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8 de novembro de 2011

Escalpo Europeu

A multiplicidade dos métodos de tortura - muitos deles surgidos ou aprimorados na Idade Média - é incontável e um método, em especial, deveria ser angustiante para as mulheres uma vez que eram elas as vítimas da laçada ou escalpo europeu.
A tortura consistia no entrelaçamento de pedaços de metal nos cabelos das mulheres que em seguida eram torcidos até que a mulher cofessasse o crime do qual ela fora acusada ou até que os cabelos juntamente com o couro cabeludo fossem arrancados de sua cabeça.

Aqui eu abro um parêntese para fazer uma  explicação. Normalmente a nossa visão tradicional referente ao escalpelamento nos remete ao velho oeste estadunidense onde os índios, notadamente os Apaches, escalpelavam os invasores brancos, mas a prática do escalpelamento como pudemos ver é bem mais antiga e na verdade nem mesmo era uma prática indígena. 
A diferença que deve ser apontada aqui está no fato de que no caso do escalpo praticado na Europa havia o elemento da tortura como punição de caráter religioso enquanto o escalpo na América introduzida pelos europeus foi uma forma de extermínio dos índios uma vez que no Estado da Pensilvania pagava-se por índio morto e o escalpo era a prova de serviço cumprido. Obviamente com o tempo a prática foi adotada pelos indígenas contra os brancos. 

15 de outubro de 2011

Capa do Bêbado

Este objeto de tortura tinha como finalidade expor o indivíduo a vergonha e era utilizado como punição para aqueles que abusassem da bebida.
O instrumento consistia em um barril montado sobre o condenado deixando para fora apenas a cabeça e os membros e embora pudesse ser usado para punir outros delitos ele era habitualmente usado para punir os bêbados.

De acordo com um relato de 1655 homens eram levados para cima e para baixo nas ruas com uma "banheira grande" ou barril aberto nas laterais, com um buraco em uma das extremidades para colocarem suas cabeças fazendo-os marchar aos olhos de todos espectadores na rua.

Ainda outro relato em 1641, feita por John Evelyn escreveu que, em Delft, na Holanda a Casa do Senado continha "um recipiente de madeira pesada, usado para punir as mulheres acusadas de traição ao seu marido e assim que elas eram postas dentro do recipientes elas eram levadas pela cidade, como uma penitência por sua incontinência.".

Na legenda da imagem o título
SPANISCHER KRAGEN
pode ser compreendido como
COLAR ESPANHOL
onde estão descritos alguns dos
delitos punidos através deste instrumento.
A legenda da imagem acima traz a
inscrição
STRAFE DER LÜDERLICHKEIT
 cuja tradução literal
PENA DE PRODIGALIDADE
relaciona-se à pessoa que gasta
dinheiro demais.

O termo prodigalidade vem do latim
prodigere, podendo significar
dissipar, malbaratar, desperdiçar.

Por ter sua origem na Lei das XII Tábuas
do Direito Romano a definição do que se
enquadra no delito da prodigalidade torna-se
muito obscura e relativa atualmente.
Como já se é de supor este instrumento de tortura não infligia dor física, ao menos não tanta quanto outras formas de tortura que já mencionei aqui, mas servia para impor a vergonha, para expor ao ridículo o culpado por algum delito considerado leve. De fato, alguns termos utilizados em outras línguas como referência a este instrumento são pilhéria, zombaria ou piada.

Uma vez que a Capa do Bêbado também era usada para punir outros delitos era necessário que houvesse uma forma de identificar o delito cometido pelo condenado e por esse mesmo motivo as laterais do barril eram entalhadas com cenas referentes ao crime cometido como observado nas imagens ao lado.

8 de outubro de 2011

As Botas

As botas eram instrumentos de tortura que como o nome já diz se parecem com botas, a diferença é que elas são recobertas de ferro ou cobre, soldadas em sua maior parte ao chão.
O processo ao qual o condenado era submetido era o seguinte: O condenado era colocado preso deitado ou sentado em uma cadeira em seguida seus pés eram colocados dentro das botas presas ao chão. Após isso as botas eram preenchidas com água fervente ou chumbo derretido para consumirem os pés e as pernas da vítima que agonizava presa e imóvel. Uma variante aplicada na Irlanda para Dermot O'Hurley consistia de botas de metal leve, que foram preenchidos com água fria e aquecida com os pés dentro sobre um fogo até que a água fervesse já um outro exemplo de Autun, França, consistia de botas de cano alto de couro, esponjoso poroso que foram colocadas ao longo dos pés e pernas. Água fervente era derramada sobre as botas, eventualmente através de imersão do couro consumisse a carne ao longo do pé.

Outra modalidade de tortura envolvendo "botas" era a bota espanhola; tratavasse de um invólucro de ferro para as pernas e pés que eram acionados por meio de um parafuso ou manivela usado para comprimir cada vez mais os pés e pernas do condenado. um ferro invólucro para a perna e pé. Ainda outra forma de tortura consistia na utilização de cunhas que assentavam as pernas dos tornozelos aos joelhos. O torturador usava um pesado martelo para bater as cunhas, apertando-as cada vez mais. Em cada pancada, o inquisidor repetia a pergunta ao inquirido. As cunhas dilaceravam a carne e esmagavam os ossos, às vezes tão completamente que era impossível para a vítima voltar a andar, ficando com as pernas completamente desfeitas.












Urbain Grandier, foi o grande vilão do CASO DAS
FREIRAS DE LOUDUN. Ele era a autoridade superior
daquela paróquia e andava envolvido em escândalos
sexuais. Quando as freiras do convento de Loudun apre-
sentaram sintomas de possessão, ou histeria, o padre foi
acusado de magia negra: o povo acreditava que ele era o res-
ponsável pelos fenômenos e o inquérito apurou que Grandier
estaria associado a dois demônios, Asmodeus e Zabulon,
para produzir os ataques.
Sessenta testemunhas fizeram acusações de adultérios,
sacrilégios e outros crimes cometidos mesmo em recintos
sagrados, dentro da igreja. O processo de Urbain Grandier
foi marcado por contradições. Várias religiosas retiraram as
denúncias e revelaram terem sido "instruídas" por superiores.
O réu afirmou sua inocência, mesmo submetido a torturas,
e manteve esta posição até o momento final, na fogueira.
Nos meses seguintes à morte de Grandier, vários de seus acu-
sadores morreram vítimas por doenças misteriosas e as freiras
continuaram a padecer de convulsões.

(HAINING, 1976 - p 106)

http://br.groups.yahoo.com/group/biblioteca_de_lucifer/message/853

Precursores deste arquétipo podem ser encontrados datando de mil anos.
 
A primeira referência feita diz respeito à algo parecido com um coturno, fez uso de uma peça de couro cru vagamente em forma de bota que era encharcada com água, posta sobre o pés e pernas era então amarrada com cordas. A engenhoca era aquecida por um fogo suave, drasticamente a contração do couro cru apertava o pé até que os ossos fossem deslocados - embora não teria sido pressão suficiente para realmente esmagar os ossos dos pés.

Uma das vítimas das botas com as cunhas de madeira prensadas foi Urbain Grandier como visto na figura ao lado.

A tortura foi descrita da seguinte forma:

[Eles colocaram] as pernas do paciente entre duas tábuas de madeira, que se ligam com as cordas, entre os quais puseram cunhas, e fizeram-nas entrar por golpes de um martelo para apertar as pernas ... [e] os ossos das pernas quebravam e caiam em pedaços quando soltos, e aqueles que se submeteram a esta tortura, morreram pouco de tempo depois.

A tortura era muito grave. Medula óssea e sangue fluíram das pernas de Grandier, e sempre que ele clamava a Deus, seus algozes anunciavam que estava na verdade chamando por Satanás. Preso pela tortura, Grandier foi arrastado para o local da execução. Apesar de sua agonia, nunca Grandier confessou à bruxaria. Ele foi queimado vivo na fogueira.

1 de outubro de 2011

A Pêra

A pêra - uso difundido de c. 1575 até c. 1700.
A grande diferença dos instrumentos oral, vaginal e retal
era o seu tamanho.
Apesar do nome docemente sugestivo com certeza esta pêra era indigesta - mencionaria "intragável", mas como vocês mesmos poderão perceber a questão não era se você conseguiria tragá-la ou não, você seria forçado a isso.

A pêra foi um daqueles instrumentos privilegiados pelo avanço tecnológico da Idade Média pois fazia uso de mecanismos de mola e parafuso para causar dor e dilaceração na pessoa que estivesse sendo torturada e o procedimento consistia em a pessoa ter a pêra introduzida em um de seus orifícios; boca, reto ou vagina, caso fosse mulher e em seguida a torção do parafuso fazia com que as "folhas" se expandissem aumentando de volume até atingir sua abertura máxima resultando em graves e dolorosas lesões.

As pontas que você pode observar na extremidade de cada segmento iam muito fundo no orifício e serviam para mutilar a garganta, o reto, ou até mesmo o útero da pessoa condenada. No entanto a utilização de tal instrumento não era indiscriminada pois ela era empregada de forma diferente dependendo do suposto crime cometido pela pessoa. Veja abaixo:

A pêra oral - sua finalidade era punir os hereges e os criminosos de tendências anti-ortodoxas.

A pêra vaginal - era usada para punir as mulheres que tivessem sido acusadas de ter relações com Satanás ou com algum de seus parentes.

A pêra retal -  era aplicada aos homossexuais passivos. (a tolerância passava longe naquela época)

24 de setembro de 2011

Água fervente

A imagem acima reproduz a utilização de água fervente como Ordálio,
uma forma utilizada desde o século VIII para se decidir
a inocência de um indivíduo.
Apesar do nome a técnica consistia num caldeirão cheio de um líquido, não apenas água, também era possível que estivesse cheio de óleo, alcatrão, ou mesmo chumbo derretido.

Às vezes, a vítima era colocada no caldeirão, antes de o líquido estar fervendo, de modo a ser cozida lentamente. Ou elas seriam colocadas, geralmente de cabeça, com o líquido já em ebulição.
 
Como você já deve estar imaginando, pela violência do método empregado esta técnica nem sempre foi utilizada para extrair uma confissão, mas por um tempo foi usada como método de execução de prisioneiros.
Na Inglaterra em 1531 de acordo como estatuto de Henry VIII, este método de tortura foi transformado em uma forma legal de pena capital. Ela começou a ser usada para assassinos que usavam veneno após o Bispo de Rochester ter cozido e dado mingau envenenado para um número de pessoas, resultando em duas mortes em fevereiro de 1531.
Ela foi empregada novamente em 1542 para uma mulher que usou veneno. O ato foi revogado em 1547.
Esta forma de pena capital foi também utilizado para os falsificadores e falsários de moedas durante a Idade Média (que eram tecnicamente culpados de traição).

Água fervente também foi utilizada como prova da inocência de um indivíduo, era o assim chamado ordálio ou julgamento de Deus. Seu emprego dava-se da seguinte forma:

"O sacerdote e o acusado entravam a par na igreja e abeiravam-se do altar. Sobre uma fogueira diante deste fervilhava um caldeirão de água, no fundo do qual fora colocada uma pedra. O homem, acusado de roubar um vizinho, negava as acusações e não existiam provas para que pudesse ser declarado inocente ou culpado.
Fora então decidido submetê-lo ao ordálio com água fervente. As regras para estas provações terão sido estabelecidas na Inglaterra, possivelmente já no ano 700, durante o reinado de Ina, rei de Wessex.
As testemunhas que iam participar no julgamento entravam silenciosamente na igreja. Aquelas que acreditavam na inocência do acusado ficavam à esquerda do caldeirão, as de acusação à direita.
Durante os três dias anteriores, o prisioneiro participara na missa e alimentara-se exclusivamente de pão, água, sal e ervas. O seu destino estava nas mãos de Deus. O povo acreditava que a intervenção divina impediria que um inocente fosse injustiçado.
O padre aspergiu as testemunhas com água bente e deu-lhes o crucifixo a beijar. As testemunhas rogaram silinciosamente a Deus para que fosse feita justiça. O acusado, mergulhou então, o braço até o cotovelo na água fervente e retirou a pedra. Se o crime fosse menos grave, teria mergulhado apenas a mão até ao punho.
Três dias depois, remover-se-ia a ligadura do braço queimado. Se a ferida estivesse coberta de pus, era considerada impura, sinal de que Deus considerava o homem culpado. Um tribunal especialmente convocado deliberaria então sobre o castigo. Ao contrário, se as queimaduras estivessem a sarar, o acusado seria declarado inocente. [...]"
 
Fonte do texto em destaque: http://pt.shvoong.com/humanities/religion-studies/2034350-julgamento-deus/

17 de setembro de 2011

O Esmagador de Pés

O esmagador de pés consistia em um par de placas de ferro horizontais apertados em torno do pé por meio de um mecanismo de manivela para dilacerar a carne e esmagar os ossos do pé do condenado.

Um padrão para a linha inferior da placa possuía nervuras para impedir que o pé descalço escapasse para fora do aperto do instrumento se o pé do indivíduo estivesse suando, uma variante mais cruel deste dispositivo em Nuremberg tinha a chapa superior forrada com centenas de pontas afiadas. Ainda uma versão de Veneza tinha conectado ao mecanismo de manivela uma broca, de modo que um buraco aos poucos seria perfurado no centro do peito do pé enquanto o instrumento era apertado.

O aspecto e funcionamento do esmagador de pés é bastante semelhante ao esmagador de cabeças.

10 de setembro de 2011

O Machado

De todos os instrumentos conhecidos de tortura é bem provável que o machado ocupe o lugar de destaque da lista por ser talvez o mais conhecido - embora, convenhamos não daria muito tempo de sofrer depois que o machado descia. Isso de certa forma faz do machado não exatamante um instrumento de tortura e sim de execução, ainda assim imaginem a terrível angústia que o condenado devia sentir dia após dia esperando que o seu chegasse. Por este fator psicológico o machado pode ser considerado um instrumento de tortura. 

O machado era reservado aos condenados de origem nobre, deixando para a plebe os longos períodos de sofrimento inflingidos por outros instrumentos de tortura antes de estes virem a morrer.
O instrumento foi muito popular na Europa onde por inumeras vezes ele foi erguido (e baixado, claro). Em 1477 o pescoço de Jacques D'armagnac, cujo sangue literalmente banhou seus filhos, provou da lâmina do machado. O machado também fez sombra sobre a cabeça do bispo de Rochester, João Fisher e provavelmente foi a última coisa que "passou" pela cabeça de Thomas Morus.
E por falar no clero, é importante lembrar que a própria Igreja marcou presença nas masmorras, não apenas na época em que a Inquisição se fez sentir forte sobre os ombros daqueles considerados hereges, mas até antes disso. O Papa Inocêncio IV autorizou em carta solene publicada em 1252 a tortura dos suspeitos de heresia, tortura essa que não era considerada pecado pela Igreja uma vez que era realizada para o "serviço do Senhor".
Os manuais de tortura se tornaram um guia prático muito importante e até mesmo drogas psicotrópicas eram utilizadas para induzir ao delírio, visto como prova de que o acusado comunhava com o demônio.

Cruel ou não, o machado era com certeza um eficiente sistema punitivo, pois uma vez que as execuções eram efetuadas em público era bem clara a mensagem para todos os que estivessem presentes:
"Faça a mesma coisa que eles e sintam o sabor do mesmo metal"

Paul [Hyppolyte] Delaroche (1797-1856).

L'exécution de Lady Jane Gray en la tour de Londres. 1833.