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5 de março de 2012

Conde de Sant Germain

Ao longo da história, inúmeros indivíduos tiveram personalidades no mínimo curiosas e estilos de vida que suscitavam questionamentos nos demais de suas épocas um destes indivíduos foi o Conde de Saint Germain cuja misteriosa personalidade fez muitos questionarem quem ou o que ele realmente era. Divagações a parte uma breve biografia de Saint Germain serve para nos apresentar essa figura misteriosa. Segundo site de referência a existência histórica de Saint Germain teria se iniciado em Londres no ano de 1743 e segundo se diz ele frequentava a nobreza inglesa e tocava violino na corte do príncipe Carlos. Saint Germain possuía ainda outras habilidades que faziam com que ele se destacasse como por exemplo sua eloquência e amabilidade que teria inclusive rendido comentários em sua época. 

Sobre o mistério que envolvia sua vida Horace Walpole dissera o seguinte sobre Saint Germain: "Ele está há dois anos e recusa-se a dizer quem é e de onde vem. Mas admite que não usa seu verdadeiro nome". Tal fato teria rendido a desconfiança de que ele poderia ser um espião estrangeiro e motivos para isso não faltavam uma vez que ele sabia falar e escrever em grego, latim, sânscrito, árabe, chinês, francês, inglês, italiano, espanhol e português. Além disso, pintava, tocava cravo e violino e possuía um grande conhecimento de química e alquimia muito avançados, ou seja uma verdadeira virtuose. 

Dentre as façanhas de Saint Germain dizia-se que ele sabia como aperfeiçoar diamantes, fazer ouro e que possuía o elixir da vida eterna e isso não é tudo, segundo registros ele poderia se tornar invisível e reaparecer onde quisesse e possuía grandes habilidades hipnóticas e auto-hipnóticas. Sabe-se que Saint Germain foi um alto membro de grupos Rosa Cruzes mais secretos da Europa. Esteve presente no convento maçônico de Wilhensbad em 1782. Como emissário Rosa Cruz. Foi também um dos iniciadores de M. de Pasquallys. quando este apareceu pela primeira vez em Paris em 1570 apareceu como membro dessa misteriosa irmandade. Manteve correspondência com Willermoz e com outros ocultistas da época.


Muita coisa sobre a vida de Saint Germain ainda é fruto de especulação e tantas outras são reflexo do mito que se tornou Saint Gramain. Segundo consta ele teria falecido em 1784, deixando muito pouca coisa para trás. Contudo, existem rumores de que Saint Germain teria sido visto em 1835, em Paris, e em 1867, em Milão e no Egito, durante a campanha de Napoleão. Até mesmo Napoleão II teria mantido um dossiê a seu respeito. 
A teosofista Annie Besant dissera tê-lo conhecido em 1896 e outro teosofista chamado C. W. Leadbeater, disse tê-lo encontrado em Roma, em 1926. Um piloto americano, após falha mecânica em sua aeronave em 1932, fez um pouso forçado em uma das montanhas isoladas do Tibet; e entre os monges que o trataram, relatou que havia um homem estranho que teria dito: "Eu sou Saint Germain, e em breve voltarei para França." (adaptado de wikipedia).
Verdade ou não Saint Germain já faz parte da multidão de imortais que andam pela terra hoje em dia. Estejam eles vivos de fato ou presentes apenas em nossas memórias.

31 de julho de 2010

O sopro de fogo

O sopro de fogo dos dragões seria teoricamente possível, caso seus pulmões pudessem separar alguns dos gases que compõe o ar e se fossem de um material tolerante ao calor. A centelha de ignição poderia ser obtida da fricção de dois ossos ou pela ingestão de minerais, que poderiam ser combinados quimicamente para gerar uma reação exotérmica. Outras idéias são a utilização de magia por parte dos dragões de modo a criar fogo, sem que este lhes danifique os tecidos e o marfim da boca.
Os dragões representam, em parte a liberdade e o poder que o Homem deseja atingir. Seria bom acreditarmos que eles existem, ignorando a ciência neste assunto, além de mais ainda não se conseguiu explicar como é que a ideia de uma criatura, com asas, sopro de fogo, escamas e potencialmente mágica, pode chegar a culturas tão distantes e diferentes como a China Antiga ou os maias e os astecas.

Dragões na Alquimia
Apenas para dar uma pincelada de alquimia vou mencionar também o significado dos dragões para a simbologia alquímica. O dragão em chamas é um símbolo de fogo e Calcinação. Vários dragões lutando é símbolo de putrefação. Dragões com asas representam o princípio volátil; dragões sem asas representam o princípio fixo. Dragão que morde sua própria calda chama-se Ouroboros e significam a unidade fundamental de todas as coisas.

12 de julho de 2010

Baphomet

Baphomet não é propriamente o diabo, é uma figuar iniciática, e cuja representação mais conhecida é devida ao ocultista Eliphas Levi (Alphonse Luís Constant).

História do Baphomet
A história em torno do Baphomet foi intimamente relacionada com a da Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, pelo Rei Filipe IV de França e com apoio do Papa Clemente V, ambos com o intuito de desmoralizar a ordem, pois o primeiro era seu grande devedor e o segundo queria revogar o tratado que isentava os Cavaleiros Templários de pagar taxas a igreja Católica.
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Ordem do Templo, foi fundada no ano de 1118. O objetivo dos cavaleiros templários era supostamente proteger os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. Eles receberam como área para sua sede o território que corresponde ao Templo de Salomão, em Jerusalém, e daí a origem do nome da Ordem.
Segundo a história, os Cavaleiros tornaram-se poderosos e ricos, mais que os soberanos da época. Segundo a lenda, eles teriam encontrado no território que receberam documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Segundo alguns, eles ficaram com a tutela do Santo Graal (a respeito do qual falarei mais em outra postagem) além de outros tesouros da tradição católica.
Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, sob as ordens de Felipe, o Belo (homem torpe e grande devedor de dinheiro para a Ordem e favores para o grão-mestre Jacques DeMolay, sendo este inclusive padrinho de seu filho) e com o apoio do Papa Clemente V, os cavaleiros foram presos, torturados e condenados à fogueira, acusados de diversas heresias. Daí o motivo de sexta-feira 13, na cultura ocidental, estar associada a maus presságios.

A Igreja acusava os templários de adorar o diabo na figura de uma cabeça com chifres que eles chamavam Baphomet (a partir daí criou-se a crença de um demônio chifrudo), de cuspir na cruz, e de praticar rituais de cunho sexual, inclusive práticas homossexuais (embasado no símbolo da Ordem, que era representado por dois Cavaleiros usando o mesmo cavalo). O Baphomet tornou-se o bode expiatório da condenação da Ordem pela Igreja Católica e da matança de templários na fogueira que se seguiu a isto.

Origem da expressão “Baphomet”
A origem da palavra Baphomet ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde uma corruptela de Muhammad (Maomé – o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego “Batismo de Sabedoria”. Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus Baal; Pho, que derivaria do deus Moloc; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set.
A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para “sabedoria”.

Significados possíveis
-O símbolo fálico de Baphomet, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher e o pênis é metaforicamente representado por um Caduceu. Este tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha) (andrógino), com a qual o ocultismo tem relação.
- O falo do Baphomet é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini e as energias sexuais ativadas, a virilidade e todo o desenvolvimento dos chakras.
-A imagem possui a cabeça com características de chacal, touro e bode, representando os chifres da sabedoria, virilidade e abundância. O chacal representa Anúbis (o deus-chacal) e também o “Mercúrio dos Sábios”, o Touro representa o elemento terra e o “Sal dos Filósofos” e o bode representa o Fogo e o “Enxofre fixo”. Juntos, a cabeça da imagem representa os três princípios da Alquimia.
-A tocha entre seus chifres representa a sabedoria divina e a iluminação. Tochas estão associadas ao espirito nos 4 elementos e colocadas sobre a cabeça de uma imagem representam a inspiração divina. Isso pode ser observado até os dias de hoje, em personagens de quadrinhos que, quando tem uma idéia, aparece uma lâmpada sobre suas cabeças. (curioso, não?). Além disso, a tocha pode também representar os ideais iluministas, como na estátua da liberade em Nova York.
-A figura do Baphomet também é relacionada as virgens que apresentavam anomalias em seus bustos. As virgens de 3 mamilos e as virgens de apenas 1 seio era tatuadas com a cabeça do Baphomet para que nenhum homem pudesse tocá-las. Diziam que as mulheres com tais anomalias genéticas eram amaldiçoadas.
-O conjunto dos dois chifres também representam as duas colunas na Árvore da Vida e o fogo sendo o equilíbrio entre elas. A lua branca representa a magnanimidade de Chesed (Júpiter) e a lua negra o rigor de Geburah (Marte).
- O pentagrama na testa de Baphomet representa Netzach (Vênus), o Pentagrama, o símbolo da proteção e da magia. Importante notar que ele se encontra voltado com a ponta para cima. As pernas cruzadas associadas ao cubo representam Malkuth, a manifestação final das forças da Árvore da Vida, o último estágio da energia onde ela se solidifica. Porém, Malkuth não é formada apenas pela matéria, mas também seu aspecto psíquico e sutil.
- Nos braços do Baphomet estão escritos “Solve” no braço que aponta para cima e “Coagula” no braço que aponta para baixo. Solve representa “dissolver a luz astral” e coagula significa “coagular esta luz astral no plano físico”. Em outras palavras: tudo aquilo que você desejar e mentalizar no plano astral irá se manifestar no plano físico.
- Os braços nesta posição representam o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”, ou “O microcosmo é igual ao macrocosmo”, ou “Assim na Terra como no Céu”.
Os quatro elementos estão encerragos em alegorias:
Escamas, representando o domínio sobre as águas, ou emoções.
Asas, representando o domínio sobre o Ar, ou a razão.
Patas de bode, representando seu domínio sobre a Terra, ou o material. Também representam a escalada espiritual.
Fogo em seus chifres, representando o domínio sobre o Fogo.
- Os seios representam a maternidade e a fertilidade, e também o hermafroditismo, simbolizando que a alma não possui sexo e que não “somos” homens ou mulheres, mas “estamos” homens ou mulheres.
-A figura representa a Esfingie, aquela que guarda os portais das iniciações, pela qual os covardes não passarão. Aquele que teme uma figura por pura ignorância nunca será um iniciado.
- A imagem está parcialmente coberta, parcialmente vestida, representando que o corpo não está apenas no plano material (roupas), mas por debaixo da matéria está também o espírito (parte nua).
- Baphomet está sentado sobre o cubo. O cubo e o número 4 representam o Plano Material, e estar sentado sobre ele representa o domínio sobre o plano material.
Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, onde pode representar o espírito divino que “ligou o céu e a terra”, Isto pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo isto representaria o conceito que diz “assim em cima como embaixo”.

Muito embora várias tenham sido suas supostas representações, a única imagem de Baphomet encontrada em um santuário templário consta de uma cabeça humana com três faces, cada uma representando uma face de Deus (o Deus Judeu, o Deus Islâmico e o Deus Cristão). Hoje sabe-se que a figura do bode de Mêndes, a qual Eliphas Levi atribuiu o “posto” de Baphomet, não passa de uma figura ocultista que nada tem aver com o Baphomet Templário.



Baphomet Por Eliphas Levi
Na classificação e explicação das gravuras de seu livro Dogma e Ritual da Alta Magia, Eliphas Levi classifica a imagem de Baphomet como a figura panteística e mágica do absoluto. O facho representa a inteligência equilibrante do ternário e a cabeça de bode, reunindo caracteres de cão, touro e burro, representa a responsabilidade apenas da matéria e a expiação corporal dos pecados.
As mãos humanas mostram a santidade do trabalho e fazem o sinal da iniciação esotérica a indicar o antigo aforismo de Hermes Trismegisto: “o que está em cima é igual ao que está embaixo”. O sinal com as mãos também vem a recomendar aos iniciados nas artes ocultas os mistérios. Os crescentes lunares presentes na figura indicam as relações entre o bem e o mal, da misericórdia e da justiça. A figura pode ser colorida no ventre (verde), no semicírculo (azul) e nas penas (diversas cores).
Possuindo seios, o bode representa o papel de trazer à Humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, os quais são signos redentores. Na fronte e embaixo do facho encontra-se o signo do microcosmo a representar simbolicamente a inteligência humana.
Colocado abaixo do facho o símbolo faz da chama dele uma imagem da revelação divina. Baphomet deve estar assentado ou em um cubo e tendo como estrado uma bola apenas ou uma bola e um escabelo triangular.

Bibliografia:
Dogma e Ritual de Alta Magia. Eliphas Levi

"Opus Magna" - A Pedra Filosofal


A Pedra é a meta da Grande Obra. Foi visto como uma pedra de toque mágica que poderia aperfeiçoar qualquer substância ou situação imediatamente. A Pedra Filosofal foi associada com o Sal do Mundo, o Corpo Astral, o Elixir, e Jesus Cristo.

A história
A Pedra Filosofal era o principal objetivo dos alquimistas. Segundo a lenda, era um objeto que poderia aproximar o homem de Deus. Com ela o alquimista poderia transmutar qualquer metal inferior em ouro, como também obter o Elixir da Longa Vida, que permitiria prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado pelos alquimistas de “A Grande Obra” (“Opus Magna”). A lenda da pedra filosofal não existe na alquimia chinesa.

Aparentemente, o trabalho de laboratório dos alquimistas na busca pela pedra filosofal era, na verdade, uma metáfora para um trabalho espiritual. Neste sentido, a transmutação dos metais inferiores em ouro seria a transformação de si próprio de um estado inferior para um estado espiritual superior. A busca por esta pedra filosofal é, em certo sentido, a busca pela evolução do caráter, na maçonaria isto é bem claro visto que o propósito é lapidar a pedra bruta do Eu.

Torna-se mais clara a razão para ocultar toda e qualquer conotação espiritual deste trabalho, na forma de manipulação de “metais”, se nos lembrarmos que na Idade Média qualquer um poderia ser acusado de heresia, satanismo e outras coisas, acabando por ser queimado na fogueira.

A pedra filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina. Vários alquimistas são considerados precursores da moderna medicina, e entre eles destaca-se Paracelso, pseudônimo de Theophrastus Bombastus Von Hohenheim. (sim, é mais fácil chamá-lo pelo apelido).


Como fruto de suas investigações na alquimia, criou remédios e descobriu caracterísicas de muitas enfermidades. Acredita-se que Paracelso foi o precursor da homeopatia moderna, pois ele assegurava que "o aparelho cura o aparelho", fabricando seus medicamentos com base nessa teoria.


Ao longo da história a criação da pedra filosofal foi atribuida à várias personalidades, como Paracelsus e Fulcanelli, porém é inegável que a lenda mais famosa refere-se à Nicolas Flamel, (imagem a esquerda) um alquimista real que viveu no século XIV, segundo o mito Flamel encontrou um livro sobre cabala e alquimia que pertencera à Abraão, por meio deste livro pode fabricar a pedra, segundo a lenda, este seria razão da riqueza de Flamel, que inclusive fez várias obras de caridade, adornando-as com símbolos alquímicos, ao falecer, a casa de Flamel foi saqueada por caçadores de tesouros ávidos por encontrar a pedra filosofal.


A lenda conta que, na realidade, ambos, Flamel e sua esposa, não morreram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas no lugar de seus corpos. Conta-se também que após desaparecerem misteriosamente, ele e sua esposa foram vistos aqui e ali com um estranho tom dourado na pele, sem mostrar sinais de envelhecimento. Em 1818, apareceu em Paris um homem que dizia ser Flamel, Oferecendo os segredos da pedra filosofal. Realidade ou fantasia?

(fontes: site symbolom.com e arquivos pessoais)

Sangue

É símbolo da parte emocional da alma humana, simboliza também o pacto entre o indivíduo e os poderes divinos ou demoníacos. Nos ritos dos essênios, o sangue menstrual era equiparado ao sangue de Cristo, enquanto que o sêmem era o seu corpo. O sangue de Cristo representa o poder primitivo da vida com profundo potencial no plano psíquico, para o bem e para o mal, que contém em si, a reconciliação dos opostos. Elemento extremamente precioso e potente, corresponde a própria vida da alma, assim como a poção da imortalidade. O sangue possui um vínculo bastante estreito com o afeto; e pois um símbolo da essência da vida com conotação de vida afetiva e que pode ser traduzida por paixão, desejo e violência.


O derramamento de sangue simboliza a intensidade da vida psíquica disponível para ser vivenciada e que não se pode lhe negar a realização pois pressuporia a compensação noutro setor. Nessas imagens, quando surgidas em sonhos, há sempre uma mensagem de que não é admissívil a repressão, pois esta seria a morte interna que traria reflexos externos. A substância do sangue tanto pode simbolizar o tormento como a salvação e isso vai depender exclusivamente do ego que vai vivenciar a experiência.


Na alquimia, o sangue simboliza duas diferentes operações, quais sejam : a solutio e a calcinatio. Enquanto substância fluida, está ligado a experiência da solutio; e sua associação ao fogo, vincula-o a operação da calcinatio. Equiparado ao fogo, podemos associar o batismo de sangue com a mesma simbologia do batismo de fogo.

16 de maio de 2010

O LICOR DA IMORTALIDADE




Não é de hoje que os homens buscam formas de preservar e prolongar sua saúde, juventude ou vida pela eternidade - ou pelo menos durante o maior tempo possível - ao longo da história da humanidade diversos ingredientes já foram utilizados como elixir da vida eterna desde esterco de animais até o hoje conhecidamente venenoso mercúrio. Dentro deste debate não podemos esquecer, claro da alquimia que durante longo tempo na Europa foi conhecida como a detentora do segredo da pedra filosofal, curiosamente um líquido cujas propriedades mágicas encerravam também o segredo da vida eterna tendo em Nicolas Flamel um dos seus maiores expoentes.




Das inúmeras referências que eu poderia usar me chamou a atenção uma prática de certos monges do extremo oriente nas cordilheiras do Himalaia cujas descrições que transcrevo abaixo retirei de um livro de tema vampírico - vampiros aliás que mantêm-se vivos graças ao sangue de suas vítimas, seu "licor da imortalidade" pessoal.



"Nas neves do Tibete e de Bouthan, nas cavernas do monte Kailasha – onde ainda hoje vivem devotos do deus Shiva – velhos monges-férus da magia negra preparam uma original bebida a que chamam «licor da imortalidade». Estes ascetas fazem horríveis experiências para se tomarem imortais. Eles não vivem à luz, nem no esplendor dos ascetas da Índia; basta vê-los nas aldeias de Cachemira ou em Bouthan.
As caras deles são autênticas máscaras da morte, «olhos flamejantes», e as vozes são cavernosas, como -que vindas do fundo de um terrífico abismo (dizem-no os guias da montanha). As portas fecham-se à sua passagem. Certos turistas vindos de Kallasha comentam as suas monstruosas técnicas de atuação.
Dizem que em algumas grutas se encontra a cave dos rituais, onde sobressai a meio uma mesa de pedra retangular. O tampo da mesa está cheio de vários e largos orifícios. Para alguns esotéricos, esta mesa mágica é dedicada ao deus da montanha mas não servirá somente para honrar os demônios subterrâneos. Ela é também uma mesa de oferendas e transformação.
Todas as descrições feitas pelos que voltavam das cavernas do Himalaia permitem imaginar a cena: o sumo-sacerdote Bom, assim que entra na cave mágica, deixa cair as suas roupas e aparece nu esquelético. Pega numa colher de forma redonda, mas com um cabo muito comprido e mergulha-a num dos tais buracos existentes no tampo. Extrai de lá algo com que esfrega várias partes do corpo, friccionando-se e recitando salmos ao deus dos mortos.
«Esta é a verdadeira bebida da imortalidade», diz ele. «A vitalidade dos homens novos e robustos está dissolvida aqui. Ela seria mortal caso não se tratasse de um iniciado, para o qual se tornará uma fonte de inesgotável energia. Desta forma, o mais graduado suplantará os deuses... »
O feiticeiro leva a colher à boca e engole o líquido. Em certas aldeias do Himalaia conta-se que a mesa é oca. No interior, os Bons colocam homens que eles escolhem para o sacrifício, que, deixando-se morrer de fome começam lentamente a decompor-se. Os cadáveres nunca são removidos dali. De vez em quando, um monge junta àqueles um homem vivo. O líquido resultante das carnes putrefatas será a bebida da imortalidade, o suco da morte, por assim dizer, pois que alguns monges morrem envenenados. Encontram-se os corpos deles ao fundo das grutas, e a superstição local considera-os vampiros, «não mortos», rakshasas.
Os rakshasas são os vampiros da magia indiana. São cruéis e ferozes. Acusam-nos de tudo devorar, queimar e ferver.» Os longos caninos fazem lembrar vampiros..."


TRECHO RETIRADO DO LIVRO DE


JEAN-PAUL BOURRE
OS VAMPIROS
(1986)
PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA