12 de julho de 2010

Sangue

É símbolo da parte emocional da alma humana, simboliza também o pacto entre o indivíduo e os poderes divinos ou demoníacos. Nos ritos dos essênios, o sangue menstrual era equiparado ao sangue de Cristo, enquanto que o sêmem era o seu corpo. O sangue de Cristo representa o poder primitivo da vida com profundo potencial no plano psíquico, para o bem e para o mal, que contém em si, a reconciliação dos opostos. Elemento extremamente precioso e potente, corresponde a própria vida da alma, assim como a poção da imortalidade. O sangue possui um vínculo bastante estreito com o afeto; e pois um símbolo da essência da vida com conotação de vida afetiva e que pode ser traduzida por paixão, desejo e violência.


O derramamento de sangue simboliza a intensidade da vida psíquica disponível para ser vivenciada e que não se pode lhe negar a realização pois pressuporia a compensação noutro setor. Nessas imagens, quando surgidas em sonhos, há sempre uma mensagem de que não é admissívil a repressão, pois esta seria a morte interna que traria reflexos externos. A substância do sangue tanto pode simbolizar o tormento como a salvação e isso vai depender exclusivamente do ego que vai vivenciar a experiência.


Na alquimia, o sangue simboliza duas diferentes operações, quais sejam : a solutio e a calcinatio. Enquanto substância fluida, está ligado a experiência da solutio; e sua associação ao fogo, vincula-o a operação da calcinatio. Equiparado ao fogo, podemos associar o batismo de sangue com a mesma simbologia do batismo de fogo.

8 de julho de 2010

ROMANTISMO

A priori não tencionava acrescentar este post, mas devido ao fato de, durante a história do homem, o romantismo estar de certa forma ligado à sentimentos obscuros decidi acrescentá-lo, até mesmo para que houvesse uma visão mais ampla de parte das origens do pensamento obscuro e seu alcance na cultura.
1. Contexto Histórico


O século que se seguiu à Revolução francesa foi um período de mudanças rápidas e profundas. Em confronto com ele, a vida nas épocas precedentes parece quase estacionária. Jamais em tão breve espaço de tempo, houve alterações tão radicais nos modos de vida ou uma subversão de tradições veneráveis, em tão larga escala. uma avalancha de inventos novos acelerou o ritimo da vida a um ponto que ultrapassava os mais ousados sonhos de Leonardo da Vinci ou de Newton. Quando a Revolução Francesa terminou, a Europa contava com 180 milhões de habitantes. Em 1914, essa população atingira o total quase incrível de 460 milhões. Nunca se tinha verificado, em épocas anteriores, algo semelhante a tal acréscimo, em pouco mais de um século. Em consequencia desta e de outras mudanças, a vida do homem moderno assumiu um grau de complexidade e variedade até então desconhecido. Os novos ideais sociais e políticos multiplicaram-se, em desconcertante confusão. Foi uma época de alterações contínuas, de tendências em conflito e de agudas divergências sobre os problemas sociais.


Assim o historiador Edward Burns sintetiza o caráter da nova época em que surgiu o estílo de época denominado Romantismo.


A origem do Romantismo prende-se ao progresso político, econômico e social da burguesia. Após a Revolução Francesa (1789), o absolutismo entra em crise, dando lugar ao liberalismo, doutrina fundamentada na crença da capacidade individual do homem.

O Arcadismo representava uma imitação dos modelos clássicos; o Romantismo vai propor total liberdade de criação, não obedecendo a modelos preestabelecidos, representando, pois, uma ruptura dos padrões aceitos até então.


Victor Hugo, escritor francês do século XIX, preconiza:

"Metamos o martelo nas teorias, nas poéticas e nos sistemas. Abaixo esse velho reboco que mascara a fachada da arte! Nada de regras nem de modelos!"

2. Manifestações Artísticas


A. Pintura


Essa liberdade de criação desencadeia um emocionalismo tempestuoso. Observe a dramaticidade desse quadro que mostra um tema histórico: a Revolução de 1830.


A LIBERDADE GUIANDO O POVO. Eugène Delacroix.

outras obras do período

A BARCA DE DANTE. Eugène Delacroix


LA MAJA DESNUDA. Goya




EL COLOSSO. Goya


B. Arquitetura e Escultura

A influência do Romantismo não se fez sentir com muita intensidade na Arquitetura. O que se observa é uma mistura de vários estilos que vão do Gótico Medieval ao Barroco. Reflete as transformações consequentes da industrialização e da valorização da vida urbana ocorridas no final do século XVIII e início do século XIX, utilizando novos materiais como o ferro e depois o aço. A construção de edifícios (público e de aluguel) visava atender a média e alta burguesia, preocupadas apenas com o maior rendimento da exploração. Porém, fora deste contexto urbano, as igrejas e palácios conservaram algumas características de outros estilos, como o gótico e o clássico.
Destaca-se: Charles Garnier, responsável pelo teatro da Ópera de Paris; Charles Barry e Augustus Puguin, que reconstruíram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, responsável pelo distrito neogótico de Berlim. Segue-se os monumentos funerários, as homenagens históricas, estátuas equestres e a decoração arquitetônica num estilo tanto clássico como barroco. A inovação ocorreu na temática com a representação de animais de terras exóticas em cenas de caça ou luta em detrimento dos temas religiosos.


Destacam-se os escultores: Antoine Louis Barye (1796-1875) na França; Lorenzo Bartolini (1777-1850) na Itália; e François Rude (1784-1855) com o alto-relevo "A Marcha dos Voluntários de 1792" no Arco da Estrela em Paris. (Fonte: www.she.art.br)

C. Música
A música do período também é uma reação à rigidez do classicismo, passando agora a ser encarado como expressão dos estados de alma, sentimentos e paixões humanas. Os dois maiores músicos do Romantismo foram Beethoven e Schubert.











(Beethoven, música)




(Franz Peter Schubert, música)

D. Literatura

As características do Romantismo na literatura também são decorrentes de uma visão de mundo centrada no individualismo.
Esse individualismo se traduz em:
Liberdade de criação;
Insaciedade humana;
Heróis grandiosos;
Evasão;
Senso de Mistério;
Reformismo e


"Mal do século" que é característico da segunda geração romântica inspirada pelos poetas europeus, principalmente Lord Byron, nossos poetas vão cantar os amores impossíveis, o desejo pela morte, a indecisão entre uma vida de liberdade ou religiosa, e a incompreensão do mundo, aliada ao desejo de evasão. É o que Fagundes Varela chamou de "a escola de morrer jovem". Destacam-se nessa segunda geração os fervorosos versos do próprio Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire.

A biografia, bem como o download das obras de alguns desses autores podem ser encontradas neste link.

30 de junho de 2010

Dave McKean

"Dave McKean (n. 29 de Dezembro, 1963, em Maidenhead, Inglaterra) é um célebre desenhista de quadrinhos e ilustrador inglês, além de cineasta e músico. Seu trabalho incorpora desenho, pintura, fotografia, colagem digital e escultura... Dave também, ilustra capas de CDs e de livros."








Esta é parte da descrição encontrada no excelente Blog Simbologia Maldita O Lado B da Vida sobre este artista genial cujas obras voces podem apreciar em parte abaixo.
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Não custa nada reforçar o que já foi dito. O material tema deste post foi retirado do Blog Simbologia Maldita o Lado B da Vida .
E este é o site de Dave McKean.







Ron Pippin

Se me perguntassem o que eu acho do trabalho de Ron Pippin eu diria que é como mergulhar num mundo de conto de fadas pós-apocalíptico com ciborgs e robôs por todos os lados e estranhas máquinas que parecem voar apenas com o poder da imaginação. Imaginação, aliás é o que não falta à este magnífico artista. Confira algumas de suas obras.



Quer conferir mais algumas de suas obras? então siga o link.
Post inspirado no Blog Simbologia Maldita o Lado B da Vida.

27 de junho de 2010

"O Vampirismo Uma Doença da Alma"

fragmento retirado do livro de: JEAN-PAUL BOURRE: Os Vampiros - primeira parte: O Vampirismo Uma doença de alma



PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA (1986)



Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia, para a reprovação eterna.
DANIEL (XII 1-3)




Segundo as lendas e as crenças o vampiro seria uma criatura da noite, um não morto absorvendo a vitalidade dos vivos para escapar ao túmulo. Construiria dessa forma uma espécie de imortalidade mágica na região das trevas, que separam a vida da morte.



"Processos verbais e crônicas do século XVIII são explícitos. No decorrer de certas exumações, sob o controle das autoridades locais, desenterraram-se cadáveres em perfeito estado de conservação: «O corpo não libertava qualquer cheiro, tinha sim, pelo contrário, mantido o seu estado de frescura sem que apresentam-se o mínimo sinal de decomposição. O sangue que saía da boca do cadáver era tão fresco como se de uma pessoa sã se tratasse. O cabelo, a barba e as unhas tinham crescido e a pele começava a separar-se do corpo, enquanto uma nova se formava. O rosto, as mãos, os pés, estavam igualmente conservados.» (Asfeld, 1730.)




Na maior parte dos casos; neste tipo de sepulturas (contrastando com as outras) registram-se tenebrosas vibrações. Fazem-se na aldeia o levantamento de muitas e misteriosas mortes, ocorridas na proximidade do cemitério. Animais degolados, homens e mulheres exangues, crianças mortas por debilidade e outros tantos casos de enlouquecimento.
Os agentes da polícia e os religiosos encarregados de fazer o inquérito dirigiram-se por fim ao cemitério, como era inevitável!
Os túmulos são abertos e o coração do cadáver é trespassado com o auxílio de uma estaca, a cabeça cortada à machadada e o caixão cheio de cal viva. Processos verbais, são redigidos e assinados pelos oficiais do rei e autenticados pelas autoridades locais.







Em 1776, D. Agustin Calmet, padre beneditino e abade de Senóvia, redigiu o seu Tratado sobre as aparições dos espíritos, reencarnações, anjos, demônios, e vampiros da Silésia e da Morávia, dedicado ao príncipe Carlos de Lorena, Bispo d’Olmütz.


Relata-nos ele: «Citam-se e ouvem-se testemunhas, examinam-se situações, observam-se os corpos exumados procurando sinais vulgares, como a mobilidade, a flexibilidade dos membros, a fluidez do sangue, a incorruptibilidade do corpo. Se tais pormenores forem na verdade observados concluir-se-á que são eles quem molesta os vivos, pelo que são entregues ao carrasco a fim de que ele os queime.»




E mais adiante, adverte do perigo que paira: «Este mal que espalha o terror, castiga particularmente a Hungria, a Polônia, a Silésia, a Morávia, a Áustria e a Lorena. Quem de- le nos livrará, pois não deixará de aumentar caso não se puser cobro a tal situação?» E conclui por fim: «No meio de tudo isto, não vejo senão trevas e dificuldades, cuja solução deixo aos mais hábeis e ousados.»


Superstições, alucinações, lendas ou presenças autênticas vindas de além túmulo? A caça está aberta...


Quando se estuda o vampirismo pode-se dizer que se trata de uma via tenebrosa, de um culto da noite cuja divindade central seria o não morto visto que o vampiro cultiva a sua personalidade demoníaca. Ele ama o seu próprio corpo e tenta, por todos os meios mágicos, evitar a sua desintegração.
Os adeptos deste culto mudam de nome segundo as regiões, os dialetos, os costumes. O jesuíta Gabriel Rzazcynsi explica em 1 721: Há mortos que mesmo no túmulo conservam a avidez de devorar e que, à boa maneira dos espectros, fazem as suas vítimas pela vizinhança; os polacos dão-Ihe o nome especial de Upiers e Upiercza.



A Europa central foi, durante muito tempo, o feudo destes senhores da noite, capazes de interromper o processo de decomposição do corpo, suspensos entre a vida e a morte nessas zonas de obscuridade que as antigas religiões povoavam de diabos, de demônios.




Nas províncias da Alemanha, em Hasse, Wurtenberg, Brunswick, afirmava-se que o cadáver-vampiro, uma vez saído do caixão, tinha o poder de se transformar em ave noturna e voar durante a noite à procura das suas vítimas.
Mais perto de nós, o professor Vukanovic assinalou danos causados pelos vampiros na Sérvia, nos anos de 1933, 1940, 1947 e 1948, principalmente na província de Kosovo-Motohija.




Em 1970, o feiticeiro inglês David Farrant foi condenado, sem apelo nem agravo, a cinco anos de 'prisão por violação e profanação de sepultura. E no prosseguimento de numerosos testemunhos acerca de uma «presença» no cemitério de Highgate, no Norte de Londres, que Farrant e os seus adeptos tentaram um ritual de invocação do vampiro. Os jornais ingleses seguiram esta "rocambolesca" aventura durante várias semanas. Falou-se no caso de um caixão arrombado, de um cadáver decapitado por Farrant, de símbolos mágicos pintados sobre as sepulturas, de obsessões, de pesadelos que apavoravam os habitantes de Highgate, de animais degolados pelas veredas do cemitério, etc.



Assim o vampirismo, que tem como figura principal a sombria e arrogante figura do famoso príncipe Drácula – embora estejamos longe das epidemias vampirescas dos séculos XVIII e XIX –faz sempre os seus discípulos. Propõe um método para vencer a morte, utilizando o fascínio e o desejo, jogando com o medo e a obsessão. E uma espécie de espiritualidade contraditória que procura evitar a decomposição do corpo, mantendo os instintos e os impulsos selvagens do homem para além túmulo. O oposto às espiritualidades libertadoras que partem as amarras e comunicam ao homem o sentimento de eternidade, a união com Deus."

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