15 de outubro de 2011

Capa do Bêbado

Este objeto de tortura tinha como finalidade expor o indivíduo a vergonha e era utilizado como punição para aqueles que abusassem da bebida.
O instrumento consistia em um barril montado sobre o condenado deixando para fora apenas a cabeça e os membros e embora pudesse ser usado para punir outros delitos ele era habitualmente usado para punir os bêbados.

De acordo com um relato de 1655 homens eram levados para cima e para baixo nas ruas com uma "banheira grande" ou barril aberto nas laterais, com um buraco em uma das extremidades para colocarem suas cabeças fazendo-os marchar aos olhos de todos espectadores na rua.

Ainda outro relato em 1641, feita por John Evelyn escreveu que, em Delft, na Holanda a Casa do Senado continha "um recipiente de madeira pesada, usado para punir as mulheres acusadas de traição ao seu marido e assim que elas eram postas dentro do recipientes elas eram levadas pela cidade, como uma penitência por sua incontinência.".

Na legenda da imagem o título
SPANISCHER KRAGEN
pode ser compreendido como
COLAR ESPANHOL
onde estão descritos alguns dos
delitos punidos através deste instrumento.
A legenda da imagem acima traz a
inscrição
STRAFE DER LÜDERLICHKEIT
 cuja tradução literal
PENA DE PRODIGALIDADE
relaciona-se à pessoa que gasta
dinheiro demais.

O termo prodigalidade vem do latim
prodigere, podendo significar
dissipar, malbaratar, desperdiçar.

Por ter sua origem na Lei das XII Tábuas
do Direito Romano a definição do que se
enquadra no delito da prodigalidade torna-se
muito obscura e relativa atualmente.
Como já se é de supor este instrumento de tortura não infligia dor física, ao menos não tanta quanto outras formas de tortura que já mencionei aqui, mas servia para impor a vergonha, para expor ao ridículo o culpado por algum delito considerado leve. De fato, alguns termos utilizados em outras línguas como referência a este instrumento são pilhéria, zombaria ou piada.

Uma vez que a Capa do Bêbado também era usada para punir outros delitos era necessário que houvesse uma forma de identificar o delito cometido pelo condenado e por esse mesmo motivo as laterais do barril eram entalhadas com cenas referentes ao crime cometido como observado nas imagens ao lado.

10 de outubro de 2011

Modificação corporal na História #3 - Escarificação

A escarificação é uma arte corporal extrema cuja origem remonta à antiguidade da própria história humana. Ela foi e continua sendo praticada por homens e mulheres ao redor do mundo. As motivações para a prática são as mais diversas e vão desde fatores culturais, que "marcam" as tradições de vários povos tais como os ritos de passagem, ao direito ou desejo de ser identificado com alguma tribo urbana ou alguma ideologia ou filosofia de vida das sociedades contemporâneas.

Na história uma das mais populares formas de modificação corporal é a tatuagem, igualmente antiga e ritualizada, sobre a qual falarei em outra oportunidade, pois a escarificação - tema desta postagem - surge como uma alternativa à tatuagem para os povos de pele escura tal como ocorre com os povos africanos sendo comum também na Polinésia e Oceania.

A escarifcação consiste na produção de cicatrizes a partir de incisões feitas na pele. Alguns povos a utilizam com fins terapêuticos, para introduzir medicamentos diretamente no corpo.

Em algumas tribos do Sudão, por exemplo, as mulheres são submetidas a três processos de escarificação: aos 10 anos elas marcam o peito, na primeira menstruação é a vez dos seios e, após a gestação, são marcados os braços, as pernas e as costas e podem denotar o status marital de uma mulher.

Nas imagens ao lado vemos exemplos de escarificação ritual tradicional feita por povos africanos cujos padrões marcados na pele serviam também para identificar o origem do indivíduo. 

Além dos ritos de passagem e das práticas "tribais urbanas" a escarificação também encontra sua expressão naquilo que nós poderíamos chamar de "rituais eróticos".

De acordo com sites de referência a escarificação é uma prática pouco frequente entre os praticantes de BDSM (bondage, sadomasoquismo). Os cortes são superficiais e podem ter formas geométricas, letras etc. É mais comum a auto-escarificação. Como há sangramento, o risco de doenças e infecções é grande e até mesmo por conta disso não é das práticas mais comuns. Apesar de extrema a prática da escarificação e suas vertentes vêm ganhando  espaço entre culturas alternativas.

9 de outubro de 2011

Arte surreal de Enzo Barrena

Enzo Barrena é um peruano que trabalha principalmente com fotografia e arte digital e como todo artista sua inspiração é o mundo ou melhor ainda, "mundos".
Seu trabalho tem certo ar de surrealismo, em alguns momentos sombrios, em outros com um tom futurista pós-apocalíptico, ou seja, muito bons. Confira.


Slavesilence


Closer


Corazza


Crowneddd


Desolation


Drowned Blue


Headache


Laundry Day


Men Eater


Nature Resource


Plush


Pollution


Rito


Self-punishment


Sistolediastole


Skinbonsai


Voodoosketch


8 de outubro de 2011

As Botas

As botas eram instrumentos de tortura que como o nome já diz se parecem com botas, a diferença é que elas são recobertas de ferro ou cobre, soldadas em sua maior parte ao chão.
O processo ao qual o condenado era submetido era o seguinte: O condenado era colocado preso deitado ou sentado em uma cadeira em seguida seus pés eram colocados dentro das botas presas ao chão. Após isso as botas eram preenchidas com água fervente ou chumbo derretido para consumirem os pés e as pernas da vítima que agonizava presa e imóvel. Uma variante aplicada na Irlanda para Dermot O'Hurley consistia de botas de metal leve, que foram preenchidos com água fria e aquecida com os pés dentro sobre um fogo até que a água fervesse já um outro exemplo de Autun, França, consistia de botas de cano alto de couro, esponjoso poroso que foram colocadas ao longo dos pés e pernas. Água fervente era derramada sobre as botas, eventualmente através de imersão do couro consumisse a carne ao longo do pé.

Outra modalidade de tortura envolvendo "botas" era a bota espanhola; tratavasse de um invólucro de ferro para as pernas e pés que eram acionados por meio de um parafuso ou manivela usado para comprimir cada vez mais os pés e pernas do condenado. um ferro invólucro para a perna e pé. Ainda outra forma de tortura consistia na utilização de cunhas que assentavam as pernas dos tornozelos aos joelhos. O torturador usava um pesado martelo para bater as cunhas, apertando-as cada vez mais. Em cada pancada, o inquisidor repetia a pergunta ao inquirido. As cunhas dilaceravam a carne e esmagavam os ossos, às vezes tão completamente que era impossível para a vítima voltar a andar, ficando com as pernas completamente desfeitas.












Urbain Grandier, foi o grande vilão do CASO DAS
FREIRAS DE LOUDUN. Ele era a autoridade superior
daquela paróquia e andava envolvido em escândalos
sexuais. Quando as freiras do convento de Loudun apre-
sentaram sintomas de possessão, ou histeria, o padre foi
acusado de magia negra: o povo acreditava que ele era o res-
ponsável pelos fenômenos e o inquérito apurou que Grandier
estaria associado a dois demônios, Asmodeus e Zabulon,
para produzir os ataques.
Sessenta testemunhas fizeram acusações de adultérios,
sacrilégios e outros crimes cometidos mesmo em recintos
sagrados, dentro da igreja. O processo de Urbain Grandier
foi marcado por contradições. Várias religiosas retiraram as
denúncias e revelaram terem sido "instruídas" por superiores.
O réu afirmou sua inocência, mesmo submetido a torturas,
e manteve esta posição até o momento final, na fogueira.
Nos meses seguintes à morte de Grandier, vários de seus acu-
sadores morreram vítimas por doenças misteriosas e as freiras
continuaram a padecer de convulsões.

(HAINING, 1976 - p 106)

http://br.groups.yahoo.com/group/biblioteca_de_lucifer/message/853

Precursores deste arquétipo podem ser encontrados datando de mil anos.
 
A primeira referência feita diz respeito à algo parecido com um coturno, fez uso de uma peça de couro cru vagamente em forma de bota que era encharcada com água, posta sobre o pés e pernas era então amarrada com cordas. A engenhoca era aquecida por um fogo suave, drasticamente a contração do couro cru apertava o pé até que os ossos fossem deslocados - embora não teria sido pressão suficiente para realmente esmagar os ossos dos pés.

Uma das vítimas das botas com as cunhas de madeira prensadas foi Urbain Grandier como visto na figura ao lado.

A tortura foi descrita da seguinte forma:

[Eles colocaram] as pernas do paciente entre duas tábuas de madeira, que se ligam com as cordas, entre os quais puseram cunhas, e fizeram-nas entrar por golpes de um martelo para apertar as pernas ... [e] os ossos das pernas quebravam e caiam em pedaços quando soltos, e aqueles que se submeteram a esta tortura, morreram pouco de tempo depois.

A tortura era muito grave. Medula óssea e sangue fluíram das pernas de Grandier, e sempre que ele clamava a Deus, seus algozes anunciavam que estava na verdade chamando por Satanás. Preso pela tortura, Grandier foi arrastado para o local da execução. Apesar de sua agonia, nunca Grandier confessou à bruxaria. Ele foi queimado vivo na fogueira.

7 de outubro de 2011

Criptozoologia

Talvez você não conheça esta palavra, mas com certeza já se deparou com o objeto de seu estudo em algum momento de sua vida e se o leitor costuma visitar este blog não resta dúvida de que já se deparou com a criptozoologia.
De acordo com a definição a criptozoologia é o estudo de espécies animais incomuns, que existem apenas no campo da hipótese ou que foram vistas apenas por poucas pessoas.
Com certeza está pensando em algum agora, pois eles já fazem parte da mitologia e do "folclore" mundial há muito tempo. No entanto, a criptozoologia não pára por aí, ela aborda também o estudo de animais que se supõe estarem extintos e a relação entre estes animais obscuros e a cultura na qual se encontram inseridos.

Um exemplo de criptoanimal é o dragão. Muito comum nas lendas orientais - e por que não dizer também ocidentais - os dragões fazem parte da cultura tradicional e são associados aos deuses, aos demônios, ao azar, à sorte etc. Entretanto, hoje sabemos que os dragões não existiram, mas... como então se explicam os relatos de achamentos de ossos de dragões ao redor do mundo, muitos deles documentados?

Uma resposta simples é que na verdade os ossos não eram de dragões e sim de dinossauros ou como um monarca europeu viria a descobrir mais tarde eram ossos de gato com barbatanas de peixe. Sim! Ele comprou gato por "dragão".
O termo criptozoologia vem do grego kryptós = oculto e zoologia que é o ramo ad ciência que estuda os animais, portanto, ciência que estuda os animais ocultos.





 
Bunyip

O Bunyip é um animal cuja lenda diz
que ele vive nos rios e lagos da
Austrália. Sua alimentação incluiria
seres humanos, sendo sua dieta predileta
mulheres (só pra variar).
Algumas teorias dizem que o Bunyip
poderia ser uma expécie extinta de
mamífero.
Alguns exemplos de cripto animais
Fera de Gévaudan

Animal que segundo se diz viveu no
sul da França em Gévaudan, distrito
de Lozère por mais de 3 anos por volta
do ano de 1764 e teria matado mais de cem
pessoas ferindo outras 30. Atacava principal-
mente mulheres, crianças e homens
descuidados, além dos animais que
pastavam pelos campos.