31 de julho de 2010

O sopro de fogo

O sopro de fogo dos dragões seria teoricamente possível, caso seus pulmões pudessem separar alguns dos gases que compõe o ar e se fossem de um material tolerante ao calor. A centelha de ignição poderia ser obtida da fricção de dois ossos ou pela ingestão de minerais, que poderiam ser combinados quimicamente para gerar uma reação exotérmica. Outras idéias são a utilização de magia por parte dos dragões de modo a criar fogo, sem que este lhes danifique os tecidos e o marfim da boca.
Os dragões representam, em parte a liberdade e o poder que o Homem deseja atingir. Seria bom acreditarmos que eles existem, ignorando a ciência neste assunto, além de mais ainda não se conseguiu explicar como é que a ideia de uma criatura, com asas, sopro de fogo, escamas e potencialmente mágica, pode chegar a culturas tão distantes e diferentes como a China Antiga ou os maias e os astecas.

Dragões na Alquimia
Apenas para dar uma pincelada de alquimia vou mencionar também o significado dos dragões para a simbologia alquímica. O dragão em chamas é um símbolo de fogo e Calcinação. Vários dragões lutando é símbolo de putrefação. Dragões com asas representam o princípio volátil; dragões sem asas representam o princípio fixo. Dragão que morde sua própria calda chama-se Ouroboros e significam a unidade fundamental de todas as coisas.

30 de julho de 2010

Dragões nas lendas européias

No ocidente, em geral, predomina a idéia de dragão como um ser maligno e caótico, mesmo que não seja necessariamente esta a situação de todos eles. Nos mitos europeus a figura do dragão aparece constantemente, mas na maior parte das vezes é descrito como mera besta irracional, em detrimento do papel divino/demoníaco que recebia no oriente.

A visão negativa de dragões é bem representada na lenda nórdica ou germânica de Siegfried e Fafnir, em que o anão Fafnir acaba se transformando em um dragão justamente por sua ganância e cobiça durante sua batalha final contra o herói Siegfried (Sigurd). Nesta mesma lenda também pode ser visto um traço comum em histórias fantásticas de dragões, as propriedades mágicas de partes do seu corpo: na história, após matar Fafnir, Siegfried assou e ingeriu um pouco do seu coração, e assim ganhou a habilidade de se comunicar com animais. Quem assistiu ao filme "O Anel dos Nibelungos pôde reconhecer um pouco da história. Além disso, crê-se que a representação mítica de Sigurd foi transformada dentro da tradição cristã, sendo em parte sincretizada na figura de São Jorge.
Na mitologia grega, também é comum ver os dragões como adversários mitológicos de grandes heróis, como Hércules ou Perseu. De acordo com uma lenda da mitologia grega, o herói Cadmo mata um dragão que havia devorado seus liderados. Em seguida, a deusa Atena apareceu no local e aconselhou Cadmo a extrair e enterrar os dentes do dragão. Os dentes “semeados” deram origem a gigantes, que ajudaram Cadmo a fundar a cidade de Tebas.
Sláine, Cuchulainn e diversos outros heróis celtas enfrentaram dragões nos relatos dos seus povos.

A lenda polonesa do Dragão de Wawel conta como um terrível dragão foi morto perto da atual cidade de Cracóvia, onde o dragão ganhou até mesmo uma estátua em sua homenagem. Na caverna onde a fera supostamente vivia e devorava animais e pessoas fica localizada a tal estátua cuspidora de fogo. Ela solta chamas a cada cinco minutos ou quando alguém manda um SMS com a mensagem SMOK para o número 7168. Ficou curioso? se um dia der um pulo na Polonia mande um SMS.
Durante a idade média as histórias sobre batalhas contra dragões eram numerosas. A existência dessas criaturas era tida como inquestionável, e seu aspecto e hábitos eram descritos em detalhes nos bestiários da igreja Católica. Segundo os relatos tradicionais, São Jorge teria matado um dragão.
Muitos povos celtas, por exemplo, possuíam imagens dragões em seus brasões familiares, e há também muitas imagens de dragões como estandartes de guerra desses povos. Assim, ao contar histórias de vis dragões sendo enfrentados e vencidos por nobres heróis cristãos, os escritores cristãos também estavam fazendo uma apologia da sua religião contra as antigas tradições locais. Pode-se fazer até mesmo um paralelo entre as famosas armas de sopro draconianas e a pregação destas religiões: um dragão que sopra nuvens venenosas, por exemplo, poderia também ser usado como metáfora para blasfêmias “venenosas” proferidas por falsos profetas pagãos.
Em Portugal, o dragão mais famoso é a coca” ou “coca rabixa”. A festa da “coca” realiza-se no dia do Corpo de Deus.

28 de julho de 2010

Dragões na Bíblia

Representação do dragão de sete cabeças bíblico
encontrado entre outros lugares no livro do Apocalipse
Os dragões segundo a cultura cristã, são aqueles que mais influenciaram a nossa visão contemporânea dos dragões.
Muito da visão dos cristãos a respeito de dragões é herdado das culturas do médio oriente e do ocidente antigo, como uma relação bastante forte entre os conceitos de dragão e serpente (muitos dragões da cultura cristã são vistos como simples serpentes aladas, as vezes também com patas), e a associação dos mesmos com o mal e o caos.

De acordo com o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, no Antigo Testamento, dragões tipificam os inimigos do povo de Deus, como em Ezequiel 29:3. Ao fazer isso, associa-se a idéia das mitologias de povos próximos, para dar maior entendimento aos israelitas. É por isso que a Septuaginta (tradução antiga para o grego das Escrituras Hebraicas), na sua narrativa da história de Moisés, traduz “serpente” por “dragão”, para dar maior glória à ação de Deus Êxodo 7:9-12.
Há ainda, no antigo testamento, no Livro de Jó 41:18-21, a seguinte descrição:

18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos são como as
pestanas da alva.

19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.

20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela que ferve, e de juncos que ardem.

21 O seu hálito faz incender os carvões,
e da sua boca sai uma chama
.

Em Isaías 30:6, há citado um “áspide ardente voador”, junto com outros animais, para ilustrar a terra para onde os israelitas serão levados, pois o contexto do capítulo é sobre a repreensão deles. No Novo Testamento, acha-se apenas no Apocalipse de São João, utilizado como símbolo de Satanás.
O Leviatã, a serpente cuspidora de fumaça do livro de Jó, também é considerado um dragão bíblico. Os dragões nas histórias cristãs acabaram por adotar esta imagem de maldade e crueldade, sendo como representações do mal e da destruição.

O caso do mais célebre dragão cristão é aquele que foi morto por São Jorge, que se banqueteava com jovens virgens até ser derrotado pelo cavaleiro. Esta história também acabou dando origem a outro clássico tema de histórias de fantasia: o nobre cavaleiro que enfrenta um vil dragão para salvar uma princesa.

27 de julho de 2010

Dragões americanos

Acima representação estilizada de Quetzalcoatl.
A interpretação moderna do artista, no entanto, não condiz com
a verdade histórica.



Os dragões aparecem mais raramente nos mitos dos nativos americanos, mas existem registros históricos da crença em criaturas “draconídeas”.
Um dos principais deuses das civilizações do golfo do México era Quetzalcoatl, uma serpente alada. Nos mitos da tribo Chincha do Peru, Mama Pacha, a deusa que zelava pela colheita e plantio, era às vezes descrita como um dragão que causava terremotos.
O mítico primeiro chefe da tribo Apache (que, segundo a lenda, chamava-se Apache ele próprio) duelou com um dragão usando arco e flecha. O dragão da lenda usava como arco um enorme pinheiro torcido para disparar árvores jovens como flechas. Disparou quatro flechas contra o jovem, que conseguiu se desviar de todas. Em seguida foi alvejado por quatro flechas de Apache e morreu.

No folclore brasileiro existe o Boitatá (termo formado por tupinismo = cobra de fogo), uma cobra gigantesca que cospe fogo e defende as matas daqueles que as incendeiam. É claro que nesse caso, bem como no caso de Quetzalcoaltl, a alusão aos dragões se faz por via indireta dado o fato de que no continente americano todas as culturas aqui presentes surgiram e se desenvolveram de modo independente do Velho mundo, Europa Ásia e Africa.














24 de julho de 2010

Dragões nas lendas do extremo oriente

Na China, a presença de dragões na cultura é anterior mesmo à linguagem escrita e persiste até os dias de hoje, quando o dragão é considerado um símbolo nacional chinês. Na cultura chinesa antiga, os dragões possuíam um importante papel na previsão climática, pois eram considerados como os responsáveis pelas chuvas. Assim, era comum associar os dragões com a água e com a fertilidade nos campos, criando uma imagem bastante positiva para eles, mesmo que ainda fossem capazes de causar muita destruição quando enfurecidos, criando grandes tempestades. As formas quiméricas do dragão Lung chinês, que misturam partes de diversos animais, também influenciaram diversos outros dragões orientais, como o Tatsu japonês.

Nos mitos do extremo oriente os dragões geralmente desempenham funções superiores a de meros animais mágicos, muitas vezes ocupando a posição de deuses. Na mitologia chinesa os dragões chamam-se long e dividem-se em quatro tipos:





T’ien-lung: Dragão celestial, protetor dos céus e guardião dos que suportam o firmamento.





Shen-lung: Dragão espiritual celeste, é o mastro das tormentas. É suporte no céu e aquele que provoca a chuva. A vestimenta real dos imperadores chineses era adornada com a representação de Sheng-lung –dragão imperial de cinco garras que só podia ser representado ao imperador. A pessoa que se atrevesse a colocar esta prenda de forma inapropriada pagava com a morte.









Ti-lung: Dragão da terra e dos rios, na primavera vive nos céus e em outono, no mar.
Fu-ts’ang lung: Dragão que vigiava os tesouros: jóias e metais preciosos, que se ocultavam em cavernas subterrâneas. A maioria deles tinha um carácter extrovertido, e pouco interferiam na vida do homem.


Nas lendas japonesas os dragões desempenham papel divino semelhante. O dragão Ryujin, por exemplo, era considerado o deus dos mares e controlava pessoalmente o movimento das marés através de jóias mágicas.