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23 de abril de 2011

Astarte e Sua Relação Com a Páscoa

Nesta época do ano em todo o mundo cristão, e mesmo em alguns não cristãos, vemos as pessoas fazerem seus preparativos para a comemoração da Páscoa. Porém, que tipo obscuridade poderia haver por trás desta comemoração que num primeiro instante só nos remete à crianças comendo chocolate com o rosto pintado imitando coelhos?
Pois bem, a resposta para isso está em sua origem. E qual a sua origem?

Devemos remontar à época em que Páscoa (hebr.: pé·sahh; gr.: pá·skha) foi instituída. Isso ocorreu na noite que precedeu o Êxodo do Egito pelos judeus. A primeira Páscoa foi celebrada por volta da época da lua cheia, no dia 14 do mês judaico de abibe (mais tarde chamado nisã) do ano 1513 a.C. Dali em diante, deveria ser celebrada anualmente. Abibe (nisã) cai nos meses de março-abril do nosso calendário gregoriano. A Páscoa era seguida de sete dias da Festividade dos Pães Não Fermentados (antiga festividade judaica). A Páscoa comemora a libertação dos israelitas do Egito e serem os seus primogênitos ‘passados por alto’ quando Deus destruiu os primogênitos do Egito. Quanto à época do ano, caía no início da colheita da cevada. Essa era basicamente a forma como se comemorava a Páscoa nos tempos bíblicos. Mas, e hoje?

A atual comemoração da Páscoa possui outros elementos que foram acrescentados posteriormente, alguns até mesmo de origem pagã como o nome inglês para Páscoa - Easter - e é aí que entramos com o lado obscuro da Páscoa. 


A imagem acima retrata uma idealização da deusa Astarte esposa de Baal,
é  deusa da guerra e da perseguição. Fora de Ugarit, muitas estátuas nuas
da deusa foram identificadas com ela como uma deusa da fertilidade e do
sexo. Em Sidon mereceu sacerdotes e sacerdorizas reais. Lá serviu como
uma deusa da fertilidade, amor, guerra e da vitalidade sexual e até para
esse fim, teve prostitutas sagradas. Era a grande deusa dos Fenícios e foi
identificada como Aphrodite pelos gregos. Contem a fúria de Baal quando
pretende atacar os mensageiros de Yam.
 Atualmente a celebração inclui emblemas de coelhos, cestos cheios de ovos vistosamente coloridos e pãezinhos quentes marcados com uma cruz, elementos que não faziam parte da Páscoa original. Além disso, a Páscoa atual possui emblemas que no passado estiveram associados ao sexo, às orgias e a muito sangue. A primavera era sagrada para os adoradores do sexo na Fenícia. A sua deusa da fertilidade, Astartéia, Astarte ou Istar (Afrodite para os gregos), tinha como símbolos o ovo e a lebre (mais tarde o coelho seria adotado pelos cristãos como simbolo da Páscoa). Istar tinha uma insaciável sede de sangue e de sexo imoral. Suas estátuas variadamente a representavam com órgãos sexuais grosseiramente exagerados, ou com um ovo na mão e um coelho ao lado. A prostituição sagrada fazia parte de seu culto. Em Canaã, a deusa do sexo era considerada esposa de Baal. Ela era honrada com inebriantes orgias sexuais, crendo os adoradores que suas relações sexuais ajudavam a realizar o pleno despertar e união conjugal de Baal com a sua esposa. Segundo o livro Recent Discoveries in Bible Lands (Descobertas Recentes em Terras Bíblicas), “em nenhum outro país se encontrou um número tão relativamente grande de figuras da nua deusa da fertilidade, algumas distintamente obscenas”.

Debaixo de seus memoriais em Cartago, descobriram-se urnas vivamente coloridas contendo os ossos carbonizados de criancinhas. Seus pais, em geral pessoas de projeção e título, procuravam a bênção dos deuses sobre sua riqueza e influência. Algumas urnas continham os restos de várias crianças de diferentes idades, talvez da mesma família.

Calma! esta postagem não se propõe a fazer nenhum tipo de contra apologia à Páscoa, até porque qualquer um poderia argumentar que as antigas práticas pagãs, mais tarde relacionadas à Páscoa ou a qualquer outra forma de adoração não têm o mesmo significado para a Páscoa de hoje. O meu objetivo é demonstrar que algo de sombrio e nefasto pode estar implícito mesmo nas coisas mais "meigas" como uma inocente comemoração da Páscoa. 

25 de dezembro de 2010

As origens pagãs do Natal

Então é natal! Época de festas e de comemoração ao nascimento do filho de Deus! Será...?

Nesta época do ano é muito comum assistirmos o modo como as famílias reúnem-se ao redor de todas crenças natalinas cuja tradição associa ao nascimento de Cristo. O que a maioria das pessoas não sabe, no entanto é como tais tradições podem estar permeadas de significados pagãos - muitos dos quais, aliás seriam impensáveis para uma festividade cristã. Uma parte considerável das pessoas que tem acesso a alguma informação está a par de que 25 de dezembro não corresponde ao nascimento do Cristo. Na realidade até mesmo a New Catholic Encyclopedia reconhece que “A data do nascimento de Cristo não é conhecida. Os Evangelhos não indicam nem o dia nem o mês.”
Além disso há uma vasta documentação atestando que o Natal e seus costumes foram adotados de fontes não-cristãs. De fato, a revista U.S. Catholic disse: “É impossível separar o Natal de suas origens pagãs.”

A maioria dos costumes agora associados ao Natal originalmente não eram costumes cristãos, mas sim costumes pré-cristãos e não-cristãos adotados pela igreja cristã. As saturnais, festa romana celebrada em meados de dezembro, forneceu o modelo para muitos costumes festivos do Natal. Dessa celebração, por exemplo, derivam-se os banquetes suntuosos, a troca de presentes e a queima de velas. A troca de presentes na festa de meados do inverno quase seguramente começou mais como costume mágico do que como simples costume social. Os presentes das saturnais incluíam bonecas de cera para crianças. Na época, um costume encantador, sem dúvida, mas com um passado macabro: mesmo os contemporâneos consideravam isso como provavelmente um vestígio de sacrifícios humanos, de crianças, para ajudar na semeadura.





O jornal The New York Times de 24 de dezembro de 1991 publicou um artigo sobre as origens dos costumes natalinos, entre os quais a troca de presentes. Simon Schama, professor de História na Universidade de Harvard, escreveu: “O Natal foi acrescentado às antigas festas que celebravam o solstício de inverno . . . No terceiro século, quando cultos ao Sol, como a religião mitraísta da Pérsia, chegaram a Roma, cederam-se dias em dezembro para a celebração do renascimento do Sol invicto: o Sol invencível. . ." .

A primitiva Igreja em Roma travou uma batalha especialmente difícil contra duas outras grandes festas pagãs: as saturnais, de uma semana de duração, que começavam em 17 de dez., e as calendas, que saudavam o Ano-Novo. A primeira festa era uma ocasião de anarquia autorizada, muitas vezes presidida por um chefe de folia, não o Papai Noel, mas o gordo Saturno das orgias com comida, bebida e outros tipos de travessuras. Mas era nas calendas, quando o ano mudava, que se trocavam presentes de modo ritualístico, muitas vezes amarrados a galhos de árvores que decoravam as casas durante as festividades (lembra alguma coisa?).

A atitude da primitiva igreja para com toda essa indecente alegria foi previsivelmente gélida. Os pais da igreja, notadamente o fulminante S. João Crisóstomo, não incentivavam a transigência com abominações pagãs. Visto que não havia um acordo geral sobre a data exata do nascimento de Jesus, deve ter parecido útil fazê-la substituir as saturnais. Portanto, o renascimento do Sol tornou-se o nascimento do Filho de Deus.

Da mesma maneira, as calendas foram substituídas pela Festa da Epifania, e os presentes e jóias que os romanos pagãos davam uns aos outros tornaram-se a homenagem prestada pelos três reis ao novo Rei do Mundo. Por volta de meados do quarto século, os aspectos básicos do calendário natalino foram estabelecidos permanentemente.

19 de novembro de 2010

Lilith e a crônica de Caim

Abaixo trecho de O Livro de Nod onde é narrada a história de Caim segundo uma versão diferente daquela corrente do Gênesis cristão. No trecho reproduzido conta-se como Caim, depois de ter sido expulso de sua terra pelo Único Acima [Deus], teria sido encontrado por uma mulher que lhe acolheu e o introduziu às artes secretas do sangue.

A mulher em questão era Lilith a primeira esposa de seu pai, Adão.
"Eu sonho com os primeiros tempos; a memória mais longa; eu falo dos primeiros tempos; o mais velho Pai que eu canto dos primeiras tempos e o amanhecer da Escuridão. Em Nod, onde a luz do paraíso ilumina o céu noturno e as lágrimas de nossos pais molharam o solo, cada de nós, de algum modo, define viver e levar nosso alimento da terra.

E eu, Caim o primeiro-nascido, eu, com coisas afiadas, plantei as sementes, no escuro as molhei nas suas covas de terra, as assisti crescer; e Abel, o segundo-nascido Abel, cuidou os animais ajudado por seus herdeiros de sangue e alimentaram-se deles, os assistiam crescer.

Eu o amo, meu Irmão. Ele era o mais luminoso, o mais doce, o mais forte. Ele foi o primeiro motivo de toda minha alegria. Então um dia que nosso Pai disse a nós: Caim, Abel, sobre Mim vocês tem que fazer um sacrifício – um presente da primeira parte de tudo aquilo que vocês têm. E eu, Caim o primeiro-nascido, eu juntei os brotos tenros, as frutas mais luminosas, a mais doce grama. E Abel, o segundo-nascido, Abel sacrificou o mais jovem, o mais forte, o mais doce dos seus animais. No altar de nosso Pai nós pusemos nossos sacrifícios e acendemos fogo debaixo deles e assistimos que a fumaça os levasse até o único Acima. O sacrifício de Abel, o segundo-nascido, cheirou docemente ao único Acima e Abel foi santificado. E, eu, Caim o primeiro-nascido, eu fui golpeado de além por uma palavra severa e uma maldição, por meu sacrifício ser desmerecido. Eu olhei o sacrifício de Abel, ainda fumegando, a carne, o sangue. Eu chorei, eu cerrei meus olhos eu rezei noite e dia; e quando o Pai disse: o tempo por sacrifício veio novamente e Abel conduziu seu mais jovem, seu mais doce, seu mais amado para o fogo sacrificial, eu não levei o meu mais jovem, meu mais doce, porque eu sabia o único Acima não os quereria.
E meu irmão, amado Abel disse para mim, Caim, você não trouxe um sacrifício, um presente da primeira parte de sua alegria, para queimar no altar do único Acima. Eu chorei lágrimas de amor por mim e então, com ferramentas afiadas, sacrifiquei a que foi a primeira parte de minha alegria, meu irmão. O sangue de Abel cobriu o altar e cheirou docemente quando queimou. Mas meu Pai disse "Amaldiçoado é você, Caim que matou seu irmão". Eu fui expulso assim como deveria ser e Ele me exilou para vagar na Escuridão, na Terra de Nod. Eu voei na Escuridão; não vi fonte de luz e eu tive medo. Eu estava só.


A Magia de Lilith

Eu estava só na Escuridão e eu tive fome. Eu estava só na Escuridão. E eu tive frio. Eu estava só na Escuridão e eu chorei. Então veio até mim uma doce voz, uma voz de mel. Palavras de auxílio. Palavras de conforto. Uma mulher, sombria e adorável, com olhos que perfuravam a escuridão, veio a mim.
"Eu conheço sua história", Caim de Nod. Ela disse, sorrindo. "Você tem fome. Venha! Eu tenho comida. Você tem frio. Venha! Eu tenho roupas. Você está triste. Venha! Eu tenho conforto." Quem confortaria um amaldiçoado como eu? Quem me vestiria? Quem me alimentaria ? "Eu sou a primeira esposa de seu Pai, aquela que discordou com o único Acima e ganhou Liberdade na Escuridão. Eu sou Lilith. Uma vez, eu tive frio, e não havia nenhum calor para mim. Uma vez, eu tive fome, e não havia nenhuma comida para mim. Uma vez eu estava triste, e não havia nenhum conforto para mim."




Ela me alojou, ela me alimentou. Ela me vestiu. Nos braços dela, eu achei conforto. Eu chorei até sangue gotejou de meus olhos e ela os beijou. E eu morei durante um tempo na Casa de Lilith e lhe perguntei: "Fora da Escuridão, como você construiu este lugar? Como você fez roupas? Como você cultivou comida?" E Lilith sorriu e disse, ao contrário de você, eu estou "Acordada". Eu vejo as Linhas que giram ao redor de você. Eu faço o que eu preciso com Poder. "Desperte-me, então, Lilith" - eu disse. "Eu tenho necessidade deste Poder. Então, eu poderei fazer minhas próprias roupas, fazer minha própria comida, fazer minha própria casa."

A preocupação dobrou as sobrancelha de Lilith. "Eu não sei o que fazer para você Despertar, porque você verdadeiramente é amaldiçoado por seu Pai. Você poderia morrer. Você poderia mudar para sempre." Caim disse: 'Mesmo assim, uma vida sem Poder não será pago vivendo. Eu morreria sem seus presentes. Eu não viverei como seu Thrallî." Lilith me amou, e eu soube isto. Lilith faria o que eu pedi, entretanto ela não desejou isto. E assim, Lilith, os olhos brilhantes de Lilith, me Despertaram. Ela se cortou com uma faca sangrou para mim em uma tigela. Eu bebi profundamente. Era doce. E então eu entrei no Abismo. eu caí eternamente, caindo na escuridão mais profunda.

A Tentação de Caim


E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite. E o arcanjo o Michael se revelou para mim. Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria. Michael, General do Céu, portador da Chama Santa, disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande, e também a clemência de meu Pai é grande. Você não se arrependerá do mal que você fez, e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo?" E eu disse a Michael: "Não por graça do único Acima, mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho." Michael me amaldiçoou dizendo: "Então, que você caminhe nesta terra; você e suas crianças temerão minha chama viva, que morderá profundamente e saboreará sua carne." E pela manhã, Raphael veio iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste. Raphael disse: "Caim de Adão, filho de Eva, seu irmão Abel o perdoou de seu pecado; você se arrepende e aceita a clemência do Todo-Poderoso?" E eu disse a Raphael: "Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão." Raphael me amaldiçoou, dizendo "Então, que você caminhe nesta terra, você e suas crianças temerão o amanhecer, e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol levar sua ira até você". Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol. Profundamente na terra, eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite. Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim - Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão. Uriel falou quietamente a mim, dizendo: "Filho de Adão, Filho de Eva, o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado. Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado?" E eu disse a Uriel escuro alado: "Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará." E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo: "Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão. Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas. Você sempre será como você estava na morte. Nunca morrerá, se mantendo vivo. Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada, até os últimos dias."
Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne. Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi. Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil, Gabriel o senhor da clemência, apareceu a mim. O arcanjo Gabriel disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva – vá! A clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de clemência que você chamará de Golconda e fala para suas crianças disto, para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais." E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith. Olhando ao redor de mim, eu soube que tinha Despertado.

Quando minhas primeiras energias surgiram através de mim eu descobri como me mover como o raio [Celeridade], como obter a força da terra [Potência], como ser como pedra [Resistência]. Lilith então mostrou para mim, como ela se esconde de caçadores [Ofuscação], como ela ordena obediência [Dominação], e como ela exige respeito [Presença]. Então, despertando-me adiante, eu achei o modo para alterar formas [Metamorfose], o modo de ter domínio sobre animais [Animalismo], o modo para fazer olhos ver o passado [Auspícios]. Então Lilith mandou que eu parasse, dizendo que eu tinha alcançado meus limites. Que eu tinha ido muito distante. Que eu ameacei minha essência. Ela usou seus poderes e me comandou que parasse. Por causa do seu poder, eu atendi, mas profundamente dentro de mim uma semente foi plantada, uma semente de rebelião e quando ela virou sua face para mim, eu me abri mais uma vez, para a Noite, e vi as possibilidades infinitas nas estrelas e soube que um caminho de poder, um caminho de Sangue eu tomei, e assim despertado em mim este Caminho Final, do qual todos os outros caminhos cresceriam. Com este mais novo poder, eu quebrei os laços que a Senhora da Noite que me vestiu. Eu deixei a Rainha Maldita naquela noite, me escondendo nas sombras, eu fugi as terras de Nod e vim para um lugar onde os demônios dela não poderiam me achar."

FONTE: Ayisha Jocastian. Livro de Nod. As Crônicas de Caim, 2002. IN ScribD
Segue abaixo link para download do livro

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9 de novembro de 2010

Demonolatria 2ª parte

Na postagem anterior sob o título Demonolatria eu abordei, com base no texto traduzido por Ligia Cabus, a questão da origem da adoração do Mal como sendo anterior a adoração do Bem, nesta continuação veremos que práticas de adoração ao "Mal" estão presentes, ou pelo menos podem ser percebidas como características cerimoniais mórbidas, até mesmo em cerimônias de adoração ao bem atualmente, como remanescentes de uma idéia de apaziguamento do mal.

As antigas e clássicas civilizações também carregam esse feio passado em sua história (a saber o sacrifício humano). Os sacrifícios humanos são freqüentemente mencionados na Bíblia. Como no episódio do rei de Moabe (2ª Reis, 3:26,27).


"Quando o rei de Moabe viu que a batalha se mostrou forte demais para ele, tomou consigo imediatamente setecentos homens que puxavam da espada para romperem até o rei de Edom, mas não puderam. 27 Por fim tomou seu filho primogênito que ia reinar em seu lugar e o ofereceu como sacrifício queimado sobre a muralha. E veio a haver grande indignação contra Israel, de modo que se retiraram de ir contra ele e retornaram ao seu país.".

Os profetas pregaram muitas vezes contra a prática pagã entre israelitas que, imitando a religião de seus vizinhos, sacrificavam seus filhos e filhas aos demônios ou então faziam-nos passar através do fogo de Moloch (ou Moloque), para serem devorados pelas chamas.

Moloque era uma deidade especialmente associada com os amonitas (habitantes da terra de amon); possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Link para o site de origem da imagem de Moloque. (site em inglês)







As nações mais civilizadas do mundo preservam em suas mitologias a memória de, em um tempo primitivo de seu desenvolvimento religioso, imolarem seres humanos para tornar propícias as divindades irritadas. Quando Atenas estava no auge de sua glória, Eurípedes [485-406 a.C. ─ dramaturgo grego] representava o drama do trágico destino de Polixena, que foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles para acalmar o espírito do herói morto assegurando, deste modo, um retorno seguro dos guerreiros gregos.


Os sacrifícios humanos são uma característica central na adoração aos "demônios", mas não é única. Existem outras práticas diabólicas baseadas na idéia de que este tipo de deidade tem prazer em testemunhar a tortura e a maior das abominações, o canibalismo. O canibalismo, como explicam os antropólogos, jamais resulta de uma escassez de comida; não. O canibalismo não é uma simples refeição. Antes, é um ritual religioso, justificado por superstições, crenças, especialmente a idéia de que partilhar [como lanche...] o coração ou o cérebro do adversário proporciona absorver a coragem, a força e outras virtudes do sacrificado. Seriam os rituais antropofágicos, presentes também, pelo menos no passado, na tradição cultural de tribos indígenas brasileiras. (Nota pessoal do autor deste blog)





Esta relação entre comer o semelhante para apoderar-se de suas virtudes, esse pensamento que implica práticas tão brutais, ainda permanece diluída na simbologia mais importante da religião mais poderosa do planeta: o cristianismo. Em particular, o cristianismo católico, com sua cerimônia da Transubstanciação: o pão no corpo, o vinho no sangue de Jesus. Ainda que os padres apelem para todas as justificativas, sejam teológicas, semióticas ou simplesmente misteriosas, essa referência ao beber sangue e comer o corpo é, no mínimo, uma coisa mórbida. A inocente transubstanciação operada nas missas serve como péssima inspiração para a deturpação da prática dando origem a seitas instituídas por psicopatas-criminosos de todo tipo. A Religião nasceu do medo. A religiosidade dos selvagens demonstra isso muito bem. O medo do mal é notável e, por isso, os primeiros esforços foram feitos no sentido de estabelecer uma relação amigável com os agentes do Mal, e não do Bem; porque o Bem não causa transtornos. A demonolatria existe hoje. Está nas manchetes policiais do mundo inteiro; e vai continuar existindo até que o senso comum do homem mediano perceba ou resgate o significado das palavras e a delicada relação ontológica* entre o Bem, o Bom e o Belo.
*Ontológica:Referente à ontologia: ciência que investiga a natureza do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independente da matéria e
das especulações acerca da essência, substância e acidentes.

1 de setembro de 2010

O Nazismo e Suas Inspirações Ocultas 2ª parte - Como Himmler Caiu Sob o Feitiço das Bruxas

O líder da SS Heinrich Himmler estava tão obcecado com a bruxaria que cuidou para que a SS saqueasse 140 mil livros sobre o assunto de bibliotecas de toda a Europa e criou uma unidade para investigar e divulgar o assunto.
O âmbito de estranho fascínio de Himmler foi divulgado em um livro escrito por uma equipe de pesquisadores históricos na Alemanha. Quando um bibliotecário de Poznan (Polônia) tropeçou na biblioteca de bruxaria em um palácio barroco na Baixa Silésia, ele observou que vários livros tinham sido marcados em páginas onde as torturas foram descritas. Ele assumiu que o chefe da SS fora estudar técnicas de tortura.
No entanto, os autores, liderados por Sönke Lorenz, um acadêmico de Tübingen, argumentam que Himmler estava tentando provar que a perseguição às bruxas no século XVII representava uma espécie de holocausto da raça alemã realizada pela Igreja Católica Romana. Himmler é citado como dizendo: "Ao custo da caça às bruxas do povo alemão centenas de milhares de mães e mulheres, foram cruelmente torturadas e executadas”. Os autores acreditam que a SS implantou suas equipes para descobrir vestígios de uma cultura germânica antiga que sobrevivera à caça às bruxas.
A SS elaborou um índice com 33.846 casos de pessoas queimadas na Alemanha e em lugares distantes como Índia e México, numa tentativa de sustentar a tese de Himmler.
Seu interesse pelo ocultismo pode ter começado em 1928 quando, como um criador de galinhas, casou-se com Margarete Boden, filha de um fazendeiro da Prússia, que se envolveu em homeopatia, fitoterapia e mesmerismo. Em 1929, Hitler nomeou-o chefe de sua guarda pessoal dos “300 fortes”, o uniforme preto Schutzstaffel (SS). Eventualmente Himmler, um ideólogo racial fanático, ficou na cabeça de uma enorme máquina repressiva incluindo não só a SS, a Waffen SS e a Gestapo, mas também no controle dos campos de concentração. Ele supervisionou o projeto Lebensborn (já mencionado anteriormente) que visava criar um super-raça nórdica.

Reinhard Heydrich, chefe do Serviço de Segurança do Reich, relatou que seu patrão em 1939 havia descoberto o caso de uma bruxa chamada Margareth Himbler, queimada na Alemanha em 1629. A semelhança de nomes encorajou o interesse de Himmler na reabilitação das bruxas alemãs.

O objetivo era publicar uma série de livros curtos com destaque individual para as bruxas alemãs e restaurar parte de seu glamour perdido. Em abril de 1942, o projeto teve pelo menos uma dúzia de temas, incluindo "os efeitos econômicos dos julgamentos de bruxas" e "o fundamento intelectual do complexo de bruxa". Seminários patrocinados pela SS seriamente discutiam as implicações biológicas para a raça alemã ao matar tantas mulheres.

Muitos estudiosos têm argumentado que era a mulher que parecia mais independente das normas patriarcais - especialmente as idosas que viviam fora dos parâmetros da família patriarcal - que eram constantemente acusadas de bruxaria.

13 de julho de 2010

Pentagrama

Segundo Eliphas Levi: "O pentagrama é o signo da onipotência e da autocracia intelectual. O signo do Verbo feito carne e, segundo a direção dos seus raios, este símbolo absoluto em magia representa o bem ou o mal, a ordem ou a desordem, o cordeiro bendito de Ormuz e de São João, ou o bode de Mendés. É a iniciação ou a profanação, a vitória ou a morte, a luz ou a sombra. Elevado no ar, com duas pontas para cima, representa satã, ou o bode da missa negra; com apenas um dos raios para cima, é o Salvador."



Pentagrama invertido
O pentagrama é a figura do corpo humano, com quatro membros e uma única ponta, que deve representar a cabeça. Uma figura humana, de cabeça para baixo, representa, naturalmente, o demônio, ou melhor, a subversão intelectual, a desordem, a loucura.




Maçonaria
O Pentalpha é geometricamente é composto de cinco "As", pois cada ângulo tem a forma desta letra. Na Maçonaria é o emblema da virtude e do dever. O homem microcósmico (pequeno universo) era associado ao Pentalpha, sendo o símbolo entrelaçado ao trono do mestre da Loja.
A primeira letra do alfabeto grego e letra inicial dos vocábulos gregos utilizado para designar: ver, ouvir, meditar, bem agir e calar (ATREO, AISTO, ADALESQUE, AGATOPOEIRO, ABAQUIDZI).


Wicca e paganismo
Para os ritos pagãos, o Pentagrama é uma chave que se utiliza nos Rituais para abrir as portas de acesso ao Plano Espiritual. Simboliza os quatro elementos unidos pela Vontade do Mago, estando cada um num vertice, começando da esquerda para a direita: Água, Fogo, Terra, Ar e o último, que está em cima, Espírito, (notaram alguma semelhança com o enredo do filme O Quinto Elemento, onde o espirito humano está cercado pelos quatro elementos?). O Espírito é a Vontade, a Intenção que o Mago coloca nos seus trabalhos, que dominando os elementos que constituem a parte física deste mundo, consegue ou não atingir os seus objectivos.

Pentagrama na mitologia
Era um símbolo da deusa romana Vênus.
Era cultuado desta forma na natureza, como a forma que o planeta Vênus faz durante a aparente retroação de sua órbita.

Magna Dea

Mãe Tríplice de Susan Seddon Boulet



"A deusa mãe (ou Grande-mãe) é um símbolo Arquetípico associado a Mãe Terra, que serve como deidade da fertilidade e está intimamente ligado ao simbolismo da água como matriz dos seres. Como se pode verificar na Etimologia (fr.Mère).
Esta deusa é representada nas tradições ocidentais de muitas formas, das imagens talhadas em pedra de Cibeles a Dione, deusa invocada em Dodona, junto com Zeus, até finais da época clássica. Entre os hinos homéricos (séculos VII-VI a.C.)"

Ainda de acordo com a psicologia, segundo Jung que a definiu como a figura da Grande mãe como um símbolo da Matéria - o que explica o profundo sentido emocional da Mãe Terra.
Um outro conceito que poderíamos explorar melhor é do envolvimento que existe entre o conceito de maternidade e as deidades ao redor do mundo nas diversas formas de religião ou formas de culto, por isso no restante da postagem publicarei uma pequena relação de deusas-mães.
Deusas sumérias, mesopotâmicas e gregas
Tiamat na mitologia suméria, Ishtar (Inanna) e Ninsuna na Mitologia caldeia, Asherah em Canaã, Astarté na Síria e Afrodite na Grécia.

Deusas celtas
A deusa irlandesa Annan, às vezes conhecida como Dana, tem um impacto como deusa mãe, a julgar pelo Dá Chích Anann cerca de Killarney (Condado de Kerry). A literatura irlandesa nomeia a última e mais favorecida geração de deuses como ‘o povo de Danu’ (Tuatha de Dannan), Ceridween.









Deusas nórdicas
Entre os povos germânicos provavelmente foi adorada uma deusa na religião da Idade de Bronze Nórdica, que mais tarde foi conhecida como Nerthus na mitologia germânica, e que possivelmente seu o culto persistiu no culto a Freya da mitologia nórdica. Sua equivalente na Escandinávia era Njörðr, peculiarmente, uma deidade masculina.




Deusas gregas
Nas culturas do Egeu, Anatólia e no antigo Oriente Próximo, uma deusa mãe foi venerada com as formas de Cibeles (adorada em Roma como Magna Mater, a ‘Grande Mãe’), de Gea e de Rea. As deusas olímpicas da Grécia clássica tinham muitos atributos de deusa mãe, como se vê em Hera e Deméter.

Deusas romanas
A equivalente de Afrodite na mitologia romana, Vênus, foi finalmente adotada como figura de deusa mãe. Era considerada a mãe do povo romano, por ser a de seu ancestral, Eneas, e antepassado de todos os subseqüentes governantes romanos. Magna Dea é a expressão latina para ‘Grande Deusa’, e pode aludir a qualquer deusa principal adorada durante o Império Romano. O título Magna Dea podia aplicar se a uma deusa a origem de um pantão, como Juno ou Minerva, ou a uma deusa adorada monoteisticamente.

Deusas mães turcas siberianas
Umai, também conhecida como Ymai o Mai, é a deusa mãe dos turcos siberianos. É representada com sessenta tranças douradas, que parecem raios de sol.

Conceitos de deusas mãe no hinduísmo
O Rig Veda (O Livro dos Hinos, é o Primeiro Veda e, o mais importante, pois todos os outros derivaram dele.) chama o poder divino feminino de Mahimataum, termo que significa literalmente ‘mãe terra. ’

Shaktismo
Para o shaktismo, uma forma de hinduismo fortemente relacionada com as filosofias hindus de Vedanta, a Samkhya e o Tantra, Shaktí denota uma energia, que sustenta a mulher como parceira, a qual é cultuada como deusa viva.

Conceitos de deusas mães no cristianismo

Leonardo da Vinci - Madonna Litta
Muitos cristãos vêem Maria, a Theotokos (do grego Θεοτόκος), que significa “Mãe de Deus”, como uma “mãe espiritual”, já que ela preenche não apenas um papel maternal como é freqüentemente vista como uma força protetora e intercessora divina pela humanidade, mas ela não é adorada como uma “deusa mãe” divina.
A Virgem Maria recebe muitos títulos no Catolicismo, como Rainha do Céu e Stella Maris, que são familiares em tradições ocidentais mais antigas. Devido a esta correlação, protestantes freqüentemente acusam católicos de ver Maria como uma deusa, mas a Igreja Católica sempre condenou a adoração da Virgem Maria. Parte desta acusação se deve à prática católica de rezar como uma forma de comunicação, mais que como uma forma de veneração.
A bíblia se refere à Sabedoria Divina personificada (Hagia Sophia) em termos femininos. Muitos cristãos são católicos e acreditam que o Deus Pai é masculino e que Jesus era um homem. A igreja é a contraparte feminina de Deus e a noiva de Jesus.
Os Gnósticos
A Sabedoria. Nome atribuído a Maria Mãe de Jesus – Nossa Senhora. Em alguns textos de filosofia Gnóstica é utilizado como entidade feminina do início da criação do universo: “.. O Sagrado disse a ele: Eu quero que tu saibas que o Primeiro Homem é chamado O Criador (ou O que foi Gerado), Mente Auto-Aperfeiçoada. Ele refletia com a Grande Sophia, sua consorte, e revelou a primeira-criatura, filho andrógino. Seu nome masculino é designado Primeiro-Gerado, Filho de Deus, seu nome feminino: Primeira-Gerada, Sophia, Mãe do Universo, alguns a chamam de Amor.”

Wicca
Na religião Wicca acredita-se em uma força superior, a Grande Divindade, de onde tudo veio. Essa força superior é adorada sob a forma de duas divindades básicas: A Grande mãe e O Grande Pai (seu filho e consorte, o Deus Cornífero (De-Pater; Slough Feg; Gamo-Rei; Cernnunos), representa a fertilização). Esse Casal Divino representa todos os demais deuses das diversas mitologias adotadas pelos wiccanos. Como algumas tradições wiccanas seguem uma infinidade de Deusas e Deuses, a crença pagã é que todas essas deusas e todos esses deuses são aspectos diferentes da Grande Deusa e do Grande Deus. Daí o ditado da Wicca que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus”.
A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: “Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna”. Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, a lua nova e crescente associada a Donzela, na lua cheia a Mãe e a lua minguante a Anciã. Importante frisar neste momento a associação a Deusa Diana, senhora da Lua.

12 de julho de 2010

Baphomet

Baphomet não é propriamente o diabo, é uma figuar iniciática, e cuja representação mais conhecida é devida ao ocultista Eliphas Levi (Alphonse Luís Constant).

História do Baphomet
A história em torno do Baphomet foi intimamente relacionada com a da Ordem do Templo, ou Ordem dos Templários, pelo Rei Filipe IV de França e com apoio do Papa Clemente V, ambos com o intuito de desmoralizar a ordem, pois o primeiro era seu grande devedor e o segundo queria revogar o tratado que isentava os Cavaleiros Templários de pagar taxas a igreja Católica.
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Ordem do Templo, foi fundada no ano de 1118. O objetivo dos cavaleiros templários era supostamente proteger os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. Eles receberam como área para sua sede o território que corresponde ao Templo de Salomão, em Jerusalém, e daí a origem do nome da Ordem.
Segundo a história, os Cavaleiros tornaram-se poderosos e ricos, mais que os soberanos da época. Segundo a lenda, eles teriam encontrado no território que receberam documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Segundo alguns, eles ficaram com a tutela do Santo Graal (a respeito do qual falarei mais em outra postagem) além de outros tesouros da tradição católica.
Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, sob as ordens de Felipe, o Belo (homem torpe e grande devedor de dinheiro para a Ordem e favores para o grão-mestre Jacques DeMolay, sendo este inclusive padrinho de seu filho) e com o apoio do Papa Clemente V, os cavaleiros foram presos, torturados e condenados à fogueira, acusados de diversas heresias. Daí o motivo de sexta-feira 13, na cultura ocidental, estar associada a maus presságios.

A Igreja acusava os templários de adorar o diabo na figura de uma cabeça com chifres que eles chamavam Baphomet (a partir daí criou-se a crença de um demônio chifrudo), de cuspir na cruz, e de praticar rituais de cunho sexual, inclusive práticas homossexuais (embasado no símbolo da Ordem, que era representado por dois Cavaleiros usando o mesmo cavalo). O Baphomet tornou-se o bode expiatório da condenação da Ordem pela Igreja Católica e da matança de templários na fogueira que se seguiu a isto.

Origem da expressão “Baphomet”
A origem da palavra Baphomet ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde uma corruptela de Muhammad (Maomé – o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego “Batismo de Sabedoria”. Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus Baal; Pho, que derivaria do deus Moloc; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set.
A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para “sabedoria”.

Significados possíveis
-O símbolo fálico de Baphomet, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher e o pênis é metaforicamente representado por um Caduceu. Este tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha) (andrógino), com a qual o ocultismo tem relação.
- O falo do Baphomet é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini e as energias sexuais ativadas, a virilidade e todo o desenvolvimento dos chakras.
-A imagem possui a cabeça com características de chacal, touro e bode, representando os chifres da sabedoria, virilidade e abundância. O chacal representa Anúbis (o deus-chacal) e também o “Mercúrio dos Sábios”, o Touro representa o elemento terra e o “Sal dos Filósofos” e o bode representa o Fogo e o “Enxofre fixo”. Juntos, a cabeça da imagem representa os três princípios da Alquimia.
-A tocha entre seus chifres representa a sabedoria divina e a iluminação. Tochas estão associadas ao espirito nos 4 elementos e colocadas sobre a cabeça de uma imagem representam a inspiração divina. Isso pode ser observado até os dias de hoje, em personagens de quadrinhos que, quando tem uma idéia, aparece uma lâmpada sobre suas cabeças. (curioso, não?). Além disso, a tocha pode também representar os ideais iluministas, como na estátua da liberade em Nova York.
-A figura do Baphomet também é relacionada as virgens que apresentavam anomalias em seus bustos. As virgens de 3 mamilos e as virgens de apenas 1 seio era tatuadas com a cabeça do Baphomet para que nenhum homem pudesse tocá-las. Diziam que as mulheres com tais anomalias genéticas eram amaldiçoadas.
-O conjunto dos dois chifres também representam as duas colunas na Árvore da Vida e o fogo sendo o equilíbrio entre elas. A lua branca representa a magnanimidade de Chesed (Júpiter) e a lua negra o rigor de Geburah (Marte).
- O pentagrama na testa de Baphomet representa Netzach (Vênus), o Pentagrama, o símbolo da proteção e da magia. Importante notar que ele se encontra voltado com a ponta para cima. As pernas cruzadas associadas ao cubo representam Malkuth, a manifestação final das forças da Árvore da Vida, o último estágio da energia onde ela se solidifica. Porém, Malkuth não é formada apenas pela matéria, mas também seu aspecto psíquico e sutil.
- Nos braços do Baphomet estão escritos “Solve” no braço que aponta para cima e “Coagula” no braço que aponta para baixo. Solve representa “dissolver a luz astral” e coagula significa “coagular esta luz astral no plano físico”. Em outras palavras: tudo aquilo que você desejar e mentalizar no plano astral irá se manifestar no plano físico.
- Os braços nesta posição representam o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”, ou “O microcosmo é igual ao macrocosmo”, ou “Assim na Terra como no Céu”.
Os quatro elementos estão encerragos em alegorias:
Escamas, representando o domínio sobre as águas, ou emoções.
Asas, representando o domínio sobre o Ar, ou a razão.
Patas de bode, representando seu domínio sobre a Terra, ou o material. Também representam a escalada espiritual.
Fogo em seus chifres, representando o domínio sobre o Fogo.
- Os seios representam a maternidade e a fertilidade, e também o hermafroditismo, simbolizando que a alma não possui sexo e que não “somos” homens ou mulheres, mas “estamos” homens ou mulheres.
-A figura representa a Esfingie, aquela que guarda os portais das iniciações, pela qual os covardes não passarão. Aquele que teme uma figura por pura ignorância nunca será um iniciado.
- A imagem está parcialmente coberta, parcialmente vestida, representando que o corpo não está apenas no plano material (roupas), mas por debaixo da matéria está também o espírito (parte nua).
- Baphomet está sentado sobre o cubo. O cubo e o número 4 representam o Plano Material, e estar sentado sobre ele representa o domínio sobre o plano material.
Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, onde pode representar o espírito divino que “ligou o céu e a terra”, Isto pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo isto representaria o conceito que diz “assim em cima como embaixo”.

Muito embora várias tenham sido suas supostas representações, a única imagem de Baphomet encontrada em um santuário templário consta de uma cabeça humana com três faces, cada uma representando uma face de Deus (o Deus Judeu, o Deus Islâmico e o Deus Cristão). Hoje sabe-se que a figura do bode de Mêndes, a qual Eliphas Levi atribuiu o “posto” de Baphomet, não passa de uma figura ocultista que nada tem aver com o Baphomet Templário.



Baphomet Por Eliphas Levi
Na classificação e explicação das gravuras de seu livro Dogma e Ritual da Alta Magia, Eliphas Levi classifica a imagem de Baphomet como a figura panteística e mágica do absoluto. O facho representa a inteligência equilibrante do ternário e a cabeça de bode, reunindo caracteres de cão, touro e burro, representa a responsabilidade apenas da matéria e a expiação corporal dos pecados.
As mãos humanas mostram a santidade do trabalho e fazem o sinal da iniciação esotérica a indicar o antigo aforismo de Hermes Trismegisto: “o que está em cima é igual ao que está embaixo”. O sinal com as mãos também vem a recomendar aos iniciados nas artes ocultas os mistérios. Os crescentes lunares presentes na figura indicam as relações entre o bem e o mal, da misericórdia e da justiça. A figura pode ser colorida no ventre (verde), no semicírculo (azul) e nas penas (diversas cores).
Possuindo seios, o bode representa o papel de trazer à Humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, os quais são signos redentores. Na fronte e embaixo do facho encontra-se o signo do microcosmo a representar simbolicamente a inteligência humana.
Colocado abaixo do facho o símbolo faz da chama dele uma imagem da revelação divina. Baphomet deve estar assentado ou em um cubo e tendo como estrado uma bola apenas ou uma bola e um escabelo triangular.

Bibliografia:
Dogma e Ritual de Alta Magia. Eliphas Levi

4 de abril de 2010

TRADIÇÕES PAGÃS NA PÁSCOA

Na Páscoa, é comum a prática de pintar-se ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas. Em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substítuidos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não e citado na Bíblia. Antes, este costume é uma alusão a antigos rituais pagãos. Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica.
A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. A lebre (e NÃO um coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada (claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima. A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade.
De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou novamente, o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.
Estraido do blog Luz do Sol link abaixo:

3 de abril de 2010

O QUE É PAGANISMO?*

"A palavra paganismo deriva do latim "paganus", que literalmente, quer dizer: homem do campo, camponês ou aldeão; um termo usado para se referir as diversas religiões dos antigos camponeses da Europa chamados de pagãos, pelos romanos. E que, até os dias de hoje, é usado equivocadamente para identificar todo aquele que não é cristão ou não foi batizado através dos preceitos comuns da igreja católica.


O paganismo é um dos caminhos que nos leva ao bem maior e à comunhão dos Deuses dentro de nós, em termos religiosos, é o culto e a reconexão com a própria natureza. Alguns celebram o caminho da Arte sozinhos ou com outras pessoas, membros de um mesmo grupo ou tradição, conhecidos como covens, tribos ou clãs.


Existem muitas vertentes dentro do Paganismo, dentre esses caminhos, alguns estão claramente definidos e possuem uma organização própria, outros não. Os caminhos mais conhecidos, hoje em dia são: Reconstrucionismo Celta, Druidismo, Wicca, Odinismo, Ásatrú e Xamanismo.

Há muitos mistérios que envolvem o paganismo. O próprio pentagrama é um deles. Um símbolo pagão muito antigo e, muitas vezes, associado ao "mal" ou quando invertido, ao satanismo e aos rituais satânicos. E que nos dias de hoje se tornou um simbolo, quase que oficial, do paganismo moderno.





Devemos lembrar que o pentagrama não é um símbolo de origem celta. Os antigos celtas contemplavam todo o mistério do círculo e das espirais. Enfim, o paganismo não tem nenhuma relação com satanismo ou magia negra. Numa versão mais moderna, a estrela de cinco pontas representa, os quatro elementos, mais o quinto elemento, como sendo o éter ou espírito divino..."




*o trecho é uma reprodução de um texto da internet. Siga o link de título.