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8 de junho de 2012

Os vampiros búlgaros


Esta matéria foi publicada originalmente no site Sábado


Costume pagão recomendava que estacas de metal fosse cravadas de forma a impedir que o defunto se erguesse como vampiro.

De acordo com o Daily Mail, Dois "esqueletos de vampiros" foram encontrados perto de um mosteiro, na Bulgária. Já são mais de uma centena os cadáveres desenterrados com uma estaca de metal a perfurar-lhe o peito, descobertos em várias escavações por todo o país, afirmam arqueólogos búlgaros ao Medical Daily.

(além da Bulgária outro local que recentemente foi foco dos vampiros desenterrados foi Veneza onde ficou famosa a história da Vampira de Veneza)*

Apesar do nome, estes restos mortais não se tratam de irmãos raciais do território aristocrata que Bram Stocker popularizou no seu romance, Drácula, publicado no final do século XIX. Os "esqueletos de vampiros" são, na verdade, resultado de um costume pagão, popular em algumas aldeias da região Balcã.

Segundo se acreditava, uma estaca de ferro martelada no torso ou no coração dos cadáveres de pessoas particularmente malvadas durante a sua vida, impedia que estes retornassem dos mortos e se alimentassem dos vivos, dizem os arqueólogos do país.

À Fox News, Bozhidar Dimitrov, presidente do museu de História Nacional da Bulgária, refere que na semana passada foram encontrados mais dois esqueletos que obedeciam a estas características. Durante as pragas que assolaram o continente europeu entre os séculos XIV e XVIII, os coveiros que reabriam as campas comuns deparavam-se por vezes com cadáveres que aparentavam estar intactos. Historiadores ouvidos pelo Daily Mail acreditam que este pode ter sido um dos motivos que originou o mito dos vampiros, por se crer que estes não se tinham decomposto por se alimentarem dos restantes defuntos.

O mito medieval é visitado recorrentemente na cultura de ficção ocidental. Contudo, os dois esqueletos recentemente descobertos, com cerca de 700 anos de idade, são exemplo de uma prática que perdurou até o início do século XX.

*Acréscimo pessoal

19 de outubro de 2011

A Vampira de Veneza


A crença na existência de vampiros, sejam eles esteriótipos tradicionais como aqueles criados na primeira metade do século XX baseados na obra de Bram Stoker e cuja expressão maior foi o Drácula personificado por Bela Lugosi ou aqueles cuja ancestralidade de sua aparência certamente faria qualquer fã da franquia Crepúsculo negá-los como vampiros está presente ainda em sociedades como a nossa. De fato nunca antes na história da sociedade ocidental um número tão grande de indivíduos se identificaram tanto com estas criaturas das trevas quanto agora e tal amplitude da cultura vampírica em muito deve sua magnitude ao cinema ou à literatura e mesmo à música que fez ressoar nos corações dos mais jovens o som mórbido da voz do vampiro.
Tal fenômeno atual é bem perceptível e é característico de um momento histórico, mas o que poderíamos dizer do vampiro quanto criatura histórica em outras épocas? Bem... provavelmente não poderíamos ir muito além daquilo que nosso conhecimento atual nos poderia permitir. Para aumentar um pouco mais nosso conhecimento sobre o assunto posso mencionar aquela que ficou conhecida como Vampira de Veneza.

Sua história recente começa em 2009 na Itália quando durante uma escavação arqueológica em meio a diversos esqueletos de vítimas de uma das muitas epidemias de peste bubônica ocorrida no séculos XVI na ilha de Lazzaretto Nuovo, perto de Veneza uma caveira chamou a atenção da equipe de arqueólogos. A caveira em questão tinha um tijolo aparentemente colocado à força dentro de sua boca o que para Matteo Borrini, antropólogo da Universidade de Florença, indica que a caveira poderia ter pertencido a um vampiro uma vez que naquela época objetos eram colocados na boca de supostos vampiros para impedir que eles se alimentassem dos cadáveres de pessoas enterradas nas proximidades, se fortalecessem e passassem a atacar os vivos. Uma das bases para a dedução de Matteo foi o livro de Philippus Rohr da Universidade de Lipsia escrito em 1679, sob o título: Dissertatio historico-philosophica de masticatione mortuorum.

Era uma crença comum na época que vampiros eram responsáveis pelas epidemias que ocorriam na Europa e por esse mesmo motivo constantemente os túmulos dos suspeitos de serem vampiros eram reabertos pelos coveiros cuja experiência em identificar vampiros apontava sinais tais como "marcas de mastigação" no tecido em que os corpos eram envoltos, o que automaticamente rendeu aos vampiros a fama de "comedores de mortalha", além disso sangue que brotava da boca ou mesmo abdômens inchados eram evidências de vampirismo.


Matteo Borrini
 Para Matteo Borrini a sucessão de pestes que assolaram a Europa por mais de 400 anos serviu para aumentar a crença de que vampiros estavam por trás das pestes, junte a isso o desconhecimento do processo de decomposição dos corpos e você tem um belo cenário formado. De acordo com textos médicos e religiosos da Idade Média, acreditava-se que os "mortos-vivos" espalhavam pestes para sugar o resto de vida dos cadáveres, e assim adquirir a força necessária para voltar às ruas. Segundo a crença uma forma de matar o vampiro consistia na remoção da mortalha que envolvia seu corpo, já que este servia de alimento para o morto-vivo e substituí-lo por alguma coisa que não servisse de alimento e por isso o tijolo pereceria uma boa escolha.

No entanto, as pesquisas de Matteo não param por aí, uma vez que entre outras coisas era necessário descobrir qual era o sexo da pessoa encontrada. Sim! pois ao contrário do que o título desta postagem possa denunciar não foi possível saber isso de imediato. Somente com análises forenses mais detalhadas foi possível identificar a mulher por trás dos ossos. Tendo descoberto que o crânio encontrado pertencia a uma mulher já podemos prever nossa imaginação romântica ocidental fantasiando-a como uma jovem e sensual Vampirella cujos trajes mínimos de látex se aproximam mais de um fetiche sadomasoquista recente do que da realidade medieval, no entanto, mais uma vez nossa fértil imaginação nos trai, pois o crânio pertencia a uma "anciã" cuja idade - qualquer coisa acima dos 50 anos - poderia ter sido a única coisa que em vida tivesse levantado suspeitas entre os já assustados cidadãos de Veneza de que tal longevidade era fruto do sangue de inocentes.
No passado a ignorância, a credulidade, os preconceitos foram a centelha que inflamaram o temor na Europa como uma fogueira cujas labaredas não deram descanso sequer à uma pobre senhora cuja morte não fora suficiente para apagar as brasas do temor que trazia à tona antigos medos e elegia novos culpados.

Não restam dúvidas de que inúmeras lendas sobre criaturas das trevas sedentas de sangue povoam o imaginário popular há milhares de anos e que com o passar do tempo estas lendas foram personificadas ou atribuídas a determinados grupos ou indivíduos. E se nos nossos tempos tais criaturas diabólicas perversamente se apoderam de nossos sonhos dos modos mais lasivos nos fazendo ver seus sinais saborosamente blasfemos gravados em toda parte não é de surpreender que cada nova descoberta pareça ser a comprovação de que eles de fato existem. Porque verdadeiramente eles existem e estão em toda parte podem até mesmo estar aí do seu lado, quem sabe pode estar aí dentro de você...

19 de agosto de 2011

Divulgação do livro Mercurius

Um jovem descobre que sua família guarda segredos antigos; um homem foi morto e outro está desaparecido. Envolvido em uma teia de filosofias antigas, seres do Mundo Outro e provavelmente caçadores que se alimentam de sangue, ele luta para saber quem é e o que deve fazer.

Esta é uma sinopse de Mercurius  escrito por Afonso Jr. Ferreira de Lima a quem já dediquei outra postagem há algum tempo. Para todos aqueles que apreciam contos nacionais esta é mais uma dica.

Mercurius

de

Afonso Jr. Ferreira de Lima


Primeira Parte


Pobre diabo,
que hás-de tu dar-me? (...) Tens iguarias
que não matam a fome; oiro que fulge,
mas que igual ao mercúrio, escapa aos dedos (...)
O que eu preciso,
se o tens, são frutos a pender de copa
sempre frondosa, e que antes de apanhados
não tenham já por dentro o podre e os vermes.
Goethe, Fausto.

Afonso Jr. Ferreira de Lima
Pensei: “Adormeço”... Agora eu estava em um trem, tentando fugir para a fazenda do meu avô, no sul, de alguma coisa que nem eu sabia o que era. Como se todo o mundo fosse escuro, sombrio, silencioso e estivesse envolvido nas sombras da noite. A paisagem, um cinza frio que transformava árvores secas, pedras pontiagudas e pássaros solitários em uma grande ruína abandonada. Nuvens pesadas pareciam prestes a atacar com raio e tempestade.
O que eu vira? Estava atacando uma mulher? Haveria mesmo seres que se alimentavam de sangue? Eu lia desde criança histórias sobre cadáveres descobertos intactos em suas tumbas, terra revirada sobre os túmulos, caixões encontrados abertos, unhas e cabelos que crescem depois da morte, corpos com sangue na boca e famílias que morreram logo após a partida de um ente querido. Meus desenhos estranhos assustaram professoras sucessivas.
Não ajudava a humilhação diária que sofria, “sabetudo”, “filhinho-de-papai”, “bicha”, “rato-de-biblioteca”, porque, além de calado, não gostava do futebol. “É rico, mas não tem mãe” - uma garota falou uma vez. Sorte ter um amigo, Jonas – bem inteligente. Eu sempre tive uma imaginação indomável, mas dizia agora a mim mesmo: “há um limite”. Minha psicóloga achava que eu era ao mesmo tempo adulto demais e fugia para a fantasia para evitar as dores da realidade. Que realidade?
Lorde Kevin, o grande industrial amigo de meu pai, era para mim uma figura assustadora: desde criança eu imaginava vê-lo ao lado de minha cama, na minha janela ou pousado na árvore à frente de meu quarto, em uma espécie de realidade paralela na qual eu tentava me mover e não podia. 

Afonso Jr. Lima, 2011 - Clube de Autores
ALGUNS LINKS PARA O AUTOR
 Alguns Contos, de 2006.


Dramaturgia Contemporânea.
http://www.dramaturgiacontemporanea.com.br/artigos.php?art=1&autor_id=58


Cronópios - Contos:
http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=5078

http://hqdapaz.blogspot.com/


10 de julho de 2011

Lançamento do Livro Vampiros e Outros Assassinos

Lorde Kevin

"Londres estava, como sempre, cheia de lama e fog. Damas inocentes, velhos ambiciosos, crianças famintas, carros luxuosos de nobres arrogantes. Ah, a Era Vitoriana! Eu buscava um homem rico, filantropo, inteligente o bastante para tirar da África não mais escravos, mas ouro e marfim. Eu vira a ambição do império romano, as guerras feudais, mas os homens continuavam me surpreendendo.

Ele descera na Trafalgar Square e, como sempre, às quintas, descia até o Green Park, depois contornava o Hyde Park em direção ao Ravenscourt Park (adoro aquele cemitério). Aquele senhor elegante, escondido pela névoa, contratava de preferência senhoras e crianças para as máquinas de tecido, eram mais dóceis. Era um homem da nova indústria, a glória das ferrovias, minas e da navegação que tornavam o mundo caça de um predador. Ele acharia uma prostituta e a mataria, ou não. Agora EU era o predador. 

As famílias dormiam no lixo, embebedavam-se para sobreviver ao frio; este homem retornava sereno ao seu lar, onde Lady distribuía a todos a beleza e a adequação de sua classe. Eu, de alguma forma, sentia um desejo especial desse sangue, infeliz e miserável, porque eu, que vivera muitos séculos, estava entediado quanto à riqueza. Para mim, a vida não tivera jamais sentido algum e eu pensara já muitas vezes em derramar todo o sangue dos vivos, por prazer. “Para a América!”, como um niilista de Dostoiévski dando um tiro na cabeça. Mas eu era um imortal e adorava brincar. O medo da morte era o mais divertido.  

As rodas de ferro passavam ao nosso redor fazendo grande barulho. Enquanto passávamos pelo Albert Memorial eu tive uma iluminação. Enquanto as boas almas ensinavam aos ricos como fazer caridade e aos pobres como “livrar-se da preguiça”, eu iria conquistar a alma do mundo. Tudo que eu precisava era de um país nascente, uma potência – ele achara uma mulher no parque – e, de preferência, alguém que tivesse a Herança.
Eu os matei entre as árvores e tomei um transatlântico para o Brasil."

Lançamento: "Vampiros e outros assassinos" -  Amostra grátis em:
http://www.amazon.com/dp/B0054JJ6V6


Kindle for PC grátis - http://www.baixaki.com.br/download/kindle-for-pc.htm 
E tem ainda "Nas Trevas", no Nerdescritor :)
http://www.onerdescritor.com.br/2011/06/nas-trevas/  

9 de abril de 2011

Desafio Vampiresco

O desafio me foi feito pelo meu estimado amigo Valek do blog Legado de Caim e agora repasso para todos vocês. Divirtam-se!!



REGRAS:
LEVAR O BANNER DO DESAFIO.
LINKAR QUEM TE MARCOU
RESPONDER AS PERGUNTAS
MARCAR 5 BLOGS E AVISÁ-LOS.

1- GOSTARIA DE SER UM VAMPIRO E VIVER ETERNAMENTE?
CLARO QUE GOSTARIA. A IDÉIA DA INEXISTÊNCIA ME APAVORA.

2- SE FOSSE UM VAMPIRO (A) COMO GOSTARIA DE SER CHAMADO (A) ?
NA VERDADE EU GOSTARIA DE SER TÃO ANTIGO QUE É DIFICIL SABER QUE NOME EU TERIA, MAS UM NOME QUE ME AGRADA É HECTOR.

3- QUAL A IDADE GOSTARIA DE TER PARA SEMPRE?
ACHO QUE 23 É UM BOM NÚMERO.

4- QUAL SERIA SUA APARÊNCIA?
NÃO MUITO DIFERENTE DO QUE SOU, SÓ UM POUCO MAIS EUROPEU TALVEZ.


5- SERIA DO BEM OU DO MAL?
CORROBORANDO O QUE DISSE MEU AMIGO VALEK "SERIA DO MEU LADO". NÃO ACREDITO QUE ALGUÉM POSSA SER TOTALMENTE DO BEM NEM TOTALMENTE DO MAL.

6- VIVERIA ENTRE OS HUMANOS OU PREFERIA SER SOLITÁRIO?
EVENTUALMENTE ENTRE OS HUMANOS (AFINAL, SE ALIMENTAR É PRECISO).

7- CONSEGUIRIA VIVER DE SANGUE OU SERIA “VEGETARIANO”?
DE SANGUE, ESSE NEGÓCIO DE VAMPIRO SEM SANGUE É COMPLICADO.

8 – QUAL SEU VAMPIRO DA FICÇÃO FAVORITO?
NA VERDADE NÃO TENHO UM FAVORITO.

9 – QUAL SEU LIVRO SOBRE VAMPIROS FAVORITO?
DRÁCULA. PORQUE OS CLÁSSICOS SÃO OS CLÁSSICOS.

10- ASSISTI ALGUM SERIADO SOBRE VAMPIROS ATUALMENTE?
ATUALMENTE ASSISTI O SERIADO "MOONLIGHT", MAS PESSOALMENTE NÃO GOSTEI MUITO.

11- INDIQUE UM FILME SOBRE O ASSUNTO:
MINHA INDICAÇÃO SERIA "DRÁCULA DE BRAM STOKER", MAS NA BOLSA VOCÊ PODE LEVAR "ENTREVISTA COM VAMPIRO" E SE CONSEGUIREM ENCONTRAR, "QUANDO CHEGA A ESCURIDÃO".

12- O QUE ACHA DA SAGA CREPÚSCULO?
QUE NÃO PERDERIA MEU TEMPO ASSISTINDO ESSE FILME, EMBORA JÁ TENHA VISTO O PRIMEIRO.

13 – QUAL O VAMPIRO (A) MAIS LINDO (A) DA ATUALIDADE?
NA VERDADE NÃO CHEGA A SER TÃO ATUAL ASSIM E NÃO SERIA SÓ UMA, NA MINHA OPINIÃO SERIAM TRÊS: VERONA, MARISHKA E ALEERA DO FILME VAN HELSING.

14 – QUAL O CASAL MAIS LINDO?
PREFIRO NÃO COMENTAR.

15 – PREFERE UM ANJO OU UM VAMPIRO?
VAMPIRA.

16 – PREFERIA NAMORAR UM LOBISOMEM OU UM VAMPIRO?
NENHUM DOS DOIS PREFERIRIA UMA VAMPIRA.

17- SE FOSSE UM VAMPIRO NAMORARIA UM HUMANO?
DEPENDERIA MUITO.

18 – SE OS VAMPIROS EXISTISSEM SE APAIXONARIA POR UM?
SIM, ME APAIXONARIA, POR "UMA".

19 – SE FOSSE UM VAMPIRO SERIA VINGATIVO?
VINGATIVO NÃO, MAS NÃO DARIA PARA IR NUM TRIBUNAL EXIGIR REPARAÇÃO POR PERDAS E DANOS, ENTÃO...

20 – SERIA BELO OU UM MONSTRO?
BELO, COM CERTEZA.

21 – QUAL PODER GOSTARIA DE TER?
CONTROLE DA MENTE.

22 – CONSEGUIRIA FICAR LONGE DE SUA FAMÍLIA?
SE A MINHA FAMÍLIA NÃO FOSSE COMO EU ACHO QUE O MELHOR SERIA FICAR LONGE.

23 – SE VIVESSE ETERNAMENTE O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER NESSE TEMPO TODO?
VIAJARIA PELO MUNDO.

24 – EM QUAIS LUGARES MORARIA?
EM ALGUM LUGAR DA EUROPA ORIENTAL OU NOS BALCÃS

25 – TERIA CORAGEM DE TRANSFORMAR ALGUÉM EM VAMPIRO?
TERIA, SE FOSSE DE COMUM ACORDO OU SE PRECISASSE MUITO DE MAIS UM SERVO OU SERVA.

26 – QUAL SERIA SEU PIOR INIMIGO? (SER SOBRENATURAL)
EU DIRIA LOBISOMEM, MAS ISSO IRIA SOAR MUITO COM "CREPÚSCULO", ENTÃO PROVAVELMENTE SERIA OUTRO VAMPIRO, UM DESAFETO DO PASSADO OU CONCORRENTE DO PRESENTE.

18 de dezembro de 2010

Sucubus e Incubus os Vampiros sexuais

Nas lendas medievais, sucubo era um demônio feminino que assumia a forma ilusória de humano e viria para os homens, especialmente os monges, em seus sonhos para seduzi-los e ter relações sexuais com eles, extraindo a energia destes homens para sustentarem-se, muitas vezes até ao ponto de exaustão ou morte. Essa lenda foi uma explicação para o fenômeno dos sonhos molhados e paralisia do sono. Existem algumas fontes que afirmam que os sucubus e os incubus são a mesma criatura, segundo se crê eles seriam capazes de se transformar e desta forma passar adiante o sêmen roubado dos homens para as mulheres sem seu conhecimento. Em histórias posteriores, mais notadamente nas atuais histórias de horror, os sucubus e incubus teriam recebido poderes hipinóticos o que lhes daria a capacidade de comandar e obrigar os membros do sexo oposto. Alguns demônios famosos como Lilith e os Lilin judaicos, Belili na Suméria e Rusalka entre os eslavos eram súcubos.
A princesa de todos os sucubos seria Nahemah e sua prole semi-humana seria chamada Cambion. Os súcubus e incubus poderiam ainda ser chamados de vampiros sexuais.
O nome atual tem suas origens no latim tardio - succuba podendo significar prostituta, que por sua vez vem do latim medieval sub cubaire significando "aquilo que está embaixo". A versão masculina íncubo também vem do latim, seu significado, logicamente, "aquilo que está acima".

-É interessante notar como mesmo ao tratar de demônios o pensamento medieval, concernente ao sexo, os colocaria dentro de uma visão tradicional de hierarquia sexual, ou seja, homens acima, mulheres abaixo.

Lembre-se: um dos pecados de Lilith foi se rebelar contra Adão, seu marido, no que diz respeito à posição que eles deveriam assumir nas relações sexuais. Ela queria ficar por cima (o que seria uma séria afronta às ordens divinas de autoridade familiar).




Ainda nos tempos medievais, o sucubo era visto como uma criatura temível que mataria suas vítimas, "bebendo" sua respiração. Isso é interessante na medida em que, no momento, a respiração era vista como uma parte do espírito da pessoa (hoje em dia fazemos essa analogia ao nos referirmos ao último suspiro de alguém como o abandono do espírito de seu corpo físico, seu último "fôlego de vida"). Mais tarde, os hábitos dos sucubus eram considerados de uma forma mais sexual do que de natureza vampírica, e essa noção, provavelmente, surgiu a partir da mudança no clima social que viu os desvios sexuais como um pecado mortal, e assim, aqueles que cometeram um pecado contra Deus, foram, de alguma forma, merecedores do seu destino.

6 de dezembro de 2010

Marie Laveau - de Rainha Vodu à vampira de Nova Orleans

Sabe-se pouco sobre a vida desta mulher. Supõe-se que ela nasceu no Bairro Francês de Nova Orleans, Louisiana em 1794, filha de um agricultor branco e uma mulher negra. Ela teria se casado com Jacques Paris, um negro livre, em 1819 ele teria morrido apenas um ano depois, em circunstâncias não explicadas; após sua morte, Marie Laveau tornou-se cabeleireira e trabalhou para famílias brancas abastadas. Ela arranjou um amante, Luis Christopher Duminy de Glapion, com quem viveu até a morte dele, em 1835.

Alega-se que seu suposto poder mágico provinha, na verdade, de uma rede de informantes nas casas dos figurões nas quais ela tinha trabalhado como cabeleireira, e que ela era dona de um bordel. Ela especializou-se em obter informações privilegiadas de seus patrões ricos ao, aparentemente, instigar medo nos servos destes a quem ela "curava" de males misteriosos (os quais ela pode ter causado ou sugerido, numa espécie de Síndrome de Munchausen profissional).
Em 16 de junho de 1881, os jornais de Nova Orleans publicaram que Marie Laveau havia morrido. Isto é digno de nota, porque ela teria continuado a ser vista na cidade após esta data. Afirma-se que uma de suas filhas com M. Glapion assumiu seu nome e prosseguiu com a prática mágica após a morte dela.

Marie Laveau foi sepultada no Cemitério de São Luís em Nova Orleans, na cripta da família Glapion. A tumba continua a atrair visitantes que desenham três cruzes (XXX) na lateral, esperando que o espírito dela lhes conceda a realização de um desejo.

A famosa rainha voodoo de Nova Orleans uma vez disse ser vampira. Não, ela não era. Mas um notável escritor do início de 1800, Lafcadio Hearn, disse que ela era - ao menos isso é o que especulamos. Ele provavelmente estava falando da filha dela, também chamada Marie, com quem ele propositalmente viveu. Nascido na Grécia, renomado como jornalista e escritor em Nova Orleans, se tornou familiar com a comunidade voodoo, Lafcadio caminhou pelo lado negro. Mas suas alegações sobre Marie Laveau não eram de todas inacreditáveis.

No voodoo em Nova Orleans no séc. XIX, o sangue dos novatos era drenado, e segundo consta, bebido. Selvagens, alguns relatos falam de crianças sendo cozinhadas em caldeirões e então comidas. Isso não acontecia, mas algumas pessoas acreditavam nisso, exatamente como alguns acreditavam que os vampiros espalharam a Peste Negra na Europa. (pelo visto, quando os europeus não estavam culpando os judeus por tudo o que acontecia na Europa antiga, estavam culpando os vampiros.).

Mas existiam razões para se chamar Marie Laveau de vampira? Ela era tão sensual quanto sobrenatural. E não muito diferente de Laveau, os vampiros da velha Europa carregavam a mensagem subliminar do sexo consigo, quando se reerguiam dos caixões em busca de sangue. Neste caso a mensagem subliminar fazia alusão à ereção masculina, além disso não podemos esquecer da conotação extremamente sexual da mordida no pescoço. (nota pessoal do autor do blog).

A mente vitoriana podia ser confrontada com a subliminar sensualidade dos vampiros através da ficção do Dracula, mas, nos tempos antigos, existiam dois demônios que não eram tão sutis quanto ao propósito de suas visitas noturnas. Esses "demônios românticos" eram os íncubus e as sucubus.

19 de novembro de 2010

Lilith e a crônica de Caim

Abaixo trecho de O Livro de Nod onde é narrada a história de Caim segundo uma versão diferente daquela corrente do Gênesis cristão. No trecho reproduzido conta-se como Caim, depois de ter sido expulso de sua terra pelo Único Acima [Deus], teria sido encontrado por uma mulher que lhe acolheu e o introduziu às artes secretas do sangue.

A mulher em questão era Lilith a primeira esposa de seu pai, Adão.
"Eu sonho com os primeiros tempos; a memória mais longa; eu falo dos primeiros tempos; o mais velho Pai que eu canto dos primeiras tempos e o amanhecer da Escuridão. Em Nod, onde a luz do paraíso ilumina o céu noturno e as lágrimas de nossos pais molharam o solo, cada de nós, de algum modo, define viver e levar nosso alimento da terra.

E eu, Caim o primeiro-nascido, eu, com coisas afiadas, plantei as sementes, no escuro as molhei nas suas covas de terra, as assisti crescer; e Abel, o segundo-nascido Abel, cuidou os animais ajudado por seus herdeiros de sangue e alimentaram-se deles, os assistiam crescer.

Eu o amo, meu Irmão. Ele era o mais luminoso, o mais doce, o mais forte. Ele foi o primeiro motivo de toda minha alegria. Então um dia que nosso Pai disse a nós: Caim, Abel, sobre Mim vocês tem que fazer um sacrifício – um presente da primeira parte de tudo aquilo que vocês têm. E eu, Caim o primeiro-nascido, eu juntei os brotos tenros, as frutas mais luminosas, a mais doce grama. E Abel, o segundo-nascido, Abel sacrificou o mais jovem, o mais forte, o mais doce dos seus animais. No altar de nosso Pai nós pusemos nossos sacrifícios e acendemos fogo debaixo deles e assistimos que a fumaça os levasse até o único Acima. O sacrifício de Abel, o segundo-nascido, cheirou docemente ao único Acima e Abel foi santificado. E, eu, Caim o primeiro-nascido, eu fui golpeado de além por uma palavra severa e uma maldição, por meu sacrifício ser desmerecido. Eu olhei o sacrifício de Abel, ainda fumegando, a carne, o sangue. Eu chorei, eu cerrei meus olhos eu rezei noite e dia; e quando o Pai disse: o tempo por sacrifício veio novamente e Abel conduziu seu mais jovem, seu mais doce, seu mais amado para o fogo sacrificial, eu não levei o meu mais jovem, meu mais doce, porque eu sabia o único Acima não os quereria.
E meu irmão, amado Abel disse para mim, Caim, você não trouxe um sacrifício, um presente da primeira parte de sua alegria, para queimar no altar do único Acima. Eu chorei lágrimas de amor por mim e então, com ferramentas afiadas, sacrifiquei a que foi a primeira parte de minha alegria, meu irmão. O sangue de Abel cobriu o altar e cheirou docemente quando queimou. Mas meu Pai disse "Amaldiçoado é você, Caim que matou seu irmão". Eu fui expulso assim como deveria ser e Ele me exilou para vagar na Escuridão, na Terra de Nod. Eu voei na Escuridão; não vi fonte de luz e eu tive medo. Eu estava só.


A Magia de Lilith

Eu estava só na Escuridão e eu tive fome. Eu estava só na Escuridão. E eu tive frio. Eu estava só na Escuridão e eu chorei. Então veio até mim uma doce voz, uma voz de mel. Palavras de auxílio. Palavras de conforto. Uma mulher, sombria e adorável, com olhos que perfuravam a escuridão, veio a mim.
"Eu conheço sua história", Caim de Nod. Ela disse, sorrindo. "Você tem fome. Venha! Eu tenho comida. Você tem frio. Venha! Eu tenho roupas. Você está triste. Venha! Eu tenho conforto." Quem confortaria um amaldiçoado como eu? Quem me vestiria? Quem me alimentaria ? "Eu sou a primeira esposa de seu Pai, aquela que discordou com o único Acima e ganhou Liberdade na Escuridão. Eu sou Lilith. Uma vez, eu tive frio, e não havia nenhum calor para mim. Uma vez, eu tive fome, e não havia nenhuma comida para mim. Uma vez eu estava triste, e não havia nenhum conforto para mim."




Ela me alojou, ela me alimentou. Ela me vestiu. Nos braços dela, eu achei conforto. Eu chorei até sangue gotejou de meus olhos e ela os beijou. E eu morei durante um tempo na Casa de Lilith e lhe perguntei: "Fora da Escuridão, como você construiu este lugar? Como você fez roupas? Como você cultivou comida?" E Lilith sorriu e disse, ao contrário de você, eu estou "Acordada". Eu vejo as Linhas que giram ao redor de você. Eu faço o que eu preciso com Poder. "Desperte-me, então, Lilith" - eu disse. "Eu tenho necessidade deste Poder. Então, eu poderei fazer minhas próprias roupas, fazer minha própria comida, fazer minha própria casa."

A preocupação dobrou as sobrancelha de Lilith. "Eu não sei o que fazer para você Despertar, porque você verdadeiramente é amaldiçoado por seu Pai. Você poderia morrer. Você poderia mudar para sempre." Caim disse: 'Mesmo assim, uma vida sem Poder não será pago vivendo. Eu morreria sem seus presentes. Eu não viverei como seu Thrallî." Lilith me amou, e eu soube isto. Lilith faria o que eu pedi, entretanto ela não desejou isto. E assim, Lilith, os olhos brilhantes de Lilith, me Despertaram. Ela se cortou com uma faca sangrou para mim em uma tigela. Eu bebi profundamente. Era doce. E então eu entrei no Abismo. eu caí eternamente, caindo na escuridão mais profunda.

A Tentação de Caim


E para a Escuridão veio uma luz-fogo brilhando luminoso à noite. E o arcanjo o Michael se revelou para mim. Eu era destemido. Eu perguntei o que ele queria. Michael, General do Céu, portador da Chama Santa, disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva, seu crime é grande, e também a clemência de meu Pai é grande. Você não se arrependerá do mal que você fez, e deixará sua clemência lavá-lo para que fique limpo?" E eu disse a Michael: "Não por graça do único Acima, mas por minha própria vontade que eu vivo, com orgulho." Michael me amaldiçoou dizendo: "Então, que você caminhe nesta terra; você e suas crianças temerão minha chama viva, que morderá profundamente e saboreará sua carne." E pela manhã, Raphael veio iluminando o horizonte, o guia do Sol, vigia do Leste. Raphael disse: "Caim de Adão, filho de Eva, seu irmão Abel o perdoou de seu pecado; você se arrepende e aceita a clemência do Todo-Poderoso?" E eu disse a Raphael: "Não pelo perdão de Abel, mas pelo meu próprio perdão." Raphael me amaldiçoou, dizendo "Então, que você caminhe nesta terra, você e suas crianças temerão o amanhecer, e os raios do sol irão queimá-lo como fogo onde quer que você se esconda. Esconda-se agora para o nascer do Sol levar sua ira até você". Mas eu achei um lugar secreto na terra e me escondi da luz ardente do Sol. Profundamente na terra, eu dormi até a Luz do Mundo ser escondida atrás da montanha da Noite. Quando eu despertei de meu dia de sono, eu ouvi o som de suaves asas avançando e eu vi as asas negras de Uriel estendidas ao redor de mim - Uriel, ceifeiro, anjo de Morte, Uriel Sombrio que mora na escuridão. Uriel falou quietamente a mim, dizendo: "Filho de Adão, Filho de Eva, o Deus Todo-Poderoso o perdoou de seu pecado. Você aceitará sua clemência e me deixará levá-lo de volta, já não amaldiçoado?" E eu disse a Uriel escuro alado: "Não pela clemência de Deus, mas minha própria vontade que eu vivo. Eu sou o que eu sou, eu fiz o que eu fiz, e isso nunca mudará." E então, por Uriel o terrível Deus Todo Poderoso me amaldiçoou, dizendo: "Então, para que você caminhe nesta terra, você e suas crianças se agarrarão a Escuridão. Você só beberá sangue. Você só comerá cinzas. Você sempre será como você estava na morte. Nunca morrerá, se mantendo vivo. Você entrará para sempre na Escuridão, tudo que você tocar irá se tornar em nada, até os últimos dias."
Eu dei um grito de angústia a esta maldição terrível e rasguei a minha carne. Eu chorei sangue. Eu peguei as lágrimas em uma xícara e as bebi. Quando eu observei minha bebida pesadamente, o arcanjo Gabriel, Gabriel gentil, Gabriel o senhor da clemência, apareceu a mim. O arcanjo Gabriel disse para mim: "Filho de Adão, Filho de Eva – vá! A clemência do Pai é maior que você sempre soube, agora há um caminho aberto, uma estrada de clemência que você chamará de Golconda e fala para suas crianças disto, para que seguindo esta estrada possam morar na Luz uma vez mais." E com isso, a escuridão foi erguida como um véu e a única luz eram os olhos luminosos de Lilith. Olhando ao redor de mim, eu soube que tinha Despertado.

Quando minhas primeiras energias surgiram através de mim eu descobri como me mover como o raio [Celeridade], como obter a força da terra [Potência], como ser como pedra [Resistência]. Lilith então mostrou para mim, como ela se esconde de caçadores [Ofuscação], como ela ordena obediência [Dominação], e como ela exige respeito [Presença]. Então, despertando-me adiante, eu achei o modo para alterar formas [Metamorfose], o modo de ter domínio sobre animais [Animalismo], o modo para fazer olhos ver o passado [Auspícios]. Então Lilith mandou que eu parasse, dizendo que eu tinha alcançado meus limites. Que eu tinha ido muito distante. Que eu ameacei minha essência. Ela usou seus poderes e me comandou que parasse. Por causa do seu poder, eu atendi, mas profundamente dentro de mim uma semente foi plantada, uma semente de rebelião e quando ela virou sua face para mim, eu me abri mais uma vez, para a Noite, e vi as possibilidades infinitas nas estrelas e soube que um caminho de poder, um caminho de Sangue eu tomei, e assim despertado em mim este Caminho Final, do qual todos os outros caminhos cresceriam. Com este mais novo poder, eu quebrei os laços que a Senhora da Noite que me vestiu. Eu deixei a Rainha Maldita naquela noite, me escondendo nas sombras, eu fugi as terras de Nod e vim para um lugar onde os demônios dela não poderiam me achar."

FONTE: Ayisha Jocastian. Livro de Nod. As Crônicas de Caim, 2002. IN ScribD
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27 de junho de 2010

"O Vampirismo Uma Doença da Alma"

fragmento retirado do livro de: JEAN-PAUL BOURRE: Os Vampiros - primeira parte: O Vampirismo Uma doença de alma



PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA (1986)



Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia, para a reprovação eterna.
DANIEL (XII 1-3)




Segundo as lendas e as crenças o vampiro seria uma criatura da noite, um não morto absorvendo a vitalidade dos vivos para escapar ao túmulo. Construiria dessa forma uma espécie de imortalidade mágica na região das trevas, que separam a vida da morte.



"Processos verbais e crônicas do século XVIII são explícitos. No decorrer de certas exumações, sob o controle das autoridades locais, desenterraram-se cadáveres em perfeito estado de conservação: «O corpo não libertava qualquer cheiro, tinha sim, pelo contrário, mantido o seu estado de frescura sem que apresentam-se o mínimo sinal de decomposição. O sangue que saía da boca do cadáver era tão fresco como se de uma pessoa sã se tratasse. O cabelo, a barba e as unhas tinham crescido e a pele começava a separar-se do corpo, enquanto uma nova se formava. O rosto, as mãos, os pés, estavam igualmente conservados.» (Asfeld, 1730.)




Na maior parte dos casos; neste tipo de sepulturas (contrastando com as outras) registram-se tenebrosas vibrações. Fazem-se na aldeia o levantamento de muitas e misteriosas mortes, ocorridas na proximidade do cemitério. Animais degolados, homens e mulheres exangues, crianças mortas por debilidade e outros tantos casos de enlouquecimento.
Os agentes da polícia e os religiosos encarregados de fazer o inquérito dirigiram-se por fim ao cemitério, como era inevitável!
Os túmulos são abertos e o coração do cadáver é trespassado com o auxílio de uma estaca, a cabeça cortada à machadada e o caixão cheio de cal viva. Processos verbais, são redigidos e assinados pelos oficiais do rei e autenticados pelas autoridades locais.







Em 1776, D. Agustin Calmet, padre beneditino e abade de Senóvia, redigiu o seu Tratado sobre as aparições dos espíritos, reencarnações, anjos, demônios, e vampiros da Silésia e da Morávia, dedicado ao príncipe Carlos de Lorena, Bispo d’Olmütz.


Relata-nos ele: «Citam-se e ouvem-se testemunhas, examinam-se situações, observam-se os corpos exumados procurando sinais vulgares, como a mobilidade, a flexibilidade dos membros, a fluidez do sangue, a incorruptibilidade do corpo. Se tais pormenores forem na verdade observados concluir-se-á que são eles quem molesta os vivos, pelo que são entregues ao carrasco a fim de que ele os queime.»




E mais adiante, adverte do perigo que paira: «Este mal que espalha o terror, castiga particularmente a Hungria, a Polônia, a Silésia, a Morávia, a Áustria e a Lorena. Quem de- le nos livrará, pois não deixará de aumentar caso não se puser cobro a tal situação?» E conclui por fim: «No meio de tudo isto, não vejo senão trevas e dificuldades, cuja solução deixo aos mais hábeis e ousados.»


Superstições, alucinações, lendas ou presenças autênticas vindas de além túmulo? A caça está aberta...


Quando se estuda o vampirismo pode-se dizer que se trata de uma via tenebrosa, de um culto da noite cuja divindade central seria o não morto visto que o vampiro cultiva a sua personalidade demoníaca. Ele ama o seu próprio corpo e tenta, por todos os meios mágicos, evitar a sua desintegração.
Os adeptos deste culto mudam de nome segundo as regiões, os dialetos, os costumes. O jesuíta Gabriel Rzazcynsi explica em 1 721: Há mortos que mesmo no túmulo conservam a avidez de devorar e que, à boa maneira dos espectros, fazem as suas vítimas pela vizinhança; os polacos dão-Ihe o nome especial de Upiers e Upiercza.



A Europa central foi, durante muito tempo, o feudo destes senhores da noite, capazes de interromper o processo de decomposição do corpo, suspensos entre a vida e a morte nessas zonas de obscuridade que as antigas religiões povoavam de diabos, de demônios.




Nas províncias da Alemanha, em Hasse, Wurtenberg, Brunswick, afirmava-se que o cadáver-vampiro, uma vez saído do caixão, tinha o poder de se transformar em ave noturna e voar durante a noite à procura das suas vítimas.
Mais perto de nós, o professor Vukanovic assinalou danos causados pelos vampiros na Sérvia, nos anos de 1933, 1940, 1947 e 1948, principalmente na província de Kosovo-Motohija.




Em 1970, o feiticeiro inglês David Farrant foi condenado, sem apelo nem agravo, a cinco anos de 'prisão por violação e profanação de sepultura. E no prosseguimento de numerosos testemunhos acerca de uma «presença» no cemitério de Highgate, no Norte de Londres, que Farrant e os seus adeptos tentaram um ritual de invocação do vampiro. Os jornais ingleses seguiram esta "rocambolesca" aventura durante várias semanas. Falou-se no caso de um caixão arrombado, de um cadáver decapitado por Farrant, de símbolos mágicos pintados sobre as sepulturas, de obsessões, de pesadelos que apavoravam os habitantes de Highgate, de animais degolados pelas veredas do cemitério, etc.



Assim o vampirismo, que tem como figura principal a sombria e arrogante figura do famoso príncipe Drácula – embora estejamos longe das epidemias vampirescas dos séculos XVIII e XIX –faz sempre os seus discípulos. Propõe um método para vencer a morte, utilizando o fascínio e o desejo, jogando com o medo e a obsessão. E uma espécie de espiritualidade contraditória que procura evitar a decomposição do corpo, mantendo os instintos e os impulsos selvagens do homem para além túmulo. O oposto às espiritualidades libertadoras que partem as amarras e comunicam ao homem o sentimento de eternidade, a união com Deus."

[...]

8 de abril de 2010

A CONDESSA SANGRENTA (VAMPIRESA)



"Mais conhecida como "A Condessa Sangrenta", devido aos macabros e depravados crimes que cometeu, Elizabeth Bathory foi uma aristocrata húngara pertencente a uma das mais ilustres famílias da Europa. De fato desta mesma família também foram Estevam e Sigmund Bathory, que ocuparam os tronos da Polônia e da Transilvânia, respectivamente. Além disso, também vieram dessa mesma família vários dignitários do clero e alguns ministros da Hungria. Acreditavam que madame Bathory matava jovens donzelas para banhar-se em seu sangue, uma vez que acreditava que, assim fazendo, se manteria sempre jovem e bela. Dizem que chegou a assassinar perto de 650 pessoas com este propósito. Atualmente e depois das investigações, não se sabe se o propósito era realmente este, mas de qualquer forma, pode-se assegurar que cometeu realmente uma grande quantidade de crimes de extrema crueldade.




A historia de Elizabeth começa em 1560. Seu castelo se encontrava em Cachtice, cidade situada na Slovakia. Também passou parte de sua vida em Viena, onde tinha uma mansão próxima do palácio real, no centro da cidade. Ali Elizabeth fez construir uma jaula de ferro, dentro da qual torturava as jovens donzelas.




Grande parte dos investigadores atribui os maus instintos da condessa à alguma degeneração genética, devidos aos casamentos consangüíneos de sua família. De fato Elizabeth era muito propensa a ataques de epilepsia e, entre seus familiares havia numerosos antecedentes de práticas de magia negra e satanismo. Aliás seu irmão Stephem e sua tia, ambos de marcada tendência homossexual, foram conhecidos libertinos, além disso, deve-se citar o caso de sua antepassada Cara Báthory que, apesar de praticar todo tipo de aberrações sexuais, envenenou seu próprio marido.




Aos onze anos, como era costume entre algumas famílias, Elizabeth foi prometida para Ferenc Nadasdy, filho de outra família aristocrática húngara. Foi viver com a família de Ferenc, no sombrio castelo de Csejthe. Ali gostava de manter intimidades com outros moços, chegando a engravidar de um deles. Devido a este incidente aos 13 anos, teve o filho em segredo e este lhe foi tomado, casando-se dois anos depois Ferenc Nadasdy.




Ferenc, posteriormente conhecido como "O Cavaleiro Negro" por suas proezas como general no campo de batalha, era tão cruel como sua mulher. Esteve a maior parte de seu matrimônio lutando contra os turcos e quando voltava para casa, distraia-se torturando os prisioneiros.




De fato Ferenc ensinou várias técnicas de tortura a Elizabeth. Uma das técnicas de tortura preferidas por Elizabeth era introduzir finas agulhas sob as unhas de suas servas, ou simplesmente, cravá-las em sua pele. Também diziam que se divertia dando chaves ou moedas aquecidas ao fogo para queimar as mãos dessas moças, ou as atirava nuas na neve para, depois, encharcá-las com água fria até morrerem congeladas. Conta-se que Ferenc ensinou a Elizabeth como manter a disciplina de suas donzelas às custas dessas torturas.




Por Ferenc estar sempre fora de casa, Elizabeth buscou o consolo de numerosos amantes, e de ambos os sexos. Aborrecia-se facilmente com todos e vivia buscando novos divertimentos.




Depois da morte de seu marido em 1604, iniciou obsessivamente certas práticas de bruxaria. Esta prática deu à Elizabeth liberdade e criatividade para desenvolver suas próprias perversões sexuais. Segundo registros da justiça de 1611, Elisabeth foi presa por atear fogo aos pelos púbicos de uma de suas criadas.




A origem da história sobre sua utilização de sangue para fins cosméticos, foi um dia em que, depois de dar uma violenta bofetada numa criada que a estava penteando, esta começou a sangrar e seu sangue salpicou na mão da condessa. Convenceu-se de que a pele onde havia caído o sangue rejuvenesceu e, a partir daí, começou a tomar banhos de sangue humano para manter sua juventude e beleza eternamente.




Depois dessa macabra experiência cosmética começou uma orgia desenfreada de assassinatos que se prolongou por dez anos, durante os quais seus criados saiam à caça de jovens virgens da região, quando não era ela mesma que as atraia ao castelo com a promessa de emprego. Citam mais de seiscentos e cinquenta assassinatos durante esse período. No castelo as moças eram encarceradas nas masmorras à espera de serem degoladas para que seu sangue enchesse a banheira da cruel condessa.




Um dia em que a condessa esteve doente de cama, mandou que lhe trouxessem uma jovem donzela para fazer-lhe companhia, mas quando a moça se aproximou a condessa avançou sobre ela cravando-lhe os dentes no pescoço e no tronco arrancando-lhe pedaços de carne. Chegou um momento em que guardar tal número de corpos vitimados pela condessa no castelo era um grande problema. Inicialmente a condessa queria que os corpos fossem deixados sob as camas, mas o cheiro era tão insuportável que alguns empregados tomaram a iniciativa de levar esses corpos para um campo nas imediações da cidade. E foi exatamente esse esparramo de corpos sem sangue que levaram as pessoas a acreditarem na existência de vampiros.




Madame Bathory era mais rica que o próprio rei Mathias II. Por causa disso, quanto chegaram notícias do que estava ocorrendo no castelo da condessa, o rei decidiu atuar de imediato, motivado até por razões econômicas (ou despeito). Consideraram Bathory culpada de bruxaria e todas suas posses passariam diretamente ao rei.Entretanto, o conde Thurzo, encarregado do processo contra a condessa, era um grande amigo da família Bathory e acabou fazendo um trato com ela, condenando à morte com terríveis torturas seus cúmplices e ela própria acabou sendo condenada à prisão perpétua no castelo de Esei. Morreu aos 54 anos.






Inúmeros documentos demonstram a união entre a família Bathory e a família de Vade Tepes, "O Conde Drácula". De fato, um membro da família Bathory, Stephem Bathory, encabeçou o movimento que devolveu à "Drácula" o trono em 1476."

CASO HAIGH

"Johm George Haigh, mais conhecido como "o vampiro de Londres", nasceu no seio de uma família conservadora e de fortes convicções religiosas de Yorkshire (Inglaterra). Devido à estrita educação recebida foi um menino muito religioso, chegando, inclusive, a cantar no coral de sua igreja.

À medida que crescia começou a se relacionar cada vez mais com gangues de bairro, para as quais realizava pequenos trabalhos. Esteve várias vezes preso até 1943, ano em que entrou pela última vez na cadeia, antes de começar a cometer seus terríveis assassinatos.

Pouco depois de sair da cadeia matou a sua primeira vítima; um jovem chamado Donald Mcswann. Haigh roubou tudo o que a vítima levava, em seguida bebeu seu sangue e dissolveu seu corpo em ácido sulfúrico, supostamente acreditando que não havia deixado nenhuma pista que o pudesse denunciar.

Essa macabra forma de matar seria sua rotina pelos próximos 5 anos. Em todo esse tempo mataria e beberia o sangue dos pais de Mcswanm, além de mais outras 3 pessoas, igualmente dissolvendo todos os corpos em ácido. A última vítima de Haigh foi uma mulher chamada Mrs. Durand-Deacon. Haigh seduziu-a para levá-la à sua casa, onde lhe deu um tiro na nuca. Em seguida foi à seu carro de onde trouxe um vaso e uma lâmina, com a qual cortou o pescoço da mulher para colher seu sangue no vaso. Depois dissolveu também o corpo.

Em 1949, Johm George Haigh seria preso por seus terríveis crimes. Em 28 de fevereiro de 1949, confessou ter matado 6 pessoas. Segundo suas palavras, fazia uma incisão com a lâmina na garganta, enchia o vaso de sangue e depois bebia. Grande parte de suas declarações jamais pode ser comprovada.

Em juízo contou histórias sobre entranhas alucinações e delírios que tinha e nos quais apareciam determinados símbolos relacionados com o vampirismo. Dizia ter pesadelos nos quais apareciam crucifixos cheios de sangue, e estanhos seres que bebiam este líquido.

Nunca se soube, com segurança, se todos esses delírios eram verdadeiros ou se eram simplesmente uma farsa para conseguir que o declarassem louco, livrando-o da pena de morte. Entretanto, acreditando ou não em Haigh, depois de receber a pena de morte foi enterrado em um ataúde especial para que seu corpo se putrificasse mais rápido que o normal, talvez pelo temor de que o morto pudesse escapar de sua tumba."
para referir:Ballone GJ, Moura EC - Licantropia e Vampirismo - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

Licantropia e vampirismo (A Maldição)

"A natureza genética das porfirias, juntamente com alguns costumes endogâmicos (casamento entre membros de uma mesma família) em alguns grupos étnicos da Europa Oriental e entre a nobreza européia em geral, poderia ter desencadeado a doença em pessoas geneticamente ligadas. Pode vir daí a lenda da maldição familiar dos Lobisomens e/ou de ser Lobisomem o sexto ou sétimo filho do casal ou coisas assim.

O Alho, Vampiros e LobisomensHá uma crença folclórica sobre o poder do alho para afugentar vampiros. Quais seriam os fundamentos dessa crença?
Existe no fígado uma enzima chamada de Citocromo P450, cuja função seria, junto com outras enzimas, remover do organismo substâncias não solúveis em água produzindo produtos xenobióticos hidrossolúveis, cumprindo assim uma das funções desintoxicantes do fígado.

Como acontece com a hemoglobina, o Citocromo P450 possui o grupo Heme que, neste caso, cumpre uma tarefa diferente. Quando o Citocromo P450 hepático está metabolizando uma amplia variedade de drogas e outros compostos orgânicos, seu grupo Heme pode ser destruído.

Muitas drogas e compostos orgânicos que destroem o grupo Heme do Citocromo P450 hepático, têm muito em comum com um dos principais componentes do alho, o dialquilsulfito, que além de tudo é volátil. Isso sugere que a ingestão ou aspiração de alho aumenta a severidade de um ataque de porfiria, pois o complexo Heme, modificado pela destruição do Citocromo P450 hepático, é um potente inibidor da enzima ferroquelatase, portanto o alho não só destrói o grupo Heme, mas também decompõe o aparato biosintético do mesmo.

Assim sendo, se o Heme não é sintetizado no organismo, não poderá inibir o excesso de síntese de porfirinas por retroalimentação negativa (feed-back) e, essa ruptura do equilíbrio é o que agrava o ataque de porfiria. Essa seqüência química faz com que o alho seja extremamente danoso aos portadores de porfiria."

PORFIRIAS (Lobisomem e Vampiro)

As Porfirias são um grupo de doenças genéticas cuja causa é um mau funcionamento da seqüência enzimática do grupo Heme da hemoglobina (a hemoglobina é o pigmento do sangue que faz que este seja vermelho e é composta pelo grupo Heme e varias classes de globinas, segundo circunstâncias , normais, que agora não vêem ao caso). O grupo Heme é quem transporta o oxigênio dos pulmões ao resto das células do organismo e é um complexo férrico (em estado ferroso). Qualquer erro na hereditariedade que interfere na síntese do grupo Heme é capaz de produzir as doenças chamadas Porfirias.




Os sintomas das Porfirias são:







  1. Fotosensibilidade, que se apresenta em todos tipos, menos na chamada Forma Aguda Intermitente. Esta fotosensibilidade é o resultado do acúmulo de porfirinas livres de metal na pele produzindo sérias lesões:1) Hirsutismo. Para o organismo proteger-se da luz, o pelo cresce exageradamente e em lugares não habituais, como no vão dos dedos e dorso das mãos, nas bochechas, no nariz, enfim, nos lugares mais expostos à luz. Evidentemente esses pacientes devem sair quase que exclusivamente à noite.






  2. Pigmentação. A pele pode apresentar também zonas de pigmentação ou de despigmentação e os dentes podem ser vermelhos fazendo que o aspecto do doente se afaste cada vez mais do ser humano normal e se aproxime da idéia de um monstro.






  3. Evitam o Sol. As porfirinas acumuladas na pele, podem absorver luz do sol em qualquer longitude, tanto no espectro ultravioleta, como no espectro visível e logo transferir sua energia ao oxigênio que provêem da respiração. O oxigênio normalmente não é tóxico, mas com o excesso de energia transferido pelas porfirinas, o oxigênio se libera sob a forma de oxigênio altamente reativo.



Este oxigênio altamente reativo, produz destruição dos tecidos, predominantemente os mais distais e mais expostos, como é o caso das pontas dos dedos, orelhas e o nariz, etc, oxidando essas áreas de forma violenta, com severa inflamação em forma de queimação.


Assim sendo, quando esses pacientes se expõem à luz, suas mãos se convertem em garras e sua face, peluda em sua totalidade, mostra uma boca permanentemente aberta por lesões repetitivas dos lábios. Estando os dentes descobertos, adquirem aparência maior, sugerindo presas. As narinas, pelos mesmos motivos das lesões, se apresentam voltadas mais para cima e como orifícios tétricos e escuros.









A Porfiria, como o paciente ao lado, entrevistado
em programa de tv, pode deixar a pessoa com esse aspecto hirsudo, talvez
originando daí a lenda do Lobisomen








Dessa forma teremos o lobisomem tal qual descrito pelo mito do Homem-Lobo. Imaginemos agora, na metade do século XIV, a possibilidade de encontrarmos em meio de una noite escura, esse tipo de paciente que sai de noite para evitar o dano que produz a luz, com a aparência descrita acima.





O imaginário popular cria monstros e lobisomens que podem inspirar pacientes com severa psicose a se comportarem como tais.





O Sangue da vítima



As Porfirias são doenças genéticas e sem cura, atualmente. Mesmo que alguns dos sintomas não possam ser aliviados, atualmente o principal tratamento para algumas porfirias, é a injeção de concentrados de glóbulos vermelhos (hemácias) ou soluções de Grupo Heme. Além disso, recomenda-se ao doente o uso continuado de filtros solares.



Mas, na Idade Media, a injeção do pigmento Heme ainda não era possível, e nem havia sido descoberto. Podemos das asas à imaginação e supor que, em algum momento, algum paciente mais desesperado tenha sido induzido ou orientado por algum curandeiro a comer ferro ou carne crua, senão a beber sangue. A própria carência de Heme ou ferro pode desenvolver essa inclinação alimentar.



Na realidade não se sabe como, mas não é difícil imaginar a pulsão que algum porfírico deve ter sentido em beber grandes quantidades de sangue e melhorar seus sintomas com isso. Nascia assim, não apenas o Lobisomem, como também o Vampiro. As descrições literárias e folclóricas da época (e até hoje) se incumbiram em oferecer um conteúdo cultural suficientemente denso para compor o cenário do delírio licântropo de muitos doentes mentais.



De fato, em um severo transtorno mental o paciente poderia valer-se do estereotipo do lobisomem e comportar-se como tal.

continua...




















Licantropia e Vampirismo

"O mito do Homem-Lobo se registra desde a Idade Média até nossos dias. Na Idade Média se cometia grande quantidade de crimes sádicos e sexuais que sempre terminavam por ser atribuídos a seres sobrenaturais, devido à superstição e ao medo da gente.
[...]
Em psiquiatria, a Licantropia aparece como uma enfermidade mental com tendência canibal, onde o doente imagina ter se transformado em lobo e, inclusive, imitando seus grunhidos. Em alguns casos graves esses pacientes se negam a comer outro alimento que não seja carne crua e bem sanguinolenta.
Isoladamente, tanto as tendências eminentemente sociológicas, quanto as psicológicas e orgânicas fracassaram. Hoje em dia fala-se no elemento bio-psico-social. Volta a tomar força os estudos de endocrinologia, que associam a agressividade do delinqüente à testosterona (hormônio masculino), os estudos de genética ao tentar identificar no genoma humano um possível "gene da criminalidade".
Esses transtornos, normalmente diagnosticados como severas psicoses, apresentam concomitantemente um alto grau de histerismo, cursando com idéias delirantes e mudança total da pessoalidade e, como outras psicoses, não sendo possível separar a realidade do imaginado.

Antigamente, sendo as psicoses de difícil tratamento, proliferavam psicóticos esquizofrênicos e outros doentes mentais, como os sádicos, necrófilos e psicopatas em geral, os quais ocorriam à licantropia como via de saída para seus delírios ou seus instintos mórbidos.

Estes doentes se inspiravam, como ainda hoje, dos personagens da cultura e do folclore para solidificar a crença em poder transformar-se em lobo, e que, nas noites de lua cheia, seu corpo se cobria de pelo, seus dentes se tornavam pontiagudos e suas unhas cresciam até converter-se em garras. Possuídos por tais delírios, os doentes vagavam pelas ruas assediando suas vítimas, atacando, mordendo e, em algumas ocasiões, esquartejando e comendo partes de seu corpo.
Hoje em dia a medicina conhece outros tipos de doenças que poderiam explicar parte do mito da Licantropia, como por exemplo a Porfiria Congênita. Esta doença se caracteriza por problemas cutâneos, foto-sensibilidade e depósitos de porfirina, um pigmento dos glóbulos vermelhos que escurece os dentes e a urina, dando a impressão que o paciente esteve bebendo sangue.

Outras doenças, como por exemplo a Hipertricose ou o Hirsutismo, as quais provocam o crescimento exagerado de pelos por todo o corpo, incluindo a face, eram interpretadas, antigamente, como qualidades sobrenaturais onde os pacientes podiam converter-se em bestas. Mas, por outro lado, ao longo da historia tem surgido alguns criminosos considerados "homens-lobo" devido aos seus métodos canibais de matar a vítima."
continua...