15 de novembro de 2010

Samba, bossa e fantasmas

fonte: Jornal do Brasil 21/08/94
Daniela Matta

Segundo Milton Teixeira - um dos maiores especialistas em História da cidade - um roteiro de prédios assombrados no Rio de Janeiro inclui mais de 20 prédios, como o Teatro Municipal, a Fortaleza de Santa cruz em niterói e o Museu Histórico Nacional. Nestes lugares é comum se escutar gritos, sussurros e pedidos de socorro. A Fortaleza de Santa Cruz em Niterói serviu como presídio até o Golpe de 64. Nas celas vazias do subterrâneo ouvem-se gemidos e choros.







Outro prédio rico em mistério é o Museu Histórico Nacional, antigo arsenal da marinha, no Centro. Em uma de suas celas teria sido esquartejado o corpo de Tiradentes.


Além destes prédios podem-se destacar também a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de belas artes, a Câmara dos Vereadores, e o antigo prédio do Supremo tribunal federal. A explicação para isso vem do século XVIII, quando no local ocupado pela Câmara dos Vereadores existiam ruinas de uma capela onde eram realizados cultos satânicos.


De acordo com o que se conta a aparição mais convincente teria ocorrido em 1710, quando todo um pelotão que enfrentava piratas franceses jurou ter visto o próprio Santo Antônio participando de uma luta em defesa da cidade do Rio de Janeiro contra piratas franceses. A vitória teria feito com que Santo antônio fosse incorporado ao exército e chegasse ao cargo de tenente-coronel. Como todo ex-combatente, o Santo recebeu soldo até 1910, entregue "religiosamente" ao convento que leva seu nome, no Centro do Rio.

14 de novembro de 2010

Demonolatria 1ª parte



(Texto) Fonte: Adoração ao Diabo
CARUS, Paul. Devil Worship. History of The Devil, 1900. [Trad. e Adaptação: Ligia Cabus] ─ In Sacred-Texts.[www.sacred-texts.com/evil/hod/hod04.htm]





*parte do texto traduzido de Ligia Cabus foi readaptado nestas postagens.


Esta série de postagens foi inspirada em resultados de uma busca que fiz na internet e em arquivos pessoais sobre o tema demonolatria. O objetivo desta pesquisa foi tentar compreender o porquê da adoração de uma criatura que na grande maioria das culturas (talvez em todas) é considerada como o símbolo maior do mal, e para isso começo transcrevendo o seguinte abaixo:


'Na história da adoração a essa entidade conhecida como diabo, muitos estudiosos, como o alemão Georg Waitz [1813-1886], o inglês Sir John Lubbock [1834-1913], e o também inglês e antropólogo Edward Burnett Tylor [1832-1917] reuniram informações das quais deduziram que em um estágio dos mais "primitivos" da religião, a adoração ou veneração ao Diabo [ou seus assemelhados, o mal] precedeu o culto a um Deus benevolente e moralizador, divindade do Bem.


As divindades malignas aparecem como as personagens mais importantes no passado remoto de quase todos os sistemas de fé. Demonolatria, cultos aos Diabos, são o primeiro estágio da evolução do pensamento religioso; porque os homens, muito antes de pensarem em bençãos, curvaram-se ao meio hostil. Os homens primitivos eram primitivos mas não eram insanos: temiam o Mal e não o Bem. Assim, era natural que buscassem técnicas apaziguadoras que evitassem os infortúnios provenientes de um mal cuja origem não podiam alcançar.









O filósofo inglês, Herbert Spencer [1820-1903], acreditava que o fundamento da religião é o "Desconhecido", querendo com isso dizer que o que os selvagens adoravam [e adoram] é aquilo que eles não entendem. [Assim, o Desconhecido de Spencer é algo que não se entende e não algo que nunca se conheceu. Não é uma hipótese consistente. Um provérbio alemão diz: O que não conheço, não me preocupa; ou em português, algo como: O que os olhos não vêem o coração não sente.






Aquilo que é absolutamente desconhecido não comove o homem. Os selvagens não reverenciam o trovão porque não sabem o que é, ou porque não sabem explicar o fenômeno. Porém, conhecem suficientemente o fenômeno subseqüente, o raio, e os estragos que ele pode causar: matar, machucar, queimar sua cabana. O selvagem tem medo dos trovões e dos raios. Então, em uma tentativa de controlar a ameaça, desenvolve reverência por essa força intangível na esperança de evitar suas manifestações.



Georg Waitz, falando sobre os nativos norte-americanos das tribos da Flórida, observa que indivíduos daquelas culturas que não foram semi-cristianizados, têm, ainda [o autor escreve no século XIX, anos 1800] uma adoração [reverência] solene a um espírito do Mal, Toia ─ que atormenta suas vítimas com visões. Esses nativos pouco se preocupam com o Espírito do Bem, o qual, Ele mesmo, parece [para os nativos] pouco se importar com raça humana.







A mesma característica ocorre em tribos de amerabas, indígenas brasileiros. Esses indígenas têm a viva convicção de um Princípio do Mal [personificado na mitologia do encantado Anhangá - N. do T.] sobre eles; eventualmente, referem-se ao Bem; mas esse, o Bem, é muito menos reverenciado que o outro, o Mal. No contexto de seus esforços pela sobrevivência, os selvagens percebem o Ser Benevolente como uma entidade mais fraca, menos poderosa e/ou influente sobre o destino dos homens que o Mal, que se manifesta diariamente. Em 1605. o capitão John Smith, herói da colonização da Virgínia descrevia o culto a Okke [palavra que, aparentemente, significa além do nosso controle] escreveu:






Existe na Virgínia uma tribo tão selvagem que não possui religião além da reverência a todas as coisas que, potencialmente, podem lhes produzir qualquer dano ou das quais dependem para se manter vivos. Tais coisas, seres e elementos são, por isso, objeto de culto. [É o pensamento religioso animista em busca de apaziguamento das forças da Natureza]. O fogo, a água, o raio, o trovão, cavalos, peixes, etc.. Mas seu Deus maior, a quem chamam Oke. Diz Smith que Oke significa deuses e, assim, Oke é como um panteão resumido em uma imagem. Os nativos disseram que viram Oke e que se parece mais com eles mesmos [homens] do que poderiam imaginar. Nos templos dedicados a Oke, sua representação, entalhada, é assustadora; pintada e adornada com correntes, peças de cobre, contas. [Uma vez por ano 15 jovens são mortos, sacrificados para a gratificação de Oke...].





Práticas similares foram observadas entre quase todas as tribos caribenhas e amerabas, nas ilhas e no continente Sul-Centro-Americano. Em Hispaniola - Ilha de São Domingos [Caribe], a divindade fúnebre é Joacana. O ritual terrível faz desses indígenas alguns dos mais abomináveis entre esses primitivos adoradores do Mal. Entre os povos pré-colombianos do México, os mais civilizados da região, a idéia de um Deus de Paz e Amor não é inteiramente estranha porém, o medo do adversário, o horrendo Huitzilopochtli ainda assustava o suficiente para que os nativos manchassem os altares de seus templos com o sangue de vítimas humanas.

9 de novembro de 2010

Demonolatria 2ª parte

Na postagem anterior sob o título Demonolatria eu abordei, com base no texto traduzido por Ligia Cabus, a questão da origem da adoração do Mal como sendo anterior a adoração do Bem, nesta continuação veremos que práticas de adoração ao "Mal" estão presentes, ou pelo menos podem ser percebidas como características cerimoniais mórbidas, até mesmo em cerimônias de adoração ao bem atualmente, como remanescentes de uma idéia de apaziguamento do mal.

As antigas e clássicas civilizações também carregam esse feio passado em sua história (a saber o sacrifício humano). Os sacrifícios humanos são freqüentemente mencionados na Bíblia. Como no episódio do rei de Moabe (2ª Reis, 3:26,27).


"Quando o rei de Moabe viu que a batalha se mostrou forte demais para ele, tomou consigo imediatamente setecentos homens que puxavam da espada para romperem até o rei de Edom, mas não puderam. 27 Por fim tomou seu filho primogênito que ia reinar em seu lugar e o ofereceu como sacrifício queimado sobre a muralha. E veio a haver grande indignação contra Israel, de modo que se retiraram de ir contra ele e retornaram ao seu país.".

Os profetas pregaram muitas vezes contra a prática pagã entre israelitas que, imitando a religião de seus vizinhos, sacrificavam seus filhos e filhas aos demônios ou então faziam-nos passar através do fogo de Moloch (ou Moloque), para serem devorados pelas chamas.

Moloque era uma deidade especialmente associada com os amonitas (habitantes da terra de amon); possivelmente o mesmo que Milcom. No livro bíblico de Jeremias 32:35, Moloque é mencionado em paralelo com Baal, o que sugere, se não uma identificação, pelo menos alguma relação entre os dois. Diversas autoridades consideram “Moloque” mais como título, em vez de como nome duma deidade específica, e, portanto, apresentou-se a idéia de que a designação “Moloque” talvez tenha sido aplicada a mais de um deus.

Link para o site de origem da imagem de Moloque. (site em inglês)







As nações mais civilizadas do mundo preservam em suas mitologias a memória de, em um tempo primitivo de seu desenvolvimento religioso, imolarem seres humanos para tornar propícias as divindades irritadas. Quando Atenas estava no auge de sua glória, Eurípedes [485-406 a.C. ─ dramaturgo grego] representava o drama do trágico destino de Polixena, que foi sacrificada sobre o túmulo de Aquiles para acalmar o espírito do herói morto assegurando, deste modo, um retorno seguro dos guerreiros gregos.


Os sacrifícios humanos são uma característica central na adoração aos "demônios", mas não é única. Existem outras práticas diabólicas baseadas na idéia de que este tipo de deidade tem prazer em testemunhar a tortura e a maior das abominações, o canibalismo. O canibalismo, como explicam os antropólogos, jamais resulta de uma escassez de comida; não. O canibalismo não é uma simples refeição. Antes, é um ritual religioso, justificado por superstições, crenças, especialmente a idéia de que partilhar [como lanche...] o coração ou o cérebro do adversário proporciona absorver a coragem, a força e outras virtudes do sacrificado. Seriam os rituais antropofágicos, presentes também, pelo menos no passado, na tradição cultural de tribos indígenas brasileiras. (Nota pessoal do autor deste blog)





Esta relação entre comer o semelhante para apoderar-se de suas virtudes, esse pensamento que implica práticas tão brutais, ainda permanece diluída na simbologia mais importante da religião mais poderosa do planeta: o cristianismo. Em particular, o cristianismo católico, com sua cerimônia da Transubstanciação: o pão no corpo, o vinho no sangue de Jesus. Ainda que os padres apelem para todas as justificativas, sejam teológicas, semióticas ou simplesmente misteriosas, essa referência ao beber sangue e comer o corpo é, no mínimo, uma coisa mórbida. A inocente transubstanciação operada nas missas serve como péssima inspiração para a deturpação da prática dando origem a seitas instituídas por psicopatas-criminosos de todo tipo. A Religião nasceu do medo. A religiosidade dos selvagens demonstra isso muito bem. O medo do mal é notável e, por isso, os primeiros esforços foram feitos no sentido de estabelecer uma relação amigável com os agentes do Mal, e não do Bem; porque o Bem não causa transtornos. A demonolatria existe hoje. Está nas manchetes policiais do mundo inteiro; e vai continuar existindo até que o senso comum do homem mediano perceba ou resgate o significado das palavras e a delicada relação ontológica* entre o Bem, o Bom e o Belo.
*Ontológica:Referente à ontologia: ciência que investiga a natureza do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independente da matéria e
das especulações acerca da essência, substância e acidentes.

8 de novembro de 2010

O Fascínio das cidades-fantasmas

E se você de repente se visse como o único ser humano da Terra? ou pelo menos como o único num raio de centenas de quilômetros, sem comunicação e com pouca esperança?



Se você, como eu, já imaginou como isso poderia ser, então já deve ter visto - com certo fascínio - filmes como Eu Sou a Lenda (I Am Legend) ou A Estrada (The Road) e deve ter imaginado como toda aquela desolação é inexplicavelmente fascinante. A idéia de uma cidade deserta, e num sentido maior, de um mundo deserto nos remete à solidão, aos sentimentos de desesperança, à loucura, aos pensamentos sombrios.

O que ainda é objeto de surpresa para algumas pessoas é saber que realmente existem lugares abandonados ao redor do mundo, como por exemplo algumas cidades russas. Não poderíamos nos esquecer também das cidades fantasmas do meio-oeste dos Estados unidos ou mesmo das pequenas cidades no interior do nordeste do Brasil. Nesta postagem, no entanto, me detenho às cidades russas. Nesta série de imagens, fotos de uma cidade da Rússia abandonada após o fim da União soviética.

'Quando a União Soviética entrou em colapso, o governo não tinha fundos para apoiar algumas cidades pequenas em torno de objetos estrategicamente importantes. Pessoas destas cidades foram deixadas sozinhas. Ninguém poderia apoiá-las porque quaisquer comunicações com esses lugares foram encerradas depois que o Exército decidiu que agora não tinha dinheiro para sustentar esses objetos.
As pessoas tiveram que deixar suas casas e se deslocar. Alguns tiveram a sorte de encontrar o seu lugar sob o sol do Exército da nova Rússia, alguns menos afortunados tiveram de deixar tais lugares, sem qualquer esperança de encontrar uma nova casa.'

Esta postagem foi inspirada no site englishrussia.com (site em inglês).

2 de novembro de 2010

O Dia dos Mortos

De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto.. .

O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
Resta um poeta morto!

[...]


Assim inicia Álvares de Azevedo o poema Um Cadaver de Poeta. A morte, aliás, seria ainda a musa inspiradora para diversos outros poemas, não apenas de Álvares de Azevedo, mas de diversos outros poetas ao redor do mundo.


No entanto, não só de poesias "vive" a morte.

A morte é inerente à vida e nas diferentes culturas os povos encontrarão diferentes formas de encarar a morte, algumas culturas encararão a morte como a mais terrível de todas as fatalidades, arauto das vindouras aflições eternas, para aqueles que permanecerão vivos sem seus entes falecidos.


Para outras culturas, no entanto, a morte pode ser encarada como uma ocasião festiva, o que pode aos olhos de alguns observadores soar como desrespeitoso.


Por diferentes motivos resolvi tocar neste tema que engloba toda a humanidade num manto agourento, negro e lutuoso e o principal deles se explica pela data desta postagem, 2 de novembro. Se você vive no Brasil ou no México então sabe que estou falando do dia de finados ou em espanhol "día de los muertos". É claro que não apenas o Brasil e o México celebram um dia específico em homenagem aos mortos, em todo o mundo muitos povos tem algum tipo de comemoração que envolve o mundo dos mortos. Nesta postagem, porém, decidi destacar um pouco da comemoração mexicana do dia dos mortos.


No caso dos mexicanos é emblemática a forma como as homenagens assumem um caráter visivelmente festivo. Ao longo dos séculos alguns costumes indígenas foram misturados com o catolicismo romano muito presente no México. De fato, esses costumes ainda caracterizam a forma de adoração dos católicos mexicanos.
Todo ano, por exemplo, muitas pessoas no México vão a cemitérios no dia 2 de novembro para comemorar o Dia de Finados. Às vezes, flores, comida e bebidas alcoólicas são deixadas para parentes ou amigos achegados que morreram, e alguns até contratam grupos musicais para tocar as músicas prediletas de seus entes queridos falecidos. Muitos católicos também fazem um altar em casa e talvez coloquem ali uma foto da pessoa que morreu.

A Enciclopedia de México explica que certas práticas relacionadas com o Dia dos Mortos parecem “preservar aspectos das cerimônias indígenas dos meses de ochpaniztli e teotleco, quando flores cempasúchil e tamales de milho eram oferecidos aos manes [almas dos mortos] num período do ano em que a colheita tinha acabado de ser feita — no fim de outubro e no começo de novembro”. Conforme comentado pela enciclopédia, alguns costumes lembram festividades similares comemoradas em épocas pré-colombianas, que tinham um certo clima de carnaval.
Apenas para não deixar passar em branco acho que devo mencionar também, por exemplo que até mesmo na Ásia os costumes "cristãos" relacionados à comemoração do Dia de Finados também se faz presente. Por este mesmo motivo posto a foto abaixo.