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31 de janeiro de 2014

Soneto do Sem Direção

Soneto do Sem Direção

Quando vir de algum lugar
Ou Ir para algum lugar
Saiba que querendo ou não
Sozinho sempre vai estar

Perdido e sem destino
Como o vento em toda rosa
Vai para onde é direcionado
Podendo ou não ser apreciado.

Como sozinho vou estar
Como sozinha vai ficar
Como nós vamos pensar?

Eis que em toda solidão
Não sei para onde ir
Mas me parece que me resta apenas à escuridão!


Por : Douglas Emanuel ( Tenebrarium)


30 de janeiro de 2014

Soneto da Insanidade

Soneto Da Insanidade

Para que o tempo passe
Que vem junto à debilidade
E que o mesmo tempo repasse
Quando a sanidade se for.

Louco seria eu;
Louco seria você;
Para que quando o tempo se for
A insanidade atingirá a todos.

Seria você
Mas na verdade sou apenas eu;
Insanidade como te vencer?

Está na minha cabeça;
Ou no meu coração
Essa insanidade da minha razão?


Por: Douglas Emanuel (Tenebrarium)


29 de janeiro de 2014

Dúvidas



DÚVIDAS

Certo Dia
Traço mais um caminho
Para minha monotonia diária,

Caminhando com passos cansativos
A luz do sol ofusca meus olhos
Sinto meu corpo enfraquecido,

Serei eu mais uma das criaturas da noite
Ou apenas um mero humano com problemas
Essa duvida me preocupa e perturba minha mente,

Tento então me abrigar entrando em sombras...
Sombras quase sem utilidade, inúteis a certo ponto...
Logo então chego a meu destino de monotonia,

Horas passam e tomo rumo à minha casa
Tendo o dia ofuscante...
Se tornado noite acalmante,

Sinto-me revigorado com tal escuridão
Podendo caminhar sem preocupação
Percebo então que faço parte da noite,

Logo me pergunto outra vez
Serei eu mais uma das criaturas da noite
Ou apenas um mero humano com problemas?


Por: Douglas Emanuel (Tenebrarium)


11 de dezembro de 2012

Por quê?...



Eu nesse momento agachado num canto da sala em posição fetal trêmulo, convulsivo, balançando delirantemente para frente e pra trás com minha cabeça entre os joelhos e os braços ao redor das pernas repetindo insistentemente numa voz sufocada: por quê? Por quê? Por quê? Por quê?… 
Enquanto ao meu redor o céu escurece e o frio se torna cada vez maior e mais penetrante, enregelando cada músculo do meu corpo, entre eles o coração que agora jaz sepulto nas trevas de um questionamento mordaz, lacerante, que segue em seu martírio repetindo ainda mais: Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê?…


13 de novembro de 2012

Entranhas Venosas



Queria que ao menos uma vez, sentisse garras em suas entranhas. 
Que ao menos uma vez, teu olhar fosse interrompido e que seu sentimento não passasse de escuridão e dor. Em teu coração decomposto restaria apenas o sangue venoso, e sem oxigênio não seria mais ninguém.
Eu gostaria que sentisse remorso por sua palavras amaldiçoadas e que ao invés de perdoado, fosse castigado por todas as lágrimas que fez cair.
Queime eternamente.

12 de novembro de 2012

Luz Obscura


Luz Obscura
Que Clareia a escuridão
E da alma mais pura
Paira em mim a Solidão

Nos meus lábios, tocam o nada
Em Muitos mórbidos a satisfação
E a luxúria destes saciada
Prevalece o vazio em meu profano coração

Aprendi o ódio com o amor
A loucura inválida
Filha da noite eu sou
Em minha face a figura pálida

Negro Interior
Frestas de luz
Minha inferioridade Superior
Que as trevas me conduz...

Kedrova Bojana Corody

4 de outubro de 2012

A ti entreguei versos


Deixemo-nos a pensar, pois estaremos aqui quando isso acabar...
Nada se comparou a beleza do seu sentimento,
Mas que a dor da alma venha e te deixe por momentos...
O vazio do silêncio nos prende e nos tortura 
Da alma mais fria deixastes a tua doçura...
Ganhamos um momento a mais para mentir e a ilusão matar, 
Pois a ti entreguei versos que então você fez sangrar...

13 de agosto de 2012

Causa Mortis


  
CAUSA MORTIS
Assolam inclementes nas colinas lúgubres,
Os ventos do desgosto das alegrias de outrora
Esvaziam de meu peito os insignificantes amores
Que nesta existência me serviam por aurora.

Oh! Como é sombrio o anoitecer nestas paragens
Que há de ser agora, de minhas ilusões?
Estas frias estátuas... Minhas quimeras... Miragens...
Que há de ser de minha vida nestes rincões.

Aqui desvanece de minh’alma todo o engodo.
Vem deveras hoje ó morte e leva-me em teu logro.
Arremate este meu quadro tétrico
Que com tanto ardor elaboras em esboço
A minha débil figura.
Mostre-me aos olhos de todos cadavérico,
Esquálido, exaurido de minha própria esperança
Retrato fiel de minh’amargura.

Joga-me enfim aos braços do purgatório
Esqueças-me por ali
Não quero ouvir dos viventes seus cantos funerários,
Do livro sacro seus salmos de profundis.
Esqueças-me e não me deixes sair,
Senão para ver do horizonte o fulgurar etéreo.
Melhor que nestas serras
É estar prostrado num cemitério.

Mas, faz-se insensível à minha petição
Esta donzela funesta, descarnada.

Afasta-se de mim e leva contigo meu coração
Afasta-se... Mas, leva por obséquio esta alma condenada.

Deus nobis haec otia fecit*




*Deus nos concedeu esse descanso. Palavras com que Virgílio nas Éclogas agradece a Augusto. São quase sempre empregadas satiricamente.


10 de julho de 2012

"Era negra"





“Era Negra”

Em meio aos açougues, a sede me inunda
Fome e ódio tomam minha mente... Instância!
Gritos de desespero me insinuam a consubstancia
Genital... Vaginas dilaceradas... Sangue... Terror...

Fui o augúrio de muitas... Esfolei os frutos podres
e hoje vivo mais um dia... Faminto... Renovado!
A catarse de outrora agora se resume em uma
nova dor... Em um novo sonho vermelho!
Minhas mãos invadiram corpos nus em noites frias
de inverno... Elas gemiam, choravam e gritavam!

Os bosques sombrios
Com gemidos vadios
Onde ninguém a sentiu

Voluptuosa salsa mórbida
Esfaqueava frígidas escórias
Ungindo salivas e aflorando rosas
Ao molde “do reflexo tão consagrado”
Quando Lilith acorda...

Apanhando almas...
Esfolando corpos...
Almejando óbitos!

O Monstro da noite...
O Corvo Anacorético!


26 de junho de 2012

Sonata da Perdição

Sonata da perdição

Escuta a cantiga
Tímida que nos percorre
Suave que de tua boca escorre
Coro de beleza antiga...

Adormece em leito sinfônico
Orquestra de lívidas formas
Arranjada em incontáveis somas
De exuberantes chamas

Propaga o tenro som no véu
Banha a pele quente e febril
Da pálida, rainha das cordas!

Incendeia os campos e invade o céu
Atraca no etéreo porto, sutil, sutil
E derruba os castos, em ondas voluptuosas... 

Escute! Escute! O coro!
Sutirnas vozes de eloquência indefinida
Noturnas notas de melodia desconhecida
Mas escute! Eis o coro de etéreas elfas...
Mas sinta! Eis o som de fino violino...

A obra de sinistro deus
Em forma de majestosa sereia
Errante, soluçante, nos sonhos meus
Em gozo das curvas sonoras de lascívia que serpenteia

Caia! Eis o sonata da perdição...

18 de junho de 2012

Dama da Vida

Franz Von Stuck,
Pecado - 1863-1928
Dama da Vida

Vertigem na densa névoa
Tateio a certa trégua
Cambaleando ao limbo

Dama da vida
Ouvistes o coro desvanecido de vida
Ouvistes as preces da face que cai

Tua face que transborda o licor dos perdidos
Tua tez que prende ao fogo a mente dos cândidos
Tua voz que guia-nos ao descanso com negra volúpia

Dama da vida
Aceitarei a perdição
Abraçarei a sua salvação
Entregarei o que é de seu direito

A porta e o templo
Apostasia de gozos indefiníveis
De soluços intransigíveis
No teu seio...

Vida da cama serpentinal  
Fogo e lascívia
Medo e fascínio

A dama da vida serpentinal

_ Hugo Borges

6 de junho de 2012

A Melancolia do Meu Corpo

A Melancolia do Meu Corpo


Meu corpo está destruído, a tristeza se 
Propagou por todo o meu ser e levou 
Embora toda minha beleza, todo meu 
Sorriso, se é que um dia tive sorriso.

Nem mesmo a morte me aceita não me 
Leva embora consigo. Solidão, maldita 
Solidão eu a amo de ódio, mesmo assim 
Es minha melhor amiga.

As lágrimas que tanto derramo já não 
Existem mais, secaram. Assim como 
Meu espírito também secou.

Mas contínuo a chorar por dentro é 
Dessa forma que me divirto, brinco com 
Minha própria melancolia.

Se tu me amaste sentiria a essência das 
Flores e jogaria meus espinhos.

Se tu me amaste enxugaria meu sangue, 
transbordaria apenas de amor.

Se tu me amaste me atiraria  em seus 
Pés e te enxeria de prazer.

Se tu me amaste compartilharia o sabor 
Do meu corpo com o seu.

Se tu me amaste me deixava levar por 
Os arrepios sem temer aos espelhos.

Se tu me amaste arrancaria qualquer 
Tecido presente em meu corpo. Há se tu 
Me amaste!
                                                                - Renata Filth

5 de junho de 2012

Maligna Vênus


Hoje lhes trago um novo poeta cujos versos fortes nos inspiram. Seu nome é Vitor Mendes Dias e um de seus trabalhos pode ser apreciado abaixo. Outros trabalhos seus podem ser apreciados em seu perfil no facebook.
Sem mais delongas vamos aos versos. 



Maligna Vênus

Hoje eu contarei ao mundo
Uma história doentia
Daquelas que fazem a lágrima secar

O terror crucificado no cérebro
- após os assassinatos em série -
Onde vivem os monstros dos corredores da morte

Maníacos homicidas vivenciando facadas
Estupradores e psicopatas exumados do Inferno
Para o banquete da necrofilia
Onde vive o sabor frio e apático do inverno

Salientando a saliva venenosa do demônio
-Como narrativa-
Para mais um introspectivo manicômio:

"A pétala frágil e corrompida
Levantava de sua cripta
Prostituta suja, jogada na vala fétida da vida
Bebendo do esgoto, o alicerce da sua maldita sina

"Assim sucumbia..."

Lúcifer embaralhava as cartas
As cartas dos pesadelos internos
Alucinando estes detentos
A prisão etérea banhada pela energia maligna de Vênus...

- Vitor Mendes Dias


29 de maio de 2012

O Tesouro- Poema a duas mãos


O Tesouro-
Poema a duas mãos

Existe um lindo tesouro escondido, ninguém ainda conseguiu decifrar o enigma. O ser que tem a capacidade de salvar esse lindo tesouro não o enxerga, não tenta decifrar o enigma. Triste tesouro está quase se desfazendo!

Mas persiste em procurar pelo lindo tesouro escondido este ser que não o enxerga. Rasteja pelos cantos escuros, pelo lodo sombrio e realiza com brio o trabalho hercúleo em suas mãos. Enxergará o tesouro, decifrará o enigma e este em todo seu enredamento não será tão exaustivo quando nas mãos deste ser estiver o tesouro lindo, perdido e agora não mais pelo tempo consumido.



26 de maio de 2012

Poemas de Renata Filth

            
Vez ou outra eu publico aqui no blog poemas de livre inspiração cujo tema é o universo sombrio, obscuro da alma humana tais poemas, geralmente são de minha autoria, mas agora  abro uma exceção para uma amiga e seus poemas melancólicos e sombrios. 
A grande quantidade de poemas que recebi me deram a ideia de iniciar uma série de postagens com os poemas sombrios de Renata Filth. Aqui venho trazendo dois de seus poemas para nosso agrado.


  
                                                                                  Triste Solidão

Estou sangrando, por dentro e por fora

Meu coração chora, dos meus olhos 
caem lágrimas pretas.

Meus pensamentos estão entrando em 
um túnel onde não há ninguém.

Ouço vozes, vozes sombrias.

Meu coração sangra cada vez mais, a 
solidão é demais, não consigo encontrar
a luz do túnel.

Paro, penso, grito, mais ninguém me escuta.

Será que minha vida será sempre dentro deste túnel?

Não aguento mais essa solidão, não 
consigo prosseguir assim.

Uma luz se acende, mas quando penso 
que serei libertada, estou totalmente 
enganada, a luz se apagou!

                                                                                  - Renata Filth 






Falso Suicídio

Meu coração está sendo espetado por 
algo que trasborda tristeza.

Vermes sussurram em meus ouvidos, 
meus pulsos estão transbordando de 
sangue, dos meus olhos escorrem 
lágrimas pretas.

Lágrimas que parecem mais gotas de 
chuva que escorrem sobre um túmulo. 
Túmulo que será o meu abrigo no dia do 
meu suicídio.

Um suicídio que será apenas uma 
encenação nos meus pensamentos.
Esses grotescos pensamentos é a solidão 
que me faz ter, solidão que eu amo de ódio.




4 de maio de 2012

As Almas Perdidas - Enseada

A loucura leva minha alma para dentro deste mar sombrio e faz-me querer levar comigo tudo que me é valioso e afogar sob este tenebroso lençol d'água cada alma que amo. Mas a morte e a solidão me acompanham de perto e os demônios do suicídio me lambem as orelhas, me seduzem e apontam para meu inevitável destino.


Corpos cianóticos flutuam na espuma rubra das vagas turbulentas e o anjo negro da morte se banqueteia com a orgia de almas perdidas. Criaturas cujas vidas a dor abraçou e sorveu num beijo longo e dolente.

Num canto da enseada ouço vozes sombrias num clamor infindável me chamando para junto delas, mas se fazem fortes os dedos corroídos dos anjos demoníacos em meus braços. Estes me agarram e arrastam para o mar, aqueles alçam inda mais alto suas vozes. Por certo não acreditaria em tal história se meus olhos não tivessem, por desgraça dos céus que me abandonam, visto a cena horrenda que nas areias se descortinava. Eram seres de uma época esquecida, fantasmas de um medo arcano e eles cobriam com suas asas apodrecidas as almas malditas.

O pavor que em minha alma se avoluma fez brotar o desejo incontrolável de deitar em mansidão nesta espuma rubra e me entregar aos braços do anjo negro.
No entanto, a vida que em minhas veias pulsava ainda, diz a minha ao meu espírito: Levante-se! Levante-se e fuja para onde as colinas se inclinam nesta enseada. É lá que haverá o teu destino. É lá que encontrarás outro fado que não este.

De súbito me ponho de pé e sinto as garras afiadas dos demônios me rasgarem a pele, mas nenhuma dor pode ser maior do que aquela preparada para mim pelos filhos do príncipe das trevas.

Assim me pus a correr. Às colinas! Às colinas! Preciso chegar às colinas...   



2 de maio de 2012

Melodia Triste


                                                                    

Melodia Triste

Cante minha melodia triste
Ante o campo vil da solidão
Desfaça o laço negro...
Parta em dor o coração.

Que medos como este?
O apodrecer em mansidão,
Pode haver tal qual a peste
Ardendo em febre num caixão.

Chora donzela enlutada
Com purpúrea rosa
Em punhos, encerrada

Dos frágeis dedos ensanguentados
Pende a lâmina argêntea.
Banha em sangue o metal.

Mas, acalma-te chorosa flor
Acalma-te e repousa.
Dorme donzela enlutada
Tenha nos sonhos a paz
Que em vida lhe foi negada.

Cerra os olhos lacrimosos
Tomada pelos fantasmas
De seus negros pensamentos
Vozes espectrais, chorosas
uivando em lamento.

28 de abril de 2012

Communionem

Communionem
...
Sorve o putrefato sangue em cálice maldito
Cai em transe delirante, convulsivo
E faz, ao romper do último selo,
A praga secular dos infernos erguer-se

Quanto a mim, este débil ser,
Entrego-me aos braços da morte
Arrasta-me pelos tornozelos
O ceifeiro vil da má sorte.