência entre os vários estados do ser e da vida e entre as leis e os fenômenos.
3º A VIBRAÇÃO - tudo está em movimento, nada está imóvel.
4º A POLARIDADE - tudo é dual e tem dois pólos.
5º O RITMO - tudo se manifesta num movimento de fluxo e refluxo.
6º A CAUSA E EFEITO - todo efeito tem uma causa e uma causa um efeito.
7º A GERAÇÃO - a feração manifesta-se em tudo, estando sempre em ação os princípios masculino e feminino.

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Fontes: wikipedia.org;
somostodosum.ig.com.br
arquivos pessoais







28 de fevereiro de 2011

Rituale Romanum

O Rituale Romanum (Ritual Romano em latim) é um livro litúrgico que contém todos os rituais normalmente administrados por um padre, incluindo o único ritual formal para exorcismo sancionado pela Igreja Católica Romana até finais do século XX. Além do exorcismo de demônios e espíritos, esse manual de serviço para padres também contém instruções para o exorcismo de casas e outros lugares que se acredita estarem infestados por entidades malignas. Neste sentido é interessante notar o exemplo de Roma e seus obeliscos.
Em 30 aC, o Egito se tornou uma provìncia romana. Vários imperadores romanos queriam adornar sua capital com monumentos de grande prestígio, de modo que até 50 obeliscos foram levados a Roma. Quando o império romano caiu, Roma foi saqueada. A maioria dos obeliscos foi derrubada e esquecida. No entanto vários papas se interessaram em reerguer estes monumentos retirados das ruínas da antiga cidade. A Igreja Católica Romana admite (e a História comprova) que os obeliscos foram "dedicados ao Sol por um rei egípcio" e que, no passado, "traziam grandeza fútil aos profanos templos pagãos".
O reerguimento dos primeiros obeliscos durante o reinado do Papa Sisto V (1585-1590) foi acompanhado por rituais de exorcismo, bençãos, aspersão de água benta e queima de incenso. Um bispo cantou diante do obelidco do Vaticano: "Eu o exorcizo para levar a Santa Cruz e permanecer livre de toda a impureza pagã e ameaças de iniqüidade espiritual."

Pois é, exorcismos não são feitos apenas com pessoas!


Exorcistas raramente ou nunca trabalham sozinhos. Normalmente são auxiliadas por, no mínimo, três outras pessoas. Uma delas é geralmente um padre mais jovem e menos experiente que está ou esteve sob treinamento para realização de exorcismos. Seu papel central é continuar o exorcismo e assumir o ritual, caso o exorcista fique muito fraco para continuar ou se ele morrer. A segunda pessoa que serve de assistente para o exorcista é, na maioria dos casos, um médico cuja responsabilidade é administrar qualquer medicação ou tratamento que a vítima da possessão precise, pois sob nenhuma circunstância o exorcista pode fazer isso. A terceira pessoa é tradicionalmente um homem parente da pessoa possuída – normalmente o pai, irmão ou marido. Em alguns casos pode ser um amigo de confiança da família. Mas, em qualquer caso, é imperativo que esteja em boas condições de saúde e seja forte – tanto física como mentalmente. Se a pessoa possuída é uma mulher, muitos exorcistas providenciam que outra mulher esteja presente durante o ritual para evitar escândalos.

Antes de realizar o ritual do exorcismo, é costumeiro que o padre faça uma boa confissão e seja absolvido de todos os seus pecados para o caso de o espírito ou demônio que ele enfrentará tente usá-los contra ele durante o ritual. Ele então veste os trajes necessários para os padres exorcistas (um sobrepeliz e um sudário púrpura) e inicia o ritual. Durante o exorcismo, certas orações prescritas, tais como o Pater Noster (o Pai-Nosso), as Litanias dos Santos e o Salmo 54, são recitadas sobre o individuo possuído, freqüentemente em latim, uma vez que se acredita que as orações são mais eficientes quando recitadas nessa antiga língua.

Ao longo dessas recitações, o exorcista tradicionalmente faz o sinal-da-cruz, lê as escrituras e, às vezes, coloca suas mãos sobre a vítima. Ele também exige que o espírito maligno ou demônio que possuiu a pessoa revele seu nome e natureza, sucumba ao Filho de Deus e deixe sua vítima humana em paz. Quando o espírito maligno ou demônio finalmente parte, o exorcista reza a Jesus Cristo e pede que ele conceda sua divina ajuda e proteção à pessoa, que normalmente não retém memórias claras de sua possessão demoníaca ou do exorcismo. Se, todavia, o ritual de exorcismo não é bem-sucedido em expulsar o espírito maligno ou demônio de sua vítima, ele é então realizado repetidamente até que a entidade deixe o local. Isso pode levar horas, dias ou até mais tempo.

Na mídia o ritual de exorcismo está presente, por exemplo, em séries de televisão tal como na série Supernatural (Sobrenatural no Brasil). É evidente que não apenas esta série faz referência ao Ritual Romano - e a outros rituais de exorcismo, inúmeras poderiam ser as referências tais como o clássico O Exorcista ou o atual O Exorcismo de Emily Rose ou o seriado "Apparitions".
   


cena do seriado "Apparitions" da BBC

É importante levar em consideração que a fim de atender aos interesses do público nos seriados ou filmes o ritual apresentado não costuma seguir - e quase nunca segue - a originalidade do ritual de conjuração. Afinal em uma obra televisiva ou naquelas produzidas para o cinema o que conta é o espetáculo e a audiência.
Como alguns diriam: "Se fosse para representar a verdade como ela é não seria um filme seria um documentário."
faço este breve comentário porque com muita frequência tendemos a imaginar, mesmo que por um curto espaço de tempo, que tais produções cinematográficas são sempre embasadas em documentações confiáveis e amparadas em profundas pesquisas o que nem sempre é verdade.

Tudo bem. Feito este alerta transcrevo abaixo uma conjuração muito comum na série Sobrenatural, o ritual chamado, na série, de "Ritual de aprisionamento do demônio" (em uma tradução livre). 
O ritual está em latim e segue uma tradução pessoal para o português.







RITUAL DE APRISIONAMENTO DO DEMÔNIO (em latim)

Regna terrae, cantate Deo,
psallite Domino
qui fertis super caelum
caeli ad Orientem
Ecce dabit voci Suae
vocem virtutis,
tribuite virtutem Deo.


Exorcizamus te, omnis immundus spiritus
omnis satanica potestas, omnis incursio
infernalis adversarii, omnis legio,
omnis congregatio et secta diabolica.


Ergo draco maledicte
et omnis legio diabolica adjuramus te.
cessa decipere humanas creaturas,
eisque aeternae Perditionis venenum propinare.


Vade, Satana, inventor et magister
omnis fallaciae, hostis humanae salutis.
Humiliare sub potenti manu dei,
contremisce et effuge, invocato a
nobis sancto et terribili nomine,
quem inferi tremunt.


Ab insidiis diaboli, libera nos, Domine.
Ut Ecclesiam tuam secura tibi facias
libertate servire, te rogamus, audi nos.
Ut inimicos sanctae Ecclesiae humiliare digneris,
te rogamus, audi nos.


Ut inimicos sanctae Ecclesiae
te rogamus, audi nos.


Terribilis Deus de sanctuario suo.
Deus Israhel ipse truderit virtutem
et fortitudinem plebi Suae.
Benedictus Deus. Gloria Patri.

RITUAL DE APRISIONAMENTO DO DEMÔNIO
(traduzido para o português)

Reinos da terra, cantai a Deus,
Louvores ao Senhor
que levam acima do céu
do céu para o Oriente.
Eis que Ele envia sua própria voz,
Voz da Virtude.
Atributo a virtude de Deus.

Nós vos exorcizamos, a todo o espírito impuro,
todo poder satânico, cada incursão
do adversário infernal, cada legião,
toda congregação e seita diabólica.

Portanto, maldito demônio
e toda legião diabólica, nós vos suplicamos.
Cessa de enganar as criaturas humanas,
e dar a elas o veneno da perdição eterna.

Vá embora, Satanás, inventor e mestre
de todas as mentiras, inimigo da salvação da humanidade.
Seja humilde, sob a mão poderosa de Deus -
treme e foge - Eu invoco pelo
nos Nome Sagrado e Terrível
em que aqueles abaixo tremer.

Das ciladas do diabo, libertar-nos, Senhor.
De modo que tu possas fazer sua Igreja segura para servi-lo livremente
nós te pedimos, ouvi-nos.
Para que possais destruir os inimigos de Sua Sagrada Igreja,
nós te pedimos, ouvi-nos!

Que ... os inimigos do sua Sagrado da Igreja
nós te pedimos, ouvi-nos!

Deus é assustador sobre o seu próprio lugar sagrado.
O Deus de Israel, Ele mesmo vai ter excelência impulso
e força para o seu povo.
Bendito seja Deus. Glória ao Pai.

Download do livro
Ritual Romano - pdf

Fontes: wikipedia; oarquivo.com.br; arquivos pessoais

19 de dezembro de 2010

Rusalkas

Na maioria das versões, a Rusalka é um inquieto ser morto, associado com "forças impuras". De acordo com algumas crenças, as pessoas que morrem violentamente e antes de seu tempo, como as mulheres jovens que se suicidam por terem sido abandonadas por seus amantes, ou as mulheres solteiras grávidas, devem viver na Terra como um espírito.

A versão fantasmagórica é da alma de uma jovem mulher que teria sido morta em um rio ou lago ou perto de um rio ou lago e retornaria para assombrar este local. Este Rusalka nem sempre é maléfica, e lhe será permitido morrer em paz se a sua morte for vingada.
Rusalkas também podem originar-se de crianças não batizadas, muitas vezes, aqueles que nasceram fora do casamento e foram afogadas por suas mães, por esse motivo. rusalkas bebês supostamente passeariam na floresta pedindo para serem batizados para que eles pudessem ter paz. Eles não são necessariamente inocentes, no entanto, podem atacar um homem tolo o suficiente para abordá-los.

Enquanto sua morada principal era o corpo de água em que ela morreu, a Rusalka poderia sair da água durante a noite, subir em uma árvore, e sentar-se cantando músicas lá, sentar em uma doca e pentear o cabelo, ou juntar-se a outras rusalkas para danças de roda polacas no campo.

Embora em algumas versões do mito, os olhos brilhem como fogo verde, outros descrevem-los com a pele extremamente pálida e translúcida, e com as pupílas não visíveis. O cabelo dela é por vezes representado como verde ou dourado, e muitas vezes permanentemente úmidos. O Rusalka não poderia viver por muito tempo em terra firme, mas com o pente era sempre seguro, pois daria a ela o poder de conjurar água quando ela precisasse. Segundo algumas lendas, se o cabelo da Rusalka secar, ela morrerá.

Rusalka gostaria de ter os homens e as crianças presos em seus jogos. Elas podem fazê-lo, atraindo os homens com seu canto e, em seguida, afogando-os, enquanto as crianças eram muitas vezes atraídos com cestas de frutas. Homens seduzidos pela Rusalka poderiam morrer em seus braços, e em algumas versões por ouvi-las rir.

Especificidades relativas a Rusalka diferem de acordo com as regiões. Embora na maioria dos contos elas vivam sem homens, na Ucrânia eram frequentemente relacionadas com água, enquanto na Bielorrúsia, foram relacionados com a floresta e campo. Onde a terra era fértil, as donzelas apareceriam nuas e belas. Muitas vezes, no norte, eram feias e cobertas de pêlos. As rusalkas eram consideradas mais perigosas durante a Semana Rusalka (Rusal'naia) no início de junho. Neste momento, elas deixariam suas profundezas aquosas, a fim de balançar em galhos de salgueiro e de bétula à noite. Natação durante esta semana era estritamente proibido, sob o risco de que as sereias rusalkas arrastariam um nadador para o fundo do rio. Uma característica comum das comemorações da semana Rusal'naia era o ritual de banimento ou o enterramento da Rusalka no final da semana, que permaneceu como entretenimento na Rússia até 1930. A palavra Rusalka originalmente se referia à dança das meninas na festa do pentecostes. A palavra é derivada de um termo grego "rosalia", o termo latino para semana de pentecostes originalmente significava "o festival das rosas".

18 de dezembro de 2010

Sucubus e Incubus os Vampiros sexuais

Nas lendas medievais, sucubo era um demônio feminino que assumia a forma ilusória de humano e viria para os homens, especialmente os monges, em seus sonhos para seduzi-los e ter relações sexuais com eles, extraindo a energia destes homens para sustentarem-se, muitas vezes até ao ponto de exaustão ou morte. Essa lenda foi uma explicação para o fenômeno dos sonhos molhados e paralisia do sono. Existem algumas fontes que afirmam que os sucubus e os incubus são a mesma criatura, segundo se crê eles seriam capazes de se transformar e desta forma passar adiante o sêmen roubado dos homens para as mulheres sem seu conhecimento. Em histórias posteriores, mais notadamente nas atuais histórias de horror, os sucubus e incubus teriam recebido poderes hipinóticos o que lhes daria a capacidade de comandar e obrigar os membros do sexo oposto. Alguns demônios famosos como Lilith e os Lilin judaicos, Belili na Suméria e Rusalka entre os eslavos eram súcubos.
A princesa de todos os sucubos seria Nahemah e sua prole semi-humana seria chamada Cambion. Os súcubus e incubus poderiam ainda ser chamados de vampiros sexuais.
O nome atual tem suas origens no latim tardio - succuba podendo significar prostituta, que por sua vez vem do latim medieval sub cubaire significando "aquilo que está embaixo". A versão masculina íncubo também vem do latim, seu significado, logicamente, "aquilo que está acima".

-É interessante notar como mesmo ao tratar de demônios o pensamento medieval, concernente ao sexo, os colocaria dentro de uma visão tradicional de hierarquia sexual, ou seja, homens acima, mulheres abaixo.

Lembre-se: um dos pecados de Lilith foi se rebelar contra Adão, seu marido, no que diz respeito à posição que eles deveriam assumir nas relações sexuais. Ela queria ficar por cima (o que seria uma séria afronta às ordens divinas de autoridade familiar).




Ainda nos tempos medievais, o sucubo era visto como uma criatura temível que mataria suas vítimas, "bebendo" sua respiração. Isso é interessante na medida em que, no momento, a respiração era vista como uma parte do espírito da pessoa (hoje em dia fazemos essa analogia ao nos referirmos ao último suspiro de alguém como o abandono do espírito de seu corpo físico, seu último "fôlego de vida"). Mais tarde, os hábitos dos sucubus eram considerados de uma forma mais sexual do que de natureza vampírica, e essa noção, provavelmente, surgiu a partir da mudança no clima social que viu os desvios sexuais como um pecado mortal, e assim, aqueles que cometeram um pecado contra Deus, foram, de alguma forma, merecedores do seu destino.

12 de dezembro de 2010

Hora Profana


Se o leitor já assistiu a filmes como Atividade Paranormal, onde um espírito ou demônio costuma atacar suas vítimas num horário específico, então já deve ter percebido com que frequência as coisas costumam acontecer às três da manhã. É claro que tal particularidade chama a atenção, então nesta postagem trago um pouco deste tema e a significância das três horas da manhã.

Segundo a tradição diz-se que Jesus foi morto às três horas da tarde e seu espírito subiu ao Céu ou Paraíso nesta hora, ainda outra tradição diz que ele esteve no Hades ou inferno até o terceiro dia, quando foi ressucitado. Diz-se que a assunção de Maria ao Céu também ocorreu às três horas da tarde. Alguns afirmam que é quando o véu entre este mundo e o Céu (Paraíso) é mais fino. Obviamente o mesmo pode ser dito da hora oposta, ou seja, às 3 da manhã, dividindo tal véu - este mundo e o “Reino das Trevas”.

Certos rituais pagãos, por exemplo, são notadamente feitos às 3 da manhã, não à meia noite. Assim que estes rituais negros são feitos, nestaa hora, proporciona-se um ganho de força para o mal.
3 horas é também uma distância de tempo suficiente entre o anoitecer e o amanhecer. A luz do Sol, mesmo em pequenos traços de radiação ultravioleta e infravermelha ainda pode ser vista por mais de uma hora após o pôr do Sol. Mas às 3 da manhã, por exemplo, "num céu escuro de lua nova" pode-se perceber uma capa de grande escuridão.

A escuridão seria o poder dos demônios e espíritos malignos. Eles preferem a escuridão porque a luz pode ser insuportável para eles. Desta afirmação nós podemos tirar uma lição de nós mesmos - quando crianças ligavamos uma luz para nos livrar dos “monstros” - o que de alguma forma nos confortava. Há alguma verdade nisso porque os demônios inferiores, especialmente, são facilmente afugentados pelas coisas "positivas" como a luz em oposição as trevas em uma alusão do Bem contra o Mal. Enquanto alguns demônios, por outro lado aparecem durante o dia pondo crucifixos abençoados de cabeça para baixo em uma parede, entre outras coisas. Estas são também demonstrações de poder como se ostentassem dizer: “EU POSSO FAZER ISTO!” ou “ISTO NÃO TEM NENHUM EFEITO SOBRE MIM”, como para enfraquecer a fé daqueles que foram ou vem sendo oprimidos por eles.

Demônios também gostam de fazer barulho naqueles que são considerados feriados cristãos e “dias santos”, como a sexta-feira santa e páscoa. Esta é apenas outra maneira de eles mostrarem poder, desrespeitando o cristianismo.
O que me leva ao que alguns dizem ir além do simbolismo do "3", como indicado por outros - uma paródia da santíssima trindade. No entanto, 3 da manhã é ainda um momento fundamental por outras razões. Essencialmente, a transição ocorre nessas horas 3-4 da manhã. Neste caso, refiro-me a quando os demônios aumentam de número, passando de infestação para as fases de opressão.

Portanto esta hora determinada é de fato um momento muito “profano” do dia. 3 da manhã é muitas vezes um marcador para estas mudanças à medida que crescem em direção a um estágio mais grave de uma assombração demoníaca, para infestação e daí para uma fase de opressão.

Em suma, se você costuma acordar para ver o relógio e é exatamente 3 da manhã, você pode estar vendo isso como um aviso. O número 3 está transformando-se em um símbolo demoníaco. Muitas vezes ele pode ser um aviso de que algo está para se manifestar ou que já tem sido manifesto.

11 de dezembro de 2010

A Hepatoscopia e a astrologia

A prática de ‘examinar o fígado’ (hepatoscopia) parece ter sido um aspecto especial da astrologia. Numa escola-templo de Babilônia foi encontrado um modelo de argila dum fígado que remonta ao tempo de Hamurábi. Um lado dele estava dividido em áreas representativas do “dia” e da “noite”. A beirada estava dividida em 16 partes, tendo-se dado a cada seção os nomes correspondentes das deidades dos céus. Portanto, assim como este ramo de vaticínio dividia o céu de maneira puramente imaginária, assim dividiam de modo similar o fígado de suas vítimas sacrificiais. Quando ofereciam tais sacrifícios, examinavam o fígado, considerando-o um reflexo em miniatura dos céus, para ver que agouros os deuses lhes revelavam. Além de Babilônia a prática da hepatoscopia também era conhecida em Israel onde a astrologia estava ligada à adoração.


Astrologia em Israel.
Há evidência que indica que a astrologia estava intimamente associada com a adoração de Moloque, deus que às vezes era representado com cabeça de touro. O touro era adorado pelos babilônios, cananeus, egípcios e outros, como símbolo das suas deidades — Marduque (Marduk), Moloque, Baal, e assim por diante. O touro era um dos mais importantes signos do zodíaco, Tauro. O deus-sol freqüentemente era representado por touros, os chifres significando os raios, e o forte poder reprodutivo do touro representava o poder do sol como “dador da vida”. A fêmea, a vaca, recebia honra igual como símbolo de Istar ou Astarte (Astartéia), variantes do seu nome.

6 de dezembro de 2010

Marie Laveau - de Rainha Vodu à vampira de Nova Orleans

Sabe-se pouco sobre a vida desta mulher. Supõe-se que ela nasceu no Bairro Francês de Nova Orleans, Louisiana em 1794, filha de um agricultor branco e uma mulher negra. Ela teria se casado com Jacques Paris, um negro livre, em 1819 ele teria morrido apenas um ano depois, em circunstâncias não explicadas; após sua morte, Marie Laveau tornou-se cabeleireira e trabalhou para famílias brancas abastadas. Ela arranjou um amante, Luis Christopher Duminy de Glapion, com quem viveu até a morte dele, em 1835.

Alega-se que seu suposto poder mágico provinha, na verdade, de uma rede de informantes nas casas dos figurões nas quais ela tinha trabalhado como cabeleireira, e que ela era dona de um bordel. Ela especializou-se em obter informações privilegiadas de seus patrões ricos ao, aparentemente, instigar medo nos servos destes a quem ela "curava" de males misteriosos (os quais ela pode ter causado ou sugerido, numa espécie de Síndrome de Munchausen profissional).
Em 16 de junho de 1881, os jornais de Nova Orleans publicaram que Marie Laveau havia morrido. Isto é digno de nota, porque ela teria continuado a ser vista na cidade após esta data. Afirma-se que uma de suas filhas com M. Glapion assumiu seu nome e prosseguiu com a prática mágica após a morte dela.

Marie Laveau foi sepultada no Cemitério de São Luís em Nova Orleans, na cripta da família Glapion. A tumba continua a atrair visitantes que desenham três cruzes (XXX) na lateral, esperando que o espírito dela lhes conceda a realização de um desejo.

A famosa rainha voodoo de Nova Orleans uma vez disse ser vampira. Não, ela não era. Mas um notável escritor do início de 1800, Lafcadio Hearn, disse que ela era - ao menos isso é o que especulamos. Ele provavelmente estava falando da filha dela, também chamada Marie, com quem ele propositalmente viveu. Nascido na Grécia, renomado como jornalista e escritor em Nova Orleans, se tornou familiar com a comunidade voodoo, Lafcadio caminhou pelo lado negro. Mas suas alegações sobre Marie Laveau não eram de todas inacreditáveis.

No voodoo em Nova Orleans no séc. XIX, o sangue dos novatos era drenado, e segundo consta, bebido. Selvagens, alguns relatos falam de crianças sendo cozinhadas em caldeirões e então comidas. Isso não acontecia, mas algumas pessoas acreditavam nisso, exatamente como alguns acreditavam que os vampiros espalharam a Peste Negra na Europa. (pelo visto, quando os europeus não estavam culpando os judeus por tudo o que acontecia na Europa antiga, estavam culpando os vampiros.).

Mas existiam razões para se chamar Marie Laveau de vampira? Ela era tão sensual quanto sobrenatural. E não muito diferente de Laveau, os vampiros da velha Europa carregavam a mensagem subliminar do sexo consigo, quando se reerguiam dos caixões em busca de sangue. Neste caso a mensagem subliminar fazia alusão à ereção masculina, além disso não podemos esquecer da conotação extremamente sexual da mordida no pescoço. (nota pessoal do autor do blog).

A mente vitoriana podia ser confrontada com a subliminar sensualidade dos vampiros através da ficção do Dracula, mas, nos tempos antigos, existiam dois demônios que não eram tão sutis quanto ao propósito de suas visitas noturnas. Esses "demônios românticos" eram os íncubus e as sucubus.

21 de novembro de 2010

Moloque

O nome Moloque vem duma raiz que significa “reinar” ou “rei”, mas com as vogais, na língua original, de bó·sheth, “vergonha”, para indicar repugnância.

Deidade especialmente associada com os amonitas; possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com o deus Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Concorda-se em geral que o Malcão mencionado no livro bíblico de 2 Samuel seja a imagem-ídolo do deus amonita Milcom, ou Moloque, embora o termo hebraico possa ser vertido por “seu rei”. Anteriormente, no relato bíblico, no entanto o rei amonita é chamado pelo seu nome Hanum; portanto, é razoável concluir que apareceria o nome Hanum em vez de Malcão no registro bíblico, se a referência fosse ao rei, em vez de ao ídolo. Também, acha-se improvável que um rei usasse uma coroa que pesava cerca de 34 kg. Pelo mesmo motivo, sugeriu-se que Davi colocou a coroa de Malcão na cabeça apenas temporariamente, talvez para indicar sua vitória sobre o deus falso. Segundo a versão do Targum, adotada por diversos tradutores, a coroa tinha apenas uma jóia preciosa. Isto tem dado margem à idéia de que era antes a jóia preciosa, em vez de a própria coroa, que veio a estar na cabeça de Davi.

Sacrifícios de Crianças a Moloque.

O ‘passar pelo fogo’ para Moloque, conforme algumas traduções da bíblia, tem sido considerado por alguns como significando um ritual de purificação, por meio do qual as crianças eram devotadas ou dedicadas a Moloque; outros entendem que se tratava do sacrifício real. Conforme a própria referência bíblica o Rei Acaz, de Judá, “passou a queimar seus filhos [“seu filho”, Sy] no fogo”. A passagem paralela em 2 Reis 16:3 reza: “Fez até mesmo seu próprio filho passar pelo fogo.” Isto indica que “passar pelo fogo” pelo menos algumas vezes é sinônimo de sacrifício. Ainda segundo se crê os rituais poderiam incluir orgias sexuais.

Todavia, é provável que a adoração de Moloque não era sempre e em todo lugar igual. Por exemplo, o Rei Salomão, sob a influência das suas esposas estrangeiras, construiu altos para Moloque e para outras deidades, mas só no tempo de Acaz se faz menção de sacrifícios de crianças. Sem dúvida, se esta prática tivesse existido anteriormente, teria sido denunciada junto com as outras formas de idolatria existentes nos reinados dos diversos reis. Por este motivo, alguns comentadores são a favor do conceito de que a expressão “passar pelo fogo” se aplicava originalmente a um rito de purificação, e posteriormente passou a significar o próprio sacrifício.




Acaz e Manassés são os únicos reis de Judá mencionados como fazendo seus filhos passar pelo fogo. Todavia, em vista do ímpeto dado por estes dois reis ao sacrifício de crianças, esta prática parece ter ficado arraigada entre os israelitas em geral. As crianças, pelo menos ocasionalmente, eram primeiro mortas, em vez de serem queimadas vivas.

O Rei Josias profanou Tofete, principal centro da adoração de Moloque em Judá, a fim de impedir que as pessoas fizessem seus filhos passar pelo fogo. Mas isso não erradicou esta prática para sempre. Ezequiel, que começou a servir como profeta 16 anos depois da morte de Josias, menciona a ocorrência dela nos seus dias.

Apresentou-se a idéia de que o Moloque a quem se sacrificavam as crianças tinha a forma de homem, mas cabeça de touro. Diz-se que esta imagem era aquecida até ficar rubro, e as crianças eram lançadas nos seus braços estendidos, caindo assim na fornalha ardente embaixo. Este conceito baseia-se na maior parte na descrição do Cronos ou Moloque cartaginês, fornecida pelo historiador grego Diodoro da Sicília, do primeiro século A.c. — Diodorus of Sicily (Diodoro da Sicília), XX, 14, 4-6.

19 de novembro de 2010

Lilith e a crônica de Caim

Abaixo trecho de O Livro de Nod onde é narrada a história de Caim segundo uma versão diferente daquela corrente do Gênesis cristão. No trecho reproduzido conta-se como Caim, depois de ter sido expulso de sua terra pelo Único Acima [Deus], teria sido encontrado por uma mulher que lhe acolheu e o introduziu às artes secretas do sangue.

A mulher em questão era Lilith a primeira esposa de seu pai, Adão.
"Eu sonho com os primeiros tempos; a memória mais longa; eu falo dos primeiros tempos; o mais velho Pai que eu canto dos primeiras tempos e o amanhecer da Escuridão. Em Nod, onde a luz do paraíso ilumina o céu noturno e as lágrimas de nossos pais molharam o solo, cada de nós, de algum modo, define viver e levar nosso alimento da terra.

E eu, Caim o primeiro-nascido, eu, com coisas afiadas, plantei as sementes, no escuro as molhei nas suas covas de terra, as assisti crescer; e Abel, o segundo-nascido Abel, cuidou os animais ajudado por seus herdeiros de sangue e alimentaram-se deles, os assistiam crescer.

Eu o amo, meu Irmão. Ele era o mais luminoso, o mais doce, o mais forte. Ele foi o primeiro motivo de toda minha alegria. Então um dia que nosso Pai disse a nós: Caim, Abel, sobre Mim vocês tem que fazer um sacrifício – um presente da primeira parte de tudo aquilo que vocês têm. E eu, Caim o primeiro-nascido, eu juntei os brotos tenros, as frutas mais luminosas, a mais doce grama. E Abel, o segundo-nascido, Abel sacrificou o mais jovem, o mais forte, o mais doce dos seus animais. No altar de nosso Pai nós pusemos nossos sacrifícios e acendemos fogo debaixo deles e assistimos que a fumaça os levasse até o único Acima. O sacrifício de Abel, o segundo-nascido, cheirou docemente ao único Acima e Abel foi santificado. E, eu, Caim o primeiro-nascido, eu fui golpeado de além por uma palavra severa e uma maldição, por meu sacrifício ser desmerecido. Eu olhei o sacrifício de Abel, ainda fumegando, a carne, o sangue. Eu chorei, eu cerrei meus olhos eu rezei noite e dia; e quando o Pai disse: o tempo por sacrifício veio novamente e Abel conduziu seu mais jovem, seu mais doce, seu mais amado para o fogo sacrificial, eu não levei o meu mais jovem, meu mais doce, porque eu sabia o único Acima não os quereria.
E meu irmão, amado Abel disse para mim, Caim, você não trouxe um sacrifício, um presente da primeira parte de sua alegria, para queimar no altar do único Acima. Eu chorei lágrimas de amor por mim e então, com ferramentas afiadas, sacrifiquei a que foi a primeira parte de minha alegria, meu irmão. O sangue de Abel cobriu o altar e cheirou docemente quando queimou. Mas meu Pai disse "Amaldiçoado é você, Caim que matou seu irmão". Eu fui expulso assim como deveria ser e Ele me exilou para vagar na Escuridão, na Terra de Nod. Eu voei na Escuridão; não vi fonte de luz e eu tive medo. Eu estava só.


A Magia de Lilith

Eu estava só na Escuridão e eu tive fome. Eu estava só na Escuridão. E eu tive frio. Eu estava só na Escuridão e eu chorei. Então veio até mim uma doce voz, uma voz de mel. Palavras de auxílio. Palavras de conforto. Uma mulher, sombria e adorável, com olhos que perfuravam a escuridão, veio a mim.
"Eu conheço sua história", Caim de Nod. Ela disse, sorrindo. "Você tem fome. Venha! Eu tenho comida. Você tem frio. Venha! Eu tenho roupas. Você está triste. Venha! Eu tenho conforto." Quem confortaria um amaldiçoado como eu? Quem me vestiria? Quem me alimentaria ? "Eu sou a primeira esposa de seu Pai, aquela que discordou com o único Acima e ganhou Liberdade na Escuridão. Eu sou Lilith. Uma vez, eu tive frio, e não havia nenhum calor para mim. Uma vez, eu tive fome, e não havia nenhuma comida para mim. Uma vez eu estava triste, e não havia nenhum conforto para mim."




Ela me alojou, ela me alimentou. Ela me vestiu. Nos braços dela, eu achei conforto. Eu chorei até sangue gotejou de meus olhos e ela os beijou. E eu morei durante um tempo na Casa de Lilith e lhe perguntei: "Fora da Escuridão, como você construiu este lugar? Como você fez roupas? Como você cultivou comida?" E Lilith sorriu e disse, ao contrário de você, eu estou "Acordada". Eu vejo as Linhas que giram ao redor de você. Eu faço o que eu preciso com Poder. "Desperte-me, então, Lilith" - eu disse. "Eu tenho necessidade deste Poder. Então, eu poderei fazer minhas próprias roupas, fazer minha própria comida, fazer minha própria casa."

A preocupação dobrou as sobrancelha de Lilith. "Eu não sei o que fazer para você Despertar, porque você verdadeiramente é amaldiçoado por seu Pai. Você poderia morrer. Você poderia mudar para sempre." Caim disse: 'Mesmo assim, uma vida sem Poder não será pago vivendo. Eu morreria sem seus presentes. Eu não viverei como seu Thrallî." Lilith me amou, e eu soube isto. Lilith faria o que eu pedi, entretanto ela não desejou isto. E assim, Lilith, os olhos brilhantes de Lilith, me Despertaram. Ela se cortou com uma faca sangrou para mim em uma tigela. Eu bebi profundamente. Era doce. E então eu entrei no Abismo. eu caí eternamente, caindo na escuridão mais profunda.

A Tentação de Caim


E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite. E o arcanjo o Michael se revelou para mim. Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria. Michael, General do Céu, portador da Chama Santa, disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande, e também a clemência de meu Pai é grande. Você não se arrependerá do mal que você fez, e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo?" E eu disse a Michael: "Não por graça do único Acima, mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho." Michael me amaldiçoou dizendo: "Então, que você caminhe nesta terra; você e suas crianças temerão minha chama viva, que morderá profundamente e saboreará sua carne." E pela manhã, Raphael veio iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste. Raphael disse: "Caim de Adão, filho de Eva, seu irmão Abel o perdoou de seu pecado; você se arrepende e aceita a clemência do Todo-Poderoso?" E eu disse a Raphael: "Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão." Raphael me amaldiçoou, dizendo "Então, que você caminhe nesta terra, você e suas crianças temerão o amanhecer, e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol levar sua ira até você". Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol. Profundamente na terra, eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite. Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim - Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão. Uriel falou quietamente a mim, dizendo: "Filho de Adão, Filho de Eva, o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado. Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado?" E eu disse a Uriel escuro alado: "Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará." E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo: "Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão. Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas. Você sempre será como você estava na morte. Nunca morrerá, se mantendo vivo. Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada, até os últimos dias."
Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne. Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi. Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil, Gabriel o senhor da clemência, apareceu a mim. O arcanjo Gabriel disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva – vá! A clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de clemência que você chamará de Golconda e fala para suas crianças disto, para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais." E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith. Olhando ao redor de mim, eu soube que tinha Despertado.

Quando minhas primeiras energias surgiram através de mim eu descobri como me mover como o raio [Celeridade], como obter a força da terra [Potência], como ser como pedra [Resistência]. Lilith então mostrou para mim, como ela se esconde de caçadores [Ofuscação], como ela ordena obediência [Dominação], e como ela exige respeito [Presença]. Então, despertando-me adiante, eu achei o modo para alterar formas [Metamorfose], o modo de ter domínio sobre animais [Animalismo], o modo para fazer olhos ver o passado [Auspícios]. Então Lilith mandou que eu parasse, dizendo que eu tinha alcançado meus limites. Que eu tinha ido muito distante. Que eu ameacei minha essência. Ela usou seus poderes e me comandou que parasse. Por causa do seu poder, eu atendi, mas profundamente dentro de mim uma semente foi plantada, uma semente de rebelião e quando ela virou sua face para mim, eu me abri mais uma vez, para a Noite, e vi as possibilidades infinitas nas estrelas e soube que um caminho de poder, um caminho de Sangue eu tomei, e assim despertado em mim este Caminho Final, do qual todos os outros caminhos cresceriam. Com este mais novo poder, eu quebrei os laços que a Senhora da Noite que me vestiu. Eu deixei a Rainha Maldita naquela noite, me escondendo nas sombras, eu fugi as terras de Nod e vim para um lugar onde os demônios dela não poderiam me achar."

FONTE: Ayisha Jocastian. Livro de Nod. As Crônicas de Caim, 2002. IN ScribD
Segue abaixo link para download do livro

Download:

14 de novembro de 2010

Demonolatria 1ª parte



(Texto) Fonte: Adoração ao Diabo
CARUS, Paul. Devil Worship. History of The Devil, 1900. [Trad. e Adaptação: Ligia Cabus] ─ In Sacred-Texts.[www.sacred-texts.com/evil/hod/hod04.htm]





*parte do texto traduzido de Ligia Cabus foi readaptado nestas postagens.


Esta série de postagens foi inspirada em resultados de uma busca que fiz na internet e em arquivos pessoais sobre o tema demonolatria. O objetivo desta pesquisa foi tentar compreender o porquê da adoração de uma criatura que na grande maioria das culturas (talvez em todas) é considerada como o símbolo maior do mal, e para isso começo transcrevendo o seguinte abaixo:


'Na história da adoração a essa entidade conhecida como diabo, muitos estudiosos, como o alemão Georg Waitz [1813-1886], o inglês Sir John Lubbock [1834-1913], e o também inglês e antropólogo Edward Burnett Tylor [1832-1917] reuniram informações das quais deduziram que em um estágio dos mais "primitivos" da religião, a adoração ou veneração ao Diabo [ou seus assemelhados, o mal] precedeu o culto a um Deus benevolente e moralizador, divindade do Bem.


As divindades malignas aparecem como as personagens mais importantes no passado remoto de quase todos os sistemas de fé. Demonolatria, cultos aos Diabos, são o primeiro estágio da evolução do pensamento religioso; porque os homens, muito antes de pensarem em bençãos, curvaram-se ao meio hostil. Os homens primitivos eram primitivos mas não eram insanos: temiam o Mal e não o Bem. Assim, era natural que buscassem técnicas apaziguadoras que evitassem os infortúnios provenientes de um mal cuja origem não podiam alcançar.









O filósofo inglês, Herbert Spencer [1820-1903], acreditava que o fundamento da religião é o "Desconhecido", querendo com isso dizer que o que os selvagens adoravam [e adoram] é aquilo que eles não entendem. [Assim, o Desconhecido de Spencer é algo que não se entende e não algo que nunca se conheceu. Não é uma hipótese consistente. Um provérbio alemão diz: O que não conheço, não me preocupa; ou em português, algo como: O que os olhos não vêem o coração não sente.






Aquilo que é absolutamente desconhecido não comove o homem. Os selvagens não reverenciam o trovão porque não sabem o que é, ou porque não sabem explicar o fenômeno. Porém, conhecem suficientemente o fenômeno subseqüente, o raio, e os estragos que ele pode causar: matar, machucar, queimar sua cabana. O selvagem tem medo dos trovões e dos raios. Então, em uma tentativa de controlar a ameaça, desenvolve reverência por essa força intangível na esperança de evitar suas manifestações.



Georg Waitz, falando sobre os nativos norte-americanos das tribos da Flórida, observa que indivíduos daquelas culturas que não foram semi-cristianizados, têm, ainda [o autor escreve no século XIX, anos 1800] uma adoração [reverência] solene a um espírito do Mal, Toia ─ que atormenta suas vítimas com visões. Esses nativos pouco se preocupam com o Espírito do Bem, o qual, Ele mesmo, parece [para os nativos] pouco se importar com raça humana.







A mesma característica ocorre em tribos de amerabas, indígenas brasileiros. Esses indígenas têm a viva convicção de um Princípio do Mal [personificado na mitologia do encantado Anhangá - N. do T.] sobre eles; eventualmente, referem-se ao Bem; mas esse, o Bem, é muito menos reverenciado que o outro, o Mal. No contexto de seus esforços pela sobrevivência, os selvagens percebem o Ser Benevolente como uma entidade mais fraca, menos poderosa e/ou influente sobre o destino dos homens que o Mal, que se manifesta diariamente. Em 1605. o capitão John Smith, herói da colonização da Virgínia descrevia o culto a Okke [palavra que, aparentemente, significa além do nosso controle] escreveu:






Existe na Virgínia uma tribo tão selvagem que não possui religião além da reverência a todas as coisas que, potencialmente, podem lhes produzir qualquer dano ou das quais dependem para se manter vivos. Tais coisas, seres e elementos são, por isso, objeto de culto. [É o pensamento religioso animista em busca de apaziguamento das forças da Natureza]. O fogo, a água, o raio, o trovão, cavalos, peixes, etc.. Mas seu Deus maior, a quem chamam Oke. Diz Smith que Oke significa deuses e, assim, Oke é como um panteão resumido em uma imagem. Os nativos disseram que viram Oke e que se parece mais com eles mesmos [homens] do que poderiam imaginar. Nos templos dedicados a Oke, sua representação, entalhada, é assustadora; pintada e adornada com correntes, peças de cobre, contas. [Uma vez por ano 15 jovens são mortos, sacrificados para a gratificação de Oke...].





Práticas similares foram observadas entre quase todas as tribos caribenhas e amerabas, nas ilhas e no continente Sul-Centro-Americano. Em Hispaniola - Ilha de São Domingos [Caribe], a divindade fúnebre é Joacana. O ritual terrível faz desses indígenas alguns dos mais abomináveis entre esses primitivos adoradores do Mal. Entre os povos pré-colombianos do México, os mais civilizados da região, a idéia de um Deus de Paz e Amor não é inteiramente estranha porém, o medo do adversário, o horrendo Huitzilopochtli ainda assustava o suficiente para que os nativos manchassem os altares de seus templos com o sangue de vítimas humanas.

9 de novembro de 2010

Demonolatria 2ª parte

Na postagem anterior sob o título Demonolatria eu abordei, com base no texto traduzido por Ligia Cabus, a questão da origem da adoração do Mal como sendo anterior a adoração do Bem, nesta continuação veremos que práticas de adoração ao "Mal" estão presentes, ou pelo menos podem ser percebidas como características cerimoniais mórbidas, até mesmo em cerimônias de adoração ao bem atualmente, como remanescentes de uma idéia de apaziguamento do mal.

As antigas e clássicas civilizações também carregam esse feio passado em sua história (a saber o sacrifício humano). Os sacrifícios humanos são freqüentemente mencionados na Bíblia. Como no episódio do rei de Moabe (2ª Reis, 3:26,27).


"Quando o rei de Moabe viu que a batalha se mostrou forte demais para ele, tomou consigo imediatamente setecentos homens que puxavam da espada para romperem até o rei de Edom, mas não puderam. 27 Por fim tomou seu filho primogênito que ia reinar em seu lugar e o ofereceu como sacrifício queimado sobre a muralha. E veio a haver grande indignação contra Israel, de modo que se retiraram de ir contra ele e retornaram ao seu país.".

Os profetas pregaram muitas vezes contra a prática pagã entre israelitas que, imitando a religião de seus vizinhos, sacrificavam seus filhos e filhas aos demônios ou então faziam-nos passar através do fogo de Moloch (ou Moloque), para serem devorados pelas chamas.

Moloque era uma deidade especialmente associada com os amonitas (habitantes da terra de amon); possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Link para o site de origem da imagem de Moloque. (site em inglês)







As nações mais civilizadas do mundo preservam em suas mitologias a memória de, em um tempo primitivo de seu desenvolvimento religioso, imolarem seres humanos para tornar propícias as divindades irritadas. Quando Atenas estava no auge de sua glória, Eurípedes [485-406 a.C. ─ dramaturgo grego] representava o drama do trágico destino de Polixena, que foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles para acalmar o espírito do herói morto assegurando, deste modo, um retorno seguro dos guerreiros gregos.


Os sacrifícios humanos são uma característica central na adoração aos "demônios", mas não é única. Existem outras práticas diabólicas baseadas na idéia de que este tipo de deidade tem prazer em testemunhar a tortura e a maior das abominações, o canibalismo. O canibalismo, como explicam os antropólogos, jamais resulta de uma escassez de comida; não. O canibalismo não é uma simples refeição. Antes, é um ritual religioso, justificado por superstições, crenças, especialmente a idéia de que partilhar [como lanche...] o coração ou o cérebro do adversário proporciona absorver a coragem, a força e outras virtudes do sacrificado. Seriam os rituais antropofágicos, presentes também, pelo menos no passado, na tradição cultural de tribos indígenas brasileiras. (Nota pessoal do autor deste blog)





Esta relação entre comer o semelhante para apoderar-se de suas virtudes, esse pensamento que implica práticas tão brutais, ainda permanece diluída na simbologia mais importante da religião mais poderosa do planeta: o cristianismo. Em particular, o cristianismo católico, com sua cerimônia da Transubstanciação: o pão no corpo, o vinho no sangue de Jesus. Ainda que os padres apelem para todas as justificativas, sejam teológicas, semióticas ou simplesmente misteriosas, essa referência ao beber sangue e comer o corpo é, no mínimo, uma coisa mórbida. A inocente transubstanciação operada nas missas serve como péssima inspiração para a deturpação da prática dando origem a seitas instituídas por psicopatas-criminosos de todo tipo. A Religião nasceu do medo. A religiosidade dos selvagens demonstra isso muito bem. O medo do mal é notável e, por isso, os primeiros esforços foram feitos no sentido de estabelecer uma relação amigável com os agentes do Mal, e não do Bem; porque o Bem não causa transtornos. A demonolatria existe hoje. Está nas manchetes policiais do mundo inteiro; e vai continuar existindo até que o senso comum do homem mediano perceba ou resgate o significado das palavras e a delicada relação ontológica* entre o Bem, o Bom e o Belo.
*Ontológica:Referente à ontologia: ciência que investiga a natureza do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independente da matéria e
das especulações acerca da essência, substância e acidentes.

2 de novembro de 2010

O Dia dos Mortos

De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto.. .

O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
Resta um poeta morto!

[...]


Assim inicia Álvares de Azevedo o poema Um Cadaver de Poeta. A morte, aliás, seria ainda a musa inspiradora para diversos outros poemas, não apenas de Álvares de Azevedo, mas de diversos outros poetas ao redor do mundo.


No entanto, não só de poesias "vive" a morte.

A morte é inerente à vida e nas diferentes culturas os povos encontrarão diferentes formas de encarar a morte, algumas culturas encararão a morte como a mais terrível de todas as fatalidades, arauto das vindouras aflições eternas, para aqueles que permanecerão vivos sem seus entes falecidos.


Para outras culturas, no entanto, a morte pode ser encarada como uma ocasião festiva, o que pode aos olhos de alguns observadores soar como desrespeitoso.


Por diferentes motivos resolvi tocar neste tema que engloba toda a humanidade num manto agourento, negro e lutuoso e o principal deles se explica pela data desta postagem, 2 de novembro. Se você vive no Brasil ou no México então sabe que estou falando do dia de finados ou em espanhol "día de los muertos". É claro que não apenas o Brasil e o México celebram um dia específico em homenagem aos mortos, em todo o mundo muitos povos tem algum tipo de comemoração que envolve o mundo dos mortos. Nesta postagem, porém, decidi destacar um pouco da comemoração mexicana do dia dos mortos.


No caso dos mexicanos é emblemática a forma como as homenagens assumem um caráter visivelmente festivo. Ao longo dos séculos alguns costumes indígenas foram misturados com o catolicismo romano muito presente no México. De fato, esses costumes ainda caracterizam a forma de adoração dos católicos mexicanos.
Todo ano, por exemplo, muitas pessoas no México vão a cemitérios no dia 2 de novembro para comemorar o Dia de Finados. Às vezes, flores, comida e bebidas alcoólicas são deixadas para parentes ou amigos achegados que morreram, e alguns até contratam grupos musicais para tocar as músicas prediletas de seus entes queridos falecidos. Muitos católicos também fazem um altar em casa e talvez coloquem ali uma foto da pessoa que morreu.

A Enciclopedia de México explica que certas práticas relacionadas com o Dia dos Mortos parecem “preservar aspectos das cerimônias indígenas dos meses de ochpaniztli e teotleco, quando flores cempasúchil e tamales de milho eram oferecidos aos manes [almas dos mortos] num período do ano em que a colheita tinha acabado de ser feita — no fim de outubro e no começo de novembro”. Conforme comentado pela enciclopédia, alguns costumes lembram festividades similares comemoradas em épocas pré-colombianas, que tinham um certo clima de carnaval.
Apenas para não deixar passar em branco acho que devo mencionar também, por exemplo que até mesmo na Ásia os costumes "cristãos" relacionados à comemoração do Dia de Finados também se faz presente. Por este mesmo motivo posto a foto abaixo.