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25 de março de 2011

O Caibalion - Tradição hermética

A palavra Caibalion (ou Kybalion) tem a mesma origem de Cabala (Qabala), e significa revelação ou tradição superior. É um tratado escrito por três filósofos herméticos sobre os sete princípios que regem o universo e são a base da magia. Essas leis demonstram como funciona o universo e como refletem diretamente nos fatos da vida cotidiana. As origens dos ensinamentos do Caibalion, supostamente, estão associadas ao filósofo Hermes.
Acredita-se que a origem de Hermes seja indo-européia, e que teria ensinado a arte da alquimia, astrologia e algumas práticas mágicas, além das bases de Verdades Universais em várias partes do mundo. Conhecido pelos egípcios como Toth e pelos romanos como Mercúrio, Hermes também é chamado de Logos (verbo-de-Deus-feito-carne), e alguns cristãos atribuíram a Jesus algumas de suas características. Também é representado entre os nativos norte-americanos como um corvo, coiote ou lebre. Acredita-se até mesmo que a química, a astronomia e a física surgiram através de suas mãos.
Pitágoras, assim como dizem que os druidas também, era versado nos princípios herméticos. Os romanos acreditavam que os druidas tinham aprendido com Pitágoras sobre hermetismo. Porém, alguns estudiosos encontraram provas de que Pitágoras tinha sido instruído pelas sacerdotisas druidas da Tracia (?). Supõe-se que na Idade Média, Deus reapareceu como Hermes Trimegisto (o Três Vezes Sábio).

Mais algumas informações sobre Hermes Trimagisto e suas obras podem ser obtidas seguindo-se o link acima onde está disponível o download do Caibalion. O download deste e de outros livros também está disponível na página LITERATURA.

1 de março de 2011

Hermes Trimegisto

De acordo com a crença popular Hermes Trimegisto ou "Hermes três vezes grande" devido o seu conhecimento abarcar os três mundos: físico, astral e mental, teria sido um filósofo egípcio que se supõe ter vivido 2 mil anos antes de Cristo. Sendo identificado pelos eruditos com o deus lunar egípcio Toth, seria um instrutor, conforme o significado de seu nome, ou seja, um agente de sabedoria eterna.

Na verdade a crença em Hermes Trimegisto trataria-se de outro sincretismo de enorme influência subsequente que se completou durante o período romano. Segundo uma de suas histórias, Hermes teria viajado ao Egito e lhe dado leis e a escrita, e TOT ou Toth era um deus imensamente popular no Egito, ligado ao tempo, ao destino, à ordem cósmica, à lei, à sabedoria, à cultura e ao conhecimento, à religião e instituições civis, aos rituais, ao culto e à magia e era também juiz e guia dos mortos. Havendo vários pontos de contato entre ambos, na assimilação Hermes adquiriu o status de sacerdote, filósofo e governante, e Toth foi também magnificado em seu país com vários atributos do outro. As origens dessa fusão são pouco claras, mas parece que se deveu em parte ao estabelecimento de colonos gregos no litoral egípcio, e no início da era cristã já havia uma sólida tradição ligada a este personagem, que se tornara conhecido em largas áreas do mundo antigo em virtude de sua doutrina filosófica e religiosa.

Diz-se que descobriu a aritmética, a álgebra, a geometria, a astronomia, o desenho, o jogo dos dados, o alfabeto e a escrita.

Ilustração do tratado alquímico Viridarium Chymicum
de 1624 de Daniel Stolz Von Stolzenberg com a figura
de Trimegisto e símbolos alquímicos 
Alega-se que ele teria deixado escrito doutrinas num conjunto que veio a ser conhecido como Corpus Hermeticum, cujo conteúdo é uma eclética reunião de elementos da religião, filosofia, divinação, ritualística, esoterismo, magia, astrologia, ciências, política, alquimia e teurgia.

(A palavra teurgia é grega e provém de theoi, "deuses", e ergein, "obra", significando não somente "obra divina" mas também "obra de Deus" ou "produzindo a obra dos deuses" , e foi utilizada em contraste com a teologia, que meramente discutia sobre os deuses, e teoria, a pura contemplação filosófica e intuitiva. É uma forma de magia ritual.)

O Corpus Hermeticum foi influenciado por várias correntes de pensamento egípcias, gregas. romanas e cristãs. Os segredos de Hermes eram, no entanto, encerrados em símbolos, transmitidos pelos iniciados aos seu seguidores, através das provas dos mistérios e de duros estudos nas escolas de sabedoria. A esta sabedoria, aliás, dá-se o nome de hermenêutica que é a arte de interpretar os textos para descobrir o seu verdadeiro significado oculto, em especial a interpretação de símbolos, sendo esta imprescindível para a compreensão do mundo esotérico da cabala ou da alquimia.
Outros 42 livros são atribuídos a Hermes e que englobam a totalidade dos ramos da filosofia, da mística e das ciências. Seus textos encontravam-se guardados na famosa Biblioteca de Alexandria até sua infeliz destruição.  

Através do pouco que se salvou dos vários desastres que vitimaram a referida Biblioteca e também por meio de cópias, citações, fragmentos e antigas traduções, chegou até aos dias de hoje aquilo que constitui a parte mais interessante da doutrina e da filosofia hermética do antigo Egito. Um dos mais importantes tratados de Hermes, o PYMANDER (para os ocultistas significa Mente Superior ou Iluminada, no sentido de guia, Mestre ou pastor de Homens) ou POEMANDER (talvez por alusão a Poimen, pastor de Hermes), que trata da divindade da alma humana no sentido místico.

No PYMANDER definem-se os 7 mundos, os 7 planos da evolução ou condição da existência, os 7 Princípios Herméticos, que posteriormente são explicados no KYBALION (Caibalion), um livro esotérico escrito por três dos seguidores de Hermes.

Os 7 Princípios de Hermes são:

1º O MENTALISMO  - tudo é mente.
2º A CORRESPONDÊNCIA - existe uma correspondência entre os vários estados do ser e da vida e entre as leis e os fenômenos.
3º A VIBRAÇÃO - tudo está em movimento, nada está imóvel.
4º A POLARIDADE - tudo é dual e tem dois pólos.
5º O RITMO - tudo se manifesta num movimento de fluxo e refluxo.
6º A CAUSA E EFEITO - todo efeito tem uma causa e uma causa um efeito.
7º A GERAÇÃO - a feração manifesta-se em tudo, estando sempre em ação os princípios masculino e feminino.

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Fontes: wikipedia.org;
somostodosum.ig.com.br
arquivos pessoais







11 de dezembro de 2010

A Hepatoscopia e a astrologia

A prática de ‘examinar o fígado’ (hepatoscopia) parece ter sido um aspecto especial da astrologia. Numa escola-templo de Babilônia foi encontrado um modelo de argila dum fígado que remonta ao tempo de Hamurábi. Um lado dele estava dividido em áreas representativas do “dia” e da “noite”. A beirada estava dividida em 16 partes, tendo-se dado a cada seção os nomes correspondentes das deidades dos céus. Portanto, assim como este ramo de vaticínio dividia o céu de maneira puramente imaginária, assim dividiam de modo similar o fígado de suas vítimas sacrificiais. Quando ofereciam tais sacrifícios, examinavam o fígado, considerando-o um reflexo em miniatura dos céus, para ver que agouros os deuses lhes revelavam. Além de Babilônia a prática da hepatoscopia também era conhecida em Israel onde a astrologia estava ligada à adoração.


Astrologia em Israel.
Há evidência que indica que a astrologia estava intimamente associada com a adoração de Moloque, deus que às vezes era representado com cabeça de touro. O touro era adorado pelos babilônios, cananeus, egípcios e outros, como símbolo das suas deidades — Marduque (Marduk), Moloque, Baal, e assim por diante. O touro era um dos mais importantes signos do zodíaco, Tauro. O deus-sol freqüentemente era representado por touros, os chifres significando os raios, e o forte poder reprodutivo do touro representava o poder do sol como “dador da vida”. A fêmea, a vaca, recebia honra igual como símbolo de Istar ou Astarte (Astartéia), variantes do seu nome.

21 de novembro de 2010

Moloque

O nome Moloque vem duma raiz que significa “reinar” ou “rei”, mas com as vogais, na língua original, de bó·sheth, “vergonha”, para indicar repugnância.

Deidade especialmente associada com os amonitas; possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com o deus Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Concorda-se em geral que o Malcão mencionado no livro bíblico de 2 Samuel seja a imagem-ídolo do deus amonita Milcom, ou Moloque, embora o termo hebraico possa ser vertido por “seu rei”. Anteriormente, no relato bíblico, no entanto o rei amonita é chamado pelo seu nome Hanum; portanto, é razoável concluir que apareceria o nome Hanum em vez de Malcão no registro bíblico, se a referência fosse ao rei, em vez de ao ídolo. Também, acha-se improvável que um rei usasse uma coroa que pesava cerca de 34 kg. Pelo mesmo motivo, sugeriu-se que Davi colocou a coroa de Malcão na cabeça apenas temporariamente, talvez para indicar sua vitória sobre o deus falso. Segundo a versão do Targum, adotada por diversos tradutores, a coroa tinha apenas uma jóia preciosa. Isto tem dado margem à idéia de que era antes a jóia preciosa, em vez de a própria coroa, que veio a estar na cabeça de Davi.

Sacrifícios de Crianças a Moloque.

O ‘passar pelo fogo’ para Moloque, conforme algumas traduções da bíblia, tem sido considerado por alguns como significando um ritual de purificação, por meio do qual as crianças eram devotadas ou dedicadas a Moloque; outros entendem que se tratava do sacrifício real. Conforme a própria referência bíblica o Rei Acaz, de Judá, “passou a queimar seus filhos [“seu filho”, Sy] no fogo”. A passagem paralela em 2 Reis 16:3 reza: “Fez até mesmo seu próprio filho passar pelo fogo.” Isto indica que “passar pelo fogo” pelo menos algumas vezes é sinônimo de sacrifício. Ainda segundo se crê os rituais poderiam incluir orgias sexuais.

Todavia, é provável que a adoração de Moloque não era sempre e em todo lugar igual. Por exemplo, o Rei Salomão, sob a influência das suas esposas estrangeiras, construiu altos para Moloque e para outras deidades, mas só no tempo de Acaz se faz menção de sacrifícios de crianças. Sem dúvida, se esta prática tivesse existido anteriormente, teria sido denunciada junto com as outras formas de idolatria existentes nos reinados dos diversos reis. Por este motivo, alguns comentadores são a favor do conceito de que a expressão “passar pelo fogo” se aplicava originalmente a um rito de purificação, e posteriormente passou a significar o próprio sacrifício.




Acaz e Manassés são os únicos reis de Judá mencionados como fazendo seus filhos passar pelo fogo. Todavia, em vista do ímpeto dado por estes dois reis ao sacrifício de crianças, esta prática parece ter ficado arraigada entre os israelitas em geral. As crianças, pelo menos ocasionalmente, eram primeiro mortas, em vez de serem queimadas vivas.

O Rei Josias profanou Tofete, principal centro da adoração de Moloque em Judá, a fim de impedir que as pessoas fizessem seus filhos passar pelo fogo. Mas isso não erradicou esta prática para sempre. Ezequiel, que começou a servir como profeta 16 anos depois da morte de Josias, menciona a ocorrência dela nos seus dias.

Apresentou-se a idéia de que o Moloque a quem se sacrificavam as crianças tinha a forma de homem, mas cabeça de touro. Diz-se que esta imagem era aquecida até ficar rubro, e as crianças eram lançadas nos seus braços estendidos, caindo assim na fornalha ardente embaixo. Este conceito baseia-se na maior parte na descrição do Cronos ou Moloque cartaginês, fornecida pelo historiador grego Diodoro da Sicília, do primeiro século A.c. — Diodorus of Sicily (Diodoro da Sicília), XX, 14, 4-6.

14 de novembro de 2010

Demonolatria 1ª parte



(Texto) Fonte: Adoração ao Diabo
CARUS, Paul. Devil Worship. History of The Devil, 1900. [Trad. e Adaptação: Ligia Cabus] ─ In Sacred-Texts.[www.sacred-texts.com/evil/hod/hod04.htm]





*parte do texto traduzido de Ligia Cabus foi readaptado nestas postagens.


Esta série de postagens foi inspirada em resultados de uma busca que fiz na internet e em arquivos pessoais sobre o tema demonolatria. O objetivo desta pesquisa foi tentar compreender o porquê da adoração de uma criatura que na grande maioria das culturas (talvez em todas) é considerada como o símbolo maior do mal, e para isso começo transcrevendo o seguinte abaixo:


'Na história da adoração a essa entidade conhecida como diabo, muitos estudiosos, como o alemão Georg Waitz [1813-1886], o inglês Sir John Lubbock [1834-1913], e o também inglês e antropólogo Edward Burnett Tylor [1832-1917] reuniram informações das quais deduziram que em um estágio dos mais "primitivos" da religião, a adoração ou veneração ao Diabo [ou seus assemelhados, o mal] precedeu o culto a um Deus benevolente e moralizador, divindade do Bem.


As divindades malignas aparecem como as personagens mais importantes no passado remoto de quase todos os sistemas de fé. Demonolatria, cultos aos Diabos, são o primeiro estágio da evolução do pensamento religioso; porque os homens, muito antes de pensarem em bençãos, curvaram-se ao meio hostil. Os homens primitivos eram primitivos mas não eram insanos: temiam o Mal e não o Bem. Assim, era natural que buscassem técnicas apaziguadoras que evitassem os infortúnios provenientes de um mal cuja origem não podiam alcançar.









O filósofo inglês, Herbert Spencer [1820-1903], acreditava que o fundamento da religião é o "Desconhecido", querendo com isso dizer que o que os selvagens adoravam [e adoram] é aquilo que eles não entendem. [Assim, o Desconhecido de Spencer é algo que não se entende e não algo que nunca se conheceu. Não é uma hipótese consistente. Um provérbio alemão diz: O que não conheço, não me preocupa; ou em português, algo como: O que os olhos não vêem o coração não sente.






Aquilo que é absolutamente desconhecido não comove o homem. Os selvagens não reverenciam o trovão porque não sabem o que é, ou porque não sabem explicar o fenômeno. Porém, conhecem suficientemente o fenômeno subseqüente, o raio, e os estragos que ele pode causar: matar, machucar, queimar sua cabana. O selvagem tem medo dos trovões e dos raios. Então, em uma tentativa de controlar a ameaça, desenvolve reverência por essa força intangível na esperança de evitar suas manifestações.



Georg Waitz, falando sobre os nativos norte-americanos das tribos da Flórida, observa que indivíduos daquelas culturas que não foram semi-cristianizados, têm, ainda [o autor escreve no século XIX, anos 1800] uma adoração [reverência] solene a um espírito do Mal, Toia ─ que atormenta suas vítimas com visões. Esses nativos pouco se preocupam com o Espírito do Bem, o qual, Ele mesmo, parece [para os nativos] pouco se importar com raça humana.







A mesma característica ocorre em tribos de amerabas, indígenas brasileiros. Esses indígenas têm a viva convicção de um Princípio do Mal [personificado na mitologia do encantado Anhangá - N. do T.] sobre eles; eventualmente, referem-se ao Bem; mas esse, o Bem, é muito menos reverenciado que o outro, o Mal. No contexto de seus esforços pela sobrevivência, os selvagens percebem o Ser Benevolente como uma entidade mais fraca, menos poderosa e/ou influente sobre o destino dos homens que o Mal, que se manifesta diariamente. Em 1605. o capitão John Smith, herói da colonização da Virgínia descrevia o culto a Okke [palavra que, aparentemente, significa além do nosso controle] escreveu:






Existe na Virgínia uma tribo tão selvagem que não possui religião além da reverência a todas as coisas que, potencialmente, podem lhes produzir qualquer dano ou das quais dependem para se manter vivos. Tais coisas, seres e elementos são, por isso, objeto de culto. [É o pensamento religioso animista em busca de apaziguamento das forças da Natureza]. O fogo, a água, o raio, o trovão, cavalos, peixes, etc.. Mas seu Deus maior, a quem chamam Oke. Diz Smith que Oke significa deuses e, assim, Oke é como um panteão resumido em uma imagem. Os nativos disseram que viram Oke e que se parece mais com eles mesmos [homens] do que poderiam imaginar. Nos templos dedicados a Oke, sua representação, entalhada, é assustadora; pintada e adornada com correntes, peças de cobre, contas. [Uma vez por ano 15 jovens são mortos, sacrificados para a gratificação de Oke...].





Práticas similares foram observadas entre quase todas as tribos caribenhas e amerabas, nas ilhas e no continente Sul-Centro-Americano. Em Hispaniola - Ilha de São Domingos [Caribe], a divindade fúnebre é Joacana. O ritual terrível faz desses indígenas alguns dos mais abomináveis entre esses primitivos adoradores do Mal. Entre os povos pré-colombianos do México, os mais civilizados da região, a idéia de um Deus de Paz e Amor não é inteiramente estranha porém, o medo do adversário, o horrendo Huitzilopochtli ainda assustava o suficiente para que os nativos manchassem os altares de seus templos com o sangue de vítimas humanas.

16 de outubro de 2010

Bloody Mary (Mary Ensangüentada)

Diversas versões já surgiram para explicar esta que se tornou uma das lendas urbanas mais conhecidas do mundo e das mais reproduzidas pelo cinema e televisão. Em algumas a jovem Mary é uma moça muito bela e simples de pele alva, olhos azuis e cabelos ruivos que trabalhava em uma grande mansão onde sua beleza era notada por todos inclusive pelo seu senhor o que causava a ira de sua senhora. Fora essa ira que fizera com que num determinado dia a jovem Mary fosse enviada por sua senhora à um grande salão de festas e ali cercada de imensas paredes espelhadas que deveriam ser limpas, Mary teria sido vítima da ira da mulher. Mary teria se assustado com sua senhora, que propositalmente havia criado aquela situação, com o susto Mary teria caído sobre a parede de espelhos. Como resultado Mary foi retalhada pelos estilhaços do imenso espelho. Mary, no entanto, não morreu naquele instante, sua senhora sabia disso e a teria deixado lá sangrando até a morte no dia seguinte.



O restante da história nós já conhecemos, ou seja toda vez que alguém profere o nome "Bloody Mary" três vezes diante de um espelho o espírito da mesma aparece e se vinga arrancando os olhos de seu conjurador. Outra versão diz que Mary foi uma bruxa executada cujo seu espírito fora condenado a vagar pelos espelhos. Ainda outra versão conta que ela era apenas uma garota vaidosa e fútil que teve uma morte violenta diante de um espelho e sua alma ficou presa e cheia de ódio no espelho. Nestas outras versões Mary é uma mulher de longos cabelos negros, rosto desfigurado (sua característica mais marcante) e olhos vermelhos como sangue, além das características físicas os nomes também mudam de acordo com a região onde a lenda se firma. A doce Mary já foi chamada de Bruxa do Espelho, Maria Sangrenta, Maria Sanguinária (versão oriental) e Loira do Banheiro segundo a versão brasileira. Aqui eu me dou a liberdade de sugerir um novo nome para ela que é o do título acima "Mary Ensangüentada".


Como toda maldição também há uma forma de esconjurar este espírito funesto, a lenda sugere duas formas de se fazer isso, uma seria destruindo o "espelho-sarcófago" de Mary a outra é fazer com que ela veja seu próprio reflexo em um espelho.

26 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 7ª parte - O Karotechia


As raízes da Karotechia são profundas e variadas. Quando a unidade foi oficialmente criada em 1939 no âmbito do Ahnenerbe, alguns de seus membros foram chamados de dentro da própria Ahnenerbe, do dissolvido Thule-gesellschaft, e uma parte do pouco conhecido Departamento de Arquivo VII do Reichssicherheitshauptamt (RSHA, Reich Security Central Office) chamado de Sonderkommando - H.


Criado em 1935 sob as ordens diretas de Heinrich Himmler, o Sonderkommando - H, teria coletado registros da Inquisição Católica contra a feitiçaria de bibliotecas na Alemanha e Áustria. Esses registros foram compilados no Hexenkartothek, um catálogo de mais de 33.000 fichas, cada uma com os detalhes de uma vítima de caça às bruxas. Enquanto a maioria dos Hexenkartothek concentravam-se em julgamentos de bruxas na Alemanha, o Sonderkommando - H pesquisou casos de lugares tão distantes como Índia e México. (Na imagem, capa de uma versão atual em alemão do Hexenkartothek. O link está em alemão, mas se alguém julgar válido...)

A pesquisa do Sonderkommando - H foi concebida para fornecer propaganda que justificasse uma medida enérgica da SS sobre a Igreja Católica, bem como descobrir a antiga religião germânica. Himmler acreditava que havia sido erradicada pela Inquisição. Os oficiais da SS que recolheram os Hexenkartothek referiam-se, informalmente, a si mesmos como "Kartothekia", e o que eles descobriram foram as fórmulas e rituais arcanos de necromancia. Muito fora aprendido pelo Sonderkommando - H para criar o que uns cento e cinqüenta feiticeiros, bruxas e alquimistas chamaram de "o ressucitado de vós saylts vital." O primeiro que teria aplicado com êxito esta fórmula foi o Hauptscharführer - SS (capitão da SS) Scheel Dieter quando sua equipe teria ressuscitado um feiticeiro do século XVII chamado Jurgen Tess. Foi esse incidente que criou um novo departamento dentro da Ahnenerbe para explorar o oculto no serviço do Reich: o Karotechia.

Pesquisas ocultas tinham sido realizadas por vários braços da SS durante bastante tempo antes da criação do Karotechia. No Ahnenerbe, o zur Abteilung Überprüfung der Sogenannten Geheimwissenschaften (literalmente, Departamento de Análise das Assim Chamadas Ciências Secretas) tinha analisado o ocultismo já em 1933. Também desde 1933, Karl Maria Wiligut e seu Departamento de Pré-História e História Antiga foram ocultistas do premier Himmler, uma posição que foi prejudicada logo após a criação do Karotechia.

Membros apropriados dessas organizações foram atraídos para o Karotechia, como eram os antigos membros do Thule-gesellschaft e estudiosos de regimes aliados dos nazistas e dos países ocupados. Cabalistas praticantes e ciganos foram recrutadas à força, mesmo fora dos campos de concentração.

Mais do que qualquer outro grupo de pesquisa do paranormal de seu governo durante a Segunda Guerra Mundial, o Karotechia procurou explorar o oculto em sua plenitude. Com o apoio integral da SS nazista e do Estado, eles invadiram as bibliotecas e museus de Europa em uma busca insaciável de poder arcano. Nenhuma via de estudo ficou inexplorada, não importa o quão ridícula pudesse parecer aos acadêmicos mais tradicionais da Ahnenerbe. O Karotechia estava protegido do inquérito dentro e fora do patrocínio direto de Himmler. Os membros do Karotechia eram conhecidos por suas iniciais em documentos SS, e por seus nomes rúnicos em correspondência interna, o nome dado a indução para a unidade. Eles foram identificados pelas runas usadas nas lapelas de seus uniformes negros. Esta insígnia e os homens que as usavam eram igualmente temidos e respeitados em todo o SS.

O Karotechia nunca teve uma sede central, já que cada projeto manteve a sua própria base de operações, reportando-se diretamente a Himmler. Quando o Karotechia era obrigado a executar algum antigo ritual germânico para Himmler (quase sempre ineficaz), eles eram chamados para o castelo da ordem SS em Wewelsburg. No entanto, o isolamento e o tédio provincial do local fizeram com que os agentes Karotechia tivessem preferido realizar as suas operações em outros lugares. Isso também permitiu que operassem com grande independência.

Nunca tão bem sucedido quanto a sua reputação faria crer, o Karotechia marcou um número de vitórias impressionante durante a guerra. Em especial foi a descoberta de uma versão gótica do Necronomicon na primavera de 1944, que abriu vários novos projetos para explorar o seu potencial. A maioria desses projetos terminou em fracasso, causando grande destruição, como o incidente no Castelo Naudabaum no início de 1945, onde sete oficiais Karotechia e setenta e três auxiliares foram mortos e o castelo destruído durante uma tentativa abortada de convocar um ser extraterrestre chamado Azathoth. (na imagem uma representação artística de Azathoth)

Este desastre conduziu à operação final de guerra do Karotechia a: Aktion Götterdämmerung, a tentativa do Karotechia de reconduzir o desastre Naudabaum, sem abortar a seqüência de convocar Azathoth. A Aktion Götterdämmerung foi frustrada pela organização americana Delta Green. No final, dos 164 membros da Karotechia, cinqüenta e quatro foram assassinados pelos Aliados, seis morreram de causas naturais, três morreram durante bombardeios dos Aliados, quatro foram executados por deslealdade, quinze foram mortos, durante a realização do ritual, Nove cometeram suicídio, onze foram institucionalizadas, 24 sumiram durante as operações, e trinta e sete escaparam à destruição da Alemanha nazista, através da rede de Odessa.

7 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 6ª parte - Os Exércitos Zumbis de Hitler


Há uma história que Hitler realmente teria feito soldados zumbis. Esta história também afirma que os zumbis foram soltos em uma pequena cidade em algum lugar da Rússia para testá-los. Os habitantes ao virem isso foram para dentro de casa trancando suas portas e janelas. Os zumbis não foram eficientes lá. Eles não foram agressivos nem estavam à procura de comer.

Diz-se que, eventualmente, a SS acabou destruindo todos eles, porque eles não tinham nenhuma utilidade.

Os alemães têm uma frase Kadavergehorsam, que denota “obediência cega" ou "corpo obediente", mas não há evidências de experimentos para reanimar os cadáveres para fins militares (ou quaisquer outros fins). O próximo conto anedótico é o de uma cerimônia que fora disseminada na forma de boatos em Wewelsburg onde as cabeças em conserva de oficiais da SS mortos na Frente Oriental foram restauradas a comunicação (via necromancia). isso fora tentado a fim de obter informações.

A idéia de zumbis foi introduzida como corrente principal na cultura ocidental em 1929, quando W.B. seabrook escreveu A Ilha da Magia, Detalhando suas observações da vida no Haiti, incluindo a prática do vodu. Zumbis fazem parte da religião Vodu, embora apenas de uma pequena subseção, referida como o "culto dos mortos." Os praticantes da corrente principal do vodu normalmente não queriam nada com esses necromantes, segundo Seabrook. No entanto, nas décadas por vir, na cultura ocidental as idéias de vodu e zumbis se tornaram inextricavelmente interligados.


Fotografia de Willian Seabrook


Acima página do livro A Ilha Mágica de Willian Seabrook

mostrando participantes do Culto dos Mortos

O lançamento deste livro inspiraria um filme na florescente indústria cinematográfica...


A década de 1940 trouxe algumas coisas novas aos filmes de zumbi. Ao contrário de outros mortos-vivos, zumbis necessitavam de um agente humano, um agente que, naturalmente, fora mal. Dado que a maioria do mundo ocidental concordou que os nazistas eram pessoas muito ruins, a produção de vários filmes de zumbis nazistas era inevitável. Solicitando o vodu para seus próprios fins hediondos, os nazistas usariam zumbis para construir exércitos, recolher informações e planos de invasões dos E.U.A.

No filme: A Vingança dos Zumbis (1943). John Carradine desempenhou o papel de um cientista nazista na construção de um exército de zumbis em um pântano na Louisiana.

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 5ª parte - O Corpo Oculto

No final do século XIX e início do XX, houve muitas ordens esotéricas florescendo na Alemanha e na Áustria, que procuraram estabelecer uma identidade germânica e renascer para reconectar as pessoas com seus arquétipos reprimidos. Uma das mais significativas dessas ordens foi fundada na Alemanha em 1912 - Ordem alemã, e desta nasceu a Sociedade de Thule (Thulegesellschaft). A Sociedade Thule tomou o nome da terra lendária de Ultima Thule, acerca da qual a bruxa ucraniana Madame Helena Petrovna Blavatsky soubera depois de ter sido contatada pelos espíritos da Grande Raça (povo elevado) que teriam sobrevivido a destruição de Ultima Thule.

Helena Petrovna Blavatsky e Henry Steel Olcott

fundadores da Sociedade Teosófica

Estes antigos, os seres altamente inteligentes trabalharam em conjunto com certos adeptos humanos - pessoas com poderes ocultos altamente desenvolvidos. O verdadeiro iniciado podia, por meio de rituais mágico-místicos, estabelecer contato com esses seres e aprender artes secretas desconhecidas para o resto da humanidade. Os Nazistas acreditavam que, com a ajuda desta grande raça poderia criar uma raça de super-homens arianos com força e energia sobrenaturais.

Blavatsky disse que tinha sido escolhida por estes Mestres Antigos para desempenhar um papel na revitalização e promoção pública da sua tradição ocultista secreta, que tinha permanecido oculta durante séculos em mosteiros secretos e bibliotecas nas mais remotas montanhas do Himalaia. Assim, Blavatsky passou vários anos no Tibete, aprendendo os caminhos do ocultismo e as chaves para desvendar os mistérios da doutrina secreta. Entre as runas e símbolos mágicos foi a suástica, que se tornou um amuleto bem comum na Alemanha e o símbolo da Sociedade Thule. Mas a suástica tradicional devia ser invertida, formando uma evocação do mal espiritual e magia negra.

Em 1917, uma mulher e três homens se reuniram em um café em Viena, sob um véu de mistério e segredo. A mulher, chamada Anna Sprengel, foi uma médium e ela também tinha feito contato com a Grande Raça. Os quatro austríacos formaram a Sociedade Vril, e seu emblema era o símbolo do "Sol Negro", que pode ser encontrado em muitos cultos de lugares como Babilônia e Assíria.

Com a vitória do NSDAP, o SS (Schutzstaffel) continuou a tradição oculta do Terceiro Reich. Heinrich Himmler, era um membro da Sociedade Vril e teria dividido sua obsessão por Hitler com o ocultismo.

Entre os manuscritos que foram encontrados estava uma cópia de von Juntzt Unaussprechlichen Kulten e uma versão do Necronomicon escrito em estilo gótico antigo. Esses livros malditos ditos de uma raça muito mais antiga que a humanidade.

O Corpo Oculto (geheimnisvolle Korps) foi rapidamente estabelecido como a Divisão Paranormal da SS–Hauptsturmführer responsável por investigar todos os aspectos da antiga tradição alemã. O Corpo Oculto foi incorporado como uma organização da Sociedade de Thule, a Sociedade Vril e braço germânico da OTO de Crowley.

Agora sob a direção da Divisão Paranormal da SS, continuou a busca nos territórios ocupados pelos alemães atrás de mais conhecimento arcano e artefatos mágicos. Expedições arqueológicas foram enviadas para o fundo do Mar Báltico, na esperança de encontrar alguns artefatos perdidos ou itens mágicos de Ultima Thule. A Lança do Destino, a arma que foi usada para perfurar o lado do Messias, enquanto ele estava pregado na cruz, foi encontrado em Versailles em 1940. As primeiras tentativas para recuperar a Arca Perdida da Aliança em 1936, o Santo Graal, em 1938, no entanto, foram menos bem sucedidas.

Da mesma forma, durante esse mesmo tempo uma divisão paranormal do Japão, a Kuromaku (a cortina preta), foi tentar recuperar antigos itens mágicos na Ásia, incluindo a espada de Genghis Khan, os livros mágicos de Shan e uma tabuleta de pedra deixada por Buda.

A base inicial de operações do Corpo Oculto foi o Castelo de Wewelsburg em Westphalia, que Himmler comprara como uma ruína e reconstruíra ao longo dos próximos 11 anos a um custo de 13 milhões de marcos.


Depois que uma nave espacial caíra e fora descoberta em 1936 na Floresta Negra (Schwarzwald), o Corpo Oculto construiu o Instituto para a Ciência e Misticismo (Das Institut für Wissenschaft und Mystizismus), também conhecido como "Walhalla", para examinar os destroços da nave e sua tripulação morta. Nos anos seguintes, a tecnologia alienígena fora extraída e combinada com as informações da Sociedade Vril dando origem ao projeto chamado Haunebu I: O primeiro grande disco voador (Flügelrad), desenvolvido na Alemanha. Neste mesmo momento, experiências distorcidas com orgonomia produziriam muitos mutantes, as Criaturas X (X-Geschöpfe).

A viagem obscura de Himmler, no entanto ainda não havia terminado.

Durante este mesmo tempo, Himmler tornou-se convencido de que ele era a reencarnação de Henry I the Fowler (O passarinheiro), e que ele poderia levantar Heinrich I dos mortos. Ao fazê-lo, o Terceiro Reich, então, possuiria o poder de comandar um exército de mortos-vivos contra os Aliados. Com o encorajamento de Hitler, Himmler começou metodicamente a investigar como conduzir a abordagem do ritual negro, deslocando dezenas de cientistas, e todo o poder da máquina de guerra nazista por trás dos esforços da "Operação Ressurreição", enquanto o Projeto Totengräber do Dr. Hermann Schreck obtinha considerável sucesso com os mortos-vivos (Die Untoten).



À direita imagem de Henry the Fowler (o Passarinheiro)

5 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 3ª parte - As Modernas Bruxas da SS



As origens da nossa imagem moderna das bruxas é a bruxa em Hansel e Gretel (João e Maria no Brasil), Um dos mais conhecidos contos de fadas dos irmãos Grimm. Um século depois, os nacional-socialistas começaram a mistificar o passado da Alemanha e, com isso, as bruxas. Eles já não viam as bruxas como a encarnação do mal, mas como a mulher germânica sábia arquetípica, que era, até então, supostamente perseguida pela Igreja e pelos judeus.
Os nazistas, por conseguinte, criaram uma força-tarefa secreta para investigação das bruxas, chefiada por Heinrich Himmler, criando um enorme arquivo de bruxas medievais, juízes, carrascos, os métodos de tortura e execução. Os pesquisadores da SS queriam provar que as bruxas celebravam uma antiga religião "ariana", que estes pretendiam reviver para seus próprios propósitos.

1 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 2ª parte - Como Himmler Caiu Sob o Feitiço das Bruxas

O líder da SS Heinrich Himmler estava tão obcecado com a bruxaria que cuidou para que a SS saqueasse 140 mil livros sobre o assunto de bibliotecas de toda a Europa e criou uma unidade para investigar e divulgar o assunto.
O âmbito de estranho fascínio de Himmler foi divulgado em um livro escrito por uma equipe de pesquisadores históricos na Alemanha. Quando um bibliotecário de Poznan (Polônia) tropeçou na biblioteca de bruxaria em um palácio barroco na Baixa Silésia, ele observou que vários livros tinham sido marcados em páginas onde as torturas foram descritas. Ele assumiu que o chefe da SS fora estudar técnicas de tortura.
No entanto, os autores, liderados por Sönke Lorenz, um acadêmico de Tübingen, argumentam que Himmler estava tentando provar que a perseguição às bruxas no século XVII representava uma espécie de holocausto da raça alemã realizada pela Igreja Católica Romana. Himmler é citado como dizendo: "Ao custo da caça às bruxas do povo alemão centenas de milhares de mães e mulheres, foram cruelmente torturadas e executadas”. Os autores acreditam que a SS implantou suas equipes para descobrir vestígios de uma cultura germânica antiga que sobrevivera à caça às bruxas.
A SS elaborou um índice com 33.846 casos de pessoas queimadas na Alemanha e em lugares distantes como Índia e México, numa tentativa de sustentar a tese de Himmler.
Seu interesse pelo ocultismo pode ter começado em 1928 quando, como um criador de galinhas, casou-se com Margarete Boden, filha de um fazendeiro da Prússia, que se envolveu em homeopatia, fitoterapia e mesmerismo. Em 1929, Hitler nomeou-o chefe de sua guarda pessoal dos “300 fortes”, o uniforme preto Schutzstaffel (SS). Eventualmente Himmler, um ideólogo racial fanático, ficou na cabeça de uma enorme máquina repressiva incluindo não só a SS, a Waffen SS e a Gestapo, mas também no controle dos campos de concentração. Ele supervisionou o projeto Lebensborn (já mencionado anteriormente) que visava criar um super-raça nórdica.

Reinhard Heydrich, chefe do Serviço de Segurança do Reich, relatou que seu patrão em 1939 havia descoberto o caso de uma bruxa chamada Margareth Himbler, queimada na Alemanha em 1629. A semelhança de nomes encorajou o interesse de Himmler na reabilitação das bruxas alemãs.

O objetivo era publicar uma série de livros curtos com destaque individual para as bruxas alemãs e restaurar parte de seu glamour perdido. Em abril de 1942, o projeto teve pelo menos uma dúzia de temas, incluindo "os efeitos econômicos dos julgamentos de bruxas" e "o fundamento intelectual do complexo de bruxa". Seminários patrocinados pela SS seriamente discutiam as implicações biológicas para a raça alemã ao matar tantas mulheres.

Muitos estudiosos têm argumentado que era a mulher que parecia mais independente das normas patriarcais - especialmente as idosas que viviam fora dos parâmetros da família patriarcal - que eram constantemente acusadas de bruxaria.

31 de julho de 2010

O sopro de fogo

O sopro de fogo dos dragões seria teoricamente possível, caso seus pulmões pudessem separar alguns dos gases que compõe o ar e se fossem de um material tolerante ao calor. A centelha de ignição poderia ser obtida da fricção de dois ossos ou pela ingestão de minerais, que poderiam ser combinados quimicamente para gerar uma reação exotérmica. Outras idéias são a utilização de magia por parte dos dragões de modo a criar fogo, sem que este lhes danifique os tecidos e o marfim da boca.
Os dragões representam, em parte a liberdade e o poder que o Homem deseja atingir. Seria bom acreditarmos que eles existem, ignorando a ciência neste assunto, além de mais ainda não se conseguiu explicar como é que a ideia de uma criatura, com asas, sopro de fogo, escamas e potencialmente mágica, pode chegar a culturas tão distantes e diferentes como a China Antiga ou os maias e os astecas.

Dragões na Alquimia
Apenas para dar uma pincelada de alquimia vou mencionar também o significado dos dragões para a simbologia alquímica. O dragão em chamas é um símbolo de fogo e Calcinação. Vários dragões lutando é símbolo de putrefação. Dragões com asas representam o princípio volátil; dragões sem asas representam o princípio fixo. Dragão que morde sua própria calda chama-se Ouroboros e significam a unidade fundamental de todas as coisas.

13 de julho de 2010

Pentagrama

Segundo Eliphas Levi: "O pentagrama é o signo da onipotência e da autocracia intelectual. O signo do Verbo feito carne e, segundo a direção dos seus raios, este símbolo absoluto em magia representa o bem ou o mal, a ordem ou a desordem, o cordeiro bendito de Ormuz e de São João, ou o bode de Mendés. É a iniciação ou a profanação, a vitória ou a morte, a luz ou a sombra. Elevado no ar, com duas pontas para cima, representa satã, ou o bode da missa negra; com apenas um dos raios para cima, é o Salvador."



Pentagrama invertido
O pentagrama é a figura do corpo humano, com quatro membros e uma única ponta, que deve representar a cabeça. Uma figura humana, de cabeça para baixo, representa, naturalmente, o demônio, ou melhor, a subversão intelectual, a desordem, a loucura.




Maçonaria
O Pentalpha é geometricamente é composto de cinco "As", pois cada ângulo tem a forma desta letra. Na Maçonaria é o emblema da virtude e do dever. O homem microcósmico (pequeno universo) era associado ao Pentalpha, sendo o símbolo entrelaçado ao trono do mestre da Loja.
A primeira letra do alfabeto grego e letra inicial dos vocábulos gregos utilizado para designar: ver, ouvir, meditar, bem agir e calar (ATREO, AISTO, ADALESQUE, AGATOPOEIRO, ABAQUIDZI).


Wicca e paganismo
Para os ritos pagãos, o Pentagrama é uma chave que se utiliza nos Rituais para abrir as portas de acesso ao Plano Espiritual. Simboliza os quatro elementos unidos pela Vontade do Mago, estando cada um num vertice, começando da esquerda para a direita: Água, Fogo, Terra, Ar e o último, que está em cima, Espírito, (notaram alguma semelhança com o enredo do filme O Quinto Elemento, onde o espirito humano está cercado pelos quatro elementos?). O Espírito é a Vontade, a Intenção que o Mago coloca nos seus trabalhos, que dominando os elementos que constituem a parte física deste mundo, consegue ou não atingir os seus objectivos.

Pentagrama na mitologia
Era um símbolo da deusa romana Vênus.
Era cultuado desta forma na natureza, como a forma que o planeta Vênus faz durante a aparente retroação de sua órbita.

12 de julho de 2010

Baphomet

Baphomet não é propriamente o diabo, é uma figuar iniciática, e cuja representação mais conhecida é devida ao ocultista Eliphas Levi (Alphonse Luís Constant).

História do Baphomet
A história em torno do Baphomet foi intimamente relacionada com a da Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, pelo Rei Filipe IV de França e com apoio do Papa Clemente V, ambos com o intuito de desmoralizar a ordem, pois o primeiro era seu grande devedor e o segundo queria revogar o tratado que isentava os Cavaleiros Templários de pagar taxas a igreja Católica.
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Ordem do Templo, foi fundada no ano de 1118. O objetivo dos cavaleiros templários era supostamente proteger os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. Eles receberam como área para sua sede o território que corresponde ao Templo de Salomão, em Jerusalém, e daí a origem do nome da Ordem.
Segundo a história, os Cavaleiros tornaram-se poderosos e ricos, mais que os soberanos da época. Segundo a lenda, eles teriam encontrado no território que receberam documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Segundo alguns, eles ficaram com a tutela do Santo Graal (a respeito do qual falarei mais em outra postagem) além de outros tesouros da tradição católica.
Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, sob as ordens de Felipe, o Belo (homem torpe e grande devedor de dinheiro para a Ordem e favores para o grão-mestre Jacques DeMolay, sendo este inclusive padrinho de seu filho) e com o apoio do Papa Clemente V, os cavaleiros foram presos, torturados e condenados à fogueira, acusados de diversas heresias. Daí o motivo de sexta-feira 13, na cultura ocidental, estar associada a maus presságios.

A Igreja acusava os templários de adorar o diabo na figura de uma cabeça com chifres que eles chamavam Baphomet (a partir daí criou-se a crença de um demônio chifrudo), de cuspir na cruz, e de praticar rituais de cunho sexual, inclusive práticas homossexuais (embasado no símbolo da Ordem, que era representado por dois Cavaleiros usando o mesmo cavalo). O Baphomet tornou-se o bode expiatório da condenação da Ordem pela Igreja Católica e da matança de templários na fogueira que se seguiu a isto.

Origem da expressão “Baphomet”
A origem da palavra Baphomet ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde uma corruptela de Muhammad (Maomé – o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego “Batismo de Sabedoria”. Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus Baal; Pho, que derivaria do deus Moloc; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set.
A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para “sabedoria”.

Significados possíveis
-O símbolo fálico de Baphomet, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher e o pênis é metaforicamente representado por um Caduceu. Este tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha) (andrógino), com a qual o ocultismo tem relação.
- O falo do Baphomet é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini e as energias sexuais ativadas, a virilidade e todo o desenvolvimento dos chakras.
-A imagem possui a cabeça com características de chacal, touro e bode, representando os chifres da sabedoria, virilidade e abundância. O chacal representa Anúbis (o deus-chacal) e também o “Mercúrio dos Sábios”, o Touro representa o elemento terra e o “Sal dos Filósofos” e o bode representa o Fogo e o “Enxofre fixo”. Juntos, a cabeça da imagem representa os três princípios da Alquimia.
-A tocha entre seus chifres representa a sabedoria divina e a iluminação. Tochas estão associadas ao espirito nos 4 elementos e colocadas sobre a cabeça de uma imagem representam a inspiração divina. Isso pode ser observado até os dias de hoje, em personagens de quadrinhos que, quando tem uma idéia, aparece uma lâmpada sobre suas cabeças. (curioso, não?). Além disso, a tocha pode também representar os ideais iluministas, como na estátua da liberade em Nova York.
-A figura do Baphomet também é relacionada as virgens que apresentavam anomalias em seus bustos. As virgens de 3 mamilos e as virgens de apenas 1 seio era tatuadas com a cabeça do Baphomet para que nenhum homem pudesse tocá-las. Diziam que as mulheres com tais anomalias genéticas eram amaldiçoadas.
-O conjunto dos dois chifres também representam as duas colunas na Árvore da Vida e o fogo sendo o equilíbrio entre elas. A lua branca representa a magnanimidade de Chesed (Júpiter) e a lua negra o rigor de Geburah (Marte).
- O pentagrama na testa de Baphomet representa Netzach (Vênus), o Pentagrama, o símbolo da proteção e da magia. Importante notar que ele se encontra voltado com a ponta para cima. As pernas cruzadas associadas ao cubo representam Malkuth, a manifestação final das forças da Árvore da Vida, o último estágio da energia onde ela se solidifica. Porém, Malkuth não é formada apenas pela matéria, mas também seu aspecto psíquico e sutil.
- Nos braços do Baphomet estão escritos “Solve” no braço que aponta para cima e “Coagula” no braço que aponta para baixo. Solve representa “dissolver a luz astral” e coagula significa “coagular esta luz astral no plano físico”. Em outras palavras: tudo aquilo que você desejar e mentalizar no plano astral irá se manifestar no plano físico.
- Os braços nesta posição representam o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”, ou “O microcosmo é igual ao macrocosmo”, ou “Assim na Terra como no Céu”.
Os quatro elementos estão encerragos em alegorias:
Escamas, representando o domínio sobre as águas, ou emoções.
Asas, representando o domínio sobre o Ar, ou a razão.
Patas de bode, representando seu domínio sobre a Terra, ou o material. Também representam a escalada espiritual.
Fogo em seus chifres, representando o domínio sobre o Fogo.
- Os seios representam a maternidade e a fertilidade, e também o hermafroditismo, simbolizando que a alma não possui sexo e que não “somos” homens ou mulheres, mas “estamos” homens ou mulheres.
-A figura representa a Esfingie, aquela que guarda os portais das iniciações, pela qual os covardes não passarão. Aquele que teme uma figura por pura ignorância nunca será um iniciado.
- A imagem está parcialmente coberta, parcialmente vestida, representando que o corpo não está apenas no plano material (roupas), mas por debaixo da matéria está também o espírito (parte nua).
- Baphomet está sentado sobre o cubo. O cubo e o número 4 representam o Plano Material, e estar sentado sobre ele representa o domínio sobre o plano material.
Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, onde pode representar o espírito divino que “ligou o céu e a terra”, Isto pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo isto representaria o conceito que diz “assim em cima como embaixo”.

Muito embora várias tenham sido suas supostas representações, a única imagem de Baphomet encontrada em um santuário templário consta de uma cabeça humana com três faces, cada uma representando uma face de Deus (o Deus Judeu, o Deus Islâmico e o Deus Cristão). Hoje sabe-se que a figura do bode de Mêndes, a qual Eliphas Levi atribuiu o “posto” de Baphomet, não passa de uma figura ocultista que nada tem aver com o Baphomet Templário.



Baphomet Por Eliphas Levi
Na classificação e explicação das gravuras de seu livro Dogma e Ritual da Alta Magia, Eliphas Levi classifica a imagem de Baphomet como a figura panteística e mágica do absoluto. O facho representa a inteligência equilibrante do ternário e a cabeça de bode, reunindo caracteres de cão, touro e burro, representa a responsabilidade apenas da matéria e a expiação corporal dos pecados.
As mãos humanas mostram a santidade do trabalho e fazem o sinal da iniciação esotérica a indicar o antigo aforismo de Hermes Trismegisto: “o que está em cima é igual ao que está embaixo”. O sinal com as mãos também vem a recomendar aos iniciados nas artes ocultas os mistérios. Os crescentes lunares presentes na figura indicam as relações entre o bem e o mal, da misericórdia e da justiça. A figura pode ser colorida no ventre (verde), no semicírculo (azul) e nas penas (diversas cores).
Possuindo seios, o bode representa o papel de trazer à Humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, os quais são signos redentores. Na fronte e embaixo do facho encontra-se o signo do microcosmo a representar simbolicamente a inteligência humana.
Colocado abaixo do facho o símbolo faz da chama dele uma imagem da revelação divina. Baphomet deve estar assentado ou em um cubo e tendo como estrado uma bola apenas ou uma bola e um escabelo triangular.

Bibliografia:
Dogma e Ritual de Alta Magia. Eliphas Levi

27 de junho de 2010

"O Vampirismo Uma Doença da Alma"

fragmento retirado do livro de: JEAN-PAUL BOURRE: Os Vampiros - primeira parte: O Vampirismo Uma doença de alma



PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA (1986)



Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia, para a reprovação eterna.
DANIEL (XII 1-3)




Segundo as lendas e as crenças o vampiro seria uma criatura da noite, um não morto absorvendo a vitalidade dos vivos para escapar ao túmulo. Construiria dessa forma uma espécie de imortalidade mágica na região das trevas, que separam a vida da morte.



"Processos verbais e crônicas do século XVIII são explícitos. No decorrer de certas exumações, sob o controle das autoridades locais, desenterraram-se cadáveres em perfeito estado de conservação: «O corpo não libertava qualquer cheiro, tinha sim, pelo contrário, mantido o seu estado de frescura sem que apresentam-se o mínimo sinal de decomposição. O sangue que saía da boca do cadáver era tão fresco como se de uma pessoa sã se tratasse. O cabelo, a barba e as unhas tinham crescido e a pele começava a separar-se do corpo, enquanto uma nova se formava. O rosto, as mãos, os pés, estavam igualmente conservados.» (Asfeld, 1730.)




Na maior parte dos casos; neste tipo de sepulturas (contrastando com as outras) registram-se tenebrosas vibrações. Fazem-se na aldeia o levantamento de muitas e misteriosas mortes, ocorridas na proximidade do cemitério. Animais degolados, homens e mulheres exangues, crianças mortas por debilidade e outros tantos casos de enlouquecimento.
Os agentes da polícia e os religiosos encarregados de fazer o inquérito dirigiram-se por fim ao cemitério, como era inevitável!
Os túmulos são abertos e o coração do cadáver é trespassado com o auxílio de uma estaca, a cabeça cortada à machadada e o caixão cheio de cal viva. Processos verbais, são redigidos e assinados pelos oficiais do rei e autenticados pelas autoridades locais.







Em 1776, D. Agustin Calmet, padre beneditino e abade de Senóvia, redigiu o seu Tratado sobre as aparições dos espíritos, reencarnações, anjos, demônios, e vampiros da Silésia e da Morávia, dedicado ao príncipe Carlos de Lorena, Bispo d’Olmütz.


Relata-nos ele: «Citam-se e ouvem-se testemunhas, examinam-se situações, observam-se os corpos exumados procurando sinais vulgares, como a mobilidade, a flexibilidade dos membros, a fluidez do sangue, a incorruptibilidade do corpo. Se tais pormenores forem na verdade observados concluir-se-á que são eles quem molesta os vivos, pelo que são entregues ao carrasco a fim de que ele os queime.»




E mais adiante, adverte do perigo que paira: «Este mal que espalha o terror, castiga particularmente a Hungria, a Polônia, a Silésia, a Morávia, a Áustria e a Lorena. Quem de- le nos livrará, pois não deixará de aumentar caso não se puser cobro a tal situação?» E conclui por fim: «No meio de tudo isto, não vejo senão trevas e dificuldades, cuja solução deixo aos mais hábeis e ousados.»


Superstições, alucinações, lendas ou presenças autênticas vindas de além túmulo? A caça está aberta...


Quando se estuda o vampirismo pode-se dizer que se trata de uma via tenebrosa, de um culto da noite cuja divindade central seria o não morto visto que o vampiro cultiva a sua personalidade demoníaca. Ele ama o seu próprio corpo e tenta, por todos os meios mágicos, evitar a sua desintegração.
Os adeptos deste culto mudam de nome segundo as regiões, os dialetos, os costumes. O jesuíta Gabriel Rzazcynsi explica em 1 721: Há mortos que mesmo no túmulo conservam a avidez de devorar e que, à boa maneira dos espectros, fazem as suas vítimas pela vizinhança; os polacos dão-Ihe o nome especial de Upiers e Upiercza.



A Europa central foi, durante muito tempo, o feudo destes senhores da noite, capazes de interromper o processo de decomposição do corpo, suspensos entre a vida e a morte nessas zonas de obscuridade que as antigas religiões povoavam de diabos, de demônios.




Nas províncias da Alemanha, em Hasse, Wurtenberg, Brunswick, afirmava-se que o cadáver-vampiro, uma vez saído do caixão, tinha o poder de se transformar em ave noturna e voar durante a noite à procura das suas vítimas.
Mais perto de nós, o professor Vukanovic assinalou danos causados pelos vampiros na Sérvia, nos anos de 1933, 1940, 1947 e 1948, principalmente na província de Kosovo-Motohija.




Em 1970, o feiticeiro inglês David Farrant foi condenado, sem apelo nem agravo, a cinco anos de 'prisão por violação e profanação de sepultura. E no prosseguimento de numerosos testemunhos acerca de uma «presença» no cemitério de Highgate, no Norte de Londres, que Farrant e os seus adeptos tentaram um ritual de invocação do vampiro. Os jornais ingleses seguiram esta "rocambolesca" aventura durante várias semanas. Falou-se no caso de um caixão arrombado, de um cadáver decapitado por Farrant, de símbolos mágicos pintados sobre as sepulturas, de obsessões, de pesadelos que apavoravam os habitantes de Highgate, de animais degolados pelas veredas do cemitério, etc.



Assim o vampirismo, que tem como figura principal a sombria e arrogante figura do famoso príncipe Drácula – embora estejamos longe das epidemias vampirescas dos séculos XVIII e XIX –faz sempre os seus discípulos. Propõe um método para vencer a morte, utilizando o fascínio e o desejo, jogando com o medo e a obsessão. E uma espécie de espiritualidade contraditória que procura evitar a decomposição do corpo, mantendo os instintos e os impulsos selvagens do homem para além túmulo. O oposto às espiritualidades libertadoras que partem as amarras e comunicam ao homem o sentimento de eternidade, a união com Deus."

[...]

16 de maio de 2010

O LICOR DA IMORTALIDADE




Não é de hoje que os homens buscam formas de preservar e prolongar sua saúde, juventude ou vida pela eternidade - ou pelo menos durante o maior tempo possível - ao longo da história da humanidade diversos ingredientes já foram utilizados como elixir da vida eterna desde esterco de animais até o hoje conhecidamente venenoso mercúrio. Dentro deste debate não podemos esquecer, claro da alquimia que durante longo tempo na Europa foi conhecida como a detentora do segredo da pedra filosofal, curiosamente um líquido cujas propriedades mágicas encerravam também o segredo da vida eterna tendo em Nicolas Flamel um dos seus maiores expoentes.




Das inúmeras referências que eu poderia usar me chamou a atenção uma prática de certos monges do extremo oriente nas cordilheiras do Himalaia cujas descrições que transcrevo abaixo retirei de um livro de tema vampírico - vampiros aliás que mantêm-se vivos graças ao sangue de suas vítimas, seu "licor da imortalidade" pessoal.



"Nas neves do Tibete e de Bouthan, nas cavernas do monte Kailasha – onde ainda hoje vivem devotos do deus Shiva – velhos monges-férus da magia negra preparam uma original bebida a que chamam «licor da imortalidade». Estes ascetas fazem horríveis experiências para se tomarem imortais. Eles não vivem à luz, nem no esplendor dos ascetas da Índia; basta vê-los nas aldeias de Cachemira ou em Bouthan.
As caras deles são autênticas máscaras da morte, «olhos flamejantes», e as vozes são cavernosas, como -que vindas do fundo de um terrífico abismo (dizem-no os guias da montanha). As portas fecham-se à sua passagem. Certos turistas vindos de Kallasha comentam as suas monstruosas técnicas de atuação.
Dizem que em algumas grutas se encontra a cave dos rituais, onde sobressai a meio uma mesa de pedra retangular. O tampo da mesa está cheio de vários e largos orifícios. Para alguns esotéricos, esta mesa mágica é dedicada ao deus da montanha mas não servirá somente para honrar os demônios subterrâneos. Ela é também uma mesa de oferendas e transformação.
Todas as descrições feitas pelos que voltavam das cavernas do Himalaia permitem imaginar a cena: o sumo-sacerdote Bom, assim que entra na cave mágica, deixa cair as suas roupas e aparece nu esquelético. Pega numa colher de forma redonda, mas com um cabo muito comprido e mergulha-a num dos tais buracos existentes no tampo. Extrai de lá algo com que esfrega várias partes do corpo, friccionando-se e recitando salmos ao deus dos mortos.
«Esta é a verdadeira bebida da imortalidade», diz ele. «A vitalidade dos homens novos e robustos está dissolvida aqui. Ela seria mortal caso não se tratasse de um iniciado, para o qual se tornará uma fonte de inesgotável energia. Desta forma, o mais graduado suplantará os deuses... »
O feiticeiro leva a colher à boca e engole o líquido. Em certas aldeias do Himalaia conta-se que a mesa é oca. No interior, os Bons colocam homens que eles escolhem para o sacrifício, que, deixando-se morrer de fome começam lentamente a decompor-se. Os cadáveres nunca são removidos dali. De vez em quando, um monge junta àqueles um homem vivo. O líquido resultante das carnes putrefatas será a bebida da imortalidade, o suco da morte, por assim dizer, pois que alguns monges morrem envenenados. Encontram-se os corpos deles ao fundo das grutas, e a superstição local considera-os vampiros, «não mortos», rakshasas.
Os rakshasas são os vampiros da magia indiana. São cruéis e ferozes. Acusam-nos de tudo devorar, queimar e ferver.» Os longos caninos fazem lembrar vampiros..."


TRECHO RETIRADO DO LIVRO DE


JEAN-PAUL BOURRE
OS VAMPIROS
(1986)
PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA